2013
Discipulado em Todos os Momentos, em Todas as Coisas e em Todos os Lugares
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Discipulado em Todos os Momentos, em Todas as Coisas e em Todos os Lugares

Melissa Merrill mora em Idaho, EUA.

Quando Alma explicou o convênio do batismo nas Águas de Mórmon, ensinou que isso envolvia o compromisso de sermos testemunhas de Deus “em todos os momentos e em todas as coisas e em todos os lugares” (Mosias 18:9). Esse é um padrão que os discípulos do Salvador se esforçam por cumprir hoje e um convênio renovado a cada semana no sacramento, quando os membros da Igreja prometem “lembrar-se sempre” do Salvador (D&C 20:77).

O que exatamente constitui esse discipulado? As revistas da Igreja convidaram santos dos últimos dias do mundo inteiro a participar do que chamamos de “experiência de discipulado”. Em essência, convidamos esses membros a concentrar-se em determinado ensinamento de Jesus Cristo ou na história de Sua vida, a estudar diligentemente e a ponderar essa seleção de escrituras por uma semana, e a relatar como esse estudo dedicado da vida e dos ensinamentos do Salvador afetou a maneira como eles O seguiram “em todos os momentos” de sua vida.

Discipulado em Todos os Momentos

Kara Laszczyk, de Utah, EUA, há muito via o discipulado como o desejo de imitar Jesus Cristo e tornar-se mais semelhante a Ele, com a disposição de sacrificar-se e servir, compartilhando o evangelho. Mas sentia de certa forma que sua personalidade introvertida era um empecilho.

“Tenho a tendência de pensar somente dentro de minha esfera, porque não me sinto à vontade para me expor aos outros”, explica ela. “Preocupo-me demais com o que as outras pessoas pensam de mim, em vez de me preocupar com o que penso de mim mesma e com o que o Salvador pensa de mim.”

Mas a irmã Laszczyk disse que sua experiência de uma semana ao estudar Lucas 7, que aborda o ministério do Salvador a várias pessoas, fez com que reconsiderasse suas motivações. Perguntou a si mesma: “Será que minhas ações são motivadas pelo genuíno desejo de tornar-me semelhante ao Salvador e me importar com as pessoas, ou estou apenas assinalando itens de minha lista para poder sentir-me bem, sabendo que cumpri uma tarefa? Estou mais preocupada com o bem-estar das pessoas ou com o que os outros vão pensar de minhas ações?”

Ela disse que se deu conta de que parte do processo de seguir o Salvador — fazendo o que Ele faria em determinada situação — significava amar e servir quando fosse necessário, não apenas quando conveniente.

“O discipulado não é passivo”, ressalta ela. “Nem sempre é fácil. O tempo, a energia e os meios que sacrificamos no genuíno serviço de amor prestado ao próximo nos ajudam a achegar-nos ao Salvador.” E ela acrescenta que se sente alentada ao saber que o Senhor não pede que corramos mais do que podemos (ver Mosias 4:27) nem que façamos coisas que não poderíamos fazer sem Sua ajuda.

O entendimento desses princípios ajudou a irmã Laszczyk a participar de um jejum por familiares, mesmo que o jejum fosse um ponto fraco seu no passado. Esse conhecimento também a motivou a mudar em um nível mais geral.

“Quero ser mais proativa em relação à prestação de serviço, em vez de apenas esperar até que uma folha de assinaturas seja passada”, diz ela. “Quero ser uma professora visitante melhor. Quero procurar meios de servir fora da Igreja, em minha comunidade. Quero que meu primeiro pensamento seja: ‘O que posso fazer por eles?’ ou ‘Do que eles precisam?’ e não ‘Tenho tempo para isso?’ ou ‘Como isso vai me afetar?’

“Precisamos de nosso Salvador”, conclui ela, “mas nosso Salvador também precisa de nós. Ele precisa que ajudemos e ergamos uns aos outros”.

Francisco Samuel Cabrera Perez, de Chihuahua, México, diz que não se considera uma pessoa ruim; procura obedecer aos mandamentos e cumprir seus deveres para com sua família e seu próximo desde que foi batizado, aos 16 anos. Mas a experiência que envolvia o estudo da vida do Salvador o ajudou a passar da teoria para a prática a sua compreensão do discipulado.

Ao estudar João 6:27–63, o sermão em que o Salvador Se chamou de Pão da Vida, o irmão Cabrera pôde reconhecer em si mesmo a tendência que muitos têm: ver em primeiro lugar seu próprio conforto.

“Sempre encontro um ou mais ‘motivos’ — desculpas — para adiar meus deveres”, explica ele. Pensamentos como “Daqui a pouco” ou “Amanhã” ou “Não há pressa” lhe vêm à mente, diz ele, “pairando como abutres que bloqueiam meu progresso familiar, econômico, social e, acima de tudo, eterno”.

