2010–2019
Compartilhar o Evangelho Restaurado
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Compartilhar o Evangelho Restaurado

O que chamamos de “membro missionário” não é um programa, mas uma atitude de amor para estender a mão aos que estão a nosso redor.

I.

Perto do fim de Seu ministério terreno, nosso Salvador, Jesus Cristo, ordenou a Seus discípulos: “Ide, ensinai todas as nações” (Mateus 28:19) e “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15). Todo cristão está sob o encargo de compartilhar o evangelho com todas as pessoas. Muitos o chamam de “o grande encargo”.

Conforme descreveu o Élder Neil L. Andersen na sessão da manhã, os santos dos últimos dias certamente estão entre os mais comprometidos com essa grande responsabilidade. E devemos estar, pois sabemos que Deus ama todos os Seus filhos e que, nestes últimos dias, Ele restaurou mais conhecimento e poder vitais para abençoar a todos. O Salvador nos ensinou a amar a todos como nossos irmãos e nossas irmãs, e honramos esse ensinamento compartilhando o testemunho e a mensagem do evangelho restaurado com “todas as nações, tribos, línguas e povos” (D&C 112:1). Isso é parte essencial do que significa ser santo dos últimos dias. Vemos essa responsabilidade como um alegre privilégio. O que poderia trazer mais alegria do que compartilhar as verdades da eternidade com os filhos de Deus?

Hoje temos muitos recursos para compartilhar o evangelho que não estavam disponíveis nas gerações anteriores. Temos a TV, a Internet e os canais de mídia social. Temos muitas mensagens valiosas com as quais podemos apresentar o evangelho restaurado. A Igreja se destaca em várias nações. Temos um número cada vez maior de missionários. Mas será que estamos usando todos esses recursos para obter o máximo efeito? Creio que a maioria de nós diria que não. Desejamos ser mais eficientes ao cumprir a responsabilidade comissionada por Deus de proclamar o evangelho restaurado em todo o mundo.

Há muitas boas ideias para compartilhar o evangelho que darão certo em algumas estacas e em alguns países. No entanto, como somos uma Igreja mundial, desejo falar sobre ideias que darão certo em qualquer lugar, da unidade mais nova à unidade mais madura, de culturas que agora são receptivas ao evangelho de Jesus Cristo a culturas que estão se tornando mais hostis à religião. Quero falar sobre ideias que vocês podem compartilhar tanto com pessoas que são fiéis seguidoras de Jesus Cristo quanto com aquelas que nunca ouviram o nome Dele, com pessoas que estão satisfeitas com sua vida atual e com as que buscam desesperadamente se tornar melhor.

O que posso dizer que poderá ajudá-los ao compartilharem o evangelho, quaisquer que sejam suas circunstâncias? Precisamos da ajuda de cada membro, e cada membro pode ajudar, pois há muitas tarefas a se realizar ao compartilharmos o evangelho restaurado com cada nação, tribo, língua e povo.

Todos sabemos que a participação dos membros na obra missionária é essencial, tanto para a conversão quanto para a retenção. O Presidente Thomas S. Monson disse: “Agora é o momento de membros e missionários se unirem (…) [e] trabalharem na vinha do Senhor para trazer almas a Ele. Ele preparou os meios para nós compartilharmos o evangelho de diversas maneiras e Ele vai nos ajudar em nossos labores, se agirmos com fé para realizar Sua obra”.1

Compartilhar o evangelho restaurado é nosso privilégio e dever, por toda a nossa vida, como cristãos. O Élder Quentin L. Cook nos lembra que “a obra missionária não é apenas uma das 88 teclas de um piano que é tocado esporadicamente, mas sim, um acorde essencial numa melodia marcante que precisa ser entoada continuamente ao longo de nossa vida caso desejemos permanecer em harmonia com nosso compromisso com o cristianismo e com o evangelho de Jesus Cristo”.2

II.

Há três coisas que todo membro pode fazer para ajudar a compartilhar o evangelho a despeito das circunstâncias em que vive e em que trabalha. Todos nós devemos fazer todas elas.

Primeiro, podemos todos orar para ter o desejo de ajudar nessa parte essencial do trabalho de salvação. Todos os esforços começam pelo desejo.

Segundo, podemos guardar os mandamentos. Membros fiéis e obedientes são as testemunhas mais persuasivas da verdade e do valor do evangelho restaurado. E ainda mais importante, os membros fiéis sempre terão o Espírito do Salvador para guiá-los ao procurarem participar do grande trabalho de compartilhar o evangelho restaurado de Jesus Cristo.

