2000–2009
    O Ensino Ajuda a Salvar Vidas
    Notas de rodapé
    Tema

    O Ensino Ajuda a Salvar Vidas

    Ensinamos doutrinas-chave, convidamos os alunos a fazerem a obra que Deus quer que façam, e depois prometemos que as bênçãos certamente virão.

    Certo dia, enquanto servia como presidente de missão, eu conversava ao telefone com nosso filho mais velho. Ele estava a caminho do hospital onde trabalhava como médico. Quando chegou ao hospital, disse: “Foi bom conversar com você, pai, mas agora tenho de sair do carro para salvar algumas vidas”.

    Nosso filho trata de crianças que têm doenças que podem ser fatais. Quando consegue diagnosticar uma doença de modo adequado e ministrar o tratamento certo, consegue salvar a vida da criança. Eu disse aos missionários que o trabalho deles também consiste em ajudar a salvar vidas: a vida espiritual daqueles a quem ensinam.

    O Presidente Joseph F. Smith disse: “Quando um homem recebe a verdade, é salvo por ela. Não apenas porque alguém a ensinou a ele, mas porque a aceitou e praticou” (Conference Report, abril de 1902, p. 86; ver também Ensino, Não Há Maior Chamado, 2009, p. 49; I Timóteo 4:16).

    Nosso filho salva vidas ao compartilhar seus conhecimentos de medicina, enquanto os missionários e os professores na Igreja ajudam a salvar vidas ao compartilhar o conhecimento que têm do evangelho. Quando os missionários e os professores buscam o Espírito, eles ensinam o princípio adequado, convidam os alunos a viver o princípio e prestam testemunho das bênçãos prometidas que certamente se seguirão. O Élder David A. Bednar explicou estes três simples elementos do ensino eficaz em uma recente reunião de treinamento: (1) doutrina-chave, (2) convite à ação, e (3) bênçãos prometidas.

    O guia Pregar Meu Evangelho ajuda os missionários a ensinar a doutrina-chave, a convidar aqueles a quem ensinam a entrar em ação e a receber as bênçãos prometidas. O guia Ensino, Não Há Maior Chamado ajuda os pais e os professores a fazerem o mesmo. No ensino do evangelho, o guia representa o mesmo que Pregar Meu Evangelho representa para a obra missionária. Nós o usamos a fim de nos prepararmos para ensinar e depois buscamos o Espírito ao fazê-lo.

    O Presidente Thomas S. Monson nos relata sobre uma professora da Escola Dominical que teve em sua juventude, Lucy Gertsch. Certo domingo, no meio de uma lição sobre serviço abnegado, a irmã Gertsch convidou os alunos a doarem os fundos para festas da turma à família de um dos colegas cuja mãe havia falecido. O Presidente Monson disse que, ao fazer aquele convite à ação, a irmã Gertsch “fechou o manual e abriu-nos os olhos, ouvidos e o coração para a glória de Deus” [“Exemplos de Grandes Professores”, (Reunião Mundial de Treinamento de Liderança, fevereiro de 2007), A Liahona, junho de 2007, p. 76]. A irmã Gertsch obviamente havia usado o manual para preparar a aula, mas, quando recebeu a inspiração, fechou o manual e convidou os alunos a viverem o princípio do evangelho que lhes era ensinado.

    Conforme ensinou o Presidente Monson, “O objetivo do ensino do evangelho (…) não é ‘despejar informações’ na mente dos membros da classe. (…) O objetivo é inspirar a pessoa a pensar, sentir, e depois fazer algo a respeito de viver os princípios do evangelho” (Conference Report, outubro de 1970, p. 107).

    Quando Morôni apareceu ao Profeta Joseph, não somente ensinou doutrinas importantes pertinentes à Restauração, mas também disse a ele que “Deus tinha uma obra a ser executada por [ele]” e prometeu que o nome dele seria conhecido no mundo todo (ver Joseph Smith — História 1:33). Todos os pais e professores do evangelho são mensageiros de Deus. Nem todos nós ensinamos futuros profetas, como o fizeram a irmã Gertsch e Morôni, mas todos nós estamos ensinando futuros líderes da Igreja, de modo que ensinamos doutrinas-chave, convidamos os alunos a fazerem a obra que Deus quer que façam, e depois prometemos que as bênçãos certamente virão.

    Lembro-me de que, quando menino, caminhava despreocupado para a Igreja, para uma reunião da Primária. Ao chegar, fiquei surpreso de ver todos os pais ali para um programa especial. Então me lembrei. Eu tinha uma participação no programa e havia-me esquecido de memorizar o texto. Quando chegou minha vez de falar, fiquei em pé, mas não saiu uma única palavra de minha boca. Não conseguia lembrar-me de nada. Assim, apenas fiquei ali parado e então finalmente me sentei, olhando para o chão.

    Depois daquela experiência, resolvi nunca mais falar em qualquer reunião da Igreja novamente. E mantive minha resolução por algum tempo. Então, certo domingo, a irmã Lydia Stillman, líder da Primária, ajoelhou-se ao meu lado e pediu-me que eu preparasse um pequeno discurso na semana seguinte. Eu disse a ela: “Não faço discursos”. Ela respondeu: “Eu sei, mas você pode fazer este, pois vou ajudá-lo”. Continuei a resistir, mas ela expressou tanta confiança em mim, que foi difícil recusar o convite. Fiz o discurso.

