1990–1999
“Estas Coisas Nos São Manifestadas Claramente”
anterior próximo

“Estas Coisas Nos São Manifestadas Claramente”

Queridas irmãs, tem sido muito animador para mim receber tantos votos de felicidade durante estes últimos seis meses, e sentir vosso apoio. Muitas de vós me têm dito que estão orando por nossa presidência. Sentimos essa força espiritual e com gratidão reconhecemos que ela vem, tanto de vós como do Pai Celestial.

Tenho aguardado ansiosamente esta oportunidade de falar-vos como presidente da Sociedade de Socorro e partilhar os pensamentos que muitas de vós têm partilhado comigo, pessoalmente ou por carta. Estes pensamentos têm ecoado um mesmo assunto: as irmãs estão se comparando umas com as outras.

Por trinta anos tenho desejado conhecer, mais do que qualquer outra mulher da Igreja, essa mulher com quem as mulheres santos dos últimos dias têm se comparado. Ela freqüentemente é considerada como a “Supermulher”. Alguns a chamam de a típica irmã da Sociedade de Socorro, a mulher que faz um pão incrível, que toca órgão como profissional, e que veste suas crianças, sempre impecavelmente arrumadas, com roupas que ela mesma fez.

Onde está ela? Quem é ela? O que ela faz que dá a impressão de estar além do alcance de qualquer mulher? Fiz uma pesquisa minuciosa e encontrei esta mulher. Esta noite eu vos apresentarei essa nossa irmã para que possamos vê-la como é.

O profeta Jacó ensinou: “O Espírito fala a verdade e não mente. Portanto, fala das coisas como realmente são e como realmente serão; assim, estas coisas nos são manifestadas claramente, para a salvação de nossas almas.” (Jacó 4:13.)

Queridas irmãs, desejo falar das “coisas como realmente são e como realmente serão”. (Jacó 4:13.) Para muitas de nós, comparar-nos a uma mulher santo dos últimos dias praticamente perfeita, é parte das coisas como são. Enquanto algumas de nós sentem-se motivadas e encorajadas por tais modelos imaginários ou existentes, outras sentem-se desanimadas e desencorajadas por esta mesma mulher ideal — seja ela uma composição de muitas mulheres, ou alguém de quem temos lido, ou alguém que conhecemos.

As women make these comparisons, I hear such comments as: “When they talk about being a good mother in Relief Society, I always feel so guilty because sometimes I shout at my children.” “I’m not comfortable in church because my husband isn’t active.” “I wish I didn’t have to work, but I need a paycheck to sustain my family.”

Quando as mulheres fazem esta comparação, ouço comentários como: “Na Sociedade de Socorro, quando falam a respeito de sermos boas mães, eu me julgo tão culpada porque às vezes grito com os meus filhos.” “Não me sinto à vontade na Igreja, por que meu marido não é ativo.” “Gostaria de não precisar trabalhar fora, mas preciso de um salário para sustentar minha família.”

Ou então: “Não sou mãe. Não sou casada, e sofro isso principalmente quando estou na Sociedade de Socorro e reunião sacramental. Geralmente vou para casa sentindo que eles não sabem o que fazer comigo na Igreja.”

Estas declarações e outras semelhantes são provenientes, acredito, de comparações irrealistas que fazemos com algum ideal. Como conheço muitas de vós, sei de vossa bondade e de vossos divinos dons pessoais. Sei que estas comparações podem impedir-vos de alcançar vosso potencial e de manter relacionamentos que enriquecerão vossa vida e a de outros. Às vezes, a base destas comparações erradas origina-se de outras irmãs da Sociedade de Socorro, da própria organização da Sociedade de Socorro, ou de expectativas que temos da vida. Seja qual for a origem, o ponto de comparação é errado, a menos que considere as coisas como realmente são — agora e sempre.

O profeta Jacó disse que as coisas como “realmente são” e “realmente serão” são “manifestadas claramente, para a salvação de nossas almas”. (Jacó 4:13.)

Irmãs, como estas coisas nos são manifestadas? Claramente, por meio da plenitude do evangelho de Jesus Cristo, pelo exemplo da vida do Salvador. Somente vivendo seu evangelho podemos encontrar a verdade. Nunca poderemos medir nossa vida corretamente fundamentada em condições sociais, econômicas, étnicas, etárias, conjugais ou físicas.

