2000–2009
    Mais Diligentes e Interessados em Casa
    Notas de rodapé
    Tema

    Mais Diligentes e Interessados em Casa

    Podemos tornar-nos mais diligentes e interessados no lar ao sermos mais fiéis em aprender, viver e amar o evangelho restaurado de Jesus Cristo.

    Em 1833, o Profeta Joseph Smith recebeu uma revelação que continha uma severa repreensão a vários irmãos que lideravam a Igreja para que colocassem sua família em ordem (ver D&C 93:40–50). Uma frase específica dessa revelação é o tema de minha mensagem: “mais diligentes e interessados em casa” (versículo 50). Quero sugerir três maneiras pelas quais cada um de nós pode tornar-se mais diligente e interessado em casa. Peço que ouçam com atenção e com o coração. Oro para que o Espírito do Senhor esteja com todos nós.

    Sugestão Número Um: Expressar Amor — e Demonstrá-lo

    Podemos tornar-nos mais diligentes e interessados no lar dizendo a nossos entes queridos que os amamos. Essa expressão de amor não precisa ser elaborada nem longa. Devemos simplesmente expressar nosso amor com sinceridade e com frequência.

    Irmãos e irmãs, quando foi a última vez que vocês tomaram seu cônjuge eterno nos braços e disseram: “Eu te amo”? Pais, quando foi a última vez que vocês expressaram sinceramente seu amor a seus filhos? Filhos, quando foi a última vez que disseram a seus pais que os amavam?

    Todos sabemos que devemos dizer a nossos entes queridos que os amamos. Mas o que sabemos nem sempre se manifesta no que fazemos. Talvez nos sintamos inseguros, desajeitados ou até um pouco envergonhados.

    Como discípulos do Salvador, não estamos apenas nos esforçando para saber mais. Precisamos constantemente colocar em prática as coisas que sabemos ser corretas e fazer isso cada vez melhor.

    Devemos lembrar que dizer “Eu te amo” é só o princípio. Precisamos dizer isso, temos que ser sinceros ao dizê-lo e, mais importante, precisamos demonstrá-lo constantemente. Precisamos expressar e demonstrar nosso amor.

    O Presidente Thomas S. Monson aconselhou recentemente: “Frequentemente, presumimos que [as pessoas a nosso redor] devem saber o quanto as amamos. Mas não devemos presumir: precisamos fazer com que saibam. (…) Jamais nos arrependeremos das palavras bondosas proferidas ou do afeto demonstrado. Em vez disso, vamos arrepender-nos, se omitirmos tais coisas em nosso relacionamento com aqueles que mais significam para nós” (“Alegria na Jornada”, A Liahona, novembro de 2008, pp. 85–86).

    Às vezes, ouvimos num discurso de reunião sacramental ou testemunho uma declaração como esta: “Sei que não digo a minha esposa com suficiente frequência o quanto eu a amo. Hoje quero que ela, meus filhos e todos vocês saibam que eu a amo”.

    Essa expressão de amor pode ser adequada. Mas, quando ouço uma declaração assim, tremo e exclamo em pensamento que a esposa e os filhos não deveriam estar ouvindo essa aparentemente rara e íntima comunicação em público na Igreja! Espero que os filhos ouçam expressões de amor e vejam o amor ser demonstrado entre os pais como rotina regular de sua vida diária. Mas, se a declaração pública de amor na Igreja for um tanto surpreendente para a esposa ou para os filhos, então realmente há uma necessidade de aquela pessoa ser mais diligente e interessada em casa.

    A relação existente entre o amor e a devida ação é demonstrada repetidas vezes nas escrituras e salientada na instrução dada pelo Salvador a Seus Apóstolos: “Se me amais, guardai os meus mandamentos” (João 14:15). Assim como provamos nosso amor pelo Senhor quando seguimos sempre Seus caminhos (ver Deuteronômio 19:9), a mais vigorosa prova do amor que sentimos por nosso cônjuge, nossos pais e nossos filhos manifesta-se em nossos pensamentos, palavras e ações (ver Mosias 4:30).

    O sentimento de segurança e constância proporcionado pelo amor de um cônjuge, pai ou filho é uma bênção preciosa. Esse amor nutre e sustém a fé em Deus. Esse amor é uma fonte de força e afasta o temor (ver I João 4:18). Esse amor é o desejo de toda alma humana.

    Podemos tornar-nos mais diligentes e interessados no lar, ao expressar nosso amor e demonstrá-lo constantemente.

