Não Há Alegria Maior do Que Saber Que Eles Sabem
    Notas de rodapé

    Não Há Alegria Maior do Que Saber Que Eles Sabem

    Não sei se alguma coisa neste mundo poderia trazer mais felicidade e alegria do que saber que nossos filhos conhecem o Salvador.

    Irmãos e irmãs, recentemente estive ponderando sobre esta questão: “Se tudo o que seus filhos soubessem do evangelho viesse de você — como sua única fonte —, quanto eles saberiam?” Essa pergunta se aplica a todos os que amam, orientam e influenciam crianças.

    Há algum dom maior que podemos transmitir a nossos filhos senão uma memória viva no coração deles de que sabemos que nosso Redentor vive? Eles sabem que nós sabemos? E o mais importante, eles sabem por si mesmos que Ele vive?

    Quando garoto, eu era o filho que mais dava trabalho para minha mãe. Eu tinha uma energia inesgotável. Minha mãe me diz que seu maior medo era que eu não sobrevivesse para viver a vida adulta. Eu era ativo demais.

    Lembro-me de, quando menino, estar sentado em uma reunião sacramental com nossa família. Minha mãe tinha acabado de receber um novo conjunto de escrituras. Esse novo conjunto combinava as obras-padrão em uma única edição, e no meio havia folhas para fazer anotações.

    Durante a reunião, perguntei se podia segurar as escrituras dela. Com esperança de me manter reverente, ela as entregou para mim. Enquanto eu olhava as escrituras, notei que ela havia escrito uma meta pessoal na parte de anotações. Para dar contexto à meta dela, devo dizer que sou o segundo de seis filhos e meu nome é Brett. Minha mãe escreveu, em vermelho, apenas uma meta: “Paciência com Brett!”

    Para ajudá-los a entender o desafio que meus pais enfrentaram para cuidar de nossa família, deixe-me contar sobre nossa leitura familiar das escrituras. Toda manhã, minha mãe lia o Livro de Mórmon para nós durante o desjejum. Nesse momento, meu irmão mais velho, Dave, e eu ficávamos irreverentemente sentados. Para ser bem honesto, nós não escutávamos. Ficávamos lendo a caixa de cereais.

    Até que, em uma manhã, decidi ser direto com minha mãe. Exclamei: “Mãe, por que você está fazendo isso conosco? Por que você lê o Livro de Mórmon todas as manhãs?” E então, disse algo que tenho vergonha de admitir. Na verdade, não consigo acreditar que realmente disse isso. Eu disse: “Mãe, eu não estou ouvindo!”

    Sua resposta amorosa foi um momento decisivo em minha vida. Ela disse: “Filho, fui a uma reunião em que o Presidente Marion  G. Romney ensinou sobre as bênçãos da leitura diária das escrituras. Durante a reunião, recebi a promessa de que, se eu lesse o Livro de Mórmon todos os dias para os meus filhos, eu não os perderia”. Então ela me olhou diretamente nos olhos e, com absoluta determinação, disse: “E eu não vou perder você!”

    Suas palavras penetraram-me o coração. Apesar das minhas imperfeições, eu era digno de ser salvo. Ela me ensinou a eterna verdade de que sou filho de um amoroso Pai Celestial. Aprendi que não importam as circunstâncias, eu valia a pena. Esse foi um momento perfeito para um garotinho imperfeito.

    Sou eternamente grato pela minha mãe angelical e por todos os anjos que amam as crianças perfeitamente, apesar de suas imperfeições. Eu acredito firmemente que todas as irmãs — vou chamá-las de “anjos” — são mães em Sião, sejam elas casadas e tenham filhos ou não durante esta experiência terrena.

    Há alguns anos, a Primeira Presidência proclamou: “A maternidade está próxima da divindade. É o serviço mais elevado e sagrado a ser assumido pela humanidade. Ele coloca a mulher que honra seu santo chamado e serviço perto dos anjos”.1

    Sou grato pelos anjos em toda a Igreja que corajosa e amorosamente proclamam verdades eternas aos filhos do Pai Celestial.

    Sou grato pela dádiva do Livro de Mórmon. Sei que ele é verdadeiro. Ele contém a plenitude do evangelho de Jesus Cristo. Desconheço alguém que esteja lendo o Livro de Mórmon diligentemente a cada dia com puro intento e fé em Jesus Cristo que tenha perdido seu testemunho e tenha se afastado. A promessa profética de Morôni carrega em si a chave para saber a verdade de todas as coisas — incluindo a habilidade para discernir e evitar as falsidades do adversário (ver Morôni 10:4–5).