Perguntai a vós mesmas, se as comparações que fazeis de vós próprias e de outros, são baseadas no modelo de vida do Salvador, ou se elas vêm da tentativa de moldar vossa vida pelo padrão de vida de outros?

As vezes, fazemos comparações inconscientemente. Na Sociedade de Socorro somos rodeadas por vizinhas e amigas, e todas elas parecem criar os melhores filhos, dar as aulas mais inspiradoras, e possuir a maior espiritualidade. Isto pode ser muito desencorajador.

Poderíeis dizer: “Eu sou apenas uma pessoa comum. Não há nada de especial sobre mim ou minha vida.” Contudo, o que me é manifestado claramente, é que vós sois extraordinárias, vós, que tendes vivido em concordância com as leis de nosso Pai Celestial.

Não há maior heroína neste mundo, do que a mulher que faz sua parte em sigilo. Vós, geralmente não reconhecidas, que viveis em qualquer parte — Nebrasca ou Porto Rico, em Gana ou Canadá ou Checoslováquia. Demonstrais vosso amor ao Senhor diariamente enquanto apoiais vosso marido, educais vossos filhos, cuidais de vossos pais, ajudais vossos vizinhos, servis em escolas, participais dos conselhos comunitários, e fazeis muito do trabalho deste mundo, dentro e fora do lar. Não há ninguém mais esplêndida do que vós.

Prometi que vos apresentaria à típica irmã da Sociedade de Socorro…

A boa notícia é que ela realmente existe.

E melhor, é que ela é maravilhosa.

O melhor de tudo, porém, é que ela é cada uma de vós! Essa é a pessoa que vós realmente sois!

  • 2 milhões e 780 mil irmãs moram em 128 países e territórios em todo o globo — desde Invercargill até Edmonton, desde Chicago até Cingapura.

  • 8.000 irmãs são solteiras, missionárias de tempo integral; 1.700 estão cumprindo missão como parte de um casal.

  • Vós estais criando 1 milhão e 200 mil crianças, e meio milhão de moças e meio milhão de rapazes adolescentes.

  • Como professoras visitantes, somente nos cinco primeiros meses de 1990, fizestes aproximadamente um milhão de visitas umas para outras.

Se eu pudesse realizar o desejo do meu coração, gostaria que pudésseis vos sentir valorizadas por vossa própria bondade. O ponto de partida é saber que sois uma filha de Deus. Todas as semanas, as Moças em coro dizem: “Somos filhas do Pai Celestial que nos ama, e nós o amamos. Serviremos de testemunhas de Deus em qualquer tempo, em todas as coisas e em qualquer lugar.” (Vide Mosiah 18:9.)

As crianças da Primária cantam: “Sou da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Eu sei quem sou eu e o plano de Deus com fé eu seguirei.” Quando os meus netos e seus pais cantam esta música juntos com grande entusiasmo, sinto lágrimas de alegria. Sei quem sou eu, sei qual é o plano de Deus, e é este conhecimento que faz toda a diferença.

Nós, irmãs da Sociedade de Socorro, seguimos o lema: A Caridade Nunca Falha. Este lema tem significado pessoal para mim. Ele significa que nós amamos nosso Pai Celestial e que a melhor maneira de expressar esse amor é por meio de tudo o que fazemos para os outros.

Regozijar-se por ser uma filha de Deus, conhecer o plano de Deus e seguir o exemplo de serviço do Salvador — é regozijar-se por coisas verdadeiras.

O Salvador ensinou a mulher samaritana na fonte de Jacó:

“Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte d’água que salte para a vida eterna.

Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me essa água, para que não mais tenha sede.” (João 4:14–15.)

Em Gana, uma irmã da Sociedade de Socorro visita uma mulher que tem sede da verdade, mas que não pode ler. Para dar a essa irmã, a oportunidade de beber abundantemente das verdades do evangelho, a professora visitante procura estar com ela sempre que possível. Ela lê as escrituras para essa irmã e explica seu significado, na sua língua nativa.

Nós ficamos sabendo de uma extraordinária senhora de 60 anos, dinâmica e virtuosa, que reside na Checoslováquia. Ela é um dos poucos santos que permaneceram ativos durante os quarenta anos em que foi negada ao país, a liberdade de religião. A irmã tem compartilhado a água viva, levando o presidente do ramo, de 83 anos, todos os dias para uma caminhada e fazendo compras para ele. Ele precisa de duas bengalas para andar, e fazer compras na Tchecoslováquia não é uma fácil tarefa.

