2000–2009
Das Coisas Que Sei
anterior próximo

Das Coisas Que Sei

Quero prestar-lhes meu testemunho das verdades básicas desta obra.

Meus amados irmãos e irmãs, sinto-me satisfeito com a oportunidade de falar-lhes. Agradeço a cada um de vocês pelas orações que fazem por mim. Sou profundamente grato a vocês! Em meus 49 anos como Autoridade Geral, já falei mais de 200 vezes em conferências gerais. Estou agora em meu 97º ano de vida. O vento sopra e sinto-me como a última folha da árvore.

Na verdade minha saúde é bastante boa, apesar dos rumores em contrário. Médicos e enfermeiros habilidosos me mantêm no caminho certo. Alguns de vocês talvez partam antes de mim. Contudo, com minha idade em mente, quero prestar-lhes meu testemunho das verdades básicas desta obra.

Confesso que não sei tudo, mas tenho certeza de algumas coisas. Nesta manhã, falarei a vocês a respeito das coisas que sei.

Quando o imperador Constantino se converteu ao cristianismo, soube da desavença que havia entre o clero, no que se referia à natureza da Deidade. Numa tentativa de superar isso, ele reuniu os clérigos e teólogos eminentes da época em Nicéia, no ano 325. A cada participante foi dada a oportunidade de declarar seu ponto de vista. O debate tornou-se cada vez mais intenso. Quando não chegaram a uma definição, adotaram um meio-termo, uma solução conciliatória. Esse meio-termo tornou-se conhecido como o Credo de Nicéia, e seus elementos básicos são recitados pela maioria dos fiéis cristãos.

Pessoalmente não consigo entendê-lo. Para mim, o credo é confuso.

Quão profundamente grato sou por que nós, nesta Igreja, não dependemos de nenhuma declaração feita pelo homem no que se refere à natureza da Deidade. Nosso conhecimento vem diretamente da experiência pessoal de Joseph Smith que, ainda jovem, falou com Deus, o Pai Eterno, e com Seu Filho Amado, o Senhor Ressuscitado. Ele se ajoelhou na presença Deles; ouviu a voz de cada um; e respondeu-Lhes. Cada um era um personagem distinto. Não é de surpreender que ele tenha contado à mãe que a igreja que ela freqüentava não era verdadeira. Assim, uma das grandes doutrinas gerais desta Igreja é nossa crença em Deus, o Pai Eterno. Ele é um ser, real e individual. Ele é o grande Governador do universo e, ainda assim, é nosso Pai, e nós somos Seus filhos.

Nós oramos a Ele, e essas orações são uma conversa entre Deus e o homem. Tenho certeza de que Ele ouve nossas orações e as responde. Não posso negar isso. Tive incontáveis experiências de orações respondidas.

Alma instruiu seu filho Helamã, dizendo: “Aconselha-te com o Senhor em tudo que fizeres e ele dirigir-te-á para o bem; sim, quando te deitares à noite, repousa no Senhor, para que ele possa velar por ti em teu sono; e quando te levantares pela manhã, tem o teu coração cheio de agradecimento a Deus; e se fizeres essas coisas, serás elevado no último dia” (Alma 37:37).

A segunda grande certeza que tenho também se alicerça na visão do Profeta Joseph. É a de que Jesus vive. Ele é nosso Cristo Vivo. Ele é o Jeová do Velho Testamento e o Messias do Novo. Sob a orientação de Seu Pai, Ele foi o Criador da Terra. O evangelho de João inicia-se com estas palavras marcantes: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

Ele estava no princípio com Deus.

Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1:1–3).

Observem particularmente este último versículo: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”.

Ele foi o grande Criador. Foi o Seu dedo que escreveu os mandamentos no Monte. Foi Ele que deixou Sua real, celeste mansão e veio à Terra, nascer sob as circunstâncias mais humildes. Durante Seu rápido ministério, Ele curou o doente, fez o cego enxergar, levantou os mortos, e repreendeu os escribas e fariseus. Ele foi o único homem perfeito a caminhar sobre a Terra. Tudo isso fazia parte do plano de Seu Pai. No Jardim do Getsêmani, Ele sofreu tão intensamente que Seu suor se tornou gotas de sangue ao suplicar ao Seu Pai. Mas tudo fazia parte de Seu grande Sacrifício Expiatório. Foi levado pela multidão, apareceu diante de Pilatos com a turba bradando por Sua morte. Carregou a cruz, o instrumento de Sua morte. No Gólgota, deu a Sua vida, clamando: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34).

