Manter a música no centro da adoração
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Manter a música no centro da adoração

A música sempre esteve — e sempre estará — no cerne da adoração, na igreja e no lar.

Poucas semanas depois que a Igreja foi organizada, o Senhor instruiu Emma Smith a “fazer uma seleção de hinos sagrados para serem usados em [Sua] igreja (…), o que [Lhe] é agradável” (Doutrina e Convênios 25:11). Os santos precisavam de maneiras de aprender as verdades recém-reveladas do evangelho e de se unir para louvar a Deus. E os hinos seriam um ponto central de sua adoração e de seu aprendizado.

Há vários anos, quando minha família se filiou à Igreja, meus pais nos incentivaram a aprender os cânticos de nossa nova fé. Tenho vívidas lembranças daquela época. Lembro-me de:

  • Memorizar “Eis-nos agora aqui” (Hinos, nº 82) com minha família.

  • Ouvir “Ó meu Pai” (Hinos, nº 177) e aprender que tenho um Pai e uma Mãe Celestiais que poderei rever um dia.

  • Sentir o amor de Deus ao cantar “Meu Pai Celestial me tem afeição” (Músicas para Crianças, pp. 16–17) — embora eu morasse em um deserto e nunca tivesse visto rosas em meu jardim!

Lembro-me também de uma reunião sacramental no final de fevereiro de 2020. Havia vários membros de nossa ala que estavam com câncer e me senti profundamente consolada quando o coro da ala cantou “Que firme alicerce” (Hinos, nº 42). Algumas semanas depois, uma série de coisas perturbadoras começou a acontecer: quarentenas, fechamento de igrejas e uma série de terremotos e tremores secundários. Mas aquele hino começou a soar de novo em minha mente:

Se Deus é convosco, a quem temereis?

Ele é vosso Deus, Seu auxílio tereis.

Se o mundo vos tenta, se o mal faz tremer,

Com mão poderosa, vos há de suster.

Às vezes, parece que os problemas no mundo e em nossa vida pessoal estão aumentando quase que diariamente. Precisamos mais do que nunca do alento espiritual dos hinos, das músicas da Primária e de outros cânticos sagrados.

Nenhuma mudança no propósito ou na importância

No entanto, ao mudarmos para a programação de duas horas das reuniões da Igreja, alguns se perguntaram se o papel da música diminuiu em nossa adoração. A resposta é não.

  1. Os hinos sagrados ainda fazem parte de todas as reuniões sacramentais, inclusive ajudando a preparar nosso coração para a ordenança do sacramento. Ainda é possível planejar o canto da congregação e do coro e outras músicas sacras para enriquecer a reunião, tal como antes. Durante a pandemia da Covid-19, os hinos ainda eram uma parte importante das reuniões sacramentais encurtadas, mesmo quando apenas em versão instrumental.

  2. Nossos filhos agora passam metade de seu tempo na Primária aprendendo o evangelho por meio da música.

  3. Na segunda hora, não há um hino de abertura ou de encerramento para as classes de adultos e jovens. Mas a música ainda pode ser usada nas aulas para ensinar e inspirar.

  4. Está mais fácil do que nunca ouvir música sacra em dispositivos digitais, usando o aplicativo Música da Igreja.

Menos cobrança, mais intenção

Mesmo assim, houve alguns mal-entendidos. Em um domingo de Páscoa, uma professora pediu desculpas à sua classe de Doutrina do Evangelho, dizendo: “Sei que não devemos cantar na Escola Dominical, mas eu gostaria muito que cantássemos juntos o hino ‘Eu sei que vive meu Senhor’”. Essa professora não deve ser a única a fazer essa interpretação errônea.

Na realidade, a música ainda é tão essencial em nossa adoração como sempre foi. Veja a histórica atualização que está acontecendo em nossas coletâneas de hinos para adultos e crianças. Como parte dessa iniciativa, os membros da Igreja do mundo inteiro enviaram um extraordinário total de 16 mil hinos, músicas e textos novos.

No entanto, como temos menos horários fixos para cantar em algumas de nossas reuniões dominicais, precisamos ser mais criteriosos e proativos no planejamento e uso da música.

Dois princípios-chave podem nos ajudar a manter a música no centro de nossa adoração:

1. Indispensável no ensino

Talvez achemos que discursos e debates são o principal modo de transmitir mensagens do evangelho em casa e na igreja. E pode ser que despendamos a maior parte do nosso tempo nesses elementos. No entanto, a música não é um mero coadjuvante. Desempenha um papel essencial no ensino com poder e com o Espírito.

Como o apóstolo Paulo aconselhou os antigos santos: “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros com palavras, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração” (Colossenses 3:16).

A música pode trazer instantaneamente o Espírito para uma aula ou reunião. A escolha de um hino para ser cantado durante uma aula da Escola Dominical ou um debate do Vem, e Segue-Me merece a mesma cuidadosa e fervorosa consideração que as escrituras que selecionamos para ler ou a parte da lição que decidimos abordar. Uma música escolhida em espírito de oração pode tocar corações, deixando impressões espirituais que podem durar por toda a vida.

2. “Uma prece a Mim”

Em certas ocasiões, todos podemos passar por momentos em que nos sentimos alquebrados, em que o caminho à nossa frente não está claro. Às vezes pode parecer que alçamos continuamente a voz ao céu sobre a mesma necessidade urgente, sem receber nenhuma resposta ou solução. Nessas situações, pode ser tentador concluir que Deus não Se importa ou que não somos dignos de Sua atenção. Às vezes, podemos até sentir vontade de desistir de orar.

Para esses momentos em que nos sentimos em descompasso espiritual com o céu, aqui está uma verdade reconfortante: a música sacra pode de fato ser uma forma de oração. O próprio Senhor explicou isso quando incumbiu Emma de compilar nosso primeiro hinário: “Porque minha alma se deleita com o canto do coração; sim, o canto dos justos é uma prece a mim” (Doutrina e Convênios 25:12; grifo do autor).

E, quando oferecemos o canto sincero do nosso coração a Ele, o Senhor prometeu sempre enviar uma bênção: “E será respondido com uma bênção sobre sua cabeça. Portanto, rejubila-te e alegra-te” (Doutrina e Convênios 25:12–13).

Em um momento difícil da minha vida, não consegui discernir as respostas às minhas orações sinceras por um longo período. Uma querida amiga minha também estava passando por algumas dificuldades. No entanto, ao tocarmos e cantarmos juntas hinos e músicas do evangelho, muitas vezes nos sentíamos arrebatadas, com o coração reconfortado e repleto de testemunho. Agora reconheço que o Senhor estava cumprindo Sua promessa. Ele de fato estava respondendo, tantas e tantas vezes, aos cânticos do meu coração. E isso me trouxe muito alento e me ajudou a seguir em frente.

Photograph by Robert Casey

Em qualquer domingo

Em qualquer domingo, podemos ter a certeza de que algumas pessoas em nossa congregação, nossa classe e nossa família estão atravessando águas profundas de aflição pessoal. Outras se encontram em pacíficos vales transbordantes de bênçãos. E outras estão começando a aprender as verdades básicas do evangelho.

Quando mantemos a música em seu devido lugar no centro de nossa adoração, podemos ajudar todos a encontrar oportunidades de sentir o Espírito, aprender as verdades do evangelho e louvar ao Senhor por Sua bondade. E podemos ajudar todos a sentir que os cânticos de seu coração estão sendo respondidos da maneira que somente nosso amoroso e eterno Pai pode fazer.