2010–2019
Trarei a Luz do Evangelho para o Meu Lar
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Trarei a Luz do Evangelho para o Meu Lar

Podemos trazer a luz do evangelho para nosso lar, escola e trabalho se buscarmos e compartilharmos coisas positivas sobre outras pessoas.

Em resposta ao convite da irmã Linda K. Burton, na Conferência Geral de abril,1 muitas de vocês se envolveram em sinceros e generosos atos de caridade concentrados em atender às necessidades de refugiados em sua área. Esses atos incluem desde esforços simples e individuais até programas comunitários, e são resultado do amor. Ao compartilharem seu tempo, seus talentos e seus recursos, seu coração e o coração desses refugiados foram aliviados. A edificação da esperança, da fé e de um amor ainda maior entre o receptor e o doador são resultados inevitáveis da verdadeira caridade.

O Profeta Morôni ensinou-nos que a caridade é uma característica essencial daqueles que viverão com o Pai Celestial no Reino Celestial. Ele escreveu: “E a não ser que tenhais caridade, não podeis de modo algum ser salvos no reino de Deus”.2

Naturalmente, Jesus Cristo é a personificação perfeita da caridade. Seu compromisso na vida pré-mortal de ser nosso Salvador, Sua interação no decorrer de Sua vida mortal, Sua sublime dádiva da Expiação e Seus esforços contínuos para nos levar de volta a nosso Pai Celestial são as mais elevadas expressões de caridade. Ele age com um enfoque particular: o amor por Seu Pai, expresso por meio de Seu amor por todos nós. Quando Lhe perguntaram qual era o maior de todos os mandamentos, Jesus respondeu:

“Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento.

Este é o primeiro e grande mandamento.

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.3

Uma das formas mais significativas pela qual podemos desenvolver e demonstrar amor ao próximo é sendo generosas em nossos pensamentos e em nossas palavras. Há alguns anos, uma amiga querida disse: “A maior forma de caridade pode ser demonstrada quando refreamos nosso julgamento”.4 Isso ainda é verdadeiro hoje.

Recentemente, quando Alyssa, de 3 anos de idade, assistia a um filme com seus irmãos, ela disse, com uma expressão intrigada: “Mãe, essa galinha é estranha!”

Sua mãe olhou para a tela e respondeu com um sorriso: “Querida, isso é um pavão”.

Assim como essa criança de 3 anos não tinha informações o suficiente, às vezes olhamos para outras pessoas com uma compreensão incompleta ou errônea. Eventualmente nos concentramos nas diferenças e nas aparentes imperfeições das pessoas a nosso redor, enquanto nosso Pai Celestial vê seus filhos, criados à Sua imagem eterna, com um potencial magnífico e glorioso.

O Presidente James E. Faust é lembrado por ter dito: “Quanto mais velho fico, menos eu critico”.5 Isso me faz lembrar de uma observação do Apóstolo Paulo:

“Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

Porque agora vemos por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido”.6

Quando vemos nossas próprias imperfeições mais claramente, ficamos menos inclinadas a ver os outros “por espelho, em enigma”. Queremos usar a luz do evangelho para ver as outras pessoas como o Salvador as vê — com compaixão, esperança e caridade. Dia virá em que teremos plena compreensão do coração das pessoas e seremos gratas por recebermos misericórdia, assim como nutrimos pensamentos e palavras caridosos por outras pessoas durante esta vida.

Há alguns anos, fiz canoagem com um grupo de moças. Os profundos lagos azuis, rodeados por montes verdes densamente arborizados e por encostas rochosas, eram incrivelmente lindos. A água reluzia quando mergulhávamos nossos remos na água cristalina, e o sol brilhava muito enquanto passávamos tranquilamente para o outro lado do lago.

Porém, nuvens logo escureceram o céu e um vento forte começou a soprar. Para que tivéssemos resultado, tivemos de remar com grande força, sem interrupções nem pausas entre os movimentos. Depois de algumas horas extenuantes de trabalho árduo, finalmente contornamos o lago e, para nossa surpresa e nosso entusiasmo, descobrimos que o vento estava soprando na direção que desejávamos.

Rapidamente, aproveitamos essa dádiva. Pegamos uma pequena lona e amarramos duas extremidades nos cabos dos remos e as outras duas extremidades nos pés de meu marido, os quais ele estendeu sobre a borda da canoa. O vento inflou a vela improvisada e partimos!

