2016
Desta Vez Eu Agi

santos dos últimos dias

Desta Vez Eu Agi

Latter-Day Saints Voices

Ilustração: Stan Fellows

Prendi minha filha na cadeirinha do carro, que já estava muito gasta. Nosso orçamento estava apertado, por isso fiquei grata pelo recente artigo de segunda mão. Serviu-nos muito bem, porque minha filha já não cabia na cadeirinha antiga. Eu ansiava pelas tarefas que teria de realizar naquele belo dia.

Fizemos nossa primeira parada na biblioteca. Ao soltar minha filha do cinto de segurança, notei uma jovem hispânica que havia estacionado o carro a nosso lado. O bebê, incapaz de manter-se firme, estava sentado no banco traseiro, encolhido como uma bolinha. A jovem mãe estava tendo dificuldade para prender o cinto de segurança naquela criança tão pequena. Pensei duas coisas.

“Ela não tem uma cadeirinha para seu bebê. Eu poderia dar-lhe a minha.”

E então convenci a mim mesma de que não deveria fazê-lo.

“Ela provavelmente não fala inglês. Eu poderia ofendê-la. Minha cadeirinha de carro está horrivelmente gasta. Talvez ela não a queira. E se ela aceitar, como vou fazer para conseguir outra?”

Por isso não fiz nada.

Ela sentou-se no banco do motorista e partiu.

Antes de chegar às portas da biblioteca, senti um remorso enorme. Eu sabia que tinha tomado a decisão errada, e não havia como reverter a situação.

Puxei as portas, mas elas não se abriram. A biblioteca ainda não estava aberta. Ao livrar-me do restante da minha lista de tarefas, fiquei repassando na mente a cena, atormentada pelo fato de não ter feito nada.

Depois da minha última tarefa, decidi tentar a biblioteca de novo. Parei no mesmo local do estacionamento em que estivera antes. Para minha surpresa, vi a mesma mãe e filho com o carro estacionado a meu lado novamente. Um imenso fardo foi-me tirado do coração.

Desta vez agi sem hesitar. Soltei a cadeirinha de carro da minha filha e fui falar com a jovem mãe. Ela não falava inglês. Com gestos, apontei para o bebê dela e para a cadeirinha e para o carro dela. Juntas prendemos a cadeirinha no carro. Ao mostrar-lhe como usá-la, dei-me conta de que a única coisa que eu precisava saber dizer em espanhol era “gracias”.

Meu coração transbordou de gratidão ao misericordioso Pai Celestial por dar-me uma segunda chance de ajudar uma irmã necessitada.

Acrescentei uma última tarefa à minha lista — uma loja de artigos usados próxima. Prendi minha filha com o cinto de segurança e dirigi cuidadosamente até a loja. No fundo da loja, no chão, estava uma cadeirinha — idêntica à que eu acabara de doar e igualmente gasta. Eu a comprei, atônita e humilde pela sequência de acontecimentos daquela manhã.

Por meio do ensino gentil, porém eficaz do Salvador, a lição tinha sido plantada no fundo do meu coração: siga os sussurros do Espírito Santo — já na primeira vez.