2013
Padrões para Todas as Épocas
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Padrões para Todas as Épocas

Lori Fuller mora em Utah, EUA.

Cinco jovens adultos contam como os exemplos de obediência do Livro de Mórmon os guiam quando fazem escolhas entre o certo e o errado.

Bem no início de nosso aprendizado do evangelho, somos ensinados a reconhecer o certo e o errado. Aprendemos que as escolhas têm consequências, que a obediência proporciona bênçãos e que as escolhas justas nos aproximam de Deus. Em nossa adolescência, recebemos o livreto Para o Vigor da Juventude, que claramente declara os padrões da aplicação prática do evangelho.

No entanto, às vezes para os jovens adultos que têm dificuldades para viver no mundo sem ser do mundo (ver João 17:14), as escolhas e os padrões talvez deixem de parecer tão claros. Talvez pareça haver uma ampla margem de manobra, uma imensa área cinzenta entre o certo e o errado.

Embora as escolhas possam parecer mais difíceis à medida que ficamos mais velhos, os mesmos padrões ainda se aplicam, tal como quando éramos mais jovens. O princípio da obediência é uma constante. A decisão de ser obediente agora é tão importante quanto sempre foi. Ao nos vermos diante de decisões, os princípios do Livro de Mórmon — que foi escrito para nossos dias — podem guiar-nos para que façamos as melhores escolhas e lembrar-nos de que as maiores bênçãos advêm da maior obediência. Neste artigo, cinco jovens adultos comentam como estão colocando em prática esses princípios.

A Obediência Nos Aproxima de Deus

“Que deverei fazer para nascer de Deus, (…) e não ser afastado no último dia? (…) Abandonarei todos os meus pecados para conhecer [Deus]” (Alma 22:15, 18).

Quando o pai do rei Lamôni ouviu a palavra de Deus, decidiu abandonar todos os seus pecados para conhecê-Lo. Ao aprender os padrões de Deus, ele tomou a firme decisão de guardá-los para manter-se próximo de Deus. Ele e os outros ânti-néfi-leítas fizeram e guardaram seus convênios com o Pai Celestial e “nunca apostataram” (Alma 23:6).

O princípio da obediência continua verdadeiro na vida dos jovens adultos de hoje também. Como Vijay Patha, da Índia, explica: “A obediência nos aproxima de Deus. Proporciona paz de consciência, fé, felicidade, amor e otimismo. Não há outro meio para conseguirmos essas coisas a não ser pelo evangelho.

Quando surgem decisões difíceis”, prossegue ele, “o Espírito Santo pode guiar-nos através delas. Quando não há limites, estamos cada vez mais arriscados a cair. O cumprimento de meus convênios me provê esses limites. Eles me protegem para não cair em caminhos desconhecidos e me ajudaram muitas vezes a representar Cristo e me abster de fazer coisas como dizer palavrões. O estabelecimento de limites deixa tudo mais claro”.

Deus Vai Ajudar-nos a Obedecer

“Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor, porque sei que o Senhor nunca dá ordens aos filhos dos homens sem antes preparar um caminho pelo qual suas ordens possam ser cumpridas” (1 Néfi 3:7).

Às vezes, os mandamentos podem parecer difíceis de seguir, mas o Pai Celestial prometeu que sempre nos providenciará um meio para obedecermos. Como Néfi, os jovens adultos que estão decididos a ser fiéis podem recorrer ao Pai Celestial para encontrar a força e a capacidade para ser obedientes. Duncan Purser, da Inglaterra, conta como isso aconteceu para ele:

“O dízimo é um mandamento com limites estabelecidos: pagamos 10% do que ganhamos. Mas em relação às ofertas de jejum temos maior flexibilidade em nossa obediência.

Enquanto eu estava economizando para pagar a faculdade, a ideia de fazer ofertas de jejum era um desafio para mim. Eu travava um verdadeiro combate interior no domingo de jejum, tentando decidir se devia pagar e quanto constituía uma oferta ‘generosa’. Recorria à oração e não apenas me senti sempre inspirado a pagar as ofertas de jejum, mas também passei a ter maior desejo de fazê-lo.

Sei que o Senhor abençoa aqueles que guardam esse mandamento e, por obedecer, nunca me vejo privado das coisas necessárias da vida. Quando vivemos o evangelho, guardamos os mandamentos e nos damos conta de que somos um exemplo para todos ao nosso redor, o desejo que temos de tornar-nos melhores aumenta, e o Senhor nos mostra como fazer isso.

O Senhor nos deu padrões para nosso benefício. Podemos escolher até que ponto viveremos esses padrões ou se nossa obediência vai ou não nos mudar. Por experiência própria, vi as bênçãos chegarem quando segui os sussurros do Espírito”.

O Senhor Deseja Que Obedeçamos com Exatidão

“Eles obedeceram a cada palavra de comando e cumpriram-nas com exatidão; sim, e tudo lhes aconteceu de acordo com sua fé” (Alma 57:21).

O empenho de obedecer com exatidão, como fizeram os jovens guerreiros, vai ajudar os seguidores de Jesus Cristo a tornarem-se semelhantes a Ele. Mas nosso Salvador e o Pai Celestial compreendem que ninguém é perfeito. Para as ocasiões em que falhamos, Eles proveram um meio para nos arrependermos e agirmos melhor.

“Perdi a garota de meus sonhos porque estávamos quebrando a lei da castidade — só um pouquinho”, disse Erick (o nome foi alterado). “Mas quebrar a lei da castidade ‘só um pouquinho’ ainda é quebrar a lei da castidade. Continuei perdendo as preciosas bênçãos da obediência. Eu queria o Espírito em minha vida.

