2000–2009
Servir de Testemunha
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Servir de Testemunha

Vocês (…) podem servir de testemunhas de Deus ao desenvolverem um espírito de fé, amor, paz e testemunho em seu lar agora.

Aqui deste púlpito, visualizo o rosto das moças do mundo inteiro. Amo vocês! Em especial, adoro prometer com vocês que seremos “testemunhas de Deus em todos os momentos e em todas as coisas e em todos os lugares”.1 Como podemos fazer isso? Neste discurso, oro que o Espírito nos guie e testifique a cada uma de nós para que saibamos ser testemunhas de Deus.

Quando nossos filhos eram missionários, eles aprenderam que, quando somos testemunhas de Jesus Cristo, o Espírito Santo confirma esse testemunho. Uma de nossas filhas tinha uma pesquisadora muito interessada chamada JieLei. Aquela jovem adulta obedecia a cada novo mandamento que aprendia, por mais difícil que fosse. Era estudante e tinha dificuldades para sustentar-se, mas começou a pagar o dízimo assim que ficou sabendo dessa lei. Seu emprego de meio período exigia que ela trabalhasse no domingo, mas ela teve a coragem de pedir a seu patrão que mudasse seu turno para outro dia, de modo que pudesse assistir à reunião sacramental.

Apesar de sua diligência, JieLei ainda não tinha um testemunho firme do Livro de Mórmon. Nossa filha e sua companheira sabiam que ela precisava de um testemunho do Espírito para confirmar a veracidade dele, por isso prepararam uma lição sobre o Espírito Santo para ela. Enquanto se empenhavam nessa preparação, algo parecia errado. Quando oraram a esse respeito, sentiram que deveriam adotar outra abordagem e, em vez disso, dar uma aula sobre Jesus Cristo.

Quando se reuniram novamente, as missionárias começaram a ensinar JieLei a respeito de Jesus Cristo. Lágrimas rolaram pelo rosto dela. Ela ficava perguntando: “O que é isso que estou sentindo?” Então, elas prestaram testemunho de que era o Espírito. Aconteceu exatamente o que elas queriam que acontecesse. Foi então que nossa filha lembrou-se de que uma das grandes funções do Espírito Santo é testificar a respeito de Cristo. O próprio Jesus disse: “Aquele Consolador, o Espírito Santo (…) testificará de mim”.2 Nossa filha se deu conta de que, quando ela serviu de testemunha de Jesus Cristo, o Espírito Santo confirmou seu testemunho. Nós também podemos ser testemunhas ao falarmos de Cristo, regozijarmo-nos em Cristo, pregarmos a Cristo e voltarmo-nos para Ele como a fonte da remissão de nossos pecados.3

O justo rei Benjamim do Livro de Mórmon reuniu seu povo no templo para poder falar de Cristo e pregar a doutrina de Cristo. Ele falou a seu povo da bondade, do poder, da sabedoria, da paciência e, acima de tudo, da Expiação de nosso Senhor. Ao servir de testemunha, o Espírito prestou testemunho a eles de que Jesus Cristo é o Salvador, assim como aconteceu com JieLei. O rei Benjamim, então, admoestou seu povo a permanecer firme em sua fé em Cristo. O povo clamou:

“Acreditamos em todas as palavras que nos disseste (…) por causa do Espírito do Senhor (…) que efetuou em nós, ou melhor, em nosso coração, uma vigorosa mudança, de modo que não temos mais disposição para praticar o mal, mas, sim, de fazer o bem continuamente. (…)

E estamos dispostos a fazer um convênio com nosso Deus (…) e obedecer a seus mandamentos em todas as coisas.”4

O povo do rei Benjamim fez um convênio de obedecer aos mandamentos de Deus, como cada um de nós fez.

Ao cumprirem esse convênio, vocês serão testemunhas entre seus amigos. Recentemente, meus filhos, noras e genros estavam lembrando momentos em que, ao longo dos anos, eles defenderam valores corretos diante da pressão dos amigos. Uma delas não quis participar de uma competição no domingo; outro disse ao patrão que não poderia trabalhar no dia do Senhor. Um recusou-se a assistir a um filme pornográfico na casa de um amigo quando tinha só 11 anos, outro se recusou a olhar revistas pornográficas com colegas de escola. Os dois foram rejeitados socialmente por algum tempo depois disso. Outra filha recusou-se a adotar a linguagem grosseira e vulgar que era usada no seu ambiente de trabalho. Outro se recusou a tomar bebidas alcoólicas que um amigo havia roubado do armário trancado dos pais. Outra, que era o único membro da Igreja em sua classe, foi fazer uma apresentação em uma aula de inglês e acabou tendo que responder perguntas sobre o Livro de Mórmon. Nossos filhos casados continuaram a ter filhos apesar das críticas do mundo.

Nesses momentos, eles podem ter sentido solidão, mas ao servirem de testemunhas, sentiram a companhia e a presença alentadora do Espírito Santo. Também receberam as bênçãos resultantes da obediência aos mandamentos de Deus. Ele prometeu:

“Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.”5

Meus filhos foram realmente sustentados por Sua mão, ao servirem de testemunhas de Deus, permanecendo firmes em cumprir Seus mandamentos. Tenho sido abençoada e fortalecida pelo exemplo deles.

Ao servirem de testemunhas em seu lar, vocês fortalecerão sua família. Muito freqüentemente ouvimos a frase do tema das Moças: “fortalecer o lar e a família”6 ser aplicada somente às futuras responsabilidades das moças como esposas e mães, mas ela também se aplica a suas responsabilidades como filhas e irmãs no lar aqui e agora.

