1990–1999
A Força DO Livro de Mórmon
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A Força DO Livro de Mórmon

As paredes de nosso escritório da Primária ostentam desenhos feitos por crianças de todo o mundo, ilustrando alguns dos grandes acontecimentos do Livro de Mórmon. Olhando para eles, sinto o espírito de nobres profetas e líderes que escolheram ser obedientes ao Senhor, apesar das provações terrenas. Os exemplos de fé, coragem, amor, humildade, serviço e perseverança me sustêm e dão-me forças para enfrentar desafios em minha própria vida.

Para que também vós possais tirar forças de sua mensagem, vou descrever alguns desses singelos desenhos, e falar de idéias sobre os poderosos princípios que eles ensinam. As histórias são conhecidas; no entanto, os preceitos que aprendemos podem ser diferentes, toda vez que as lemos. As escrituras têm o poder de falar à nossa situação particular, onde quer que nos encontremos na vida. Os discernimentos que obtereis poderão ser totalmente diferentes dos meus, mas todos poderão fortalecer-nos pessoalmente.

O primeiro quadro ilustra a jornada de Léhi. Com total fé em que o Senhor o guiaria, Léhi abandonou a segurança e o conforto de sua casa em Jerusalém e iniciou a jornada pelo deserto enfrentando um futuro incerto.

Quando me deparo com o desconhecido, obtenho forças ao lembrar-me de Léhi, e tenho fé em que o Senhor há de me guiar.

Quando observo Néfi construindo um navio, posso imaginar o que lhe passou pela mente. “Como fazê-lo? Nada sei a respeito da construção de navios. Não tive qualquer treinamento!” Em vez disso, ele enfrentou o desafio com coragem, dizendo:

“Se Deus me ordenasse que fizesse todas as coisas, eu as poderia fazer. Se ele me ordenasse que dissesse a esta água: Converte-te em terra, ela se converteria; e, se eu dissesse, assim seria feito.

E agora, se o Senhor tem tão grande poder e fez tantos milagres entre os filhos dos homens, por que não poderá ensinar-me a construir um navio?” (1 Néfi 17:50–51.)

E assim, Néfi construiu o navio.

Quando as tarefas parecem grandes demais ou impossíveis, penso no corajoso Néfi, à beira-mar, construindo um navio.

Gosto de admirar o quadro do Rei Benjamim de pé na imensa torre com os braços estendidos em amor para todo seu povo. Esse querido monarca, que passou a vida a serviço de seus semelhantes, demonstrou grande humildade, admitindo francamente, suas fraquezas e imperfeições; não obstante, afirmou com convicção que sabia que seu chamado era de Deus.

“Não ordenei que subísseis aqui para que me temesseis, nem para que pensásseis que eu por mim mesmo seja mais que um homem mortal.

Sou, porém, como vós outros, sujeito a todas as enfermidades do corpo e da mente… e a mão do Senhor permitiu que eu fosse rei e chefe deste povo… para servir-vos com todo o poder, inteligência e fortaleza que o Senhor me concedeu.” (Mosiah 2:10–11.)

Quando me sinto inadequada e assoberbada pelas fraquezas, penso no rei Benjamim e tento novamente.

Imaginai Alma e Amuleque sentados lado a lado, amarrados com cordas, na prisão. Homens iníquos os perseguiram, aprisionaram e causaram-lhes grandes aflições por testificarem a verdade. Sabemos que os filhos de Deus vêm sofrendo desde o início dos tempos por amor à justiça e continuarão a ser provados. Encontro forças lendo sobre Alma e Amuleque ao enfrentar minhas provações pessoais.

Numa época de valores tão inconstantes em que alguns dizem: “Faça o que quiser, desde que não magoe ninguém”, ou “Se achar bom, faça-o”, ou “Só é errado se for apanhado”, lembro-me dos jovens guerreiros de Helamã. Eles, que aprenderam princípios corretos de suas mães, eram “muito valentes e corajosos, dotados de grande vigor e atividade; mas eis que isto não era tudo, pois eram também homens fiéis em todas as ocasiões e em todas as empresas que lhes fossem confiadas”. (Alma 53:20.)

Pois bem, isto significa ser fiel quando tentado, ser fiel quando não se quer ser, ser fiel quando significa ficar à parte do resto do mundo. Recordar o exemplo desses jovens fiéis fortalece-me, no esforço de ser constante na obediência ao evangelho.

Olhando para o quadro de Cristo aparecendo aos nefitas, lembro-me de uma querida amiga que passou por acontecimentos traumáticos num curto espaço de tempo. Ficou fisicamente fraca, emocionalmente abalada e espiritualmente exaurida. Cada dia parecia-lhe mais difícil de enfrentar que o anterior.* Aguardando no hospital uma cirurgia não desejada, mas necessária, sentia-se totalmente só. Seus pensamentos voltaram-se para Joseph Smith e seu sofrimento na Cadeia de Liberty. Depois pensou em Jesus Cristo. Pediu ao marido que lesse para ela parte de 3 Néfi. Os nefitas haviam-se reunidos no templo da terra de Abundância, e por duas vezes ouviram uma voz, que não entenderam e que parecia vir do céu.

“Apesar de ser uma voz suave, penetrava até o âmago… de tal modo que fazia tremer todas as partes do corpo; sim, penetrou até o mais profundo da alma e incendiou todos os corações…

E eis que, na terceira vez, compreenderam o que dizia a voz…

Eis aqui meu Filho bem amado, no qual me alegro e no qual glorifiquei meu nome; a ele deveis ouvir…

Viram um homem que descia, vestido com uma túnica branca.-..

Eis que sou Jesus Cristo, cuja vinda ao mundo foi anunciada pelos profetas.

E eis que sou a luz e a vida do mundo; bebi da taça amarga que o Pai me deu e o glorifiquei, tomando sobre mim os pecados do mundo, cumprindo assim a vontade do Pai em todas as coisas, desde o princípio.” (3 Néfi 11:3, 3 Néfi 6–8, 3 Néfi 10–11.)

Ouvindo esta passagem, uma doce paz envolveu minha amiga. Pela primeira vez em meses, ela sentia-se aliviada. Seus temores se acalmaram. Ela ganhou forças para ir em frente.

Cristo ministrou não só à multidão, mas deu forças, também, às crianças. No capítulo dezessete de 3 Néfi, Jesus pediu que lhe trouxessem as criancinhas e as reunissem em torno dele.

“Tomou das criancinhas, uma a uma, abençoou-as e rogou por elas ao Pai.

E, dirigindo-se à multidão, disse: Olhai para vossas criancinhas.

E, ao levantar a vista, dirigiram o olhar ao céu; e viram que se abriam os céus e deles desciam anjos que pareciam estar no meio do fogo; e os anjos desceram e circundaram aqueles pequeninos e eles foram rodeados por fogo e anjos lhes ministraram.” (Versículos 21, Versículos 23–24.)

Ao ler esta passagem, sinto-me inundada pelo amor de Jesus Cristo e do Pai Celeste. Jesus nos abençoa diariamente, assim como abençoou aquelas criancinhas, com um amor que me dá forças para ir avante, certa de que me guiará.

Queridos irmãos, testifico que, ponderando fervorosamente o Livro de Mórmon, podemos obter forças para enfrentar os desafios. Sei que o Livro de Mórmon é a palavra de Deus. Quando o leio, recebo a confirmação dessa verdade. Em nome de Jesus Cristo, amém.

  • Estava desesperada na busca de alívio.