1990–1999
O Valor de um Testemunho
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O Valor de um Testemunho

Nossa primeira visita à igreja foi uma experiência edificante, pelo Espírito que lá existia e pelo amor que todos demonstraram por nós. O espírito das mensagens e testemunhos foi uma evidência confirmatória de que havíamos encontrado a igreja verdadeira.

O apoio dos missionários, os bem sucedidos esforços de confraternização dos membros, e nossas orações e jejum, modificaram aos poucos nossos hábitos antigos.

Assistimos com respeito e reverência às reuniões e atividades, mas adiamos o batismo, por temer as reações negativas de nossos familiares.

Eventos anteriores, entretanto, mostraram nossa completa falta de sabedoria e dessa atitude já nos arrependemos. O distrito do Rio de Janeiro se reuniu na capela da Tijuca, para a conferência trimestral. Um poderoso espírito encheu o embiente, desde os primeiros acordes do prelúdio.

As mensagens inspiradas, proferidas do púlpito, prepararam-nos os corações para uma ocasião inesquecível. O Presidente George A. Oakes, da Missão Brasil Norte, que presidiu a conferência, apresentou o irmão Vai Carter, seu conselheiro na missão.

Após citar escrituras escolhidas, o Presidente Carter convidou os homens a cantarem o hino “Careço de Jesus.” Depois de prestar testemunho da missão do Senhor Jesus Cristo, o Presidente Carter declarou que dependia completamente de Cristo para a salvação e exaltação.

Aquela experiência tocou profundamente meu coração e todo o meu ser. Foi impossível controlar as emoções. Eu jamais poderia imaginar-me derramando lágrimas, mas elas eram reais. Naquele momento, o Espírito Santo confirmou de novo a veracidade daquilo que já sabíamos: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias era o reino de Deus na terra, o caminho de volta á mansão celestial de nosso Pai Eterno.

Naquele momento ocorreu um milagre, e nossos receios a respeito do batismo desapareceram. No dia 2 de julho de 1972, minha esposa, eu e meu filho mais velho, Marcus, entramos no redil pelas portas do batismo.

Pela obediência às leis do evangelho, pelo jejum e serviço, nosso Pai Celestial nos abençoou com o poder de vencer o medo, os desafios e as adversidades que nos sobreviessem.

Dos nossos familiares, somente Ivete, uma de minhas irmãs, aceitou o evangelho restaurado e foi batizada. Apesar disso, o restante da família tem alto respeito à Igreja. Milagre semelhante aconteceu em nosso círculo social e profissional — os preconceitos e mal-entendidos foram eliminados, e alguns de nossos melhores amigos aceitaram o batismo.

A que devemos atribuir tais milagres? Ao vigor e poder do testemunho dos santos fiéis, dos quais eu temporariamente dependi. Esta influência despertou-me intelectual e espiritualmente, preparando-me a mente e o coração para receber a plenitude de uma confirmação pessoal do Espírito Santo.

Um testemunho não é uma obra meramente concluída e acabada. E, na verdade, um processo em desenvolvimento contínuo. E essencial à nossa sobrevivência espiritual alimentar e fortalecer nosso testemunho.

John Taylor, quando ainda era um élder recém-chamado da Igreja, chegou a Kirtland quando sopravam os terríveis ventos da apostasia. Parley P. Pratt falou-lhe dos rumores levantados contra Joseph Smith, ao que John Taylor respondeu:

“Os princípios que me ensinaste levaram-me a ele (Joseph), e agora tenho um testemunho igual àquele em que te regozijavas. Se a obra era verdadeira seis meses atrás, ela continua a sê-lo hoje; se Joseph Smith era, então, um profeta, continua a sê-lo.” (Em B. H. Roberts, The Life of John Taylor, Salt Lake City: Booker aft, 1963, pp. 39-40).

Do mesmo modo, Amom e seus irmãos “haviam se fortalecido no conhecimento da verdade; porque eram homens de inteligência sã, e haviam examinado diligentemente as escrituras para poder conhecer a palavra de Deus.

E não só isso; tinham-se entregado a muitas orações e jejuns” (Alma 17:2–3).

Um testemunho não deve ficar escondido. Ele deve ser partilhado. (Vide D&C 62:3; D&C 84:61.)

Em um notável discurso proferido na conferência geral de abril de 1973, o Presidente Harold B. Lee declarou:

“Pois a força da Igreja não está nos números nem na soma de dízimos e ofertas pagos pelos membros fiéis, nem na magnitude dos edifícios de capelas e templos, mas na convicção reinante no coração dos membros fiéis de que esta é realmente a Igreja e o reino de Deus na terra.”

Irmãos, tenho a inabalável convicção de que podeis imaginar quão longa foi minha jornada até chegar aqui. Agora vos pergunto se sabeis o que me trouxe aqui. Apresso-me em responder:

“O meu testemunho.”

Ele é um dom especial de nosso Pai Celestial concedido por intermédio do Espírito Santo a todos os que buscam a verdade. (Vide Morôni 10:4–5.) Há sabedoria em obter e aperfeiçoar um testemunho da verdade, porque ele não só nos ajuda a enfrentar os desafios diários, mas também nos abre os olhos, a mente e o coração para as coisas sublimes e maravilhosas criadas por nosso Pai Celestial, para nosso desenvolvimento e nossa felicidade eterna.

Sei que Deus vive, que Jesus Cristo, nosso Salvador e Redentor também vive, e que dependemos dele para a nossa salvação e exaltação.

Joseph Smith foi realmente o profeta da restauração nesta dispensação. O Senhor fala conosco hoje, por meio do profeta vivo, Presidente Ezra Taft Benson, a quem amamos e seguimos. O Livro de Mórmon contém a plenitude do evangelho.

Presto-vos este testemunho, de todo meu coração, em nome de Jesus Cristo. Amém.