1990–1999
O Farol do Senhor
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O Farol do Senhor

Queridas irmãs, o espírito que sentimos nesta reunião, no tabernáculo histórico e em centenas de capelas e sedes de estaca em todo o mundo, reflete vossa força, devoção e bondade. Citando as palavras do Senhor: “Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo… Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” (Mateus 5:13–14, 16.)

Algumas de vós estais entrando na adolescência, prestes a sair da Primária para iniciar um período emocionante e desafiador, na Organização das Moças de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Outras, solteiras, muitas das quais são vossas professoras. Também há mães, avós, e bisavós que, vez por outra, com uma lágrima, voltam o pensamento para os áureos tempos da juventude e meditam nas palavras do poeta Longfellow:

Quão bela é a juventude! Como nela cintilam

As ilusões, as aspirações, os sonhos!

Livro de Inícios, Histórias sem Fim;

Toda mulher uma heroína, todo homem um amigo!

(Henry Wadsworth Longfellow, Morituri Salutamus, em The Complete Poetical Works of Longfellow, Cambridge, Mass.: The Riverside Press, 1922, p. 311.)

Todas sois irmãs, filhas do Pai Celestial. E com humildade e fervor no coração que me dirijo a vós. Sempre gostei das palavras que o Presidente David O. McKay costumava citar ao vos descrever: “A mulher foi tirada do homem — não de seus pés, para que fosse espezinhada, mas de seu lado, para ser igual a ele; sob seu braço, para ser protegida, e perto de seu coração, para ser amada.”

No entanto, o que sempre me emociona é o simples e sábio conselho: “Os homens devem ter cuidado para não fazerem a mulher chorar, porque Deus conta suas lágrimas.”

Será que todos nós, presentes nesta reunião, sabemos quem somos e o que Deus espera de nós? Lembrai-vos de que o reconhecimento de um poder maior de modo algum nos rebaixa, antes, nos exalta.

Se compreendermos que fomos criados à imagem de Deus, não acharemos difícil nos aproximarmos dele, pois ele criou “o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou”. (Gênesis 1:27.) Este conhecimento, obtido pela fé, nos dá tranqüilidade interior e profunda paz.

Há apenas vinte anos, muitas de vós não havíeis começado a jornada mortal. Vossa morada era um lar celestial. Sabemos relativamente pouco da existência anterior — apenas que vivíamos com aqueles que nos amavam e que se preocupavam corrí nosso bem-estar eterno. Chegou o momento em que a vida na terra seria necessária para nosso progresso. Com certeza houve despedidas, demonstrações de confiança e o reconhecimento de nossa aptidão para a mortalidade.

E que recepção nos aguardava! Pais amorosos regojizaram-se ao nos receber no lar terreno. Fomos tratados com todo o cuidado e carinho. Alguém descreveu um bebê recém-nascido como “o desabrochar da humanidade; uma semente caída do lar celeste para florescer na terra” (Gerald Massey, “Wooed and Won”, em The Home Book of Quotations, sel. Burton Stevenson, New York: Dodd, Mead and Co., 1956, p. 121).

Aqueles primeiros anos foram preciosos e belos. Satanás não tinha poder para nos tentar. Ainda não éramos responsáveis por nossos atos; permanecíamos inocentes diante de Deus. Foram anos de aprendizado.

Logo nos encontramos na fase que muitos chamam de “terrível”: a adolescência. Eu prefiro chamá-la de “incrível”. Que época de oportunidades, de progresso, um semèstre para desabrochar, marcado pela aquisição de conhecimentos e pela busca da verdade.

Ninguém jamais disse que tais anos eram fáceis. Na verdade, eles têm se tornado cada vez mais difíceis. O mundo parece ter cortado as amarras da segurança, e deixado o porto da paz.

Perguntais ansiosas: “Há um caminho seguro? Alguém pode guiar-me? Há saída para a ameaça de destruição? A resposta é um retumbante sim! Aconselho-vos: confiai no farol do Senhor. Não há neblina tão densa, noite tão escura, ventania tão forte, marinheiro tão perdido que sua luz não possa resgatar. Ele acena em meio às tempestades da vida, dizendo: “Este é o caminho seguro; este caminho vos levará para casa.”