Não queria mais fazer nenhuma daquelas pequenas coisas que as pessoas consideravam aceitáveis, ‘desde que não tivéssemos que falar com o bispo’. Eu queria guardar a lei 100%. Mas minha decisão de ser obediente ocorreu tarde demais para salvar nosso relacionamento. A quebra da lei da castidade o sujara.

A lei da castidade existe para nossa proteção. Não se trata de um limite para nosso amor. Em vez disso, é a mais sublime maneira de expressar nosso amor. Pelo cumprimento dela, declaramos: ‘Amo você o suficiente para respeitar você e guardar os mandamentos de Deus. Amo você o suficiente para manter nossa vida centralizada em Cristo’.

Como adultos solteiros, também temos a obrigação de seguir os padrões de Para o Vigor da Juventude. A lei da castidade se aplica igualmente a todos, seja qual for nossa idade ou situação. Sinto-me grato por esse recém-descoberto testemunho porque ele vai me ajudar a aproximar-me do Salvador e de minha companheira eterna, quando eu a encontrar.”

A Estrita Obediência Nos Afasta do Perigo

“E aconteceu que quando recebeu a mensagem, Leônti não ousou descer ao pé do monte. (…) E aconteceu que quando viu que não conseguia fazer com que Leônti descesse do monte, Amaliquias subiu ao monte” (Alma 47:11–12).

Leônti estava decidido a manter-se em seu lugar. Mas decidiu que não haveria problemas em descer só um pouquinho para encontrar-se no meio do caminho com seu inimigo. Embora Leônti tivesse certeza de que estava no controle da situação, Amaliquias começou a lhe “[administrar] veneno, aos poucos” (Alma 47:18) até que Leônti morreu, talvez sem se dar conta do perigo até quando já era tarde demais.

Claudia R., do Colorado, EUA, conta como se manteve em lugar seguro:

“Sinto que a sociedade está se movendo para a área cinzenta. Por exemplo: as pessoas dizem o seguinte a respeito das bebidas alcoólicas: ‘Um gole não vai matá-lo’. Esse tipo de racionalização é essencialmente um jogo que disputamos com nós mesmos dentro da mente. E é nessas situações, aparentemente inocentes, que o arbítrio é testado de verdade.

Assim, temos que aprender a parar, a agir com firmeza. Algumas pessoas começam em uma área cinzenta, que vai se tornando realmente tenebrosa. E depois ficam presas ali.

Eu tive encontros muito bons com um rapaz, mas houve uma ocasião em que ficamos sozinhos no carro no escuro, e ele tentou tomar algumas liberdades comigo. Eu sabia que o que ele queria fazer poderia levar a outras coisas. Eu não ia deixar aquilo acontecer, por isso pulei fora do carro.

Como adultos solteiros, quando algo vai contra nossos padrões, temos que tomar uma posição. Quando namoramos, é claro, queremos segurar a mão um do outro, abraçar e beijar. Mas Satanás quer nos enganar fazendo-nos pensar que a lei da castidade é uma área cinzenta em que a obediência parcial é aceitável.

Nossos padrões têm que ser mais firmes do que isso. Precisamos decidir antes de nos deparar com decisões difíceis. Temos que agir com firmeza quando as coisas forem erradas. Sei que nosso mundo não é fácil. Há muitas coisas acontecendo. Mas os profetas e apóstolos nos deram padrões e diretrizes. Carrego sempre comigo uma versão, para levar na carteira, de Para o Vigor da Juventude, que me ajuda nos momentos difíceis”.

Podemos Ser Obedientes Quando as Pessoas ao Nosso Redor Não São

“Se eles não têm caridade, a ti isso não importa; tu tens sido fiel; portanto tuas vestes se tornarão limpas” (Éter 12:37).

Quando Morôni orou para que os gentios do futuro fossem abençoados, Deus lhe disse que era mais importante que ele permanecesse fiel. O mundo não facilita a observância dos padrões por parte dos jovens adultos. Mas mesmo quando os outros escolhem outro caminho, é possível escolher um caminho mais elevado.

Como muitos outros jovens adultos, Victor Kim, da Coreia do Sul, viu-se em situações em que os outros não compartilhavam seus padrões:

“Às vezes eu saía com colegas do trabalho para comer fora, e eles sempre bebiam. Havia muita pressão para que eu os acompanhasse e nem sempre era fácil recusar. Sempre fiz questão de informar previamente que eu não bebia. Mesmo assim, eu tinha que ser forte e mostrar confiança em meus limites.

Sei por experiência própria que aqueles que não estabelecem limites claros podem tornar-se complacentes e até acabar se convencendo de que um pequeno pecado não faz mal. Podem tornar-se insensíveis ao Espírito e deixar de ver o que é errado e por que é errado.

A pressão dos colegas também pode ser fortíssima. Quem não for forte pode acabar cedendo, pois o que seus amigos dizem parece fazer sentido, mesmo que não se encaixe em nossos padrões. Mas não há meio-termo. No final, temos que escolher.

Para manter-nos fortes, é útil ter bons amigos para conversar e com quem podemos contar. Desse modo podemos nos manter fortes juntos. Quando guardo os padrões, sinto-me seguro. Sinto-me digno de pedir a Deus que me proteja. Tenho fé que se eu for obediente, Ele vai me ajudar”.

O Livro de Mórmon ensina princípios de obediência que podem nos ajudar a apegar-nos à barra de ferro ao enfrentar decisões.

Ilustrações: Howard Lyon