2000–2009
Receber um Testemunho do Evangelho Restaurado de Jesus Cristo
Notas de rodapé
Tema

Receber um Testemunho do Evangelho Restaurado de Jesus Cristo

Sigam o exemplo de Joseph Smith e o padrão da Restauração. Voltem-se para as escrituras. Ajoelhem-se em oração. Peçam com fé. Escutem os sussurros do Espírito Santo.

Nós, os líderes da Igreja, sempre ouvimos esta pergunta: “Como posso receber um testemunho do evangelho restaurado de Jesus Cristo”?

O processo de receber o testemunho e converter-se inicia-se com o estudo e a oração, e continua quando praticamos o evangelho com paciência e persistência, invocando o Espírito e tendo confiança Nele. A vida de Joseph Smith e o padrão da Restauração são exemplos excelentes desse processo. Quando ouvirem os relatos da Restauração, em minha mensagem de hoje, procurem identificar os passos que conduzem ao testemunho, desejando conhecer a verdade, ponderando em seu coração e depois sentindo e seguindo obedientemente aos sussurros do Espírito Santo.

Joseph Smith nasceu em 23 de dezembro de 1805, em Sharon, Vermont, em uma família que costumava orar e estudar a Bíblia. Em sua juventude, interessou-se pela religião e percebeu que havia uma “grande confusão” a respeito das doutrinas de Cristo, com “sacerdote contendendo com sacerdote e converso com converso”.1

Essa confusão não acontecia somente em sua comunidade. Ela teve início séculos antes, no período denominado de Grande Apostasia. O dia de Cristo “não será assim” [não virá], disse o Apóstolo Paulo, “sem que antes venha a apostasia”.2

Algumas décadas após a Ressurreição de Cristo, Seus Apóstolos foram mortos, Seus ensinamentos foram corrompidos e o sacerdócio foi retirado da Terra. Mas Paulo, vendo nossos dias, profetizou que Deus “[tornaria] a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos”.3 O Pai restauraria mais uma vez sobre a Terra a verdadeira Igreja de Cristo.

Por séculos, o mundo preparou-se para essa restauração. A Bíblia foi traduzida e publicada. Um novo continente foi descoberto. O espírito da reforma espalhou-se pelo mundo cristão, e uma nova nação foi fundada sobre os princípios da liberdade.

Joseph Smith nasceu nessa nação e, aos quatorze anos, viu-se em meio a uma “divergência de opiniões [religiosas]”. Freqüentemente, perguntava-se: “Se [alguma dessas igrejas] é correta, qual é, e como poderei sabê-lo”?4

Joseph voltou-se para a Bíblia em busca de respostas. “Se algum de vós tem falta de sabedoria”, leu na epístola de Tiago, “peça-a a Deus, que a todos dá liberalmente, e o não lança em rosto, e ser-lhe-á dada.”5

Seguindo a orientação de Tiago, Joseph dirigiu-se a um bosque próximo à sua casa e orou. Ao iniciar sua oração a Deus, “um pilar de luz (…) [desceu] gradualmente”, mais brilhante que o sol do meio-dia e “dois Personagens” apareceram a ele. “Um Deles [falou, chamando Joseph] pelo nome, e disse, apontando para o outro: Este é Meu Filho Amado. Ouve-O!6

Deus o Pai e Seu Filho, Jesus Cristo, conversaram com Joseph. Responderam à sua pergunta. Ensinaram-lhe que a verdadeira Igreja de Cristo fora tirada da Terra. Joseph soube que esses membros da Deidade eram seres separados e distintos, que Eles o conheciam pelo nome, e que estavam desejosos de responder às suas orações. Os céus se abriram, a noite da apostasia terminou, e a luz do evangelho começou finalmente a brilhar.