Terceiro, podemos orar para ter a inspiração sobre o que nós devemos fazer em nossas circunstâncias individuais para compartilhar o evangelho com outras pessoas. Isso é diferente de orar pelos missionários ou orar sobre o que outros podem fazer. Devemos orar pelo que nós podemos fazer individualmente. Quando oramos, devemos nos lembrar de que as orações para esse tipo de inspiração serão respondidas se forem acompanhadas de um comprometimento — algo a que as escrituras se referem como “real intenção” ou “de todo o coração”. Orem com o comprometimento de agir de acordo com a inspiração que receberem, prometendo ao Senhor que, se Ele os inspirar a falar com alguém sobre o evangelho, vocês o farão.

Precisamos da orientação do Senhor porque, a qualquer dado momento, alguns estão — e outros não — prontos para as verdades adicionais do evangelho restaurado. Jamais devemos nos colocar como juízes para determinar quem está pronto ou não. O Senhor conhece o coração de todos os Seus filhos e, se orarmos pedindo inspiração, Ele nos ajudará a encontrar pessoas que Ele sabe que estão “[preparadas] para ouvir a palavra” (Alma 32:6).

Como apóstolo do Senhor, exorto cada membro e cada família da Igreja a orar pedindo ao Senhor que os ajude a encontrar pessoas preparadas para receber a mensagem do evangelho restaurado de Jesus Cristo. O Élder M. Russell Ballard nos deu este importante conselho, com o qual concordo: “Confiem no Senhor. Ele é o Bom Pastor. Ele conhece Suas ovelhas. (…) E se não estivermos engajados, muitos que ouviriam a mensagem da Restauração serão negligenciados. (…) Os princípios são bem simples: orem, individualmente e em família, por oportunidades missionárias”.3 Ao demonstrarmos fé, essas oportunidades virão sem nenhuma “resposta forçada ou obrigada. Elas fluirão como resultado natural do nosso amor por nossos irmãos e nossas irmãs”.4

Sei que isso é verdade. Acrescento minha promessa de que, com fé na ajuda do Senhor, seremos guiados, inspirados e encontraremos grande alegria nesse trabalho amoroso de importância eterna. Compreenderemos que o sucesso ao se compartilhar o evangelho está em convidar pessoas com amor e com intenção genuína de ajudá-las, seja qual for sua resposta.

III.

Aqui estão outras coisas que podemos fazer para compartilhar o evangelho com eficácia:

  1. Precisamos nos lembrar de que as “pessoas aprendem quando estão prontas para aprender, não quando estamos prontos para ensiná-las”.5 Aquilo pelo que nós nos interessamos, como os importantes ensinamentos doutrinários adicionais da Igreja restaurada, geralmente não é aquilo pelo que outros se interessam. Outras pessoas normalmente querem os resultados da doutrina, não a doutrina. Quando testemunham os efeitos do evangelho restaurado de Jesus Cristo em nossa vida, elas sentem o Espírito e começam a se interessar pela doutrina. Elas também podem se interessar quando estiverem buscando mais felicidade, mais proximidade com Deus ou mais compreensão do propósito da vida.6 Portanto, devemos, com cuidado e em espírito de oração, buscar discernimento sobre como perguntar a outras pessoas sobre seu interesse em aprender mais. Isso vai depender de vários fatores, como as circunstâncias atuais da pessoa e nosso relacionamento com ela. Esse é um bom assunto para ser debatido em conselhos, reuniões do quórum e da Sociedade de Socorro.

  2. Quando conversamos com outras pessoas, precisamos nos lembrar de que um convite para aprender mais sobre Jesus Cristo e Seu evangelho é melhor do que um convite para aprender mais sobre a Igreja.7 Queremos que as pessoas se convertam ao evangelho. Esse é o grande papel do Livro de Mórmon. Os sentimentos sobre nossa Igreja são posteriores à conversão a Jesus Cristo, não anteriores a ela. Muitas das pessoas que desconfiam das igrejas têm, no entanto, amor pelo Salvador. Coloquem o mais importante em primeiro lugar.

  3. Quando procuramos apresentar o evangelho restaurado a alguém, devemos fazê-lo de modo autêntico e com preocupação amorosa pela pessoa. Isso ocorre quando procuramos ajudar pessoas com problemas já conhecidos ou quando estamos trabalhando com elas em serviços comunitários, prestando ajuda aos que sofrem, cuidando dos pobres e necessitados ou melhorando a qualidade de vida de outras pessoas.