Por meio de ações diárias de serviço, estas mulheres bebem e dão aos outros da fonte d’água que jorra para a vida eterna.

Outra escreveu: “Eu adoro ser mãe. Adoro ensinar o evangelho aos meus filhos. Houve uma semana em que substituí uma professora da Sociedade de Socorro e dei a lição sobre estudo das escrituras em família. Este é um tema muito significativo para mim; não consigo imaginar uma vida familiar sem isto. Depois da aula, uma irmã dirigiu-se a mim e disse: ‘Não sei como consegues fazer todas as coisas. Não tenho essa paciência.’ Ela, porém, canta e tem aulas de música. Houve vezes que invejei pessoas que podiam cantar bem ou tocar um instrumento, porque eu gosto de música.

Tenho conversado com ela, senti que apesar de não ter sido abençoada com grande habilidade musical, o Pai Celestial me abençoou com um amor para ser mãe, o qual é uma dádiva e um talento pelos quais sou grata.”

O ponto fundamental destes três exemplos é que cada uma dessas irmãs serve como pode e segundo as necessidades à sua volta. Não é este o ponto fundamental de vossa vida?

Olhai para tudo que fazeis. Vós fazeis acolchoados para órfãos e visitais mulheres que estão na prisão. Trocais um número incontável de fraldas e consolais olhos chorosos. Coletais roupas para vítimas de terremotos. Ajudais as crianças quando não vão bem na escola. Na Igreja vós presidis, ensinais, aconselhais, sois professoras visitantes, e prestais inumeráveis serviços. Podeis ser presidente da Sociedade de Socorro, bibliotecária, professora das Estrelas A ou de Doutrina do Evangelho. Em tudo que fazeis, abençoais as crianças, os jovens, as mulheres e os homens em todas as unidades da Igreja.

Olhai para tudo que fazeis. Vós fazeis acolchoados para órfãos e visitais mulheres que estão na prisão. Trocais um número incontável de fraldas e consolais olhos chorosos. Coletais roupas para vítimas de terremotos. Ajudais as crianças quando não vão bem na escola. Na Igreja vós presidis, ensinais, aconselhais, sois professoras visitantes, e prestais inumeráveis serviços. Podeis ser presidente da Sociedade de Socorro, bibliotecária, professora das Estrelas A ou de Doutrina do Evangelho. Em tudo que fazeis, abençoais as crianças, os jovens, as mulheres e os homens em todas as unidades da Igreja.

Primeiro: Edificar um testemunho pessoal. Isto significa exercer fé e esperança, e tornar-nos discípulos solícitos e fervorosos do Salvador.

Segundo: Abençoar individualmente a mulher. Confio em vós. Deleito-me em nossa diversidade como mulheres da Sociedade de Socorro e na alegria do viver digno. O profeta Néfi nos diz: “Porque eis que o Senhor estima toda a carne como uma só e aquele que é justo é favorecido por Deus.” (1 Néfi 17:35.)

Terceiro: Desenvolver e exercitar a caridade. O lema da Sociedade de Socorro: A Caridade Nunca Falha, merece ser vivido. Nosso desafio é tornar-nos mais eficientes e reconhecer as necessidades reais do mundo que nos cerca — ou seja, solidão, negligência, analfabetismo, e desabrigo.

Quarto: Fortalecer a família. Dentre os muitos tipos de unidade familiar, amamos e fortalecemos um ao outro quando unimos nossos esforços para nos tornarmos melhores discípulos do Salvador. E depois:

Quinto: Gozar de uma irmandade unida quando compartilhamos a fé, as experiências e idéias em verdadeira amizade.

Edificar, abençoar, desenvolver, exercitar, fortalecer e apreciar — são palavras que impulsionam, motivam, que nos convidam a dar o que temos de melhor.

Nossa meta é que possamos apreciar o processo da vida, edificar o testemunho pessoal e juntas alegrar-nos em ser típicas mulheres da Sociedade de Socorro.

Estas coisas são verdadeiras: o testemunho, a individualidade, a caridade, a família, e a irmandade. Estas são verdadeiras. Assim também sois vós, que estais em toda parte. Eu vos presto homenagem.

Que as bênçãos do Pai Celestial continuem convosco em todo o mundo. Em nome de Jesus Cristo, amém.