Assim como Joseph, muitos de nós buscamos a luz da verdade. Assim como o mundo foi preparado para a Restauração, cada um de nós foi preparado para receber a luz do evangelho em nossa vida. Às vezes essa preparação é feita por meio de uma mudança em nossas circunstâncias, ao conhecermos um novo amigo, ao mudarmos para outra cidade, ao mudarmos de emprego, o nascimento de um filho, a morte de um ente querido, doença, infortúnio, ou mesmo tragédia.

Nesse momento de transição, buscamos respostas às perguntas importantes da vida: Quem somos? De onde viemos? Por que estamos nesta Terra? E para onde iremos após a morte? Joseph não nasceu com esse conhecimento, nem tampouco nós. Todos precisamos buscá-lo.

Como Joseph, precisamos procurar nas escrituras e orar. Para muitos de nós, isso significa superar os sentimentos de dúvida e falta de dignidade, ser humildes e aprender a exercitar nossa fé.

Nos três dias que se seguiram à Primeira Visão, Joseph sentiu-se muito humilde. “Muitas vezes”, disse ele, “senti-me condenado por minhas fraquezas e imperfeições.”7 Mas ele não perdeu a fé nem esqueceu o poder da oração.

Em 21 de setembro de 1823, aos 17 anos, ele ajoelhou-se para pedir “perdão por todos os [seus] pecados e imprudências, pedindo também uma manifestação para (….) saber qual era o [seu] estado e posição perante [Deus]”.8 Ao orar, outra vez, uma luz surgiu em seu quarto e continuou a aumentar “até o aposento ficar mais iluminado do que ao meio-dia”.9 Nessa luz, apareceu um personagem em pé, vestido em uma túnica “da mais rara brancura”.10 Ele chamou Joseph pelo nome e apresentou-se como Morôni. Disse que “Deus tinha uma obra a ser executada [por Joseph]”,11 e falou-lhe de antigos anais escritos em placas de ouro, que, depois de traduzidos, transformaram-se no Livro de Mórmon, um relato antigo escrito sobre placas de ouro. O livro continha o registro da plenitude do evangelho, como fora ensinado por Jesus Cristo aos ancestrais de Morôni. Joseph foi instruído a buscar as placas, que estavam enterradas perto da casa de sua família, em um monte que agora é chamado Cumora.

No dia seguinte, Joseph encontrou as placas, mas não havia chegado ainda o momento de retirá-las de onde estavam. Morôni instruíra Joseph a encontrá-lo naquele mesmo lugar, no mesmo dia, nos quatro anos seguintes.12

Joseph obedeceu. A cada ano, dirigiu-se ao monte onde Morôni lhe dava “instruções”13 a respeito da Restauração da Igreja de Cristo. De modo muito semelhante ao que o Novo Testamento diz da infância do Salvador, Joseph “crescia em sabedoria e estatura”14 e “se fortalecia em espírito”.15

O mesmo se dá conosco. Alguns membros recém-batizados sentem-se desanimados com o próprio conhecimento e estatura no evangelho — a respeito do que ainda não sabem. Esquecem-se do esforço obediente, do estudo do evangelho e do amadurecimento espiritual que fizeram parte das primeiras experiências de Joseph. Aqueles que são membros há mais tempo devem também lembrar-se de que a instrução e o aprendizado espiritual regular são requisitos essenciais aos que querem se fortalecer em espírito.

Depois de quatro anos de obediência contínua, Joseph recebeu as placas, em 22 de setembro de 1827, aos 21 anos de idade. Ele também recebeu um instrumento antigo para traduzi-las, o Urim e Tumim. Utilizando esse intérprete sagrado, bem como o Espírito Santo, Joseph começou a trabalhar na tradução em dezembro daquele mesmo ano.16 Logo recebeu a ajuda de um professor primário chamado Oliver Cowdery, que assumiu a função de escrevente.17

Aos 23 anos de idade, Joseph estava traduzindo as placas, quando ele e Oliver chegaram a uma passagem a respeito do batismo para a remissão dos pecados. Como novos pesquisadores, sentiram o desejo de saber mais. Joseph sabia o que fazer.

