2000-2009
    Modelos a Serem Imitados
    Notas de rodapé
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    Modelos a Serem Imitados

    Todos nós, que vivemos no mundo hoje, precisamos de pontos de referência — modelos a serem imitados.

    Há muitos anos maravilhei-me com a capa de uma das publicações da Igreja que trazia a magnífica reprodução de um quadro de Carl Bloch. A cena que o artista capturou em sua mente e depois — com um toque da mão do Mestre — transferiu para a tela, representava Isabel, a esposa de Zacarias, recebendo Maria, a mãe de Jesus. Ambas esperavam um filho — um nascimento milagroso.

    O filho de Isabel tornou-se conhecido como João Batista. Da mesma forma que ocorreu com Jesus, filho de Maria, bem pouco foi registrado a respeito da infância e juventude de João. Uma única frase conta-nos tudo o que sabemos de sua vida desde o nascimento até seu ministério público: “E o menino crescia, e se robustecia em espírito. E esteve nos desertos até ao dia em que havia de mostrar-se a Israel”1.

    A mensagem de João era sucinta. Ele pregou fé, arrependimento, batismo por imersão e o dom do Espírito Santo concedido por uma autoridade superior à que ele possuía.“Eu não sou o Cristo”, disse a seus fiéis discípulos, “mas sou enviado adiante dele.”2 “Eu, na verdade, batizo-vos com água, mas eis que vem aquele que é mais poderoso do que eu (…); esse vos batizará com o Espírito Santo e com fogo.”3

    Então João Batista batizou Jesus Cristo. Posteriormente Jesus testificou:“Entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista”4.

    Todos nós, que vivemos no mundo hoje, precisamos de pontos de referência — modelos a serem imitados. João Batista dá-nos um exemplo perfeito de humildade sincera, à medida que ele sempre se submetia Àquele que estava para vir — o Salvador da humanidade.

    Aprender a respeito de outros que confiavam em Deus e seguiam Seus ensinamentos ajuda-nos a sentir o Espírito sussurrando: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”5. Quando guardavam bravamente Seus mandamentos e confiavam Nele, eram abençoados. Se seguirmos seus exemplos, seremos abençoados da mesma forma em nossa época. Cada um deles é um modelo a ser imitado.

    Todos se comovem com a bela história de Abraão e Isaque encontrada na Bíblia Sagrada. Como deve ter sido difícil para Abraão, em obediência ao mandamento de Deus, levar seu querido Isaque até a terra de Moriá, para oferecê-lo em holocausto. Conseguem imaginar o peso que ia em seu coração ao juntar lenha para a fogueira e rumar para o lugar designado? Certamente uma imensa dor deve ter atormentado seu coração e torturado sua mente quando ele “amarrou Isaque, (…) deitou-o sobre o altar em cima da lenha. E estendeu (…) a sua mão e tomou o cutelo para imolar o seu filho”. Quão gloriosa foi a seguinte declaração e com que alegria foi recebida: “Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho”6.

    Abraão qualifica-se como um exemplo de obediência indiscutível.

    Se qualquer um de nós sente que seus problemas estão além da sua capacidade de resolvê-los, deve ler Jó. Ao fazê-lo, o sentimento será: “Se Jó conseguiu perseverar e sobrepujar seus problemas, eu também conseguirei”.

    Jó foi um homem “íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal”.7 Devoto em sua conduta e um homem rico, Jó passaria por um teste que teria destruído qualquer um. Destituído de suas posses, desprezado pelos amigos, afligido por dores, dilacerado pela perda da família, ele foi instigado a “[amaldiçoar] a Deus, e [morrer]”.8 Ele resistiu a essa tentação e declarou do fundo de seu nobre coração: “Eis que também agora a minha testemunha está no céu, e nas alturas o meu testemunho está”.9 “Porque eu sei que o meu Redentor vive.”10

    Jó tornou-se um modelo de paciência sem limites. Até hoje referimo-nos às pessoas que são resignadas dizendo que têm “a paciência de Jó”. Ele nos deixou um exemplo que deve ser seguido.

    Um “homem justo e perfeito em suas gerações”, alguém que “andava com Deus”,11 foi o profeta Noé. Ordenado ao sacerdócio ainda muito jovem, “pregou a retidão e declarou o evangelho de Jesus Cristo, ensinando sobre fé, arrependimento, batismo e o recebimento do Espírito Santo”.12 Ele advertiu que a rejeiçãode sua mensagem traria o dilúvio sobre os que ouvissem sua voz e ainda assim não seguissem o que pregava.

