1990–1999
“Vinde a Mim”
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“Vinde a Mim”

Em sua amada Galiléia, a região natal familiar e privilegiada de Jesus, o Filho de Deus realizou não apenas o seu primeiro milagre registrado, mas também muitos grandes milagres que, certamente, devem ter surpreendido e maravilhado o povo da Galiléia que os presenciou. Ele curou um leproso, curou o servo de um centurião, acalmou uma tempestade, expulsou demônios, curou um paralítico, abriu os olhos dos cegos, e devolveu a vida a uma jovem que havia morrido.

A maioria das pessoas de sua região natal não queria acreditar realmente. “Não é este o filho de José?” (Lucas 4:22), perguntavam eles a respeito de Jesus, recusando-se a reconhecer sua herança divina. Jesus chorou por essas pessoas, que deveriam ter melhor entendimento. Por causa de seu ceticismo, descrença e recusa a arrepender-se, ele repreendeu as cidades em que muitos de seus grandes milagres foram realizados. Criticando severamente e apontando os erros das cidades iníquas de Corazim, Betsaída e Capernaum, disse ele:

“Porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje.

Porém eu vos digo que haverá menos rigor para os de Sodoma, no dia do juízo, do que para ti” (Mateus 11:23–24).

Angustiado com a iniqüidade e a falta de fé de tantas pessoas em sua região natal, o Salvador elevou uma oração de gratidão pelas pessoas humildes e simples que realmente ouviam seus ensinamentos e verdadeiramente ; acreditavam. Esses aprendizes humildes precisavam dele, precisavam de sua mensagem. Elas demonstraram que os humildes, os necessitados e os aflitos queriam ouvir a palavra de Deus e apreciavam-na. Fortalecendo esses novos crentes e demonstrando preocupação por aqueles que não o seguiam, Cristo fez um convite profundo, naquilo que o Elder James E. Talmage apropriadamente chamou de “uma das maiores efusões de emoção espiritual jamais conhecidas pelos homens” ((Jesus o Cristo, p. 251). Estas são as palavras do Mestre, ao fazer esse apelo:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.

Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.

Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mateus 11:28–30).

Este convite (e promessa) é uma das escrituras citadas com mais freqüência, e tem sido fonte de encontro e segurança para milhões de pessoas. No entanto, houve entre os que o ouviram, naquela época, alguns cuja visão era tão limitada, que enxergavam apenas o filho de um carpinteiro, falando de um jugo de madeira. Um jugo que, muitas vezes, ele sem dúvida cortou e esculpiu em caibros de madeira pesados, para bois pertencentes àqueles mesmos homens que o estavam ouvindo.

O Elder Talmage acrescentou: “Convidou-os a vir do trabalho pesado para o serviço prazenteiro; dos fardos quase insuportáveis das exações eclesiásticas e formalismo tradicional, para a independência do verdadeiro espírito de adoração; do cativeiro para a liberdade. Mas eles recusaram-se a fazê-lo” (esus o Cristo, p. 251).

Eis aí um apelo profético e uma promessa magnífica para um povo que enfrentava grande perigo; eles, porém, não conseguiram entender. Ele sabia o que os esperava, mesmo que eles não o soubessem, e estava convidando-os para virem a ele, a fim de encontrarem descanso e segurança para suas almas aflitas. Não havia ele já mostrado que poderia dar descanso àqueles que lutavam com doenças e enfermidades graves? Não havia ele já aliviado o fardo daqueles que estavam oprimidos pelos pecados e cuidados do mundo? Não havia ele já ressuscitado uma pessoa dentre os mortos, provando que tinha poder divino para aliviar até a maior de todas as cargas do universo? E, no entanto, ainda assim, a maioria não queria “vir a ele”.

Infelizmente, a recusa de aceitar seus milagres e seu convite glorioso ainda é vista hoje. Essa oferta maravilhosa de ajuda, feita pelo próprio Filho de Deus, não era restrita aos gaiileus daquela época. Esse chamado para carregar seu jugo suave e aceitar seu fardo leve não se limita a gerações passadas. Foi e é um apelo universal a todas as pessoas, a todas as cidades e nações, a todos os homens, mulheres e crianças de toda parte.