    Sugestão Número Dois: Prestar Testemunho — e Vivê-lo

    Também podemos tornar-nos mais diligentes e interessados em casa prestando testemunho a nossos entes queridos das coisas que sabemos ser verdadeiras pela confirmação do Espírito Santo. O testemunho prestado não precisa ser longo nem eloquente. E não precisamos esperar até o primeiro domingo do mês para prestar testemunho das coisas que são verdadeiras. Dentro de nossa própria casa podemos e devemos prestar um testemunho puro da divindade e realidade do Pai e do Filho, do grande plano de felicidade e da Restauração.

    Irmãos e irmãs, quando foi a última vez que vocês prestaram testemunho a seu companheiro eterno? Pais, quando foi a última vez que vocês prestaram testemunho a seus filhos das coisas que sabem ser verdadeiras? E filhos, quando foi a última vez que prestaram testemunho a seus pais e familiares?

    Todos sabemos que devemos prestar testemunho às pessoas que mais amamos. Mas o que sabemos nem sempre se manifesta no que fazemos. Talvez nos sintamos inseguros, desajeitados ou até um pouco envergonhados.

    Como discípulos do Salvador, não estamos apenas nos esforçando para saber mais. Precisamos constantemente colocar em prática as coisas que sabemos ser corretas e fazê-lo cada vez melhor.

    Devemos lembrar que prestar um testemunho sincero é apenas o princípio. Precisamos prestar testemunho, precisamos fazê-lo com sinceridade e, mais importante, precisamos demonstrá-lo constantemente. Precisamos prestar nosso testemunho e colocá-lo em prática.

    A relação existente entre o testemunho e a devida ação é salientada na instrução dada pelo Salvador aos santos de Kirtland: “Aquilo que o Espírito vos testificar, assim quisera eu que fizésseis” (D&C 46:7). Nosso testemunho da veracidade do evangelho deve refletir-se tanto em nossas palavras quanto em nossas ações. E o modo mais vigoroso de prestar e viver nosso testemunho é em nosso próprio lar. Os cônjuges, os pais e os filhos devem esforçar-se para vencer toda hesitação, relutância ou vergonha de prestar testemunho. Devemos criar e procurar oportunidades de prestar testemunho das verdades do evangelho e de vivê-las.

    Um testemunho é o que sabemos ser verdade na mente e no coração por meio da confirmação do Espírito Santo (ver D&C 8:2). Se professarmos a verdade em vez de admoestar, exortar ou simplesmente compartilhar experiências interessantes, promoveremos a presença do Espírito Santo para confirmar a veracidade de nossas palavras. O poder do testemunho puro (ver Alma 4:19) não decorre da linguagem sofisticada ou de uma apresentação eficaz, mas resulta da revelação transmitida pelo terceiro membro da Trindade, que é o Espírito Santo.

    Sentir o poder, a edificação e a constância proporcionados pelo testemunho de um cônjuge, pai ou filho é uma bênção preciosa. Esse testemunho fortalece a fé e provê orientação. Esse testemunho gera luz num mundo cada vez mais tenebroso. Esse testemunho é fonte de uma perspectiva eterna e de paz duradoura.

    Podemos tornar-nos mais diligentes e interessados em casa ao prestar testemunho — e vivê-lo constantemente.

    Sugestão Número Três: Ser Constantes

    Quando nossos filhos estavam crescendo, nossa família fez o que vocês devem ter feito e o que fazem hoje. Orávamos regularmente em família, estudávamos as escrituras e realizávamos a reunião familiar. Mas tenho certeza de que vou descrever algo que nunca aconteceu na casa de vocês, mas aconteceu na nossa.

    Às vezes, minha mulher e eu nos questionávamos se nossos esforços em fazer essas coisas espiritualmente essenciais valiam a pena. De vez em quando, líamos as escrituras em meio a exclamações como: “Ele está mexendo comigo!” “Mandem ele parar de olhar para mim!” “Ele está respirando o meu ar!” Orações sinceras às vezes eram interrompidas por risadinhas e provocações. Como nossos meninos eram muito ativos e agitados, as aulas da noite familiar nem sempre produziam um alto nível de edificação. Às vezes, minha mulher e eu ficávamos exasperados, porque os bons hábitos dignos que trabalhávamos tão arduamente para promover não pareciam produzir os resultados espirituais esperados e desejados.

    Hoje, se vocês perguntarem a nossos filhos adultos do que eles se lembram a respeito da oração familiar, do estudo das escrituras em família e das noites familiares, creio que sei qual seria a resposta. É provável que eles não consigam identificar uma oração ou um momento específico durante o estudo das escrituras, ou uma aula da noite familiar como o momento decisivo do desenvolvimento espiritual deles. O que eles dirão é que se lembram de ter uma família que era constante.