    Noé obedeceu à ordem que recebeu de Deus de construir uma arca, para que ele e a família fossem salvos da destruição. Seguiu as instruções de Deus, colocando na arca um casal de todos os seres vivos, para que também fossem salvos das águas do dilúvio.

    O Presidente Spencer W. Kimball disse: “Naquela época ainda não havia evidências de chuva nem de dilúvio. As advertências [de Noé] foram consideradas irracionais. Que tolice construir uma arca em terra seca, com o sol brilhando e com a vida prosseguindo como de costume! Mas o tempo expirou. A inundação chegou. Os desobedientes morreram afogados. O milagre da arca seguiu a fé manifestada em sua construção”13.

    Noé teve a fé resoluta para seguir os mandamentos de Deus. Que possamos agir sempre da mesma forma. Lembremos que a sabedoria de Deus, às vezes, parece tolice aos homens, mas a maior lição que podemos aprender na mortalidade é que quando Deus fala e nós obedecemos, estaremos sempre certos.

    Um modelo ideal de feminilidade é Rute. Percebendo a tristeza no coração da sogra, que perdera dois ótimos filhos, e sentindo talvez a agonia do desespero e da solidão que atormentavam a alma de Noemi, Rute proferiu algo que veio a tornar-se a declaração clássica de lealdade: “Não me instes para que te abandone, e deixe de seguir-te; porque aonde quer que tu fores irei eu, e onde quer que pousares, ali pousarei eu; o teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus”.14 As ações de Rute demonstraram a sinceridade de suas palavras.

    Devido à lealdade eterna que dedicava a Noemi, Rute casou-se com Boaz e, por conseqüência, ela — a estrangeira e convertida moabita — tornou-se a bisavó de Davi e, portanto, antecessora de nosso Salvador Jesus Cristo.

    Volto-me agora para um vigoroso profeta do Livro de Mórmon — Néfi, filho de Leí e de Saria. Ele foi fiel e obediente a Deus, corajoso e destemido. Quando recebeu a difícil tarefa de conseguir as placas de latão de Labão, não murmurou, mas declarou: “Eu irei e cumprirei as ordens do Senhor, porque sei que o Senhor nunca dá ordens aos filhos dos homens sem antes preparar um caminho pelo qual suas ordens possam ser cumpridas”.15 Talvez esse ato de coragem tenha inspirado um verso que contém um conselho para nós e que se encontra no hino The Iron Rod (“A Barra de Ferro”):

    Néfi, vidente de tempos que longe vão,

    Uma visão recebeu de Deus (…)

    Apegue-se à barra, à barra de ferro;

    Ela é forte, brilhante e fiel.

    A barra de ferro é a palavra de Deus;

    Em segurança ela nos guiará.16

    Néfi personificou a determinação incansável.

    Nenhuma descrição dos modelos que devemos imitar estaria completa sem que incluíssemos Joseph Smith, o primeiro profeta desta dispensação. Quando tinha apenas quatorze anos de idade, aquele rapaz corajoso entrou num bosque, que mais tarde viria a ser chamado de sagrado, e recebeu uma resposta à sua oração sincera.

    Seguiu-se uma perseguição sem tréguas a Joseph Smith, quando ele relatou a outras pessoas a gloriosa visão que recebera naquele bosque. Mesmo assim, embora fosse ridicularizado e desprezado, permaneceu firme. Disse ele:“Eu tivera uma visão; eu sabia-o e sabia que Deus o sabia e não podia negá-la nem ousaria fazê-lo”.17

    Passo a passo, enfrentando uma oposição quase contínua mas sempre guiado pela mão do Senhor, Joseph organizou a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Ele provou ser corajoso em tudo o que fazia.

    Ao final da vida, quando foi levado com seu irmão Hyrum para a Cadeia de Carthage, enfrentou bravamente o que, sem dúvida, sabia estar reservado para ele e selou seu testemunho com o próprio sangue.

    Ao enfrentarmos as provas da vida, imitemos essa coragem destemida personificada pelo Profeta Joseph Smith.

    Diante de nós temos hoje outro profeta de Deus — o nosso amado Presidente Gordon B. Hinckley. Ele preside o maior crescimento que já houve na Igreja — tanto numérico quanto geográfico — em toda a nossa história. Atravessou fronteiras nunca antes cruzadas e reuniu-se com líderes governamentais e com membros de todo o mundo. Seu amor pelo povo transcende as barreiras lingüísticas e culturais.

    Com uma visão profética, instituiu o Fundo Perpétuo de Educação, que interrompe o ciclo de pobreza dos membros em muitas áreas do mundo e proporciona a aquisição de aptidões e instrução que qualificam rapazes e moças para empregos bem remunerados. Esse plano inspirado vem acendendo a luz da esperança nos olhos daqueles que antes pareciam fadados a uma vida medíocre, mas que agora têm a oportunidade de alcançar um futuro mais brilhante.

