2010–2019
Adoração no Dia do Senhor
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Adoração no Dia do Senhor

Para os santos dos últimos dias, o Dia do Senhor é um dia de gratidão e amor.

Meus queridos irmãos e irmãs que estão espalhados pelo mundo todo em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, sou grato pelo Presidente Thomas S. Monson ter pedido que eu falasse na conferência neste Dia do Senhor. Oro para que o Espírito Santo leve minhas palavras ao coração de todos vocês.

Hoje desejo falar sobre os sentimentos do coração. Vou enfatizar primeiro o sentimento de gratidão, especialmente no Dia do Senhor.

Sentimo-nos gratos por muitas coisas: um ato bondoso de um desconhecido, uma refeição quando estamos com fome, um abrigo durante uma tempestade, a cura de um osso fraturado e o choro forte de um recém-nascido. Muitos de nós se lembrarão de sentir gratidão em determinados momentos.

Para os santos dos últimos dias, o Dia do Senhor é um momento — na verdade um dia — de gratidão e amor. O Senhor instruiu os santos no Condado de Jackson, Missouri, em 1831, que suas orações e agradecimentos deveriam ser dirigidos aos céus. Os primeiros santos receberam uma revelação do Profeta sobre como guardar o Dia do Senhor e também sobre como jejuar e orar.1

O Senhor ensinou a eles e a nós como adorar e dar graças no Dia do Senhor. Como podem ver, o mais importante é o amor que sentimos por Aqueles que concedem os dons. Estas são as palavras do Senhor sobre como dar graças e adorar no Dia do Senhor:

“Portanto, dou-lhes um mandamento que diz assim: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de todo o teu poder, mente e força; e em nome de Jesus Cristo servi-lo-ás. (…)

Agradecerás ao Senhor teu Deus em todas as coisas.

Oferecerás um sacrifício ao Senhor teu Deus em retidão, sim, um coração quebrantado e um espírito contrito”.2

E então, o Senhor adverte sobre o perigo de nos esquecermos de agradecer ao Pai Celestial e a Jesus Cristo por serem Aqueles que concedem os dons: “E em nada ofende o homem a Deus ou contra ninguém está acesa sua ira, a não ser contra os que não confessam sua mão em todas as coisas e não obedecem a seus mandamentos”.3

Muitos de vocês que me ouvem já encontram alegria no Dia do Senhor como um dia para lembrar e agradecer a Deus pelas bênçãos. Vocês se lembram desta canção que nos é familiar:

Se da vida as vagas procelosas são,

Se com desalento julgas tudo vão,

Conta as muitas bênçãos, dize-as de uma vez

E verás, surpreso, quanto Deus já fez.

Conta as bênçãos,

conta quantas são,

Recebidas

da Divina Mão, (…)

Tens acaso mágoas, triste é teu lidar?

É a cruz pesada que tens de levar?

Conta as muitas bênçãos, não duvidarás,

E num canto alegre os dias passarás.4

Recebo cartas e visitas de fiéis santos dos últimos dias que se sentem sobrecarregados com uma carga de responsabilidades. Alguns têm o sentimento de que, pelo menos para eles, tudo está perdido. É minha esperança e minha oração que o que vou dizer sobre demonstrarmos gratidão no Dia do Senhor nos ajudará a dissipar as dúvidas e a trazer-nos um cântico ao coração.

Uma bênção pela qual podemos ser gratos é o fato de estarmos em uma reunião sacramental, reunidos em Seu nome com mais de um ou dois de Seus discípulos. Existem pessoas que estão em casa e não podem levantar da cama. Há pessoas que gostariam de estar onde estamos, mas elas estão servindo em hospitais, provendo segurança pública ou arriscando a própria vida em um deserto ou em uma selva para nos defender. O fato de podermos nos reunir — mesmo que seja com apenas um membro da Igreja — e partilhar do sacramento vai nos ajudar a sentir gratidão e amor pela bondade de Deus.

Graças ao Profeta Joseph Smith e ao evangelho restaurado, outra bênção que podemos contar é a oportunidade que temos de o sacramento ser preparado, abençoado e distribuído por servos autorizados de Deus todas as semanas para podermos partilhar dele. Podemos ser gratos quando o Espírito Santo confirma a nós que as palavras das orações sacramentais, oferecidas por portadores autorizados do sacerdócio, são honradas por nosso Pai Celestial.

