1990–1999
“Bondade - uma Parte do Plano de Deus”
anterior seguinte

“Bondade - uma Parte do Plano de Deus”

Minha amiga, Márcia, mudou-se várias vezes, quando criança, por exigência do trabalho do pai. Tinha agora dez anos, e o desafio de freqüentar uma nova escola. A mãe de Márcia percebeu a preocupação da filha e conversou sobre o que a aborrecia.

Márcia falou a respeito do desafio de entrar na escola no meio do ano letivo, tentar acompanhar as matérias e adaptar-se aos professores e outros alunos. A mãe prometeu que ajudaria a filha a adaptar-se à nova situação. Márcia chorou. Com toda sinceridade, ela contou à mãe: “O que me preocupa não são as matérias da escola nem os novos professores”, disse ela, com lágrimas nos olhos “mas odeio comer meu lanche sozinha.”

Márcia precisava de alguém que percebesse sua situação e a convidasse para fazer parte do grupo e travasse amizade com ela. O Salvador disse: “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Efésios 4:32.)

A bondade tem muitos sinônimos — amor, serviço, caridade. Gosto da palavra bondade, porque implica ação. Parece ser algo que vós e eu podemos fazer. A bondade pode ser mostrada de várias maneiras. Meus exemplos prediletos de bondade são os que vêm de Jesus. Ele passou seu ministério buscando os cansados, os doentes, os pobres, e os solitários, a fim de demonstrar-lhes bondade.

Marcos, no Novo Testamento, relata a atenção carinhosa do Salvador para com uma menina. Seu pai era um dos principais da sinagoga onde Jesus ensinava. Disseram-lhe: “A tua filha está morta.” (Marcos 5:35.) Jesus consolou o pai: “Não temas, crê somente” (versículo 5:36.) O Salvador se dirigiu apressadamente para onde estava a menina e disse: “Menina, a ti te digo, levanta-te.

E logo a menina se levantou, e andava, pois já tinha doze anos; e assombraram-se com grande espanto” (vers. 42.) E, depois deste grande milagre, ele continuou a demonstrar preocupação, instruindo-os a dar algo de comer para a menina.

Nosso amado profeta nos ensina a sermos bondosos. O Presidente Ezra Taft Benson nos diz que uma pessoa bondosa é compreensiva e gentil, tem consideração pelos sentimentos alheios, é educada e de natureza solícita.

Continua ele: “A bondade perdoa as fraquezas e faltas alheias. A bondade se estende a todos, aos idosos e aos jovens, aos animais, aos pouco favorecidos, assim como aos mais favorecidos.” (A Liahona, janeiro 1987, p. 52.)

Podeis perguntar: “O que significam em minha vida os exemplos de Jesus e as palavras do profeta?” Jesus nos mostrou o modelo do plano de Deus, por seu exemplo. Nosso profeta, o cabeça da Igreja ajuda-nos a aprender como seguir o plano de Deus e voltar a viver com Jesus e o Pai Celestial. Sei que será difícil testemunhar um milagre como o que mencionei, encontrado nas escrituras. Raramente nos é pedido que sacrifiquemos o conforto ou a segurança, conforme aconteceu com Jesus quando foi desafiado por seus inimigos, ou quando estava fisicamente esgotado. Entretanto, acredito realmente que podemos, cada um à sua maneira, praticar a bondade em nossa própria família, para com nossos amigos, em nossas escolas e comunidades.

Recentemente, conversei com as Garotas Felizes sobre a influência de pessoas bondosas na vida delas.

Kátia e Laura eram boas amigas. Outras pessoas também faziam parte de seu círculo de amizades. Este grupo de meninas planejou uma festa, convidando todas as pessoas do grupo, menos Kátia. Laura, assim que soube do acontecido, simplesmente disse às outras jovens que não poderia aceitar o convite, se Kátia não fosse convidada. O gesto leal e bondoso de uma amiga que seguiu o plano de Deus, evitou muita tristeza e sofrimento.

Quanto mais bondosos somos, mais bondosos nos tornamos. Sófocles, um grande filósofo, disse: “Bondade gera bondade.” Recordo-me de afirmações sobre a bondade, aprendidas em minha juventude, tais como: “Tentarei sempre fazer e dizer coisas gentis, da maneira mais gentil possível.” Uma querida amiga deu-me um verso que a ajuda a agir com bondade:

“Chorei à noite

Por ter sido insensível

às necessidades de alguém,

Mas nunca senti

Um matiz sequer de pesar

Por ter sido um pouco bondoso demais.”

(Citado por Richard L. Evans, “The Quality of Kindness”, Improvement Era, maio 1960, p. 340.)

Nunca um gesto de bondade foi inútil. Nunca é cedo demais para ser bondoso. A bondade pode melhorar tanto aquele que a pratica, como o que a recebe.

