Conferência Geral
    E Vocês, Sabem?
    Notas de rodapé
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    E Vocês, Sabem?

    Convido-os a “[porem] à prova minhas palavras”. Vocês vão ler a história de Joseph Smith e vão orar sobre ela?

    Há algum tempo, tive uma conversa muito agradável com uma admirável jovem de 16 anos. Descobri que ela era o único membro da Igreja em sua escola. Perguntei a ela: “Qual é a maior dificuldade que você enfrenta como único membro?”

    Ela ficou pensativa e deu uma resposta muito inteligente: “é acreditar na veracidade de algo, quando todos crêem ser mentira, e acreditar que algo é errado, quando todos crêem ser certo”.

    Fiz-lhe uma segunda pergunta: “Você sabe que Joseph Smith é um Profeta de Deus?” A resposta foi: “Acho que sim, mas não tenho certeza”.

    Hoje de manhã eu gostaria de perguntar aos jovens de toda a Igreja: “E vocês, sabem?”

    A primeira vez que percebi que tinha um testemunho a respeito de Joseph Smith foi quando eu tinha apenas 11 anos, e meus pais me levaram à Praça do Templo em Salt Lake City.

    Minha atividade favorita era colecionar tudo o que era grátis. Tornei-me especialista nisso. Eu sempre perguntava: “Isto é grátis?” Se a resposta fosse afirmativa, eu estendia minha mão de criança e dizia: “Obrigado. E aquilo também? Obrigado!” às vezes eu ouvia: “Não, sinto muito, custa cinco centavos”. Sem desanimar, eu abaixava a cabeça e, mostrando grande decepção, lamentava: “Ah, sempre quis ler esse folheto, mas não tenho dinheiro. Obrigado!” Isso funcionava sempre. A verdade é que eu nunca lia. Apenas colecionava.

    Contudo, nessa viagem em particular, enquanto eu estava sozinho em nosso Chevrolet 1948 esperando meus pais, fiquei muito entediado. Desesperado, olhei embaixo do meu assento e vi minha pilha de coisas gratuitas. Peguei um folheto chamado Joseph Smith Conta Sua Própria História e comecei a lê-lo.

    Fiquei empolgado e senti o coração encher-se de alegria. Ao terminá-lo, vi minha imagem no retrovisor e, para minha surpresa, estava chorando. Na época, não entendi o motivo, mas hoje, sim. Eu recebera um testemunho do Espírito. Meus pais não estavam ali; minha irmã não estava ali; minha professora da Primária também não (…) Somente eu e o Espírito Santo.

    Ora, isso também pode acontecer com vocês, e de fato, algo assim talvez até já tenha ocorrido.

    Ao buscarem um testemunho, vocês que nasceram na Igreja talvez estejam à procura de uma sensação espiritual espetacular diferente de tudo o que já vivenciaram antes. Talvez vocês já tenham ouvido conversos prestarem testemunho de sua conversão e fiquem se perguntando se falta alguma coisa em vocês. Um dos motivos de isso parecer tão espetacular para eles é o fato de ser algo novo.

    Vocês, por outro lado, já vêm sentindo essas mesmas coisas durante toda a vida, nas noites familiares, reuniões de testemunho de jovens, aulas do seminário, estudo das escrituras e em muitas outras ocasiões.

    Nossos missionários são treinados para ajudar os pesquisadores a reconhecer quando estão sentindo o Espírito. Lembro-me de interromper, em várias ocasiões, um debate intenso e espiritual para dizer: “Vamos fazer uma breve pausa e falar sobre o que vocês estão sentindo neste momento. Sentem como se lhes estivéssemos lembrando de coisas que tinham esquecido. Sentem que estamos dizendo a verdade. Sentem paz. Estão sentindo o Espírito Santo”.

    Lembro-me de ensinar uma mulher inteligentíssima que tinha dificuldade para aceitar qualquer princípio antes de conseguir uma resposta lógica e racional para todos os seus questionamentos. Contudo, finalmente a ouvimos dizer: “Não posso mais negar este sentimento”.

    Ela filiou-se à Igreja e foi muito feliz durante alguns anos, mas gradualmente deixou suas dúvidas intelectuais voltarem e acabou por afastar-se da Igreja.

    Passaram-se quinze anos e ela veio visitar nossa família. Nós a levamos à Praça do Templo. Quando começamos a subir a rampa circular que leva à estátua do Salvador, ela fez uma pausa e disse com lágrimas nos olhos: “Lá vem aquele sentimento de novo. Meu coração anseia pelo que minha mente não quer aceitar!”

    Depois que experimentam esse sentimento, é impossível esquecê-lo.

    Os testemunhos espirituais chegam na mais tenra idade àqueles que são expostos a experiências espirituais. Nós, pais, professores e líderes, somos bons em nos assegurarmos de que eles compreendem as regras e mandamentos. Deveríamos ser melhores em ajudá-los a obter um testemunho dos princípios e da doutrina. Talvez devamos fazer pausas com mais freqüência para ajudá-los a aprender a reconhecer o Espírito.

    Quando vocês reconhecerem esses sentimentos pelo que eles realmente são, sua fé neles aumentará. Logo vocês descobrirão que desenvolveram um sexto sentido espiritual que não pode ser enganado.

    Aos 11 anos de idade, eu soube que Joseph Smith era um profeta de Deus. Não ouvi vozes, não vi anjos, nem nada do gênero. O que senti foi ainda mais inequívoco. Meus sentidos espirituais foram tocados. Senti intensa felicidade brotando do âmago de meu ser, daquela parte de mim que não podia ser enganada. Esse sentido espiritual só reage quando ativado pelo Espírito Santo.

    Qual é a sensação provocada por esse testemunho espiritual? É algo tão difícil de descrever quanto o perfume de uma rosa, o gorjeio de um pássaro ou a beleza de uma paisagem. Contudo, vocês saberão quando sentirem.

    As escrituras lançam alguma luz quanto a esses sentimentos:

    “Em verdade, em verdade eu te digo: Dar-te-ei do meu Espírito, o qual iluminará tua mente e encher-te-á a alma de alegria (…)” (D&C 11:13–14).

    às vezes a sensação é como uma lembrança. Começamos a aprender o evangelho em nosso lar celestial. Viemos para esta Terra transpondo o véu do esquecimento. Contudo, essas lembranças adormecidas permanecem no espírito de todos nós. O Espírito Santo pode entreabrir o véu e tirar essas lembranças de seu estado de letargia. Muitas vezes, minha reação a uma verdade supostamente recém-descoberta é: “Ah, lembro-me disso!”

    “(…) aquele Consolador, o Espírito Santo, (…) vos fará lembrar de tudo (…)” (João 14:26).

    Amados jovens irmãos e irmãs, convido-os a “[porem] à prova minhas palavras” (Alma 32:27). Vocês vão ler a história de Joseph Smith e vão orar sobre ela?

    O que é maravilhoso em saber que ela é verdadeira é que vocês saberão simultaneamente que Deus, o Pai, e Jesus Cristo vivem e estão à frente da Igreja hoje. Adquiri esse conhecimento aos 11 anos de idade e hoje me dirijo a vocês como uma testemunha ordenada e especial de Jesus Cristo e testifico-lhes que é verdade. Também testifico que o Senhor deseja que vocês saibam que é verdade, e Ele lhes “manifestará a verdade [dela] pelo poder do Espírito Santo” (Morôni 10:4). Em nome de Jesus Cristo. Amém.