O farol do Senhor envia sinais facilmente reconhecíveis, e que nunca falham. Estas palavras de advertência, estes padrões de segurança encontram-se num folheto a ser distribuído brevemente, intitulado: Para o Vigor da Juventude.

Leiamos o prefácio, escrito pela Primeira Presidência da Igreja:

“Prezados rapazes e moças,

Queremos que saibais que nós vos amamos. Temos grande confiança em vós…

Nós, vos desejamos tudo o que há de justo e bom neste mundo. Não sois rapazes e moças comuns. Sois espíritos escolhidos, que foram reservados para virem à terra nestes dias em que as tentações, responsabilidades e oportunidades são enormes. E estais passando por um período crítico, em que deveis não só viver retamente, mas também servir de exemplo para vossos companheiros…

Deus vos ama… Seu desejo… é que volteis à sua presença puros e imaculados, tendo provado que sois dignos de uma eternidade de alegria na presença dele…

Escolhei uma vida moralmente limpa…

Não podeis fazer coisas erradas e séntir-vos bem. E impossível! Anos de felicidade podem ser perdidos na tola satisfação de um prazer momentâneo…

Podeis evitar o peso da culpa e do pecado, e todo o sofrimento resultante, se seguirdes os padrões se mantiverdes os padrões delineados nas escrituras e enfatizados neste folheto…

Oramos para que vós — a jovem geração que surge — mantenhais o corpo e a mente limpos, livres da contaminação do mundo, para que sejais vasos aptos e puros, a fim de assumirdes, triunfalmente, as responsabilidades do reino de Deus, em preparação para a segunda vinda de nosso Salvador.”

(Para o Vigor da Juventude, 1990, p. 1.)

Permiti-me analisar convosco, mulheres da Igreja, os padrões citados no prefácio que acabamos de ler. Há doze itens, seguidos de uma conclusão. Tratarei de cada um brevemente.

  1. Namoro

    Preparai-vos desde já para o casamento no templo. O namoro faz parte de tal preparação. Esperai até os dezesseis anos para namorar. Nem todas as jovens precisam namorar ou querem fazê-lo. Ao começar a namorar, saí em grupos, ou com outro casal. Apresentai os namorados a vossos pais.

    Já que o namoro é uma preparação para o casamento, namorai somente rapazes que tenham padrões elevados.

  2. Vestimenta e Aparência

    Os servos do Senhor sempre nos aconselharam o recato, demonstrando respeito ao Pai Celestial e a nós mesmos. O modo de vestir transmite o que sois interiormente, e pode influenciar vosso comportamento, assim como o das pessoas que vos cercam. Vesti-vos de modo a fazer surgir o que existe de melhor em vós e nos que vos cercam. Evitai roupas justas e reveladoras; evitai o exagero no vestir e na aparência. Se fordes tentadas a usar algo que não deveis, lembrai-vos da velha regra: “Na dúvida — a resposta é não!”

  3. Amizades

    Todos precisam de bons amigos. Vosso círculo de amigos terá grande influência na maneira como pensais e agis, como tereis na deles. Tratai todos com bondade e dignidade. Muitos não-membros vieram para a Igreja por meio de amigos que os convidaram para as atividades. Lembro-me de uma experiência familiar memorável, que teve início em 1959, quando fui chamado para presidir a missão canadense, sediada em Toronto:

    Nossa filha, Ann, fez cinco anos, logo depois que chegamos ao Canadá. Ela via os missionários trabalhando, e queria ser um deles. Minha esposa permitiu que Ann levasse alguns exemplares do Children’s Friend * para a escola. Aquilo, porém, não foi o bastante. Ann quis levar um Livro de Mórmon e falou da Igreja à professora, Srta. Pepper. Foi emocionante que, há poucos anos, muito tempo depois de termos saído de Toronto, quando estávamos retornando de férias, encontrarmos na caixa do correio uma cartinha da Srta. Pepper que dizia:

    “Querida Ann:

    Volte seu pensamento para muitos anos atrás. Fui sua professora em Toronto, no Canadá. Fiquei impressionada com os exemplares do Children’s Friend que você levou à escola, e com sua dedicação a um livro chamado o Livro de Mórmon.

