2020
Berglind Guðnason — Árnessýsla, Islândia
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Retratos de fé

Berglind Guðnason

Árnessýsla, Islândia

Sisters

Berglind (à esquerda) com sua irmã Elín (à direita). Em meio à pior depressão que já enfrentara, Berglind sentiu que não conseguia mais seguir em frente. Ao falar sobre sua luta com amigos e familiares, ela encontrou cura espiritual e emocional por meio das ferramentas que o Pai Celestial providenciou.

Mindy Selu, fotógrafa

Lido com a depressão desde os 13 anos de idade. Em dado momento, as coisas ficaram tão ruins que tentei tirar minha própria vida. Naquela época, senti-me completamente desesperada. Eu pensava: “Nunca vou ser feliz e nunca vou conseguir nada”.

Cheguei a pensar que abandonar a Igreja seria a solução para meus problemas, pois parecia que tudo estava perdido. Na Islândia, é muito fácil fazer aquilo que não devemos fazer. A Igreja é muito pequena aqui. Nas classes da Igreja, só éramos eu e meus irmãos. Sentia-me solitária e, por um tempo, não gostava de ir à igreja.

A maioria das pessoas na Islândia rejeita a religião e começa a beber muito cedo. Acabei me deixando levar por isso e fiquei inativa por um período. Não me orgulho disso, mas foi parte da minha experiência e fonte de aprendizado. Estudei um discurso do élder Jeffrey R. Holland e gostei do que ele disse: “Devemos aprender com o passado, mas não viver no passado. (…) Após aprendermos a lição necessária (…), então olhamos para a frente, lembrando que a fé sempre aponta para o futuro”.1

Certo dia, quando as coisas estavam bem difíceis, li minha bênção patriarcal. Ao lê-la, percebi que tenho um futuro. Deus tem um plano para mim e realmente me ama. Ir à igreja, tomar o sacramento, ler as escrituras e orar foram coisas que trouxeram muita luz e alegria para minha vida. Em pouco tempo, percebi que aquilo tudo me ajudava. Foi aí que percebi que queria o evangelho sempre em minha vida. Depois de tudo o que passei, sei que o evangelho salvou minha vida e fico feliz por isso.

Falar sobre minha depressão com amigos e familiares foi algo que me ajudou muito e me conduziu a outras fontes de apoio. Eu não queria tomar remédios nem ir à terapia. Dizia a mim mesma que eu tinha a Deus. Porém, além das coisas espirituais, Deus provê muitas outras ferramentas para nos ajudar, como os remédios e a terapia.

Ao começar a ler mais as escrituras diariamente e me aproximar de Deus por meio da oração, recebi muitas bênçãos e revelações de que meu propósito é ajudar outras pessoas. Acho que muitas pessoas enfrentam problemas de saúde mental, mas tentam esconder. Minha depressão e minha luta me ensinaram que é melhor se abrir e se conectar com outras pessoas. Uma amiga recentemente se abriu comigo a respeito de sua luta contra a depressão. Conversamos bastante, e entendemos verdadeiramente uma à outra.

Nem sempre nos damos conta daquilo que os outros estão enfrentando, mas às vezes, ao andar por aí e olhar as pessoas, percebo que Deus conhece a cada um de nós. Ele nos ama e sabe exatamente o que estamos enfrentando. E nós podemos ajudar uns aos outros.

Por meio da luta contra a depressão, aprendi a perguntar: “O que posso aprender com essa provação?”, em vez de questionar: “Por que estou passando por isso?” Amo Éter 12:27, que ensina que nossas fraquezas podem se tornar pontos fortes se tivermos fé em Jesus Cristo. Isso sempre me conforta.

Todos escolhemos vir aqui para a Terra. Sabíamos que todos sofreríamos por meio de provações. Mas, sinceramente, é isso que torna a vida bela. Afinal, sabemos que coisas boas virão. Sabemos que, se seguirmos o Salvador em meio às dificuldades, podemos ter a vida eterna e todas as bênçãos que estão reservadas para nós.

Percebi claramente o quanto mudei por meio da depressão. A Expiação do Salvador é real; meu coração mudou e fiquei mais forte. Sinto que sou uma pessoa diferente hoje. As pessoas percebem isso e comentam que mudei. Uma colega da escola até disse que viu uma luz diferente em mim. Foi estranho, pois ela nem é membro da Igreja, e nunca havíamos conversado antes.

Quando eu estava no pior momento da depressão, as pessoas diziam que tudo ficaria bem. Eu detestava ouvir aquilo, mas, por mais estranho que pareça, é verdade.

No entanto, você precisa querer ficar bem. Aprendi que você não pode esperar ficar bem a menos que faça alguma coisa. Você precisa querer ser feliz e acreditar que tem potencial e futuro. É importante lembrar que há muitas pessoas que amam você, inclusive o Pai Celestial. Todos estão sempre dispostos a ajudar você.

Nunca imaginei que seria tão feliz quanto sou hoje. Há dias em que ainda travo uma batalha, mas, com as ferramentas que o Pai Celestial me deu, consigo lidar com isso. Agora, quando sinto que a depressão está chegando, digo a mim mesma que sou amada, que tenho com quem conversar e que as coisas ficarão bem.

Portraits of Faith in Iceland

A batalha contra a depressão tornou Berglind mais ciente de como podemos ajudar uns aos outros em meio às dificuldades. “Deus conhece a cada um de nós. Ele nos ama e sabe exatamente o que estamos enfrentando. E nós podemos ajudar uns aos outros.”

Portraits of Faith in Iceland

Por meio das dificuldades, Berglind viu uma mudança em si mesma. “A Expiação do Salvador é real”, testifica ela. “Meu coração mudou e fiquei mais forte. Sinto que sou uma pessoa diferente hoje.”

Portraits of Faith in Iceland

“Ao começar a ler mais as escrituras diariamente”, conta Berglind, “recebi muitas bênçãos e revelações de que meu propósito é ajudar outras pessoas. Amo Éter 12:27, que ensina que nossas fraquezas podem se tornar pontos fortes se tivermos fé em Jesus Cristo. Isso sempre me conforta”.

Nota

  1. Jeffrey R. Holland, “‘Remember Lot’s Wife’: Faith Is for the Future”, devocional da Universidade Brigham Young, 13 de janeiro de 2009, speeches.byu.edu.