2020
Um passarinho me lembrou
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Um passarinho me lembrou

Laura Linton

Utah, EUA

Parents at Grave

Ilustração: Carolyn Vibbert

Eu tinha 26 anos quando meu marido e eu perdemos nossa primeira filha. Foi diagnosticado um tumor no cérebro de Kennedy quando ela tinha apenas 13 meses de idade. Após três cirurgias, cinco séries de quimioterapia e muitos remédios e tratamentos, ela faleceu em nossos braços com 20 meses de idade.

Fiquei arrasada por perder minha filhinha que era tão bonita, curiosa e cheia de energia. Como isso pôde acontecer? Como eu conseguiria seguir em frente? Eu tinha tantas perguntas, mas nenhuma resposta. Alguns dias após o sepultamento, meu marido e eu fomos visitar o túmulo, ainda coberto de belas flores e laços cor-de-rosa do funeral.

Ao pensar em minha filha, vi um minúsculo passarinho, jovem demais para voar, saltitando pela grama. Aquela ave me fez lembrar de Kennedy, porque ela adorava animais. O passarinho pulou para cima da sepultura e ficou brincando com os laços e as flores. Sorri, sabendo que aquilo era exatamente o que Kennedy gostaria de ter feito. O pássaro, então, veio saltitando na minha direção. Não ousei fazer o mínimo movimento. O passarinho veio pulando até onde eu estava, apoiou-se em minha perna, fechou os olhos e adormeceu.

Mal consigo explicar o sentimento que tive naquele momento. Senti que estava recebendo um abraço de minha Kennedy. Não pude embalar minha filha, mas aquele passarinho — uma criação de nosso Pai Celestial — veio repousar sua minúscula cabecinha em mim, lembrando-me de que o Pai Celestial entendia minha dor e sempre estaria a meu lado para me consolar e me ajudar ao longo daquela provação.

O élder David A. Bednar, do Quórum dos Doze Apóstolos, disse: “Quando as palavras não podem oferecer o consolo de que necessitamos (…), quando a lógica e a razão não conseguem fornecer explicações adequadas sobre as injustiças e as desigualdades da vida, (…) e quando parecer que estamos completamente sozinhos, verdadeiramente seremos abençoados pelas ternas misericórdias do Senhor” (“As ternas misericórdias do Senhor”, A Liahona, maio de 2005, pp. 100–101).

Eu ainda não tinha todas as respostas para as minhas perguntas, mas aquela terna misericórdia me deu a certeza de que tanto Kennedy quanto eu somos amadas pelo nosso Pai Celestial e que, graças ao sacrifício expiatório de Seu Filho Jesus Cristo, tenho a esperança de que Kennedy, meu marido e eu estaremos juntos novamente um dia, como família.