1990–1999
O Maior Desafio do Mundo - Ser Bons Pais
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O Maior Desafio do Mundo - Ser Bons Pais

Meus amados irmãos e amigos, peço-vos a vossa fé e orações, nesta tarde, enquanto procuro falar de um assunto que decidi chamar de o maior desafio do mundo. Faço-o com o privilégio e a responsabilidade de sermos bons pais. Sobre este assunto, tantas são as opiniões quantos são os pais, embora poucos afirmem ter todas as respostas. Eu, certamente, não sou um deles.

Sinto que atualmente há mais rapazes e moças notáveis entre o nosso povo do que em qualquer outra época da minha vida. Muitos destes maravilhosos jovens, presume-se, vêm de bons lares de pais cuidadosos e responsáveis. Ainda assim, a maioria dos pais conscientes sabe que cometeu erros. Certa vez, quando fiz uma tolice, lembro-me de que minha mãe exclamou: “Onde foi que eu falhei?”

O Senhor tem nos instruído: “que criásseis os vossos filhos em luz e verdade”. (D&C 93:40.) Para mim, não há realização humana mais importante.

Ser pai ou mãe não é somente um grande desafio, um chamado divino. E uma realização que requer consagração. O Presidente David O. McKay declarou que ser pai é “a maior prova de confiança que foi dada ao ser humano”. (The Responsibility of Parents to their Children, pamphlet, Salt Lake City: The Church of Jesus Christ of Latter Day Saints, n.d., p.l.)

Embora poucos desafios humanos sejam maiores do que o de ser bons pais, poucas oportunidades oferecem maior potencial de alegria. Certamente não há trabalho mais importante a ser feito neste mundo do que preparar nossos filhos para serem tementes a Deus, felizes, honrados e produtivos. Os pais não encontrarão maior felicidade do que serem honrados por seus filhos, que seguem seus ensinamentos. E a glória da paternidade. João testificou: “Não tenho maior gozo do que este: o de ouvir que os meus filhos andam na verdade.” (III João 1:4.) Em minha opinião, o ensino, a educação e o treinamento dos filhos exigem mais inteligência, compreensão intuitiva, humildade, força, sabedoria, espiritualidade, perseverança e trabalho árduo do que qualquer outro desafio na vida. Isto é essencialmente certo quando os fundamentos morais da honra e decência estão se corrompendo ao nosso redor. Para termos lares bem sucedidos, os valores devem ser ensinados, as regras estabelecidas, os padrões ensinados de maneira absoluta. Muitas comunidades dão aos pais pouco apoio no ensinar e honrar os valores morais. Muitas culturas estão-se tornando sem valor e muitos jovens nessas comunidades estão-se tornando moralmente cínicos.

Quando a sociedade como um todo está decaindo e perdendo sua identidade moral, e muitos lares se estão desmoronando, a melhor esperança é dar maior atenção e esforço ao ensino da nova geração — nossos filhos. Para conseguir isto, primeiro precisamos fortalecer os professores de nossos filhos. Entre esses, estão os pais e outros membros da família e o melhor ambiente para isso deveria ser o próprio lar. De uma maneira ou de outra devemos esforçar-nos com energia para tornar nosso lar mais forte, a fim de que seja um santuário contra a doentia e infiltrante podridão moral que nos cerca. Harmonia, felicidade, paz e amor no lar podem proporcionar aos filhos a força interior de que necessitam para enfrentar em igualdade de condições os desafios da vida. A esposa do Presidente George Bush, Barbara Bush disse aos formandos do Wellesley College:

“Não importa a era ou o tempo, uma coisa nunca mudará: Pais e mães, se tendes filhos, eles têm prioridade. E preciso ler para eles, abraçá-los e amá-los. O sucesso como família, nosso sucesso como sociedade, dependem não do que acontece na Casa Branca, mas do que acontece dentro de sua casa.” (Washington Post, 2 de junho de 1990, p. 2.)

Para ser um bom pai ou boa mãe é necessário que ambos dêem prioridade às necessidades de seus filhos e não às suas. Como conseqüência deste sacrifício, pais conscienciosos desenvolvem nobreza de caráter e praticam as abnegadas verdades ensinadas pelo próprio Salvador.

Tenho o maior respeito pelos pais que estão sós, que se esforçam e se sacrificam, tentando contra toda sorte de desigualdade manter a família unida. Deveriam ser honrados e ajudados em seu heróico esforço. Toda tarefa do pai ou da mãe, porém, é facilitada quando os dois trabalham juntos no lar. As crianças freqüentemente desafiam e testam a força e a sabedoria dos pais.

Há alguns anos o bispo Stanley Smoot estava sendo entrevistado pelo Presidente Spencer W. Kimball, que lhe perguntou: “Com que freqüência você faz a oração familiar?”

O bispo Smoot respondeu: “Tentamos fazê-la duas vezes por dia, mas a média tem sido uma vez.”