De todas as bênçãos que podemos contar, a maior é o sentimento de perdão que temos ao partilharmos do sacramento. Sentiremos mais amor e gratidão pelo Salvador, cujo sacrifício infinito permitiu que sejamos limpos do pecado. Ao partilharmos do pão e da água, lembramo-nos de que Ele sofreu por nós. E quando sentimos gratidão pelo que Ele fez por nós, percebemos Seu amor por nós e nosso amor por Ele.

A bênção de amor que receberemos fará com que seja mais fácil para nós guardarmos o mandamento de que “sempre [nos lembremos] dele”.5 Vocês podem até sentir amor e gratidão, como eu sinto, pelo Espírito Santo, o qual o Pai Celestial prometeu que sempre estará conosco enquanto permanecermos fiéis às promessas que fizemos. Podemos contar todas essas bênçãos todos os domingos e sermos gratos.

O Dia do Senhor é também o momento perfeito para nos lembrarmos do convênio que fizemos nas águas do batismo de amarmos e servirmos aos filhos do Pai Celestial. Cumprir essa promessa no Dia do Senhor incluirá a participação em uma classe ou em um quórum com toda a sinceridade de coração a fim de edificar a fé e o amor entre nossos irmãos e nossas irmãs que estão lá conosco. Essa promessa incluirá cumprir nossos chamados com alegria.

Ainda sou grato pelos muitos domingos que ensinei um quórum de diáconos em Bountiful, Utah, bem como uma classe da Escola Dominical em Idaho. E me lembro até mesmo da época que servi como assistente da minha esposa no berçário, quando minha principal tarefa era entregar e recolher brinquedos.

Passaram-se anos até que eu reconhecesse por meio do Espírito que meu serviço simples dedicado ao Senhor era importante na vida dos filhos do Pai Celestial. Para minha surpresa, alguns deles se lembraram e me agradeceram por minhas tentativas como novato de servi-los em nome do Mestre naqueles Dias do Senhor.

Assim como às vezes não podemos ver os resultados de nosso próprio serviço prestado no Dia do Senhor, talvez também não sejamos capazes de ver os efeitos cumulativos de outros servos do Senhor. Mas Ele está edificando Seu reino em silêncio por meio de seus humildes servos, com pouco alarde, para seu futuro glorioso milênio. É preciso o Santo Espírito para enxergar a crescente grandeza.

Passei a infância frequentando reuniões sacramentais em um minúsculo ramo de New Jersey, que tinha poucos membros e apenas uma família, a minha. Há 75 anos, fui batizado na Filadélfia, na única capela da Igreja a que tínhamos acesso na Pensilvânia ou em New Jersey. Contudo, onde havia um pequeno ramo em Princeton, New Jersey, agora há duas grandes alas. E há apenas alguns dias, milhares de jovens realizaram uma celebração que antecedeu a dedicação do Templo de Filadélfia Pensilvânia.

Quando jovem, fui chamado como missionário de ala no local onde adorávamos aos domingos, na única capela de Albuquerque, Novo México. Hoje temos um templo e quatro estacas lá.

Saí de Albuquerque para ir para a faculdade em Cambridge, Massachusetts. Havia uma capela e um distrito que abrangiam a maior parte de Massachusetts e Rhode Island. Dirigi pelas colinas daquele belo lugar para frequentar reuniões sacramentais em ramos minúsculos, a maioria em pequenas instalações alugadas ou em casas adaptadas. Agora há um templo sagrado de Deus em Belmont, Massachusetts, e várias estacas no interior do Estado.