Derek nasceu com sérias deficiências físicas. Durante os cinco anos em que esteve na terra, pouco conheceu do mundo dos que correram, brincaram de esconde' -esconde, pulam corda ou não sentem dor. No entanto, ele sabia o que fazer para sentir-se melhor. Quando as coisas eram difíceis, quando sofria e as pessoas ao seu redor ficavam exaustas e desanimadas, ele levantava os braços e perguntava: “Posso dar-lhe um abraço?” Em sua inocência, Derek sabia que podia, com bondade, encorajar os outros, mesmo tendo que suportar tanto sofrimento.

E importante desenvolver o atributo da bondade, ainda que sejamos muito tímidos ou ocupados. Para alguns, como o pequeno Derek, isso exige pouca reflexão prévia; para outros, que não desenvolveram a tendência natural de ser bondoso, requer um esforço muito maior.

Quando jovem, costumava passar as férias na fazenda, e isto me ajudou a apreciar e respeitar o mundo dos insetos e animais. O trabalho engenhoso da abelha sempre me fascinou. Sua tarefa é colher o néctar. Não desperdiça nenhuma oportunidade de sugar os botões de flores, coloridas ou não. Não desanima quando não acha néctar em uma flor, mas busca outra oportunidade, zunindo com energia. Enquanto está ocupada em colher o néctar, poliniza as flores, ajudando-as a cumprir a medida de sua criação. Por fim, coroada de sucesso, ela retorna, e o néctar se transforma no mel da colméia, que alimenta não apenas a si mesma, mas também a próxima geração de abelhas.

Sabemos que a abelha colhe o néctar simplesmente por instinto. Ela não pode evitá-lo, mas pratica um grande bem.

Podemos aprender com a abelha. Podemos desenvolver nosso próprio “instinto de bondade”, buscando, conscientemente, oportunidades de agir com bondade. Não seria este um mundo maravilhoso, se tivéssemos o instinto da bondade, e não pudéssemos evitar ser sempre bons? Podemos tratar o próximo com bondade, e nossos gestos podem transformar-se no doce mel do jardim da vida.

Em algumas ocasiões, talvez queiramos desculpar nossa falta de bondade por não estarmos bem de saúde ou por estarmos de mau humor. E muito fácil agir com bondade quando tudo vai bem em nossa vida, mas, a verdadeira medida de nossa bondade pode aparecer quando estamos cansados, desanimados ou abatidos por alguma atitude maldosa. Será que somos bondosos quando nem tudo está bem?

Jesus Cristo nos deixou um exemplo notável, para seguirmos sempre. Ninguém passará pela dor física e angústia mental que Jesus sofreu na cruz. Ainda assim, neste momento de grande sofrimento, um ladrão na cruz ao seu lado “blasfemava dele” (Lucas 23:39). Jesus não lhe respondeu. O segundo ladrão repreendeu o primeiro e suplicou ao Salvador que intercedesse por ele ao Pai. Jesus deixou de lado o próprio sofrimento, para consolar o ladrão. “Hoje estarás comigo no Paraíso” (versículo 43), disse Jesus. Em breve estaria tudo acabado, e ele teria alívio para sua dor. “Cristo ouviu de um ladrão a última palavra bondosa: Cristo aceitou este gesto de bondade e perdoou o ladrão” (Robert Browning, Familiar Quotations, p. 545).

Um exemplo marcante é a doce bondade que Jesus demonstrou aos seus apóstolos. Quase ao término de seu ministério terreno, Jesus reuniu os apóstolos, ministrou-lhes o sacramento e deu-lhes as instruções finais. Depois, pegou uma toalha, despejou água numa bacia, lavou e enxugou os pés dos discípulos. Pedro, um dos discípulos, disse: “Nunca me lavarás os pés” (João 13:8.) Talvez Pedro tenha resistido por achar que Jesus não devia humilhar-se, com um gesto desta natureza. Jesus insistiu, e lavou os pés de todos os apóstolos, mesmo os pés de Judas, que logo o trairia. Depois que o Salvador lhes lavou os pés, disse: “Entendeis o que vos tenho feito?

Vós me chamais Mestre e Senhor…

Ora se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros.

Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também…

Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes” (versículos 13:12–17).

Ele nos deu um mandamento seguido de uma promessa.

O Salvador nos promete bondade eterna e incondicional.

“Porque os montes desaparecerão e os outeiros serão removidos; mas a minha misericórdia não se apartará de ti” (3 Néfi 22:10; vide também Isaías 54:10.) “Com misericórdia eterna apiedar-me-ei de ti, diz o Senhor teu Redentor” (3 Néfi 22:8; vide também Isaías 5:8).

O lema da Garota Feliz é: Seguirei o Plano de Deus para Mim. O plano de Deus para nós inclui a bondade. Deixo-vos o desafio de buscar oportunidades de praticar a bondade. A promessa é: sereis felizes. E minha oração que desenvolvais o desejo de ser bons e de agir continuamente segundo esse desejo, em nome de Jesus Cristo, amém.