2000–2009
    Que a Virtude Adorne Teus Pensamentos
    Notas de rodapé
    Tema

    Que a Virtude Adorne Teus Pensamentos

    Precisamos continuar firmes e decididos na perpetuação das virtudes cristãs.

    Obrigado, Élder Pace, pela linda oração, pelos ouvintes e pelos oradores, especialmente.

    “Que a virtude adorne teus pensamentos incessantemente; então tua confiança se fortalecerá na presença de Deus” (D&C 121:45).

    Quando eu estava para fazer doze anos, havia vários requisitos que teria de cumprir antes de me formar na Primária. Um deles era recitar as treze Regras de Fé na ordem correta. As doze primeiras Regras eram relativamente fáceis, mas eu achava a décima terceira muito mais difícil. A dificuldade estava na ordem correta em que as virtudes eram descritas. Graças a uma maravilhosa professora da Primária, que foi paciente, persistente e positiva, pude finalmente concluir meu requisito de decorá-la.

    Anos mais tarde, minha esposa, meus filhos e eu nos mudamos para nossa primeira casa própria. Ficamos surpresos ao descobrir que minha antiga professora da Primária seria nossa nova vizinha. Nos mais de 40 anos em que moramos no mesmo bairro, ela nunca revelou nosso segredinho referente ao meu problema de aprendizado.

    “Cremos em ser honestos, verdadeiros, castos, benevolentes, virtuosos e em fazer o bem a todos os homens; na realidade, podemos dizer que seguimos a admoestação de Paulo: Cremos em todas as coisas, confiamos em todas as coisas, suportamos muitas coisas e esperamos ter a capacidade de tudo suportar. Se houver qualquer coisa virtuosa, amável, de boa fama ou louvável, nós a procuraremos” (Regras de Fé 1:13).

    Hoje, eu gostaria de falar sobre essas características pessoais a que chamamos virtudes. Os traços de virtude formam o alicerce de uma vida cristã e são a expressão máxima do homem interior. Em português, muitas virtudes terminam com as letras ade: integridade, humildade, caridade, espiritualidade, responsabilidade, civilidade, fidelidade; é uma lista bem grande. Recorrendo a uma licença literária, gostaria de chamar as virtudes que terminam em ade de: virtudes “ade”. O sufixo “ade” indica qualidade, estado ou grau de ser [íntegro, humilde, etc].

    Só temos de olhar ao redor para ver o que está acontecendo em nossas comunidades, para perceber que as características pessoais de virtude estão desaparecendo. Pensem no comportamento dos motoristas em avenidas movimentadas: a fúria ao volante é muito comum. A civilidade quase não existe em nosso discurso político. À medida que os países ao redor do mundo enfrentam dificuldades financeiras e econômicas, a fidelidade e a honestidade parecem ter sido substituídas pela ganância e a corrupção. Um passeio pelos corredores escolares, às vezes, faz com que nos exponhamos a uma linguagem grosseira e a um vestuário sem recato. Muitos atletas não têm esportividade e raramente demonstram humildade, a não ser quando suas infidelidades legais ou morais vêm a público. Grande parte da população não se sente pessoalmente responsável pelo próprio bem-estar material. Os que passam por dificuldades financeiras culpam os banqueiros e agiotas por terem feito empréstimos de somas vultosas para satisfazer desejos insaciáveis, em vez de terem necessidades mais modestas. Ocasionalmente, nossa generosidade no apoio a boas causas se dissipa quando prevalece o apetite de adquirir mais do que necessitamos.

    Irmãos e irmãs, não precisamos tomar parte na degeneração da virtude, que ataca e infecta a sociedade. Se seguirmos o mundo e abandonarmos as virtudes centralizadas em Cristo, as consequências poderão ser desastrosas. A fé e a fidelidade individuais, que trazem consequências eternas, diminuirão. A solidariedade e a espiritualidade familiares serão afetadas negativamente. A influência religiosa na sociedade será reduzida, e a regra da lei será alterada e, talvez até, deixada de lado. As sementes de tudo o que aflige o homem natural terão sido plantadas, para a alegria de Satanás.

    Precisamos continuar firmes e decididos na perpetuação das virtudes cristãs, sim, das virtudes “ade” em nosso dia-a-dia. O ensino das características de virtude começa no lar, com pais que se importam e são exemplo para os filhos. Um bom exemplo dos pais incentiva a imitação; um mau exemplo pode tornar-se desculpa para os filhos menosprezarem os ensinamentos dos pais e até mesmo agravarem o mau exemplo. O exemplo hipócrita destrói a credibilidade.