    Aquela boa mulher era uma mensageira de Deus, que tinha um trabalho para eu fazer. Ela me ensinou que, quando recebemos um chamado, ele deve ser aceito, não importa o quanto você se sinta inadequado. Como Morôni fez com Joseph, ela verificou se eu estava preparado quando chegou o momento de dar o discurso. Aquela professora inspirada ajudou a salvar a minha vida.

    Quando eu era adolescente, um ex-missionário recém-chegado da missão, o irmão Peterson, era o nosso professor na Escola Dominical. Toda semana ele desenhava uma grande seta no canto inferior esquerdo do quadro apontando para o canto superior direito. Depois, escrevia na parte de cima do quadro: “Mire Além”.

    Qualquer que fosse a doutrina que estava ensinando, ele pedia que fôssemos um pouco além, que alcançássemos um pouco mais do que pensávamos ser possível. A seta e aquelas duas palavras, mire além, eram um convite constante durante toda a lição. O irmão Peterson fez com que eu quisesse ser um bom missionário, que me saísse melhor na escola e tivesse metas mais altas em minha carreira profissional.

    O irmão Peterson tinha um trabalho para fazermos. O objetivo dele era ajudar-nos a “pensar, sentir e depois fazer algo a respeito de viver os princípios do evangelho”. Seus ensinamentos ajudaram a salvar a minha vida.

    Quando eu tinha 19 anos, fui chamado para servir em uma missão no Taiti, onde tive que aprender dois novos idiomas: francês e taitiano. No começo da missão fiquei bastante desanimado pela falta de progresso em ambos os idiomas. Toda vez que eu tentava falar francês, as pessoas respondiam em taitiano. Quando tentava falar taitiano, elas respondiam em francês. Eu estava a ponto de desistir.

    Então, um belo dia, ao passar pela lavanderia da casa da missão, ouvi uma voz me chamando. Virei-me e vi uma mulher taitiana de cabelos grisalhos parada na porta, fazendo sinal para eu voltar. O nome dela era Tuputeata Moo. Ela só falava taitiano. E eu só falava inglês. Não entendi boa parte do que ela estava tentando me dizer, mas entendi que ela queria que eu voltasse à lavanderia todos os dias para me ajudar a aprender taitiano.

    Eu ia lá todos os dias para praticar com ela, enquanto ela passava roupas. De início, fiquei imaginando se nossos encontros ajudariam em algo, mas gradualmente comecei a compreendê-la. A cada vez que nos encontrávamos, ela passava para mim a total confiança que tinha de que eu podia aprender ambos os idiomas.

    A irmã Moo ajudou-me a aprender taitiano, mas ajudou-me a aprender muito mais que isso. Ela estava de fato me ensinando o primeiro princípio do evangelho: fé no Senhor Jesus Cristo. Ensinou-me que, se eu confiasse no Senhor, Ele me ajudaria a fazer algo que eu pensava ser impossível. Ela não só ajudou a salvar a minha missão: ajudou a salvar a minha vida.

    A irmã Stillman, o irmão Peterson e a irmã Moo ensinaram “com persuasão, com longanimidade, com brandura e mansidão e com amor não fingido; com bondade e conhecimento puro, que grandemente expandirão a alma” (D&C 121:41–42). Ensinaram com virtude adornando seus pensamentos e, por causa disso, o Espírito Santo foi seu companheiro constante (ver D&C 121:45–46).

    Esses ótimos professores me inspiraram a fazer perguntas sobre meu próprio ensino:

    1. Como professor, eu me vejo como mensageiro de Deus?

    2. Eu me preparo e depois ensino de modo a ajudar a salvar vidas?

    3. Eu me concentro em uma doutrina importante da Restauração?

    4. Aqueles a quem ensino sentem o amor que tenho por eles e pelo Pai Celestial e o Salvador?

    5. Quando surge a inspiração, fecho o manual e abro os olhos, os ouvidos e o coração [dos alunos] para a glória de Deus?

    6. Eu os convido a fazer o trabalho que Deus tem para fazerem?

    7. Expresso tanta confiança neles a ponto de acharem o convite difícil de recusar?

    8. Ajudo-os a reconhecer as bênçãos prometidas que vêm por viverem a doutrina que estou ensinando?

    Aprender e ensinar não são atividades opcionais no reino de Deus. São os próprios meios pelos quais o evangelho foi restaurado na Terra e pelos quais ganharemos a vida eterna. Eles proporcionam o caminho para o testemunho pessoal. Ninguém pode ser “salvo em ignorância” (D&C 131:6).

    Sei que Deus vive. Testifico-lhes que Jesus é o Cristo. Presto testemunho de que o Profeta Joseph abriu esta dispensação aprendendo a verdade e depois ensinando-a. Joseph fez uma pergunta após outra, recebeu respostas divinas e depois ensinou o que havia aprendido aos filhos de Deus. Sei que o Presidente Monson é o porta-voz do Senhor na Terra hoje e que continua a aprender e a nos ensinar como fez Joseph, pois o ensino ajuda a salvar vidas. Em nome de Jesus Cristo. Amém.