O Presidente Kimball replicou: “No passado fazer uma oração familiar uma vez por dia era razoável, mas no futuro não será suficiente se quisermos salvar nossas famílias.”

Ficarei surpreso se no futuro a realização da noite familiar de vez em quando ou com pouca freqüência for suficiente para fortalecer nossos filhos com a força moral necessária. No futuro o estudo esporádico das escrituras em família não será suficiente para dar aos nossos filhos a força necessária para enfrentar a decadência moral do ambiente em que eles viverão. Em que lugar no mundo, os filhos aprenderão sobre castidade, integridade, honestidade, e decência humana básica senão no lar? Estes valores, é claro, serão reforçados na igreja, mas o ensinamento dos pais deve ser mais constante.

Ao tentarem ensinar os seus filhos a evitar os perigos, é incorreto os pais dizerem: “Já passamos e andamos pelos caminhos do mundo e estivemos mais perto do abismo do que você.” Os filhos podem tornar-se cínicos e descrentes das coisas ensinadas no lar, se os pais forem hipócritas. Por exemplo, quando os pais assistem a um fiilfne e proíbem os filhos de fazerem o mesmo, a credibilidade dos pais diminui. Os pais devem ser honestos, se esperam que os filhos também o sejam. Devemos ser virtuosos, se esperamos que nossos filhos sejam virtuosos; se esperamos que eles sejam honrados, também devemos ser honrados.

Outros valores que devem ser ensinados aos filhos são o respeito aos outros, começando pelos irmãos e a própria família; respeito a símbolos da fé e crenças patrióticas de outras pessoas; respeito à lei e à ordem; respeito à propriedade alheia; respeito à autoridade. Paulo adverte que os filhos “aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família”. (I Timóteo 5:4.)

Um dos mais difíceis desafios para os pais é saber disciplinar os filhos. A criação de um filho é muito pessoal. Todo filho é único e diferente. O que funciona com um pode não dar certo com outro. Não sei dizer quem é suficientemente sábio para descobrir que tipo de disciplina é demasiado severa ou qual é a mais branda, a não ser os próprios pais que lhes têm muito amor. E uma questão de fervoroso discernimento dos pais. Certamente o princípio de excesso de zelo ou de liberdade é que a disciplina dos filhos deve ser motivada mais pelo amor do que pelo castigo. Brigham Young aconselhou: “Se fordes chamados para repreender alguém, nunca o repreendais de modo a superar a quantidade de bálsamo que tendes para suavizá-lo.” Journal of Discourses, 9:124–25.) A orientação e a disciplina certamente são parte indispensável na educação dos filhos. Se os pais não disciplinarem os filhos, o poder público o fará, e de maneira desagradável para os pais. Sem disciplina, os filhos não respeitarão as regras do lar nem as da sociedade.

O propósito principal para a disciplina é o ensino da obediência. O Presidente David O. McKay disse: “Se os pais falham em ensinar obediência aos filhos, se não são obedecidos no lar, então a sociedade o exigirá e conseguirá. Portanto é melhor educar um filho no lar ensinando obediência com bondade, empatia e compreensão do que deixá-lo para que seja brutalmente disciplinado pelos meios que a sociedade imporá, se essa obrigação não for cumprida no lar.” (The Responsibility of Parents to Their Children, p. 3.)

Uma parte essencial de ensinar uma criança a ser disciplinada e responsável é ensiná-la a trabalhar. Quando crescemos, muitos de nós somos como aquele homem que disse: “Gosto do trabalho pois ele me fascina. Posso sentar-me e ficar olhando para ele horas a fio.” (Jerome Klapka Jerome, The International Dictionary of Thoughts, comp, by John P. Bradley, Leo F. Daniels, and Thomas C. Jones, Chicago: J. G. Ferguson Publishing Co. 1969, p. 782.) Repito que, os melhores professores do princípio do trabalho são os próprios pais. Foi uma grande alegria quando trabalhei pela primeira vez ao lado de meu pai, meu avô, tios e irmãos. Tenho certeza de que na maioria das vezes, fui mais um estorvo do que uma ajuda, mas as memórias são agradáveis, e valiosas as lições aprendidas. Os filhos precisam aprender a ser responsáveis e independentes. Estão os pais usando o tempo para demonstrar e explicar aos filhos, para, como Léhi ensinou, “obrarem por si próprios e não serem compelidos”? (2 Néfi 2:26.)

Luther Burbank, um dos maiores horticultores do mundo disse: “Se não déssemos mais atenção às nossas plantas do que aos nossos filhos, estaríamos agora vivendo numa selva de ervas daninhas.” (Elbert Hubbard’s Scrap Book, New York: Wm. H. Wise and Co. 1923, p. 227.)

