2000–2009
    Conhecer a Deus, Nosso Pai Celestial, e Seu Filho, Jesus Cristo
    Notas de rodapé
    Tema

    Conhecer a Deus, Nosso Pai Celestial, e Seu Filho, Jesus Cristo

    A luz da crença encontra-se dentro de vocês, aguardando para ser despertada e intensificada pelo Espírito de Deus.

    Irmãos e irmãs, expresso gratidão pelo testemunho sobre Deus, nosso Pai Celestial e Seu Filho, Jesus Cristo, prestado pelos profetas vivos durante esta conferência e pelos ensinamentos do Espírito Santo.

    Conforme profetizado, vivemos numa época em que a escuridão do secularismo intensifica-se ao nosso redor. A crença em Deus é amplamente questionada ou mesmo atacada em nome de causas políticas, sociais e até religiosas. O ateísmo — ou a doutrina de que não há Deus — espalha-se rapidamente pelo mundo.

    Ainda assim, como membros da Igreja restaurada de Jesus Cristo, declaramos que “Cremos em Deus, o Pai Eterno, e em Seu Filho, Jesus Cristo, e no Espírito Santo”.1

    Alguns se perguntam: “Por que a crença em Deus é tão importante”? E por que o Salvador disse: “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”?2

    Sem Deus, a vida terminaria na sepultura e nossa experiência mortal não teria propósito. O crescimento e o progresso seriam passageiros, as realizações, sem valor e os desafios, sem sentido. Não existiria o certo ou o errado e nenhuma responsabilidade moral de nos cuidarmos mutuamente como filhos de Deus. De fato, sem Deus, não haveria vida mortal nem vida eterna.

    Se vocês ou alguém a quem amam estiverem à procura de um propósito na vida ou de uma maior convicção da presença de Deus em nossa vida, ofereço, como amigo e como Apóstolo, meu testemunho de que Ele vive!

    Alguns podem perguntar: “Como posso saber por mim mesmo?” Sabemos que Ele vive porque cremos no testemunho de Seus profetas antigos e modernos, e o Espírito de Deus confirmou-nos que o testemunho deles é verdadeiro.

    Por meio do testemunho desses profetas, registrado nas sagradas escrituras, sabemos que “[Deus] criou o homem, homem e mulher, a sua própria imagem e conforme a sua semelhança”.3 Alguns podem se surpreender com o fato de que nos pareçamos com Deus. Um preeminente religioso chegou a ensinar que imaginar Deus na forma de um homem seria criar uma imagem de adoração e seria blasfêmia.4 Mas o próprio Deus disse: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”.5

    O uso das palavras façamos e nossa nessa escritura também nos ensina a respeito do relacionamento entre o Pai e o Filho. Deus também nos ensinou: “Por meio de meu [Filho] Unigênito eu criei estas coisas”.6 O Pai e o Filho são seres separados e distintos — como pai e filho sempre são. Talvez seja por essa razão que o nome de Deus em hebraico, “Eloim”, não seja singular, mas plural.

    No Novo Testamento aprendemos que o Pai Celestial e Seu Filho, Jesus Cristo, têm um corpo físico. Eles estão em apenas um lugar de cada vez, conforme testificou, no Novo Testamento, o discípulo Estevão: “Eis que vejo os céus abertos, e o Filho do homem, que está em pé à mão direita de Deus”.7

    Também sabemos que o Pai e o Filho têm voz. Conforme registrado em Gênesis e no Livro de Moisés, Adão e Eva “ouviram a voz do Senhor Deus, quando estavam andando no jardim, na viração do dia”.8

    Sabemos que o Pai e o Filho têm rosto e que Eles caminham e conversam. O Profeta Enoque declarou: “E vi o Senhor; e ele pôs-se diante de minha face e falou comigo, sim, como um homem fala com outro”.9