Em nossos próprios momentos de necessidade, não podemos deixar de reconhecer essa infalível resposta aos cuidados e preocupações do nosso mundo. Esta é a promessa de paz e proteção pessoal. Esse é o poder de redimir do pecado em todos os tempos. Nós também devemos acreditar que Cristo tem o poder de aliviar nossa carga e tornar nosso fardo mais leve. Nós também temos de vir a ele, e nele receber descanso para nossos labores.

Naturalmente, algumas obrigações acompanham essas promessas. “Tomai sobre vós o meu jugo”, suplica ele. Nos tempos bíblicos, o jugo era um recurso de grande valia para os que trabalhavam no campo. Permitia que a força de um segundo animal se unisse ao esforço de um outro, repartindo e diminuindo o trabalho pesado de um arado ou carroça. Um fardo que era grande demais, ou talvez impossível de ser carregado por um só, podia ser eqüitativa e confortavelmente suportado por dois bois, unidos no mesmo jugo. O jugo de Cristo exige um esforço grande e honesto, mas para os que realmente são convertidos, esse jugo é suave e a carga se torna leve.

Por que levar os fardos da vida sozinhos, pergunta Cristo, ou por que carregá-los com o apoio material que logo falhará? Para os que estão sobrecarregados, é o jugo de Cristo, é o poder e a paz de estarmos ao lado de um Deus que oferecerá o apoio, o equilíbrio e a força para enfrentar nossos desafios e tarefas, aqui no campo árido e difícil da mortalidade.

Obviamente, os fardos variam de pessoa para pessoa, mas todos nós os temos. Mais ainda, cada provação da vida é talhada de acordo com a capacidade e as necessidades de cada pessoa, segundo o conhecimento de um Pai Celestial amoroso. Naturalmente, algumas tristezas são trazidas pelos pecados do mundo que não segue o conselho do Pai Celestial. Seja qual for a razão, nenhum de nós parece estar completamente livre dos desafios da vida. Cristo disse, a todos: Uma vez que todos têm de carregar algum fardo e tomar sobre si algum jugo, por que não deixar que seja o meu? Minha promessa para vós é que meu jugo é suave, e meu fardo é leve (vide Mateus 11:28–30).

“Aprendei de mim”, continuou ele, “que sou manso e humilde de coração” (Mateus 11:29). deveriam ensinar-nos que o orgulho, a arrogância, a auto-adulação, o convencimento e a vaidade contêm as sementes da autodestruição dos indivíduos, cidades, ou nações. As cinzas e o entulho de Corazin, Betsaída e Capernaum são a testemunha silenciosa das advertências ignoradas do Salvador àquela geração. Outrora cidades majestosas e poderosas, elas não existem mais. Queremos acrescentar nossos nomes ou os nomes de nossa família a essa lista? Não, é claro que não; mas, se não quisermos fazê-lo, temos de ser verdadeiramente mansos e humildes. Ao tomar sobre nós o jugo de Jesus e ao sentir o que ele sentiu pelos pecados do mundo, aprendemos mais profundamente a respeito dele e especialmente aprendemos a ser como ele.

O Presidente Ezra Taft Benson disse:

“É maior, mais abençoado e feliz o homem cuja vida mais se assemelha ao exemplo de Cristo. Isso nada tem a ver com riqueza, poder ou prestígio terrenos. O único teste verdadeiro de grandeza, de bem-aventurança e de alegria é o quanto uma vida pode ser mais semelhante ao Mestre, Jesus Cristo. Ele é o caminho certo, a verdade plena, e a vida abundante” (Ensign, dezembro de 1988, p. 2).

O chamado para vir a ele continuou através dos tempos, e está sendo feito novamente hoje. As escrituras modernas estão repletas do mesmo convite. E um chamado urgente, um apelo para todos. Na verdade, o apelo calmo, mas urgente, ainda é feito pelo próprio Filho de Deus. Ele é o Ungido que tirará o maior dos fardos daquele que está mais carregado. As condições para se conseguir essa ajuda ainda são exatamente as mesmas. Temos de vir a ele e tomar sobre nós o seu jugo. Com mansidão e humildade, temos de aprender com ele para obtermos a vida eterna e a exaltação.

Que possamos fazer isso como uma forma de apreço pelo dom da alegria eterna que ele oferece, é minha oração — deixando convosco o testemunho pessoal de que Deus, nosso Pai, vive e de que Jesus é o Cristo, que sofreu e deu a vida para que possamos ter a vida eterna — em seu santo nome, amém.