Orientação profética
Eu acredito em anjos
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Eu acredito em anjos

O Senhor sabe das dificuldades que vocês estão passando. Ele conhece vocês, Ele os ama, e prometo que Ele enviará anjos para ajudá-los.

Irmãos e irmãs, eu acredito em anjos e gostaria de compartilhar com vocês as experiências que tive com eles. Com isso, espero e oro que reconheçamos a importância de anjos em nossa vida.

Estas foram as palavras que o élder Jeffrey R. Holland disse em uma conferência geral há algum tempo: “Quando falamos daqueles que são instrumentos na mão de Deus, lembramo-nos de que nem todos os anjos vêm do outro lado do véu. Alguns deles caminham conosco e falam conosco — aqui, agora e todos os dias. Alguns deles moram em nossa própria vizinhança. (…) De fato, o céu não pode parecer mais próximo do que quando vemos o amor de Deus manifestado na bondade e na devoção de pessoas tão boas e tão puras que anjo é a única palavra que nos vem à mente” (“O ministério de anjos”, A Liahona, novembro de 2008, p. 30).

É sobre os anjos deste lado do véu que eu gostaria de falar. Os anjos que andam entre nós em nosso dia a dia são lembretes muito importantes do amor de Deus por nós.

Os primeiros anjos que vou mencionar são as duas missionárias que me ensinaram o evangelho quando eu era jovem: a síster Vilma Molina e a síster Ivonete Rivitti. Minha irmã mais nova e eu fomos convidados para uma atividade da Igreja na qual conhecemos esses dois anjos. Eu não imaginava o quanto aquela simples atividade mudaria minha vida.

Meus pais e meus irmãos não mostraram interesse em conhecer a Igreja naquela época. Eles não queriam nem mesmo que as missionárias fossem à nossa casa, por isso ouvi as lições em uma capela. Aquela pequena sala na capela se tornou meu “bosque sagrado”.

Um mês após esses anjos me falarem sobre o evangelho, fui batizado. Eu tinha 16 anos de idade. Infelizmente, não tenho uma foto daquele momento sagrado, mas tenho uma foto tirada com minha irmã naquela atividade. Acho que vou ter que explicar quem é quem nessa foto. Eu sou o rapaz mais alto à direita.

Vocês podem imaginar que ficar ativo na Igreja não era fácil para um adolescente cujo estilo de vida tinha acabado de mudar e com uma família que não estava seguindo o mesmo caminho.

Enquanto tentava me ajustar a uma vida nova, uma cultura diferente e novos amigos, eu me sentia deslocado. Senti solidão e desânimo muitas vezes. Sabia que a Igreja era verdadeira, mas foi bem difícil sentir que eu fazia parte dela. Mesmo me sentindo deslocado e inseguro ao tentar me encaixar em minha nova religião, criei coragem e participei de uma conferência de três dias para jovens, durante a qual eu achava que conseguiria fazer novos amigos. Foi nesse momento que conheci outro anjo chamado Mônica Brandão.

Ela era nova naquela área; tinha se mudado para lá de outra parte do Brasil. Mônica logo chamou minha atenção e, felizmente, aceitou ser minha amiga. Acho que ela olhou para mim mais de dentro para fora do que de fora para dentro.

Por ela ter me recebido bem, fui apresentado a seus amigos, que se tornaram meus amigos também nas muitas atividades que frequentamos juntos depois. Aquelas atividades foram fundamentais para minha integração nessa nova vida.

Esses bons amigos fizeram uma grande diferença; mas, como o evangelho não estava sendo ensinado em minha casa e eu não tinha uma família que me apoiasse, meu processo de conversão ainda corria riscos. Meu contato com o evangelho na Igreja se tornou ainda mais crucial para minha conversão. Foi então que dois outros anjos foram enviados pelo Senhor para ajudar.

Um deles foi Leda Vettori, minha professora do seminário diário. Graças a seu carinho e a suas aulas inspiradoras, ela me dava uma dose diária da “boa palavra de Deus” (Morôni 6:4), tão necessária no decorrer do dia. Isso me ajudou a adquirir a força espiritual necessária para seguir em frente.

Outro anjo que me foi enviado foi o presidente dos Rapazes, Marco Antônio Fusco, que também foi designado como meu companheiro de visitas de mestre familiar. Apesar de minha falta de experiência e de eu ter uma aparência diferente, ele me deu designações para ensinar em nossas reuniões do quórum e em nossas visitas. Ele me deu a chance de agir e de aprender, não só de ser um observador do evangelho. Ele confiava em mim, mais do que eu confiava em mim mesmo.

Graças a todos esses anjos e a muitos outros que encontrei durante aqueles primeiros anos tão importantes, recebi força suficiente para permanecer firme no caminho do convênio enquanto adquiria um testemunho espiritual da verdade.

