2012
    Meu Testemunho Cotidiano
    Notas de rodapé
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    Meu Testemunho Cotidiano

    Meu testemunho resulta da prática cotidiana do evangelho e não de um momento milagroso.

    Durante minha infância e adolescência, eu sempre buscava um momento milagroso para provar a mim mesma que eu tinha um testemunho. Ouvia inúmeras histórias sobre momentos milagrosos em que as pessoas souberam, sem dúvida, que o evangelho era verdadeiro. As histórias iam desde momentos de tentação ou perigo até relatos de pessoas que levaram centenas para a Igreja por meio de gestos pequenos e simples, incluindo também momentos em que as escrituras se abriam na página exata em resposta a dilemas da vida. Minhas histórias prediletas eram a respeito de pessoas que, no caminho de casa à noite, escapavam de perigos que só viriam a ser conhecidos no dia seguinte. Ouvi histórias sobre curas milagrosas ou anjos que protegeram pessoas. Eu mal podia esperar minha vez de passar por um momento assim. Eu esperava ver anjos e luzes que me diriam que eu tinha um testemunho da Igreja.

    Meus pais me ensinaram a orar, a ir à Igreja, a ler as escrituras, a vestir-me com recato, a levar uma vida pura e livre de influências mundanas e a confiar no Senhor. Eu estava confiante de que vivia do modo correto. Queria apenas conseguir provar que eu tinha um testemunho e receber reconhecimento por isso.

    Nas noites familiares ou na Escola Dominical, ensaiávamos o que dizer para nos ajudar a enfrentar a pressão dos amigos. Eu ficava ansiosa para poder usar aquelas frases no dia a dia. Eu imaginava, por exemplo, situações que ocorreriam ao sair com os amigos. Alguém abriria uma lata de bebida alcoólica e ofereceria ao grupo. A lata chegaria a mim, e todos os olhares se voltariam em minha direção. A pressão aumentaria. Eu me levantaria e diria: “Não! Sou mórmon e não bebo!” Todos os meus amigos ficariam impressionados. Nada poderia me persuadir a pecar. Logo o grupo ia se dispersar, e uma pessoa especial entre eles me diria ter ficado tão admirada com minha firmeza que queria saber mais sobre a minha igreja. Anjos cantariam louvores, e eu ficaria cheia de luz.

    Isso nunca aconteceu. Nunca ninguém me tentou dessa forma. Eles pareciam já conhecer meus padrões pela maneira como eu vivia. Para minha decepção, meu “momento de glória” nunca chegou.

    Mas, agora sei que um testemunho não precisa da aparição de anjos. Meu testemunho resulta da prática cotidiana do evangelho, da confirmação do Espírito Santo e das bênçãos simples decorrentes da obediência.

    Sei quem sou. Sei que Deus me ama. Sei que o Salvador expiou meus pecados. Esse é meu testemunho. Esse conhecimento me traz paz de espírito.

    Não posso dizer que tive um momento milagroso em que soube que a Igreja era verdadeira, mas estou feliz por saber que tenho realmente um testemunho. Assim, enquanto os anjos não aparecem para mim, vou me contentar em levar uma vida normal, com a bênção simples de saber que o evangelho é verdadeiro.

    Ilustração: Annie Henrie