    Minha mulher e eu achávamos que ajudar nossos filhos a compreender o conteúdo de uma determinada aula ou de uma escritura específica era o resultado mais importante. Mas esse resultado não ocorria sempre que estudávamos ou orávamos ou aprendíamos juntos. A constância de nosso intento e trabalho talvez tenha sido a melhor lição — uma lição que não valorizamos plenamente na época.

    Em meu escritório há uma bela pintura de um campo de trigo. A pintura é um imenso conjunto de pinceladas de tinta, nenhuma das quais, vista isoladamente, aparenta ser muito interessante ou impressionante. Na verdade, se olharmos a tela bem de perto, tudo o que veremos será um aglomerado de riscos de cor amarela, dourada e marrom, aparentemente sem relação entre si e sem beleza. No entanto, à medida que nos afastamos da tela, todas as pinceladas isoladas se combinam e produzem uma magnífica paisagem de um campo de trigo. Muitas pinceladas comuns e individuais se unem para criar uma pintura cativante e bela.

    Cada oração familiar, cada episódio de estudo das escrituras em família e cada noite familiar é uma pincelada na tela de nossa alma. Nenhum desses momentos isoladamente aparenta ser muito impressionante ou memorável. Mas assim como as pinceladas amarelas, douradas e marrons de tinta se complementam e produzem uma impressionante obra-prima, nossa constância em fazer coisas aparentemente pequenas pode levar a resultados espirituais significativos. “Portanto não vos canseis de fazer o bem, porque estais lançando o alicerce de uma grande obra. E de pequenas coisas provém aquilo que é grande” (D&C 64:33). A constância é um princípio-chave ao estabelecermos o alicerce de uma grande obra em nossa vida e ao nos tornarmos mais diligentes e interessados em nosso lar.

    Ser constante no lar é importante ainda por outro motivo. Muitas das reprimendas mais severas do Salvador foram dirigidas aos hipócritas. Jesus advertiu Seus discípulos contra os escribas e fariseus: “Não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem” (Mateus 23:3). Essa forte advertência aconselha-nos seriamente a “expressar amor e a demonstrá-lo”, a “prestar testemunho e vivê-lo” e a “ser constantes”.

    A hipocrisia em nossa vida é muito fácil de ser percebida e provoca a maior destruição em nosso próprio lar. E as crianças, em geral, são as mais alertas e sensíveis em reconhecer a hipocrisia.

    As declarações de amor em público, quando não há gestos de amor praticados no lar, são hipocrisia e enfraquecem o alicerce de um grande trabalho. Prestar publicamente um testemunho, quando não há fidelidade e obediência em nosso lar é hipocrisia e enfraquece o alicerce de um grande trabalho. O mandamento “não dirás falso testemunho” (Êxodo 20:16) se aplica mais diretamente ao hipócrita que pode existir em cada um de nós. Precisamos ser e tornar-nos mais constantes. “Mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza” (I Timóteo 4:12).

    Ao buscarmos a ajuda do Senhor e Sua força, podemos gradualmente reduzir a disparidade entre o que dizemos e o que fazemos, entre o amor que expressamos e nossa constante demonstração dele, e entre prestar testemunho e vivê-lo com firmeza. Podemos tornar-nos mais diligentes e interessados no lar ao sermos mais fiéis em aprender, viver e amar o evangelho restaurado de Jesus Cristo.

    Testemunho

    “O casamento entre homem e mulher foi ordenado por Deus e (…) a família é essencial ao plano do Criador para o destino eterno de Seus filhos” (A Família: Proclamação ao Mundo”, A Liahona, outubro de 2004, p. 49). Por esses e outros motivos de importância eterna, devemos tornar-nos mais diligentes e interessados em casa.

    Que todo cônjuge, todo filho e todo pai ou toda mãe tenha a bênção de transmitir e receber amor, de prestar um forte testemunho, de ser edificado por ele e de tornar-se mais constante nas coisas aparentemente pequenas, mas que são tão importantes.

    Nunca estaremos sozinhos nessas importantes buscas. Nosso Pai Celestial e Seu Filho Amado vivem. Eles nos amam e conhecem nossa situação. Eles vão ajudar-nos a tornar-nos mais diligentes e interessados em casa. Presto testemunho dessas verdades, no sagrado nome do Senhor Jesus Cristo. Amém.