A propósito, e aquela jovem que foi um de meus anjos, Mônica? Depois que nós dois servimos missão, ela se tornou minha esposa.

Não acho que foi coincidência que fazer bons amigos, ter responsabilidades na Igreja e ser nutrido pela boa palavra de Deus tenham feito parte do processo. O presidente Gordon B. Hinckley sabiamente ensinou: “Não é fácil fazer a transição para esta Igreja. Significa cortar laços antigos. Significa afastar-se de amigos. Pode significar deixar de lado coisas nas quais você sempre acreditou. Pode exigir uma mudança de hábitos e o controle de suas vontades. Em muitos casos, significa solidão e até medo do desconhecido. É preciso haver cuidado e fortalecimento ao longo dessa época da vida de um converso” (“There Must Be Messengers, Ensign, outubro de 1987, p. 5).

Tempos depois, ele também ensinou: “Todos esses conversos precisam de três coisas: fazer um amigo, ter uma responsabilidade e ser nutridos pela ‘boa palavra de Deus’” (“Conversos e rapazes”, A Liahona, julho de 1997, p. 53).

Por que estou compartilhando essas experiências com vocês?

Primeiro, para transmitir uma mensagem àqueles que estão passando por um processo semelhante neste momento. Talvez vocês sejam novos conversos ou estejam voltando à atividade na Igreja depois de um período de afastamento, ou simplesmente estejam tentando se encaixar. Por favor, por favor, não desistam de fazer parte desta grande família. Esta é a verdadeira Igreja de Jesus Cristo!

Quando se trata de sua felicidade e salvação, sempre vale a pena continuar tentando. Vale a pena fazer ajustes em seu estilo de vida e em suas tradições. O Senhor sabe das dificuldades que vocês estão passando. Ele conhece vocês, Ele os ama, e prometo que Ele enviará anjos para ajudá-los.

O próprio Salvador disse: “Irei adiante de vós. Estarei à vossa direita e à vossa esquerda e meu Espírito estará em vosso coração e meus anjos ao vosso redor para vos suster” (Doutrina e Convênios 84:88).

Meu segundo propósito em contar essas experiências é falar a todos os membros da Igreja — todos nós. Temos de nos lembrar que não é fácil para os novos conversos, para os amigos que estão voltando e para os que têm um estilo de vida diferente se encaixarem instantaneamente. O Senhor sabe das dificuldades deles e está procurando anjos dispostos a ajudar. O Senhor está sempre procurando voluntários que queiram ser anjos na vida de outras pessoas.

Irmãos e irmãs, vocês estariam dispostos a ser instrumentos nas mãos do Senhor? Estariam dispostos a ser um desses anjos? Estariam dispostos a ser um emissário do Senhor, neste lado do véu, para ajudar alguém com quem o Senhor Se preocupa? O Senhor precisa de vocês. Eles precisam de vocês.

É claro que sempre podemos contar com os missionários. Eles estão sempre prontos; são os primeiros da lista para trabalhar como anjos. Mas eles não são suficientes.

Se vocês olharem em volta com atenção, vão encontrar muitas pessoas que precisam da ajuda de um anjo. Talvez elas não estejam usando camisa branca, vestido ou roupa de domingo. Talvez estejam sentadas sozinhas, no fundo da capela ou da sala, às vezes sentindo que são invisíveis. Talvez o corte de cabelo delas seja um tanto excêntrico ou o vocabulário que usam seja diferente, mas elas estão lá, e estão tentando.

Alguns podem pensar: “Será que devo vir aqui de novo? Será que é melhor continuar tentando?” Outros podem pensar se algum dia vão se sentir aceitos e amados. Precisamos de anjos, e precisamos já; Anjos que estejam dispostos a sair de sua zona de conforto para abraçá-los. “[Pessoas que são] tão boas e tão puras que anjo é a única palavra que nos vem à mente [para descrevê-las]” (Jeffrey R. Holland, “O ministério de anjos”, p. 30).

Irmãos e irmãs, eu acredito em anjos! Estamos todos aqui hoje, um exército gigante de anjos designados para estes últimos dias a fim de ministrar aos outros como uma extensão das mãos de nosso amado Criador. Prometo que, se estivermos dispostos a servir, o Senhor nos dará oportunidades de sermos anjos ministradores. Ele sabe quem precisa da ajuda de anjos e os colocará em nosso caminho. O Senhor coloca diariamente em nosso caminho aqueles que precisam da ajuda de anjos.

Sou tão grato pelos vários anjos que o Senhor colocou em meu caminho durante minha vida. Eles foram necessários. Também sou grato por Seu evangelho, que nos ajuda a mudar e nos dá a chance de sermos melhores.

Este é um evangelho de amor, um evangelho de ministração. Presto testemunho disso em nome de Jesus Cristo. Amém.