Em 15 de maio de 1829, os dois homens dirigiram-se ao bosque para perguntar ao Senhor. Enquanto oravam, João Batista apareceu a eles, em uma “nuvem de luz”.18 Fora ele quem havia batizado o Salvador em vida. Ele possuía as chaves do sacerdócio necessárias para a realização da ordenança, pela autoridade de Deus.

Quando Joseph e Oliver ajoelharam-se diante dele, João Batista impôs as mãos sobre sua cabeça e conferiu-lhes o Sacerdócio Aarônico.19 Daquele momento em diante, Joseph e Oliver passaram a ser portadores da autoridade de batizar e conferir esse sacerdócio a outras pessoas.

Hoje, todos os que desejam saber se devem ser batizados estão convidados a seguir o exemplo de Joseph e Oliver, e orar. E todos os que estiverem preparados para o batismo e forem dignos dele podem recebê-lo por meio de alguém a quem a autoridade tenha sido transmitida em uma corrente ininterrupta iniciada por João Batista, nesta dispensação.

No final de maio ou início de junho de 1829, o Sacerdócio de Melquise-deque, ou Sacerdócio maior, foi conferido a Joseph e Oliver pelos Apóstolos Pedro, Tiago e João.

A tradução do Livro de Mórmon foi concluída naquele junho, e o livro foi publicado em 26 de março de 1830, menos de um ano depois.

Doze dias depois da publicação do Livro de Mórmon, em 6 de abril, a Igreja foi organizada formalmente, na casa de Peter Whitmer Sênior, em Fayette, Nova York. Como havia sido profetizado por Paulo, a antiga Igreja de Cristo estava novamente estabelecida na Terra.20

Mas a obra da Restauração ainda não estava terminada. Assim como no passado, os membros da Igreja foram instruídos a edificar um templo, que foi dedicado em Kirtland, Ohio, em 27 de março de 1836. Uma semana depois, em 3 de abril, foi realizada uma reunião ali. Após uma oração solene e tranqüila, Joseph e Oliver viram o Senhor Jesus Cristo em pé diante deles. Ele, que disse: “As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça”,21 viera para a Sua casa santificada. Moisés, Elias e Elias, o profeta, também apareceram ali, e outorgaram a Joseph as chaves do reino, as ordenanças de salvação.22

Irmãos e irmãs, conseguem ver o padrão? Todos os grandes eventos da Restauração — a Primeira Visão, o aparecimento de Morôni e o surgimento do Livro de Mórmon, a restauração do sacerdócio, o aparecimento de Jesus Cristo após a dedicação de Seu templo — todos foram precedidos da oração.

Desde esse tempo, 116 templos já foram dedicados. Estive presente a inúmeras dessas reuniões sagradas. Orações dedicatórias foram proferidas. O Espírito Santo esteve presente em abundância. Durante essas ocasiões, entre muitas outras, senti o inegável testemunho do Santo Espírito de Deus, como um fogo queimando em meu peito, de que o evangelho restaurado é verdadeiro.

Como foi que aprendi essas coisas? Néfi faz-nos um relato claro e vigoroso desse processo, em que temos de desejar, crer, ter fé, ponderar e, depois, seguir o Espírito. Vejamos o que Néfi diz: “Pois aconteceu que depois de haver eu desejado saber as coisas que meu pai tinha visto [na visão da árvore da vida] e acreditando que o Senhor teria poder de torná-las conhecidas a mim, enquanto estava eu sentado, ponderando em meu coração, fui arrebatado pelo Espírito do Senhor, sim, (…) o Espírito [falou] a mim”.23

Assim que recebemos um testemunho do Espírito, nosso testemunho se fortalece pelo estudo, pela oração e por viver o evangelho. Nosso testemunho crescente traz-nos mais fé em Jesus Cristo e Seu plano de felicidade. Sentimo-nos motivados para arrepender-nos e obedecer aos mandamentos, o que, juntamente com uma grande mudança interior, nos conduz à nossa conversão. E nossa conversão traz-nos perdão, cura e alegria divinas, e o desejo de prestar nosso testemunho a outras pessoas.