Se seguirmos o Salvador somente depois de fazer o que queremos, seremos apenas “quase discípulos”, e não discípulos verdadeiros, esclarece ele. Ao ler a respeito do comprometimento do Salvador ao Se submeter à vontade do Pai, o irmão Cabrera reforçou seu próprio compromisso e passou a compreender melhor como o fato de tomar o sacramento a cada semana o ajuda a “[despojar-se] do homem natural” (Mosias 3:19).

“Submeto-me à influência do Santo Espírito e permito que o poder da Expiação me santifique”, explica o irmão Cabrera. “Para que isso aconteça, preciso desenvolver os atributos de Cristo: tornar-me como uma criança, submisso, manso, humilde, paciente, amoroso, disposto a submeter-me à vontade do Senhor” (ver Mosias 3:19).

À medida que se esforçou diligentemente para despojar-se do homem natural, o irmão Cabrera passou a sentir mais amor pelo Pai Celestial e Jesus Cristo, por sua família, por seus líderes e por outras pessoas de seu convívio. Descobriu que seu desempenho no trabalho melhorou. E acima de tudo, constatou que sentia prazer em fazer coisas para edificar o reino de Deus, não era mais uma obrigação.

“Embora eu costumasse ver o discipulado do Salvador como um fardo, agora vejo que Seu jugo é suave e Seu fardo é leve” (ver Mateus 11:30), diz o irmão Cabrera. “É isso que significa o grande plano de felicidade: seguir Jesus Cristo e regozijar-se Nele agora e na eternidade.”

Discipulado em Todas as Coisas

Chioma N., 15 anos, da Nigéria, estudou João 7 e 3 Néfi 14 como parte de seu desejo de ser mais obediente. Ela admite que é difícil “fazer algumas coisas que odeio fazer — principalmente arrumar a cozinha quando estou cansada”. Mas também tem o desejo de “amar as pessoas a seu redor” e descobriu que a obediência era um meio de demonstrar esse amor (ver João 14:15).

Ao estudar os ensinamentos do Salvador sobre obediência e ao ler sobre Sua submissão à vontade do Pai Celestial, Chioma reconheceu que, como o Pai Celestial e Jesus Cristo sabiam que pecaríamos e nos desviaríamos do rumo, Eles nos deram mandamentos para ajudarem a nos manter no caminho estreito e apertado. Também aprendeu que sem obediência não podemos entrar no reino de Deus.

“Aprendi que ninguém é perfeito, mas com obediência, todos podemos esforçar-nos rumo à perfeição”, disse ela. “E aprendi que devemos ser obedientes para que o Pai Celestial possa abençoar-nos.”

Ela descobriu uma oportunidade de manifestar obediência na escola, ao receber a incumbência de varrer a sala de aula quando não era sua vez.

“Obedeci humildemente ao ouvir o Espírito Santo dizer-me para obedecer e varrer a sala de aula. Meus colegas ficaram surpresos, e a professora também. Graças ao ocorrido, as pessoas agora me conhecem como uma moça obediente e humilde. Senti-me feliz durante toda a semana porque fui obediente.”

Michelle Kielmann Hansen foi criada na Groenlândia e agora mora na Dinamarca, dois lugares em que existe a cultura de “demonstrar bondade e ser prestativo”, afirma ela. Em muitos aspectos, diz ela, o fato de ter vivido nesses locais facilitou seu empenho para levar uma vida semelhante à de Cristo.

Em outros aspectos, porém, ela admite que é difícil ajudar as pessoas a compreender que ser discípulo de Jesus Cristo não é simplesmente uma atividade periódica, mas um estilo de vida. Ela conta que as pessoas a sua volta, inclusive duas amigas não membros, com quem divide o apartamento, costumam ter dificuldade para compreender um estilo de vida que envolve “todas essas horas na igreja”, a frequência ao templo, o estudo das escrituras e um jejum mensal. A vida de discípulo se torna ainda mais difícil quando ela se depara com mídia imprópria, linguagem chula e outras influências externas negativas. “Com essas influências”, afirma ela, “pode ser muito desafiador lembrar que sou realmente uma discípula de Jesus Cristo”.

A irmã Hansen admite que é difícil ser um jovem adulto em um mundo cujos padrões morais parecem estar constantemente mudando. Em alguns casos, a decisão entre o certo e o errado é bem clara. Em outros, não é. Mas ela ressalta que embora as situações que ela encontra sejam às vezes complexas, as escrituras são simples.

“É mais difícil ser discípulo de Jesus Cristo se não O conhecemos”, explica a irmã Hansen. “As escrituras são ferramentas para O conhecermos melhor. Toda vez que eu não sabia como agir, automaticamente me reportava ao que estudava pela manhã e à noite”, conta ela. “O estudo da vida e dos ensinamentos [do Salvador] me ajudou a compreender melhor que Ele fez o que fez porque ama cada um de nós.

