2016
Procurando Etiene

Vozes da Igreja

Procurando Etiene

Poucas semanas antes de partir para servir missão de tempo integral, fui visitar a casa de um velho amigo que não era membro da Igreja. Eu pretendia ficar apenas alguns minutos, mas, devido a uma forte chuva, tive de ficar mais tempo do que o previsto. Então, meu amigo, a mãe dele e eu nos sentamos e começamos a conversar sobre a Igreja e sobre a missão que eu ia fazer.

Expliquei que poderia ser designado a servir em cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte ou Brasília.

Por algum motivo, a mãe do meu amigo decidiu dar-me o endereço da irmã dela, que morava numa cidade próxima do Rio de Janeiro. Ela disse que eu deveria ir visitá-la se fosse enviado para lá.

Parti para a missão no dia 7 de julho de 1982. Servi em muitas cidades diferentes, inclusive em uma que ficava perto do local em que morava a tia do meu amigo. Pensei em visitá-la, mas a casa dela não ficava na minha área. Não contei aos missionários designados para aquela área a respeito dela porque ainda esperava visitá-la pessoalmente.

Naquela época, os missionários serviam por 18 meses. O tempo passou sem que eu fosse ver a tia do meu amigo e a família dela.

Anos mais tarde, quando eu participava de uma atividade social da ala, encontrei por acaso meu amigo não membro. Fiquei sabendo que ele tinha sido convidado por um de seus parentes, uma tia chamada Etiene que havia sido batizada recentemente na Igreja. Depois, descobri que a tia Etiene acabara de mudar-se para a nossa ala, tendo vindo do Estado do Rio de Janeiro. Rapidamente aprendi a amar a tia Etiene, e gostávamos muito de conversar sobre nossas lembranças do Rio de Janeiro. Para meu constrangimento, fiquei sabendo que ela era a mesma mulher que eu quisera visitar durante a missão. Ela só tinha sido batizada recentemente, após a morte inesperada do marido.

Felizmente, ela me perdoou por eu não ter incentivado os outros missionários a visitá-la. Contudo, ficou decepcionada pelo tempo que perdeu sem desfrutar as bênçãos do evangelho.

Remorsos como esse não são apenas sentidos por ex-missionários, mas também podem advir a todos nós se deixarmos de dar ouvidos aos sussurros do Espírito, seja convidando amigos para uma atividade da Igreja ou dando referências aos missionários. Procuremos o Senhor e peçamos inspiração. Ele vai falar-nos por meio da voz mansa e delicada do Espírito. Vai nos dar a ajuda de que necessitamos para realizar o trabalho missionário com dedicação e amor.