    Também sou grato pelo amoroso Pai Celestial e Seu Filho, Jesus Cristo. O Salvador proporcionou o exemplo perfeito de como viver em um mundo imperfeito e injusto. “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1 João 4:19). Seu amor por nós é imensurável. Ele é nosso amigo mais fiel. Ele suou “grandes gotas de sangue” por vocês e também por mim (ver Lucas 22:44). Ele perdoou o que parecia imperdoável. Ele amou o repulsivo. Ele fez o que nenhum mortal poderia fazer: Providenciou uma Expiação para vencer as transgressões, as dores e as enfermidades de toda a humanidade.

    Por causa da Expiação de Jesus Cristo, podemos viver com a promessa de que, não importa quais sejam nossas dificuldades, sempre podemos ter esperança Nele, “que é poderoso para salvar” (2 Néfi 31:19). Graças à Expiação, podemos ter alegria, paz, felicidade e vida eterna.

    O Presidente Boyd K. Packer disse: “Exceto para os poucos que decidem seguir o caminho da perdição, não há hábito, vício, rebelião, transgressão, apostasia nem crime que não se inclua na promessa de total perdão. Essa é a promessa da Expiação de Cristo”.2

    Um dos eventos mais incríveis na história da humanidade é a visita e o ministério do Salvador aos antigos habitantes da América. Visualize em sua mente como seria estar lá. Ao ponderar sobre Seu bondoso e amoroso carinho por aquele grupo de santos reunidos no templo, pensei em meus filhos que amo mais do que minha própria vida. Tentei imaginar como seria ver nossos pequeninos testemunharem pessoalmente o Salvador convidando cada criança para vir até Ele, testemunhar os braços abertos do Salvador, assistir enquanto cada criança, uma por uma, gentilmente sente as marcas em Suas mãos e em Seus pés, e depois ver cada uma delas prestar testemunho de que Ele vive! (Ver 3 Néfi 11:14–17; ver também 17:21; 18:25.) Ver nossos filhos virarem e dizerem: “Mãe, pai; é Ele!”

    Cristo e as crianças

    Não sei se alguma coisa neste mundo poderia trazer mais felicidade e alegria do que saber que nossos filhos conhecem o Salvador, saber que eles sabem “em que fonte procurar a remissão de seus pecados”. É por isso que, como membros da Igreja, “pregamos a Cristo” e testificamos de Cristo (2 Néfi 25:26).

    • É por isso que oramos com nossos filhos todos os dias.

    • É por isso que lemos as escrituras com eles todos os dias.

    • É por isso que os ensinamos a servir aos outros para que possam receber as bênçãos de se encontrarem ao se esquecerem de si mesmos ao servir ao próximo (ver Marcos 8:35; Mosias 2:17).

    Ao nos devotarmos a esses simples padrões de discipulado, capacitamos nossos filhos com o amor do Salvador e com a direção e proteção divina ao enfrentarem os ferozes ataques do adversário.

    O evangelho realmente está relacionado ao indivíduo. Trata-se de uma ovelha perdida (ver Lucas 15:3–7), de uma mulher samaritana no poço (ver João 4:5–30) e de um filho pródigo (ver Lucas 15:11–32).

    E trata-se de um garotinho que diz que não está escutando.

    Tem a ver com cada um de nós — apesar de sermos imperfeitos — nos tornarmos um com o Salvador, assim como Ele é um com Seu Pai (ver João 17:21).

    Testifico que temos um amoroso Pai Celestial que nos conhece pelo nome! Testifico que Jesus Cristo é o Filho vivo do Deus vivo. Ele é o Filho Unigênito e nosso Advogado junto ao Pai. Testifico, ainda, que a salvação vem em nome Dele e por meio Dele — e de nenhuma outra maneira.

    É a minha oração que devotemos nosso coração e nossas mãos para ajudar todos os filhos do Pai Celestial a conhecê-Lo e sentir o Seu amor. Ao fazermos isso, Ele nos promete alegria e felicidade eternas neste mundo e no mundo vindouro. Em nome de Jesus Cristo. Amém.