  4. Nossos esforços para compartilhar o evangelho não devem se limitar a nosso círculo de amizade e de conhecidos. Durante as Olimpíadas, ficamos sabendo que um membro da Igreja, taxista no Rio de Janeiro, levava exemplares do Livro de Mórmon em sete idiomas e os entregava a quem quer que os aceitasse. Ele chamou a si mesmo de “o motorista de táxi missionário”. Ele disse: “As ruas do Rio de Janeiro (…) são meu campo missionário”.8

    Clayton M. Christensen, que tem uma impressionante experiência como membro missionário, declara que “nos últimos 20 anos, não temos observado nenhuma correlação entre a profundidade de um relacionamento e a probabilidade de uma pessoa estar interessada em aprender sobre o evangelho”.9

  5. Os bispados podem planejar uma reunião sacramental especial à qual os membros são aconselhados a trazer pessoas interessadas. Os membros da ala ficarão menos hesitantes em trazer conhecidos para essas reuniões porque terão mais confiança de que o conteúdo da reunião será bem planejado, de modo a aumentar o interesse de outros e representar bem a Igreja.

  6. Existem muitas outras oportunidades de se compartilhar o evangelho. Por exemplo, recentemente recebi uma carta bem alegre de um membro novo que aprendeu sobre o evangelho restaurado quando uma ex-colega de classe lhe telefonou para saber a respeito de uma doença com que ela estava sofrendo. Ela escreveu: “Fiquei impressionada com a maneira como ele se apresentou. Depois de alguns meses de lições com os missionários, fui batizada. Minha vida vem melhorando muito desde aquele dia”.10 Todos conhecemos muitos cuja vida seria melhorada pelo evangelho restaurado. Estamos estendendo a mão a eles?

  7. A fascinação e a experiência de nossos membros jovens com as mídias sociais lhes dão oportunidades singulares de fazer com que outras pessoas tenham interesse pelo evangelho. Ao descrever a aparição do Salvador aos nefitas, Mórmon escreveu: “Ele ensinou e abençoou as criancinhas (…); e soltou-lhes a língua a fim de que pudessem expressar-se” (3 Néfi 26:14). Suponho que hoje ele diria “soltou-lhes [os polegares] para que pudessem expressar-se”. Vamos lá, jovens!

Compartilhar o evangelho não é um fardo, e sim, uma alegria. O que chamamos de “membro missionário” não é um programa, mas uma atitude de amor para estender a mão aos que estão a nosso redor. Também é importante testificar como nos sentimos sobre o evangelho restaurado de nosso Salvador. Conforme ensinou o Élder Ballard: “Uma evidência muito importante de nossa conversão e de como nos sentimos em relação ao evangelho em nossa vida é a nossa disposição de compartilhá-lo com outras pessoas”.11

Presto testemunho de Jesus Cristo, que é a luz e a vida do mundo (ver 3 Néfi 11:11). Seu evangelho restaurado ilumina nosso caminho na mortalidade. Sua Expiação nos dá a certeza da vida após a morte e a força para persistirmos em direção à imortalidade. E Sua Expiação nos oferece a oportunidade de sermos perdoados de nossos pecados e, dentro do glorioso Plano de Salvação criado por Deus, qualificarmo-nos para a vida eterna, “o maior de todos os dons de Deus” (D&C 14:7). Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Notas

  1. Thomas S. Monson, “Bem-Vindos à Conferência”, A Liahona, novembro de 2013, p. 4.

  2. Quentin L. Cook, “How to Be a Member Missionary” [Como Ser um Membro Missionário], New Era, fevereiro de 2015, p. 48.

  3. M. Russell Ballard, “Confiai no Senhor”, A Liahona, novembro de 2013, p. 44.

  4. M. Russell Ballard, “Confiai no Senhor”, p. 44.

  5. Clayton M. Christensen, The Power of Everyday Missionaries [O Poder do Missionário do Dia a Dia], 2012, p. 30.

  6. Ver Christensen, Power of Everyday Missionaries, pp. 26–27.

  7. Ver Gary C. Lawrence, How Americans View Mormonism: Seven Steps to Improve Our Image [Como os Norte-americanos Enxergam o Mormonismo: Sete Passos para Melhorar Nossa Imagem], 2008, pp. 34–35.

  8. Ver Ashley Kewish, “Cab Driver Hands Out Copies of Book of Mormon to Rio Visitors” [Motorista de Táxi Distribui Exemplares do Livro de Mórmon a Visitantes no Rio], 8 de agosto de 2016, ksl.com.

  9. Christensen, Power of Everyday Missionaries, p. 21.

  10. Carta pessoal, 21 de agosto de 2016.

  11. M. Russell Ballard, “Agora É o Momento”, A Liahona, janeiro de 2001, p. 89.