    Prometi que um dia iria à Cidade do Lago Salgado para descobrir por que você falava com tanta convicção e por que tinha tamanha fé. Hoje, tive o privilégio de ir ao Centro de Visitantes, na Praça do Templo. Agradeço a uma menina de cinco anos, que realmente sabia em que acreditava. Agora, compreendo melhor A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.”

    Pouco tempo depois daquela visita, a Srta. Pepper faleceu. Como Ann estava feliz, quando foi ao Templo de Jordan River para realizar as ordenanças por sua amada professora e amiga de tantos anos!

  4. Honestidade

    O tão repetido provérbio ainda é verdadeiro: “A honestidade é a melhor política.” Uma jovem SUD vive aquilo que ensina e aquilo que crê. E honesta com os outros, consigo mesma, e com Deus. E honesta por hábito, considerando isso uma coisa natural. Quando tem que tomar uma decisão difícil, nunca se pergunta: “O que os outros vão pensar?” mas, sim: “O que vou pensar de mim mesma?” Tende coragem para fazer o que sabeis ser correto.

  5. Linguagem

    O modo de falar e as palavras que usais são veículos da imagem que desejais passar. Usai linguagem edificante. Palavras profanas, vulgares, grosseiras, e piadas impróprias, são uma ofensa ao Senhor. Não façais mau uso do nome de Deus e de Jesus Cristo. O Senhor disse: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.” (Êxodo 20:7.) Sede um exemplo positivo para os amigos e outras pessoas, usando uma linguagem imaculada para expressar os pensamentos.

  6. Mídia: Cinema, Televisão, Rádio, Vídeo, Livros e Revistas

    O Pai Celestial nos aconselhou a procurar “qualquer coisa virtuosa, amável ou louvável”. (13.a Regra de Fé.) Tudo o que lerdes, ouvirdes ou assistirdes, deixará marcas em vós.

    Evitai a pornografia, pois é perigosa e vicia. Se insistirdes em ter contato com ela, vosso espírito se tornará insensível e vossa consciência se corroerá.

    Não tenhais receio de sair do cinema, desligar a televisão ou mudar a estação de rádio, se aquilo que é apresentado não estiver de acordo com os padrões do Pai Celestial. Se tiverdes dúvida com relação a um determinado filme, livro ou outro tipo de entretenimento, evitai-o.

    Há apenas uma semana, o jornal publicou o comentário do comediante Steve Allen. Ele descreve uns dos maiores problemas de nossos dias:

    “Steve Allen não acha graça nenhuma na tendência da televisão de usar linguagem imprópria e temas fortes. O veterano comediante fez severas críticas a essa tendência, num artigo publicado no Los Angeles Times.

    “Esse ‘curso’ nos está levando a todos diretamente para o esgoto”, escreveu ele. ‘O tipo de linguagem que os pais proibiam os filhos de usar, está sendo estimulado não apenas nos canais de baixo nível, mas nas redes outrora bem conceituadas’, disse Allen. ‘Os shows que mostram crianças utilizando uma linguagem vulgar, só indicam o colapso da família americana’, disse ele.”

  7. Saúde Física e Mental

    O Apóstolo Paulo declarou: “Não sabeis vós que sois o templo de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?… O templo de Deus, que sois vós, é santo” (Coríntios 3:16–17.) Procurai ter hábitos alimentares saudáveis; evitai dietas da moda e ignorai a publicidade persuasiva que só valoriza a esbeltez. Remédios fortes ou usados sem prescrição médica, álcool, café, chá, tabaco e derivados destroem vosso bem-estar físico, mental e espiritual. Qualquer tipo de álcool, inclusive a cerveja, é prejudicial ao espírito e ao corpo. O tabaco pode escravizar, enfraquecer os pulmões e encurtar a vida.