O que eu não podia ver claramente na época é que o Senhor estava derramando Seu Espírito sobre as pessoas naquelas pequenas reuniões sacramentais. Eu podia sentir, mas não podia enxergar a extensão e o tempo nas intenções do Senhor de construir e glorificar Seu reino. Um profeta, por meio de revelação, viu e registrou o que podemos agora ver por nós mesmos. Néfi disse que nosso número total não seria grande, mas que o conjunto de nossa luz seria uma bela visão:

“E aconteceu que vi a igreja do Cordeiro de Deus e seu número era pequeno. (…)

E aconteceu que eu, Néfi, vi o poder do Cordeiro de Deus que descia sobre os santos da igreja do Cordeiro e sobre o povo do convênio do Senhor, que estava disperso sobre toda a face da Terra; e estavam armados com retidão e com o poder de Deus, em grande glória”.6

Nesta dispensação, uma semelhante descrição profética de nossa condição e das oportunidades à frente está registrada em Doutrina e Convênios:

“Ainda não compreendestes quão grandiosas são as bênçãos que o Pai tem nas mãos e preparou para vós;

E não podeis suportar tudo agora; contudo, tende bom ânimo, porque eu vos guiarei. Vosso é o reino e são vossas as suas bênçãos e são vossas as riquezas da eternidade.

E aquele que receber todas as coisas com gratidão será glorificado; e as coisas desta Terra ser-lhe-ão acrescentadas, mesmo centuplicadas, sim, mais”.7

Por toda a Igreja, tenho sentido essa transformação, o aumento da gratidão pelas bênçãos e um amor crescente a Deus. Esse processo parece se acelerar entre os membros da Igreja em momentos e lugares em que existem provas de fé, em que precisam suplicar a Deus pedindo ajuda até mesmo para seguir em frente.

A época em que vivemos terá provações muito difíceis, assim como aconteceu com o povo de Alma nas mãos do cruel Amulon, que colocou sob as costas do povo um fardo muito pesado de se carregar:

“E aconteceu que a voz do Senhor lhes falou em suas aflições, dizendo: Levantai a cabeça e tende bom ânimo, porque sei do convênio que fizestes comigo; e farei um convênio com o meu povo e libertá-lo-ei do cativeiro.

E também aliviarei as cargas que são colocadas sobre vossos ombros, de modo que não as podereis sentir sobre vossas costas enquanto estiverdes no cativeiro; e isso eu farei para que sejais minhas testemunhas no futuro e para que tenhais plena certeza de que eu, o Senhor Deus, visito meu povo nas suas aflições.

E aconteceu que as cargas impostas a Alma e seus irmãos se tornaram leves; sim, o Senhor fortaleceu-os para que pudessem carregar seus fardos com facilidade; e submeteram-se de bom grado e com paciência a toda a vontade do Senhor”.8

Nós somos testemunhas de que, sempre que guardamos os convênios que fizemos com Deus, especialmente quando for difícil, Ele ouve nossas orações de agradecimento pelo que já fez por nós e atende às nossas orações para termos forças para perseverar fielmente até o fim. E por mais de uma vez, Ele nos alegrou e fortaleceu.

Talvez vocês também estejam se perguntando o que podem fazer hoje para viver e adorar neste Dia do Senhor para demonstrarem gratidão e para fortalecerem a si mesmos e a outras pessoas para as provações que virão.

Vocês podem começar hoje com uma oração individual e em família de agradecimento por tudo o que Deus já fez por vocês. Podem orar para saber como o Senhor gostaria que servissem a Ele e aos outros. Podem orar principalmente para que o Espírito Santo diga quem está solitário ou passando por necessidades e quem o Senhor deseja que vocês ajudem.

Prometo que suas orações serão respondidas e, ao agirem de acordo com as respostas que receberem, vocês vão encontrar alegria no Dia do Senhor e seu coração se encherá de gratidão.

Testifico que Deus, o Pai, conhece e ama vocês. O Salvador, o Senhor Jesus Cristo, expiou seus pecados por amor a vocês. Eles, o Pai e o Filho, sabem o seu nome assim como sabiam o nome do Profeta Joseph Smith quando apareceram a ele. Testifico que esta é a Igreja de Jesus Cristo e que Ele honrará os convênios que vocês fazem e renovam com Deus. Sua natureza será modificada para se tornarem mais semelhantes ao Salvador. Vocês serão fortalecidos contra as tentações e os sentimentos de dúvida sobre a verdade. Encontrarão alegria no Dia do Senhor. Faço essa promessa no nome do Senhor Jesus Cristo. Amém.