Minha própria mãe ajudou a fortalecer o lar e a família dela na juventude. Ela, que era a filha mais velha de uma família menos ativa, nasceu com o dom da fé. Foi sozinha para a Primária e a Mutual. Qualificou-se para casar-se no templo, antes mesmo de seus pais. Ela promoveu a retidão e foi uma testemunha fiel cujo exemplo ajudou a fortalecer seus pais e irmãos. Vocês, moças, podem servir de testemunhas de Deus ao desenvolverem um espírito de fé, amor, paz e testemunho em seu lar agora, preparando-se para fazer o mesmo quando tiverem seu próprio lar. Sou filha de uma jovem digna que foi “[firme e inamovível], sobejando sempre em boas obras”.7

Também prestamos testemunho de Jesus Cristo quando nos regozijamos Nele. À medida que o povo do rei Benjamim aprendeu mais a respeito de Jesus, disseram: As “coisas que nosso rei nos disse [nos levaram] a este grande conhecimento, pelo que nos regozijamos com tão grande alegria”.8 Quando nos regozijamos em nosso Salvador, lembramo-nos Dele e das grandes bênçãos que nos concedeu. Servimos de testemunhas quando expressamos gratidão e irradiamos alegria. Como as jovens cantaram no início desta reunião: “Pois nosso Deus protege os filhos seus em seu regaço fecundo!”9

Recentemente, fiquei sabendo de duas valorosas jovens que serviram de testemunhas de Deus, cumprindo os mandamentos e irradiando a alegria do evangelho. Esta é a história, conforme foi contada por uma senhora em missão no CTM.

Há alguns anos, ela estava em casa certo dia, passando roupa, assistindo a uma novela e fumando um cigarro quando bateram à porta. Quando abriu, lá estavam dois homens com camisa branca e gravata, e um deles se apresentou como seu bispo e disse a ela que estivera orando e se sentira inspirado a pedir que desse aula para as moças. Ela respondeu que havia sido batizada aos 10 anos de idade, mas nunca fora ativa. Ele não se importou com isso e entregou-lhe o manual, explicando onde elas se reuniam na quarta-feira à noite. Então, ela disse enfaticamente: “Não posso ensinar moças de 16 anos! Sou inativa e, além do mais, eu fumo”. Então, ele disse: “Você não vai mais ser inativa e tem até quarta-feira para parar de fumar”. Então ele foi embora.

Ela contou: “Lembro-me de ter gritado sozinha de raiva, mas não resisti à vontade de ler o manual. Na verdade, fiquei tão curiosa que o li de capa a capa, e depois, decorei cada palavra daquela aula.

Na quarta-feira, eu ainda não tinha intenção de ir, mas acabei indo de carro até lá apavorada. Nunca tinha me sentido tão amedrontada antes. Fui criada na favela, já havia sido presa uma vez e tinha tirado meu pai da cadeia por ele estar embriagado. E de repente lá estava eu na Mutual sendo apresentada como a nova consultora das lauréis. Sentei-me diante de duas lauréis e dei a aula, palavra por palavra, até as partes que diziam: ‘Agora pergunte a elas (…)’ Depois da aula, saí imediatamente e chorei durante todo o caminho para casa.

Poucos dias depois, bateram à minha porta de novo, e pensei: ‘Que bom. É o bispo que veio buscar o seu manual’. Abri a porta, e lá estavam aquelas duas adoráveis lauréis, uma com flores, a outra com biscoitos. Convidaram-me para ir à Igreja com elas no domingo, e eu fui. Gostei daquelas meninas. Elas começaram a me ensinar coisas sobre a Igreja, a ala e a classe. Ensinaram-me a costurar, a ler as escrituras e a sorrir.

Juntas, começamos a ensinar as outras moças da classe que não estavam freqüentando. Ensinávamos onde era possível conversar com elas: dentro do carro, na pista de boliche ou nas varandas. Em seis meses, 14 delas estavam ativas e, em um ano, todas as 16 jovens da lista ficaram ativas. Rimos e choramos juntas. Aprendemos a orar, estudar o evangelho e servir ao próximo.”10

Essas duas jovens valorosas serviram de testemunhas da verdade, retidão, bondade e da alegria do evangelho.

Quando fui chamada para ser presidente geral das Moças, recebi uma bênção em minha designação, que dizia que minha fé em Jesus Cristo seria fortalecida por intermédio de meu serviço. Fui rodeada por mulheres valorosas: minhas conselheiras e minha junta, pelas presidências das outras auxiliares e minhas nobres antecessoras — as antigas presidentes gerais das Moças. Elas serviram de testemunhas de Jesus Cristo, por meio de sua vida exemplar e serviço abnegado.

Fortalecida por essas mulheres, por meus familiares, pelos jovens e líderes firmes e inamovíveis do mundo inteiro, sinto-me rodeada “de uma tão grande nuvem de testemunhas”. Isso me ajudou a correr “com paciência a carreira que [me foi] proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé”.11

A promessa de maior fé em Jesus Cristo que recebi em minha bênção ao ser designada foi cumprida à medida que tive a oportunidade de servir de testemunha Dele todos os dias e em todos os lugares. Falei Dele, preguei Seu Evangelho e regozijei-me Nele. Quando senti que minhas palavras eram insuficientes, elas foram confirmadas por Seu Espírito. Quando me senti amedrontada ou incapaz, fui fortalecida e sustentada por Sua mão onipotente. Sei que Ele abençoará cada uma de nós, ao servirmos de testemunhas. “Com mão poderosa [Ele nos] há de suster.”12 Prossigamos com firmeza na fé em Cristo, sendo testemunhas Dele em todos os momentos, em todas as coisas e em todos os lugares, é minha oração, em nome de Jesus Cristo. Amém.