Quando as moças nas outras canoas viram a facilidade com que deslizávamos sobre a água, elas rapidamente improvisaram sua própria vela. Nosso coração ficou aliviado com alegria e consolo, grato pelo descanso das dificuldades do dia.

Esse vento glorioso é bastante parecido com um elogio sincero de uma amiga, um alegre cumprimento dos pais, um aceno de aprovação de um irmão ou de uma irmã, ou o sincero sorriso de um amigo de trabalho ou de classe; tudo isso nos fornece um agradável “vento em nossa vela” ao combatermos as dificuldades da vida! O Presidente Thomas S. Monson disse: “Não podemos mudar o rumo do vento, mas podemos ajustar as velas. A fim de termos o máximo de felicidade, paz e satisfação, escolhamos uma atitude positiva”.7

As palavras têm um poder surpreendente, tanto para edificar quanto para difamar. Provavelmente nos lembramos de palavras negativas que nos deixaram deprimidas e de outras palavras ditas com amor que elevaram nosso espírito. Escolher dizer apenas o que é positivo sobre as outras pessoas — e para elas — eleva e fortalece as pessoas a nosso redor e ajuda outras a seguirem o caminho do Salvador.

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Quando eu era uma menina da Primária, trabalhei diligentemente para bordar um simples ditado que dizia: “Trarei a luz do evangelho para o meu lar”. Certa tarde, enquanto nós, meninas, passávamos a agulha pela tela, nossa professora nos contou a história de uma menina que morava em uma colina ao lado de um vale. A cada fim de tarde, ela notava uma casa com reluzentes janelas douradas, sobre a colina do outro lado do vale. Sua casa era pequena e, de certa forma, deteriorada, e a menina sonhava em viver naquela bela casa com janelas douradas.

Certo dia, a menina recebeu permissão para ir de bicicleta ao outro lado do vale. Com entusiasmo, pedalou até a casa de janelas douradas, que ela admirara por tanto tempo. Mas, quando desceu de sua bicicleta, viu que a casa estava abandonada e destruída, com altas ervas daninhas no jardim e com janelas simples e sujas. Com tristeza, a menina virou-se para sua casa. Para sua surpresa, viu uma casa com reluzentes janelas douradas, sobre a colina do outro lado do vale, e logo percebeu que era sua própria casa!8

Assim como aquela menina, às vezes analisamos o que outras pessoas podem ter ou ser, e sentimos que somos menores em relação a elas. Ficamos concentradas nas versões que o Pinterest ou o Instagram retratam da vida ou envolvidas na obsessão pela competição na escola ou no trabalho. No entanto, quando reservamos um momento para “[contar nossas] muitas bênçãos”,9 enxergamos com uma perspectiva mais verdadeira e reconhecemos a bondade de Deus para com todos os Seus filhos.

Quer tenhamos 8 ou 108 anos, podemos trazer a luz do evangelho para nossas próprias circunstâncias, seja em um alto edifício em Manhattan, em uma palafita na Malásia ou em uma cabana na Mongólia. Podemos escolher procurar o bem nas outras pessoas e nas circunstâncias ao nosso redor. As jovens e as mulheres não tão jovens podem demonstrar caridade ao escolherem utilizar palavras para edificar a fé e a confiança de outras pessoas.

O Élder Jeffrey R. Holland contou a história de um rapaz que era alvo de piadas durante a época da escola. Alguns anos mais tarde, ele se mudou, alistou-se no exército, obteve educação e tornou-se ativo na Igreja. Esse período de sua vida foi marcado por maravilhosas experiências de sucesso.

Depois de muitos anos, voltou para sua cidade natal. Porém, o povo se recusou a reconhecer seu crescimento e aperfeiçoamento. Para eles, ele ainda era simplesmente o velho “fulano de tal”, e era assim que eles o tratavam. Por fim, aquele bom homem desperdiçou quase todo seu progresso sem ser capaz de usar seus talentos, os quais foram desenvolvidos de forma magnífica para abençoar aqueles que zombavam dele e o rejeitavam mais uma vez.10 Que perda para ele e para a comunidade!

O Apóstolo Pedro ensinou: “Mas, sobretudo, tende ardente caridade uns para com os outros, porque a caridade cobrirá uma multidão de pecados”.11A caridade ardente, ou seja, “de todo o coração”, é demonstrada quando nos esquecemos dos erros e dos tropeços de outras pessoas em vez de guardarmos rancor ou de lembrar a nós mesmos e a outras pessoas de imperfeições do passado.