Os filhos também se beneficiam do arbítrio moral pelo qual todos nós temos a oportunidade de progredir, crescer e desenvolver. Esse mesmo arbítrio permite, também que os filhos busquem a escolha alternativa do egoísmo, desperdício, auto-indulgência e autodestruição. Os filhos freqüentemente exercem este arbítrio quando ainda muito jovens. Saibam os pais que têm sido conscientes, amorosos e preocupados e que têm vivido os princípios de retidão o melhor que podem, que são bons pais, apesar das ações de alguns de seus filhos. Por sua vez os filhos têm a responsabilidade de ouvir, obedecer e ser ensinados, e de aprender. Os pais, não podem sempre responder pela má conduta dos filhos porque não podem ter a certeza do bom comportamento deles. Alguns filhos testam até mesmo a sabedoria de Salomão e a paciência de Jó.

Há um desafio especial freqüentemente enfrentado pelos pais que são abastados ou excessivamente tolerantes. De certo modo, alguns filhos nessas circunstâncias fazem de seus pais escravos, sonegando o apoio as regras paternas estabelecidas, a menos que os pais cedam os seus desejos. Elder Neal A. Maxwell disse: “Os que fazem muito para os filhos perceberão bem cedo que nada poderão fazer com eles. Alguns pais fizeram tanto por seus filhos que acabaram por sufocá-los.” (Ensign, maio de 1975, p. 101.) Parece ser da natureza humana não dar o devido valor às coisas materiais não conseguidas por esforço próprio.

Há uma certa ironia quando alguns pais mostram um desejo indomável de que seus filhos sejam aceitos e se tornem populares aos olhos dos colegas; no entanto, estes mesmos pais temem que seus filhos estejam fazendo as mesmas coisas que os seus colegas fazem.

De modo geral, filhos que decidem abster-se de drogas, álcool e sexo ilícito adotaram e assimilaram os verdadeiros valores de seus lares como vividos por seus pais. Em épocas de decisões difíceis estarão mais propensos a seguir os ensinamentos dos pais do que o exemplo de seus colegas ou os sofismas da mídia que enaltece o consumo do álcool, sexo ilícito, infidelidade, desonestidade e outros vícios. São como os dois mil jovens de Helamã que “tinham sido ensinados por suas mães que se não duvidassem Deus os livraria” da morte. “E repetiram-me …as palavras de suas mães, dizendo: Não duvidamos que nossas mães o soubessem.” (Alma 56:47–48.)

O que nos parece consolidar os ensinamentos dos pais e os valores na vida dos filhos é a firme crença na Deidade. Quando esta crença fizer verdadeiramente parte de suas almas, eles terão uma força íntima. Dessa forma, de tudo o que é mais importante para ser ensinado, o que os pais devem ensinar? As escrituras nos dizem que os pais devem ensinar aos filhos “fé em Cristo, o Filho do Deus vivo, e do batismo, e do dom do Espírito Santo”, e a “doutrina do arrependimento”. (D&C 68:25.) Estas verdades devem ser ensinadas no lar. Elas não podem ser ensinadas na escola, nem serão patrocinadas pelo governo ou pela sociedade. E claro que os programas da igreja podem ajudar, mas o ensino mais eficaz é feito no lar.

Os períodos de ensino pelos pais não precisam ser longos, dramáticos ou coercitivos. Aprendemos isto com o Mestre dos Mestres. Charles Henry Parkhurst disse:

“O que embeleza completamente a vida de Cristo são os pequenos gestos imperceptíveis de beleza — a conversa com a mulher no poço; quando mostrou ao jovem rico a ambição secreta de seu coração que o impedia de alcançar o reino dos céus; …ao ensinar a um pequeno grupo de seguidores como orar; ao acender o fogo e preparar os peixes para que seus discípulos se alimentassem; ao esperá-los, quando voltaram de uma noite de pesca, com frio, cansados e desanimados. Todas estas coisas nos levam facilmente à qualidade e verdadeiro caráter dos interesses de Cristo, tão específicos, tão limitados, expressos nos mínimos gestos e tão ampliados nas pequeninas coisas.” (“Kindness and Love”, in Leaves of Gold, Honesdale, Pa.: Coslet Publishing Co., 1938, p. 177.)

E isso é o que significa ser pais. As pequeninas coisas se tornam grandes quando reunidas na tapeçaria da família feita de milhares de pontos de amor, fé, disciplina, sacrifício, paciência e trabalho.

Há grandes promessas espirituais que podem ajudar os pais fiéis nesta igreja. Filhos do convênio eterno podem receber as divinas promessas feitas aos seus valorosos ancestrais que guardaram os convênios. Convênios lembrados pelos pais serão lembrados por Deus. Assim, filhos podem tornar-se herdeiros e beneficiários destes grandes convênios e promessas, por serem filhos do convênio. (Orson F. Whitney, Conference Report, abril de 1929, pp. 110-111.)

Deus abençoe os pais esforçados, honrados e que se sacrificam neste mundo. Que o Senhor honre os convênios dos pais fiéis entre o nosso povo e proteja os filhos do convênio. Oro para que isto aconteça, no sagrado nome de Jesus Cristo, amém.