Ao aprender mais a respeito Dele, compreendi que ser discípulo de Jesus Cristo significa conhecer quem Ele é. E isso me ajudou a agir da maneira que Ele me ensinou. O discipulado é conhecer [e escolher] o que Jesus Cristo faria em qualquer situação — portanto é importante estudar frequentemente Seus ensinamentos.”

Discipulado em Todos os Lugares

Stacey White, mãe de quatro filhos, de Indiana, EUA, ansiava pela oportunidade de ajudar um vizinho, amigo ou até um estranho na semana em que estudou Mateus 25:35–40, onde o Salvador ensina que ao servir “a um destes meus pequeninos” estamos na verdade servindo a Ele (versículo 40).

“Como sou uma dona de casa atarefada e mãe de quatro filhos pequenos, às vezes me sinto frustrada por não conseguir prestar serviço com a frequência desejada”, explica a irmã White. “Fico tão ocupada cuidando das necessidades de minha própria família que quase não me sobra tempo para mais nada.”

A irmã White observou que ao continuar a estudar, assinalar referências remissivas e ponderar aquelas escrituras, orando por oportunidades de servir, “a semana pareceu assumir um nível mais elevado de estresse do que o normal no tocante à maternidade”, algo que ela certamente não esperava.

“Houve projetos da escola nos quais tive de ajudar, mais sujeira do que de costume para limpar, mais brigas entre irmãos para apartar e uma montanha de roupa suja que parecia só aumentar. A lista de afazeres parecia nunca chegar nem perto do fim. Tudo indicava que minha oração ficara sem resposta, pois eu não estava conseguindo achar tempo livre e energia suficiente para servir alguém além de meu marido e meus filhos.”

Mas então, no meio da semana, a irmã White se deu conta de que o simples fato de não ter tido a oportunidade de servir fora de casa não significava que o Senhor deixara de responder a sua oração ou que ela não servira de modo significativo.

“O Senhor estava respondendo a minha oração dando-me aquelas oportunidades dentro de minha própria família”, concluiu ela. “Às vezes tenho a impressão de que o serviço dentro de minha própria família não conta, que para ser classificado como serviço precisa acontecer fora de casa e dirigir-se a alguém que não pertença ao círculo familiar. Mas com minha nova compreensão, enquanto arrumava as camas, lavava roupa, servia de motorista para as crianças e executava todas as minhas tarefas diárias como mãe, fiz tudo isso com mais alegria. Minhas tarefas já não me pareceram tão corriqueiras, e dei-me conta de que fazia algo importante para minha família.”

Para Dima Ivanov, de Vladivostok, Rússia, o convite de participar da “experiência de discipulado” chegou em um momento caótico. O irmão Ivanov havia saído recentemente do emprego para iniciar seu próprio negócio e, como tinha tantas responsabilidades relacionadas com o trabalho, questionou se teria dificuldade em pensar no discipulado como uma prioridade.

Ainda assim, concordou em participar, e como o discipulado para ele significava “obedecer e seguir a orientação ou o conselho de um professor”, ele se aprofundou no estudo do Sermão da Montanha, que se encontra em Mateus 5 e 3 Néfi 12.

O que o irmão Ivanov encontrou ao estudar as características daquele sermão, conta ele, foram suas próprias fraquezas. Mas sabendo que o Salvador havia prometido que aqueles que se humilhassem veriam as coisas fracas se tornarem fortes (ver Éter 12:27), o irmão Ivanov voltou-se para o Senhor, buscando oportunidades de crescimento.

“Senti o Salvador mais perto de mim”, relatou o irmão Ivanov. “Aprendi que Ele é o maior dos Mestres e aprendi meios pelos quais poderia tornar-me mais semelhante a Ele. Ao estudar sobre a natureza do discipulado, aprendi que podemos encontrar novas maneiras de sermos semelhantes ao Salvador, toda vez que estudamos Sua vida. E então, continuamos a aprender, seguindo Seu exemplo. Temos que praticar o que aprendemos.”

Ele disse que sua compreensão do discipulado mudou ao longo da semana. “Seguir o Salvador não é apenas estudar princípios do evangelho ou obedecer a Seus mandamentos”, explicou ele. Onde quer que nos encontremos ou o que quer que estejamos fazendo, podemos ter “o real desejo de seguir Seu exemplo e a intenção de tornar-nos semelhantes a Ele”.

Ilustração fotográfica: Cristina Smith © IRI; detalhe de Deixai Vir a Mim os Meninos, de Carl Heinrich Bloch, usado com permissão do Museu Histórico Nacional do Castelo de Frederiksborg, em Hillerød, Dinamarca, reprodução proibida.

Ilustração fotográfica: Steve Bunderson © 2007

Ilustração fotográfica: Howard Collett © IRI