    Sabemos que o Pai e o Filho têm corpo, com partes e forma como o nosso. No livro de Éter, no Livro de Mórmon, lemos o seguinte: “E o véu foi tirado dos olhos do irmão de Jarede e ele viu o dedo do Senhor; e era como o dedo de um homem, à semelhança de carne e sangue”.10 Mais adiante, o Senhor revelou a Si mesmo dizendo: “Eis que este corpo que ora vês é o corpo do meu espírito; e (…) aparecerei a meu povo na carne”.11

    Sabemos que o Pai e o Filho têm sentimentos por nós. O livro de Moisés registra: “E aconteceu que o Deus do céu olhou o restante do povo e chorou”.12

    Sabemos também que Deus e Seu Filho Jesus Cristo são seres imortais, glorificados e perfeitos. A respeito do Salvador, Jesus Cristo, o Profeta Joseph Smith relata: “Seus olhos eram como uma labareda de fogo; os cabelos de sua cabeça eram brancos como a pura neve; seu semblante resplandecia mais do que o brilho do sol; e sua voz era como o ruído de muitas águas”.13

    Nenhum testemunho tem mais significado para nós nesta época do que o de Joseph Smith. Ele foi o profeta escolhido para restaurar a Igreja Primitiva de Cristo nesta época, a última vez em que o evangelho estará na Terra antes do retorno de Jesus Cristo. Assim como os outros profetas que abriram a obra de Deus em sua dispensação, Joseph passou por experiências proféticas claras e poderosas para preparar o mundo para a Segunda Vinda do Salvador.

    Aos quatorze anos de idade, ele procurou saber a qual igreja deveria unir-se. Depois de ponderar o assunto, voltou-se para a Bíblia, onde leu:

    “E, se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente (…) e ser-lhe-á dada.

    Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando”.14

    Crendo nessas palavras proféticas e com fé, em nada duvidando, Joseph foi para o bosque próximo a sua casa e lá se ajoelhou e orou. Mais tarde registrou:

    “Vi um pilar de luz acima de minha cabeça (…)

    Quando a luz pousou sobre mim, vi dois Personagens cujo esplendor e glória desafiam qualquer descrição, pairando no ar”.15

    Ao olhar para esses dois seres, mesmo Joseph não poderia saber quem eram Eles, pois ele ainda não havia testemunhado e aprendido a verdadeira natureza de Deus e Cristo. Então, ele registrou: “Um deles falou-me, chamando-me pelo nome, e disse, apontando para o outro: Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!”16

    Dessa experiência singular e de outras, o Profeta Joseph testificou: “O Pai tem um corpo de carne e ossos tão tangível como o do homem; o Filho também”.17

    Em todas as épocas, profetas têm compartilhado testemunhos como esse e continuam a fazê-lo mesmo nesta conferência. Mas cada um de nós tem liberdade de escolha. Como afirma a décima primeira Regra de Fé: “Pretendemos o privilégio de adorar a Deus Todo-Poderoso de acordo com os ditames de nossa própria consciência; e concedemos a todos os homens o mesmo privilégio, deixando-os adorar como, onde ou o que desejarem”.18

    Quanto à crença pessoal, como podemos saber o que é realmente verdadeiro?

    Testifico-lhes que o caminho para saber a verdade sobre Deus é por meio do Espírito Santo. Ele é o terceiro membro da Trindade e é um personagem de Espírito. Seu trabalho é testificar sobre Deus19 e ensinar-nos “todas as coisas”.20

    Entretanto, devemos cuidar para não constranger Sua influência. Quando não fazemos o que é certo, ou quando nossa perspectiva é dominada pelo ceticismo, pelo cinismo, pela crítica e pela irreverência em relação aos outros e suas crenças, o Espírito não pode habitar em nós. Nossos atos definem, então, aquilo que os profetas descrevem como o homem natural.