Mas vocês poderiam perguntar: como alguém dá início a esse processo? Gostaria de sugerir-lhes que aceitassem o convite feito por Morôni no Livro de Mórmon: “E quando receberdes estas coisas, eu vos exorto a perguntardes a Deus, o Pai Eterno, em nome de Cristo, se estas coisas não são verdadeiras; e se perguntardes com um coração sincero e com real intenção, tendo fé em Cristo, ele vos manifestará a verdade delas pelo poder do Espírito Santo. E pelo poder do Espírito Santo, podeis saber a verdade de todas as coisas”.24 Para alguns, isso acontece rapidamente. Para outros, acontece gradualmente, ao longo dos anos.

Somos capazes de receber essa manifestação espiritual porque o Espírito Santo é “um personagem de Espírito”, que pode “habitar em nós.”25 Sua missão é testificar do Pai e do Filho, trazer Sua vontade até nós e ensinar-nos “todas as coisas que [nós devemos] fazer”.26 As pessoas do mundo todo podem sentir a influência do Espírito Santo de vez em quando em sua vida. Mas somente aqueles que foram batizados e confirmados podem receber o dom do Espírito Santo, que é concedido pela imposição das mãos de quem tenha autoridade e possibilita que tenhamos a Sua companhia constantemente.

A preservação dessa companhia requer um esforço sincero por parte dos membros da Igreja. Se não formos obedientes às leis, princípios e ordenanças do evangelho, o Espírito Santo se retirará. Ele não pode permanecer conosco, quando estamos com raiva no coração, brigamos com nosso cônjuge ou criticamos os ungidos do Senhor. Retira-se toda vez que somos rebeldes, imorais, vestimo-nos sem recato, somos impuros ou profanos em nossa mente ou corpo, somos preguiçosos em nossos chamados e deveres, ou cometemos outros pecados; pois “o Espírito do Senhor não habita em templos impuros”.27

Portanto, devemos arrepender-nos continuamente, participar do sacramento, ser dignos de uma recomendação para o templo, e servir ao Senhor de todo o “coração, poder, mente e força”.28

Quando o Espírito Santo habita em nós, sentimos amor por Deus e por Seus filhos. Esse amor afasta o medo e nos enche de desejo de abrir nossa boca. Não há maior dádiva que podemos dar aos outros que prestar nosso testemunho a eles. Não há maior alegria que conseguir trazer uma alma a Cristo.29 E não há melhor modo de fortalecer nosso testemunho do que compartilhar o testemunho que temos a respeito Dele com o mundo. Ao fazermos isso, nossa família será fortalecida. Nossa ala, nossa estaca e a comunidade serão cheias de amor e paz e, finalmente, a Terra estará preparada para a Segunda Vinda de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo.

Eu sei que o evangelho restaurado de Jesus Cristo é verdadeiro. Eu sei que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é a Sua Igreja sobre a Terra atualmente. Eu sei que Joseph Smith é um profeta de Deus, e que Gordon B. Hinckley é seu sucessor, o profeta e presidente da Igreja nos dias de hoje.

Eu os exorto, e oro por vocês — caso ainda não saibam dessas coisas por si mesmos — para que sigam o exemplo de Joseph Smith e o padrão da Restauração. Voltem-se para as escrituras. Ajoelhem-se em oração. Peçam com fé. Escutem os sussurros do Espírito Santo. Saibam que o Pai Celestial conhece seu nome e suas necessidades, assim como de Joseph. Vivam o evangelho com paciência e persistência. E, em nome de Jesus Cristo, prometo-lhes: “Se pedirdes [ao Pai Celestial] com fé, acreditando que recebereis, guardando diligentemente os [Seus] mandamentos, certamente estas coisas vos serão dadas a conhecer”.30

Jesus Cristo vive. Esta é Sua obra. Disso eu presto meu testemunho especial, em nome de Jesus Cristo. Amém.