É nossa obrigação e privilégio aceitar o aperfeiçoamento de todos à medida que nos esforçamos para ser mais semelhantes a nosso Salvador, Jesus Cristo. Que emoção é ver luz nos olhos de alguém que passou a entender a Expiação de Jesus Cristo e que está fazendo mudanças reais em sua vida! Os missionários que já experimentaram a alegria de ver um converso entrar nas águas do batismo e, em seguida, entrar pelas portas do templo, são testemunhas da bênção de permitirmos e incentivarmos as pessoas a mudar. Os membros que acolhem conversos que podem ter sido considerados candidatos improváveis para o reino de Deus encontram grande satisfação em ajudá-los a sentir o amor do Senhor. A grande beleza do evangelho de Jesus Cristo é a realidade do progresso eterno — não somente temos a permissão para mudar para melhor, mas também somos incentivadas, e até ordenadas, a continuar na busca por aperfeiçoamento e, por fim, pela perfeição.

O Presidente Thomas S. Monson aconselhou: “Em centenas de pequenos gestos, todas vocês vestem o manto da caridade. (…) Em vez de sermos críticos e de julgarmos uns aos outros, que possamos ter o puro amor de Cristo por nossos companheiros nesta jornada da vida. Reconheçamos que cada irmã está fazendo o melhor que pode para lidar com os próprios desafios, e que nos empenhemos em fazer o nosso melhor para ajudar”.12

A caridade, em termos positivos, é paciente, bondosa e radiante. A caridade põe outras pessoas em primeiro lugar, é humilde, exerce autocontrole, vê o que há de melhor nas pessoas e regozija-se quando alguém faz o bem.13

Sendo irmãs (e irmãos) em Sião, comprometemo-nos a “[ser sempre unidos (…) para] (…) servir com ternura na obra sagrada, fazendo o que é nobre, amável e bom”.14 Podemos, com amor e com esperança elevada, ansiar e aceitar a beleza que há nas outras pessoas, permitindo e incentivando seu progresso? Podemos nos alegrar com as realizações de outras pessoas à medida que continuamos a nos empenhar em nosso próprio progresso?

Sim, podemos trazer a luz do evangelho para nosso lar, escola e trabalho se buscarmos e compartilharmos coisas positivas sobre outras pessoas e deixarmos de nos concentrar nas imperfeições. Meu coração fica repleto de gratidão quando penso no arrependimento que nosso Salvador, Jesus Cristo, proporcionou a todos nós, que, inevitavelmente, pecamos neste mundo imperfeito e, por vezes, difícil!

Presto meu testemunho de que, ao seguirmos Seu exemplo perfeito, podemos receber o dom da caridade, que nos trará grande alegria nesta vida e a bênção prometida de vida eterna com nosso Pai Celestial. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Notas

  1. Ver Linda K. Burton, “Era Estrangeiro”, A Liahona, maio de 2016, p. 13.

  2. Morôni 10:21.

  3. Mateus 22:37–39.

  4. Sandra Rogers, “Hearts Knit Together”, Hearts Knit Together: Talks from the 1995 Women’s Conference [Corações Entrelaçados: Discursos da Conferência de Mulheres de 1995], 1996, p. 7.

  5. James E. Faust, citado por Dallin H. Oaks, “‘Judge Not’ and Judging” [“Não Julgueis” e o Ato de Julgar], Ensign, agosto de 1999, p. 13.

  6. 1 Coríntios 13:11–12.

  7. Thomas S. Monson, “Vida em Abundância”, A Liahona, janeiro de 2012, p. 4.

  8. Adaptado de Laura E. Richards, The Golden Windows: A Book of Fables for Young and Old [As Janelas Douradas: Um Livro de Fábulas para Jovens e Adultos], 1903, pp. 1–6.

  9. “Conta as Bênçãos”, Hinos, nº 57.

  10. Ver Élder Jeffrey R. Holland, “O Melhor Está por Vir”, A Liahona, janeiro de 2010, p. 17

  11. 1 Pedro 4:8.

  12. Thomas S. Monson, “A Caridade Nunca Falha”, A Liahona, novembro de 2010, p. 125.

  13. Ver 1 Coríntios 13:4–6.

  14. “Irmãs em Sião”, Hinos, nº 200; grifo da autora.