    “O homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.”21 Esse “homem natural é inimigo de Deus (…) e sê-lo-á para sempre; a não ser que ceda ao influxo do Santo Espírito e (…) torne-se como uma criança, submisso, manso, humilde, paciente [e] cheio de amor”.22

    Se não cedermos à gentil influência do Espírito Santo, corremos o risco de nos tornarmos como Corior, um anticristo do Livro de Mórmon. Além de não crer em Deus, Corior também ridicularizou o Salvador, a Expiação e o espírito de profecia, ensinando falsamente que Deus e Cristo não existem.23

    Corior não se contentava em apenas rejeitar Deus e seguir seu caminho tranquilamente. Ele zombou dos crentes e exigia que o profeta Alma o convencesse por meio de um sinal da existência e do poder de Deus. A resposta de Alma é tão significativa hoje quanto foi na época: “Tu já tiveste muitos sinais; queres ainda tentar a teu Deus? Queres ainda que te mostre um sinal, quando tens o testemunho de todos estes irmãos, assim como o dos santos profetas? As escrituras estão diante de ti, sim, e todas as coisas mostram que existe um Deus; sim, até mesmo a Terra e tudo que existe sobre a sua face, sim, e seu movimento, sim, e também todos os planetas que se movem em sua ordem regular testemunham que existe um Criador Supremo”.24

    Por fim, Corior recebeu um sinal, sendo ferido de mudez. “E Corior, estendendo a mão, escreveu: (…) Sei que nada, a não ser o poder de Deus, poderia fazer-me isto; sim, e eu sempre soube que existia um Deus”.25

    Irmãos e irmãs, talvez vocês já saibam, no fundo da alma, que Deus vive. Talvez ainda não saibam tudo a respeito Dele e não compreendam todos os Seus caminhos. Mas a luz da crença encontra-se dentro de vocês, aguardando para ser despertada e intensificada pelo Espírito de Deus e pela Luz de Cristo, com a qual todos nós nascemos.

    Então, venham. Creiam no testemunho dos profetas. Aprendam sobre Deus e Cristo. O padrão para fazê-lo é ensinado com clareza pelos profetas da antiguidade e pelos de nossos dias.

    Cultivem o desejo diligente de saber que Deus vive.

    Esse desejo nos leva a ponderar as coisas relacionadas ao reino do céu, permitindo que a evidência de Deus ao nosso redor toque-nos o coração.

    Com o coração abrandado, estamos preparados para ouvir o convite do Salvador de examinar as escrituras26 e, em humildade, aprender com elas.

    Estaremos, então, prontos para perguntarmos ao Pai Celestial sinceramente, em nome de nosso Salvador, Jesus Cristo, se as coisas que aprendemos são verdadeiras. A maioria de nós não verá Deus como os profetas viram, mas os sussurros do Espírito — os pensamentos e sentimentos que o Espírito Santo traz a nossa mente e ao nosso coração — nos darão o conhecimento incontestável de que Ele vive e ama cada um de nós.

    Obter esse conhecimento é na verdade o anseio de todos os filhos de Deus na Terra. Se vocês não conseguem se lembrar de quando acreditavam em Deus, se deixaram de crer ou se creem, mas sem verdadeira convicção, convido-os a buscar um testemunho de Deus agora. Não temam ser ridicularizados. A força e a paz que advêm de conhecer a Deus e de ter a companhia consoladora de Seu Espírito farão com que seus esforços sejam eternamente valiosos.

    Além disso, com seu próprio testemunho de Deus, vocês serão capazes de abençoar sua família, sua posteridade, seus amigos, a própria vida e todos a quem amam. Seu conhecimento pessoal da existência de Deus não é apenas a maior dádiva que receberão de vocês, mas também lhes trará maior alegria à vida.

    Como testemunha especial do Filho Unigênito de nosso amado Pai Celestial, sim, Jesus Cristo, testifico-lhes que Deus vive. Sei que Ele vive. Prometo que, se vocês e aqueles a quem amam, buscarem-No com humildade, sinceridade e diligência, também saberão com toda certeza. Seu testemunho virá, e vocês e sua família terão para sempre as bênçãos de conhecer a Deus. Em nome de Jesus Cristo. Amém.