    A influência do tabaco é ilustrada numa carta escrita por certa mãe à famosa colunista e conselheira de relações humanas, Ann Landers:

    “Querida Ann Landers:

    Há um ano, nosso filho de 2 anos de idade, Earl, começou a ter dificuldade para respirar, e nós o levamos ao médico. Descobrimos que Earl é alérgico a fumaça de cigarro. Meu marido disse que nós dois precisávamos parar de fumar imediatamente. Ele nunca mais tocou num cigarro. Eu voltei a fumar na mesma noite.

    Meu marido não sabe que continuo fumando. Tenho que fumar às escondidas e isto está me deixando com os nervos à flor da pele. O que você acha de deixarmos um bom casal adotar o pequeno Earl, um bom casal de não fumantes? O único problema é que meu marido é louco pelo menino. Eu também o amo, mas sou um pouco mais prática. O que acha, Ann?

    Assinado: Sra. E.R.M.”

    “Querida Sra. E.R.M.:

    Acho que muitos dos que leram esta carta estão pensando que eu a inventei. E simplesmente absurdo ver uma mãe colocar o cigarro acima do próprio filho. Não comente esta idéia maluca com seu marido. Eu daria razão a ele se decidisse ficar com o pequeno Earl e livrar-se de você!”

  8. Música e Dança

    A música pode ajudar-vos a chegar mais perto do Pai Celestial. Pode educar, edificar, inspirar e unir as pessoas. No entanto, o seu ritmo, volume e letra, podem entorpecer a sensibilidade espiritual. De modo algum deveis permitir que música imprópria entre em vossa mente. Dançar pode ser algo agradável e proporciona a oportunidade de conhecer pessoas novas e fortalecer amizades. Freqüentai bailes onde os padrões de vestimenta, a iluminação, os estilos de dança, a letra e a música contribuam para que o Espírito do Senhor esteja presente.

  9. Pureza Sexual

    Pelo fato de a intimidade sexual ser tão sagrada, o Senhor exige que tenhamos autocontrole e pureza antes do casamento, e que sejamos totalmente fiéis depois. Ao namorar, tratai vosso companheiro com respeito e exigi dele o mesmo respeito por vós.

    O Presidente David O. McKay aconselhou: “Rogo-vos que tenhais pensamentos puros.” E declarou esta grande verdade: “Toda ação é precedida por um pensamento. Se desejamos controlar nossas ações, precisamos controlar nossos pensamentos.” Irmãs, tende bons pensamentos, e agireis corretamente.

    Ao ser tentadas, lembrai-vos do sábio conselho de Paulo: “Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que vos não deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.” (1 Corindos 10:13.)

  10. Dia do Senhor

    O Senhor instituiu o dia santificado para vosso próprio benefício e ordenou que o guardásseis. Há muitas atividades apropriadas para o Dia do Senhor. Tende em mente, no entanto, que o domingo não é um feriado. E um dia santificado.

  11. Ajuda Espiritual

    Ao serdes confirmadas membros da Igreja, recebestes o direito à companhia do Espírito Santo. Ele pode ajudar-vos a escolher o que é certo. Nos desafios ou tentações, não precisais sentir-vos sós. O Espírito Santo vos ajudará a discernir o certo do errado. “Pois aqueles que são sábios… (tomaram) o Santo Espírito por seu guia…” (D&C 45:57.)

    Sede fiéis aos ideais, pois os “ideais são como as estrelas; (não podeis tocá-los) com as mãos, (mas ao) segui-los chegareis ao vosso (destino)” (Familiar Quotations, 14.a edição, comp. por John Bartlett, Boston: Little Brown and Co., 1968, p. 733). A ajuda espiritual está à distância de uma prece.

  12. Arrependimento

    Se alguém se desviou, há um caminho de volta. O processo é o arrependimento. O Salvador morreu por nós, para nos conferir esse dom precioso. Embora o caminho seja árduo, existe a promessa: “Ainda que vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve.” (Isaías 1:18.)

    Não arrisqueis a vida eterna. Guardai os mandamentos de Deus. Se houverdes pecado, quanto mais rapidamente iniciardes o caminho de volta, mais rapidamente sentireis a paz e alegria do milagre do perdão.

    Estas são as diretrizes encontradas em “Para o Vigor da Juventude”. Quando vivemos do modo que o Senhor deseja, servindo a Deus e ao próximo, sentimos alegria e felicidade.