    Megan, com oito anos de idade, gosta muito de tocar piano. Recentemente, sua professora de piano ofereceu-lhe a recompensa de um doce se ela praticasse rigorosamente todos os dias. A professora disse que controlaria os doces por telefone e que ligaria para Megan em algum momento durante a semana. Se tivesse praticado nesse dia, ela ganharia a recompensa. Quando a professora ligou naquela semana, Megan não estava em casa para responder. Na aula semanal, a professora perguntou se Megan havia praticado, ao que ela respondeu que achava que sim, e recebeu o prêmio. Quando a mãe de Megan viu o doce, questionou Megan e a ajudou a compreender que precisava ser honesta. Com o incentivo da mãe, Megan telefonou pedindo desculpas para a professora. Mas, durante a conversa entre aluna e professora, percebeu-se que Megan tinha mesmo feito sua lição de música por escrito, o que a qualificava para a recompensa. Graças a pais sábios e cuidadosos, lições preciosas serão lembradas por muito tempo.

    Nosso neto Ben tem quinze anos e é ardoroso praticante de esqui, tendo competido em vários torneios e se saído muito bem. Antes de participar de um desses encontros em Idaho, seus pais o lembraram que suas notas na escola é que determinariam se ele poderia participar. Um chalé fora reservado em Sun Valley, Idaho. Seus avós tinham feito planos para comparecer, enquanto Ben tentava, febrilmente, alcançar as altas notas que tanto ele quanto seus pais esperavam. Contudo, ao final do processo, faltou ainda um pouco para que ele atingisse a meta. Ben não foi à competição de esqui e perdeu pontos preciosos na qualificação para a Olimpíada Júnior, mas recebeu um apreço valioso pela responsabilidade e confiabilidade. Ao permanecerem firmes, os pais sempre sofrem e agonizam mais do que os filhos, a quem se propuseram ensinar.

    O Presidente James E. Faust sugeriu que a integridade é a mãe de muitas virtudes. Ele comentou que a integridade pode ser definida como o “firme apego a um código de valores morais”. Também sugeriu que “a integridade é a luz que brilha numa consciência disciplinada. É a força do dever dentro de nós” (“Integrity, the Mother of Many Virtues”, Speaking Out on Moral Issues, 1998, pp. 61–62). É difícil uma pessoa exibir traços de virtude, se lhe falta integridade. Sem integridade, a honestidade geralmente fica esquecida. Se a integridade estiver ausente, a civilidade fica prejudicada. Se a integridade não for importante, é difícil manter a espiritualidade. Na época do Velho Testamento, Moisés aconselhou os filhos de Israel, dizendo- lhes: “Quando um homem fizer voto ao Senhor, ou fizer juramento, ligando a sua alma com obrigação, não violará a sua palavra: segundo tudo o que saiu da sua boca, fará” (Números 30:2).

    O Presidente Thomas S. Monson lembrou-nos, há alguns anos, que “a maioria das pessoas não cometerá atos desesperados se tiverem aprendido que a dignidade, a honestidade e a integridade são mais importantes do que a vingança ou a raiva e se compreenderem que o respeito e a bondade por fim lhe darão maior chance de sucesso” (“Family Values in a Violent Society”, Deseret News, 16 de janeiro de 1994, A12, conforme citado em “Encontrar a Paz”, A Liahona, março de 2004, p. 4).

    É provável que tenham ouvido falar do Batalhão Perdido da Primeira Guerra Mundial ou das dez tribos perdidas de Israel, ou talvez conheçam os “meninos perdidos”, da obra Peter Pan, de J. M. Barrie. Talvez conheçam o álbum de Michael McLean intitulado “Canções Esquecidas”. As características virtuosas, principalmente as virtudes “ade”, nunca podem ser esquecidas nem deixadas de lado. Quando são esquecidas ou deixadas de lado, inevitavelmente se tornarão virtudes perdidas. E, se as virtudes forem perdidas, as famílias se enfraquecerão a olhos vistos, a fé que as pessoas têm em Jesus Cristo diminuirá e colocar-se-ão em risco os importantes relacionamentos eternos.

    As características de virtude praticadas amplamente afrouxarão o cerco à sociedade imposto por Satanás e desmontarão seu plano traiçoeiro de capturar o coração, a mente e o espírito dos homens mortais.

    Este é o momento de juntar esforços para resgatar e preservar tudo o que seja “virtuoso, amável, de boa fama ou louvável”. Ao permitir que a virtude adorne nossos pensamentos incessantemente e ao cultivar as características de virtude em nossa vida, nossa comunidade e nossas instituições serão melhoradas, nossos filhos e nossa família serão fortalecidos, e a fé e a integridade abençoarão a vida de cada pessoa.

    Testifico e declaro que nosso Pai Celestial espera que nós, Seus filhos, exerçamos integridade, civilidade, fidelidade, caridade, generosidade, moralidade e todas as virtudes “ade”. Que sempre tenhamos a humildade de aproveitar as oportunidades de agir de acordo com nossa responsabilidade de demonstrar nossa capacidade de assim o fazer. É minha oração, no nome sagrado de Jesus Cristo. Amém.