    O Presidente Hinckley vem trabalhando sem cessar para levar as bênçãos sagradas aos membros da Igreja de todo o mundo ao construir templos que estejam ao alcance de todos. Ele tem a capacidade de elevar pessoas de todos os níveis a um plano superior, independentemente da religião que professem. Ele é um exemplo de otimismo inabalável, e nós o reverenciamos como profeta, vidente e revelador.

    As qualidades singulares possuídas por esses homens e mulheres que mencionei podem ser um auxílio valioso ao enfrentarmos os problemas e as tribulações que teremos na vida. Gostaria de ilustrar esse fato narrando a experiência da família de Jerome Kenneth Pollard, de Oakland, Califórnia.

    Em maio passado, o Élder Taavili Joseph Samuel Pollard viajava para o escritório da missão, no último dia de sua missão em Zimbabue, quando perdeu o controle do carro que dirigia e bateu numa árvore. Um transeunte conseguiu socorrer o companheiro do Élder Pollard, mas o Élder Pollard, que estava inconsciente, ficou preso nas ferragens do carro, que explodiu em chamas, e faleceu. Sua mãe havia morrido oito anos antes, e o pai criara a família sozinho. Um de seus irmãos servia na Missão das Índias Ocidentais.

    Quando a notícia da morte do Élder Pollard foi dada ao pai, aquele humilde homem — que já havia perdido a esposa — telefonou para o filho que servia na Missão Índias Ocidentais para contar-lhe da morte do irmão. Naquela ligação, separados por uma imensa distância, o irmão Pollard e o filho, sem dúvida dominados pela dor e sofrimento, cantaram juntos: “Sou Um Filho de Deus”18. Antes de encerrarem o telefonema, o pai fez uma oração ao Pai Celestial, agradecendo por suas bênçãos e buscando consolo divino.

    O irmão Pollard comentou posteriormente que ele sabia que a família ficaria bem, porque possuíam um forte testemunho do evangelho e do plano de salvação.

    Meus irmãos e irmãs, nesta maravilhosa dispensação da plenitude dos tempos, ao atravessarmos a mortalidade e enfrentarmos as tribulações e os desafios do futuro, que nos lembremos dos modelos que mencionei esta manhã e que devemos imitar. Que possamos ter a humildade sincera de João Batista, a obediência indiscutível de Abraão, a paciência sem limites de Jó, a fé indestrutível de Noé, a lealdade eterna de Rute, a determinação incansável de Néfi, a coragem destemida do Profeta Joseph Smith e o otimismo inabalável do Presidente Hinckley. O desenvolvimento desses traços de caráter será uma fortaleza de poder que nos acompanhará por toda a vida.

    Que sejamos sempre guiados pelo Exemplo supremo, o filho de Maria, o Salvador Jesus Cristo – - cuja vida foi um modelo perfeito para imitarmos.

    Nascido em um estábulo, colocado em uma manjedoura, Ele veio dos céus para viver na Terra como um homem mortal e estabelecer o reino de Deus. Durante Seu ministério terreno, Ele ensinou aos homens a lei maior. Seu evangelho glorioso reformou o pensamento do mundo. Ele abençoou os doentes, fez o coxo andar, o cego ver, o surdo ouvir e chegou a trazer os mortos de volta à vida.

    Qual foi a reação do povo ante Sua mensagem de misericórdia, Suas palavras de sabedoria, Suas lições de vida? Houve alguns, poucos e valiosos, que O apreciaram. Banharam-Lhe os pés. Aprenderam Sua palavra. Seguiram Seu exemplo.

    Foram muitos, porém, os que O negaram. Quando interrogados por Pilatos: “Que farei então de Jesus, chamado Cristo?19 Disseram-lhe todos: Seja crucificado”.20 Zombaram Dele. Deram-Lhe vinagre para beber. Injuriaram-No. Bateram-Lhe com uma cana. Cuspiram Nele. Crucificaram- No.

    Através das gerações, a mensagem de Jesus é sempre a mesma. A Pedro e a André, às margens do belo Mar da Galiléia, Ele disse: “Vinde após mim”21. A Filipe, fez o chamado: “Segue-me”22. Ao levita, sentado na recebedoria, deu a instrução: “Segue-me”23. E para nós, se Lhe dermos ouvidos, fará o mesmo convite: “Segue-me”.

    Minha oração é que O sigamos. No sagrado nome de Jesus Cristo. Amém.