    Nosso amado Presidente Ezra Taft Benson envia-vos seu abraço carinhoso. Ele vos apóia em tudo o que é bom, puro e íntegro. Ele vos ama e confia em vós. E como podeis retribuir tal amor e confiança?

    Tendes uma herança: Honrai-a.

    Enfrentareis o pecado: Afastai-vos dele.

    Conheceis a verdade: Vivei-a.

    Tendes um testemunho: Partilhai-o.

    Com freqüência obtemos força espiritual por meio de serviço abnegado. Ilustrarei esta verdade, com uma experiência que realmente ocorreu com algumas jovens, a professora delas e uma viúva.

    Com a chegada do Natal, uma professora das Lauréis marcou uma visita para alegrar uma viúva solitária, chamada Jane. As jovens prepararam um lanche e até levaram uma árvore de Natal. Lembraram-se também de oferecer-lhe flores para alegrar-lhe o coração.

    Com as mãos cheias de pacotes, as jovens e a professora subiram os degraus, que pareciam intermináveis, para chegar ao apartamento de Jane. Com passos vagarosos, a idosa viúva demorou para abrir a porta. Cumprimentou cada uma das belas jovens, dando-lhes as boas vindas. Estavam alegres enquanto montavam a árvore de Natal e a enfeitavam com tanto cuidado. Depois, puseram os presentes sob a árvore. Eu estava lá. Nunca havia visto uma árvore tão linda, pois nenhuma árvore fora enfeitada çom tanto esmero, tanto amor cristão e tanta dedicação. A professora foi à cozinha, com três jovens, preparou o lanche e fizeram uma festa.

    Mais tarde, a amável viúva reuniu as convidadas e contou-lhes as lembranças mais preciosas de sua vida. Relatou como, quando menina na distante Escócia, ouvira a mensagem dos missionários e abraçara a verdade, sujeitando-se às zombarias e comentários provocados por ter aceito uma fé pouco conhecida. Contou que passava o Dia do Senhor viajando, só para assistir às reuniões. Instintivamente, as jovens fizeram uma comparação, perceberam com que felicidade iam à capela aos domingos.

    Quando Jane falou de sua vinda para a América, a viagem por um oceano tempestuoso e o sentimento que teve ao avistar pela primeira vez a Estátua da Liberdade, percebi visivelmente que as jovens se comoveram. Lágrimas marejavam-lhes os olhos, e em cada coração, havia uma promessa — promessa de fazer o que é correto, de ser honesta, fiel, e de viver os padrões do evangelho.

    No final da noite, houve beijos e abraços; as jovens saíram em fila, escada abaixo, em direção à rua. Deixavam para trás uma mãe presenteada pela bondade do mundo, com a chama do amor novamente acesa, com a fé fortalecida. Tenho certeza de que aquele foi o dia mais feliz de sua vida. O pequeno arranjo de flores foi cuidadosamente guardado. Tornou-se um símbolo de tudo o que é bom, puro e íntegro.

    Lá fora, a neve caía, e as jovens ouviam os próprios passos no chão coberto de neve. Ninguém podia dizer uma só palavra. Por fim uma Laurel perguntou: “Por que é que nunca me senti tão bem em toda a vida?” Outras concordaram. Respondi-lhes: “Lembrem-se das palavras do Mestre: ‘Quando o fizestes a um destes meus pequeninos… a mim o fizestes’.” (Mateus 25:40.) As palavras do hino “Pequena Vila de Belém” pareciam encaixar-se perfeitamente. Nós as repetimos:

    O dom glorioso divinal, nenhum ruído faz.

    Porém a este mundo nova esperança traz.

    Sereno e sem arautos, sem toques de clarim,

    Traz de ao mundo redenção, amor e paz sem fim!

    (Hinos, n.o 119.)

    Ele trouxe amor e paz sem fim a um lar humilde, a uma viúva solitária, ao coração daquelas jovens. O farol do Senhor havia iluminado o caminho.

    Que possamos sentir esse espírito, o espírito de Cristo, é minha humilde oração. Em nome de Jesus Cristo, amém.