Seu corpo foi gentilmente colocado no sepulcro de José de Arimatéia. Mas três dias depois, naquela primeira manhã de Páscoa, o sepulcro estava vazio. Maria Madalena falou com Ele e Ele falou com ela. Ele apareceu aos Seus Apóstolos. Caminhou com dois discípulos na estrada de Emaús. E aprendemos que Ele foi visto por cerca de 500 outros (ver I Coríntios 15:6).

Ele declarou: “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um Pastor” (João 10:16). Dessa maneira, apareceu aos que estavam reunidos na terra de Abundância no Hemisfério Ocidental. Aqui, Ele ensinou o povo como os ensinara no Velho Mundo. Todas essas coisas encontram-se registradas em detalhes no Livro de Mórmon, que é a segunda testemunha da divindade de nosso Senhor.

E repetindo, tanto Ele quanto Seu Pai apareceram ao menino Joseph, sendo que o Pai apresentou o Filho, dizendo: “Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!” (Joseph Smith — História 1:17.)

Agora, a próxima coisa de que estou certo e da qual presto testemunho é da Expiação do Senhor Jesus Cristo. Sem ela, a vida não tem significado. Ela é a pedra angular no arco de nossa existência. Ela confirma que vivemos antes de nascermos na mortalidade. A mortalidade é apenas um degrau para uma existência mais gloriosa no futuro. A tristeza da morte é atenuada pela promessa da Ressurreição. Não haveria Natal se a Páscoa não existisse.

A seguir falo das grandes certezas que vêm com a Restauração do evangelho de Jesus Cristo. Há a restauração do sacerdócio, ou a autoridade dada ao homem para falar em nome de Deus. Esse sacerdócio tem duas ordens: a menor, também conhecida como o Sacerdócio Aarônico, foi restaurada sob as mãos de João Batista. A ordem mais elevada do sacerdócio, o de Melquisedeque, foi restaurada sob as mãos de Pedro, Tiago e João.

Ao restaurar o Sacerdócio Aarônico, João Batista ressuscitado impôs as mãos sobre a cabeça de Joseph Smith e Oliver Cowdery e disse: “A vós, meus conservos, em nome do Messias, eu confiro o Sacerdócio de Aarão, que possui as chaves do ministério de anjos e do evangelho do arrependimento e do batismo por imersão para a remissão de pecados” (D&C 13:1).

O Presidente Wilford Woodruff, quando idoso, falou aos rapazes da Igreja e disse: “Quero que fique em sua memória o fato de que não faz qualquer diferença se um homem é um sacerdote ou um apóstolo, desde que ele magnifique seu chamado. Um sacerdote possui as chaves da ministração de anjos. Mas, nunca em minha vida, seja como apóstolo, como setenta ou como élder, eu tive mais proteção do Senhor, do que quando tinha o ofício de sacerdote” (Wilford Woodruff, Collected Discourses 1886–1898, 10 de agosto de 1891, vol. 2, p. 629).

O Sacerdócio de Melquisedeque ou Sacerdócio Maior habilita os homens a impor as mãos sobre a cabeça de outros e dar-lhes bênçãos. Eles abençoam os doentes. Tiago declarou no Novo Testamento: “Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor” (Tiago 5:14).

Agora, por fim, menciono as bênçãos da casa do Senhor, que vêm da Restauração do evangelho da antiguidade.

Esses templos, que se têm multiplicado grandemente nos últimos anos, oferecem bênçãos que não se encontram em nenhum outro lugar. Tudo o que ocorre nessas casas sagradas tem a ver com a natureza eterna do homem. Nela maridos, esposas e filhos são selados como família para toda a eternidade. O casamento não é “até que a morte os separe”. Ele é eterno, se as partes viverem dignamente, para merecer a bênção. O mais notável de tudo é a autoridade para se fazer o trabalho vicário na casa do Senhor. Lá, as ordenanças são realizadas em favor dos mortos, que não tiveram a oportunidade de recebê-las em vida.

Falaram-me, recentemente, sobre uma mulher de Idaho Falls, uma viúva. Durante um período de 15 anos, ela serviu como procuradora para realizar a investidura de 20.000 pessoas no Templo de Idaho Falls Idaho. Realizou seu batismo de número 20.000 em uma sexta-feira e voltou no sábado, para fazer mais cinco. Ela faleceu na semana seguinte.

Pensem no que essa senhora franzina fez. Ela realizou as investiduras pelos mortos para tantas pessoas quanto as que estão reunidas aqui no Centro de Conferências, nesta manhã. Pensem na recepção que ela deve ter tido no outro lado!

Bem, meus irmãos e irmãs, este é o meu testemunho, que presto solenemente a vocês.

Deus os abençoe, a cada um, santos dos últimos dias fiéis. Que haja paz e amor em seu lar, e fé e orações para guiá-los em tudo o que empreenderem, é minha humilde oração, no sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.