2000-2009
    Caridade: Uma Família e Uma Casa de Cada Vez
    Notas de rodapé
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    Caridade: Uma Família e Uma Casa de Cada Vez

    Como somos mulheres do convênio, (…) [podemos] alterar a face da Terra, família a família, casa a casa, por meio da caridade, com atos simples de amor puro.

    Há alguns anos, meu marido e eu visitamos o lado oriental de Berlim, na Alemanha. Pedaços do que no passado fora o muro infame que dividia os cidadãos da cidade jaziam espalhados — preservados como monumento à vitória da liberdade sobre a servidão. Em um pedaço do muro encontravam-se as seguintes palavras corajosas, pintadas em letras vermelhas e desiguais: “Muitas pessoas simples em muitos lugares simples fazendo muitas coisas simples são capazes de mudar a face da Terra”. Para mim, essa frase fala do que cada uma de nós — como mulheres do convênio — pode fazer de importante, à medida que damos um passo à frente e oferecemos nosso coração e as nossas mãos a serviço do Senhor ao edificar e amar o próximo.

    Não importa se somos recém-conversas ou membros há muito tempo; solteiras, casadas, divorciadas ou viúvas; ricas ou pobres; cultas ou sem instrução; se moramos em uma cidade moderna ou no vilarejo mais afastado no meio da selva. Como somos mulheres do convênio, consagramo-nos à causa de Cristo por meio dos convênios do batismo e do templo. Podemos alterar a face da Terra, família a família, casa a casa, por meio da caridade, com atos simples de amor puro.

    A caridade, que é o puro amor do Salvador, é “a espécie de amor mais sublime, nobre e forte”1 e devemos pedi-la “ao Pai, com toda a energia de [nosso] coração”.2 O Élder Dallin H. Oaks nos ensina que a caridade “não é um ato, mas uma condição ou estado [que incorporamos]”.3 Os atos caridosos que praticamos diariamente são escritos “não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração”.4 Aos poucos, nossos atos de caridade mudam a nossa natureza, definem o nosso caráter e, finalmente, transformam-nos em mulheres que dizem ao Senhor, com coragem e compromisso: “ Eis-me aqui, envia-me”.

    Como nosso exemplo, o Salvador demonstrou o significado da caridade por meio de Suas próprias ações. Além de ministrar a multidões, Jesus demonstrou a intensidade de Seu amor e preocupação com a própria família. Até enquanto padecia uma agonia terrível na cruz, pensou na mãe e nas necessidades dela.

    “E junto à cruz de Jesus estava sua mãe (…).

    Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho.

    Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa”.5

    Comove-me o fato de essa escritura mostrar o quanto João era dedicado a Maria, ao dizer que ele “a recebeu em sua casa”. Acredito que os gestos mais importantes de caridade são pequenos e simples por natureza, têm conseqüências eternas e são praticados entre as paredes do nosso próprio lar.

    Quando tentamos cuidar com paciência e amor de bebês inquietos, adolescentes ou colegas de quarto difíceis, de um cônjuge menos ativo ou de pais idosos e inválidos, às vezes nos perguntamos: “Será que o que estou fazendo é mesmo importante? Será que faz alguma diferença?” Caras irmãs, as coisas que vocês fazem para sua família são importantes! São muito importantes mesmo. Em casa, diariamente, aprendemos repetidamente que a caridade, o amor puro do Salvador, nunca falha. Muitas irmãs da Sociedade de Socorro fazem um grande bem ao servir à própria família. Essas mulheres fiéis não são louvadas pelo mundo — nem é isso o que elas buscam — mas “[apiedam-se] de alguns, usando de discernimento”.6

    Quem são essas mulheres que fazem coisas significativas? Em Nauvoo, as primeiras irmãs da Sociedade de Socorro, em meio à extrema pobreza, abriram o coração e hospedaram em casa muitos dos novos conversos que chegavam em grande número a Nauvoo. Compartilharam o alimento e as roupas que tinham e, o mais importante, compartilharam a fé no amor redentor do Salvador.

    Em nossa época, a irmã Knell é uma mulher do convênio que faz algo importante. Ela é uma viúva de mais de 80 anos e tem um filho de 47 anos que é deficiente físico e mental de nascença. Há alguns anos essa boa irmã decidiu fazer o que as outras pessoas consideravam impossível: ensinar Keith, seu filho, a ler. A coisa que ele mais queria era aprender a ler, mas os médicos disseram que não o conseguiria. Com fé no coração e com o desejo de abençoar a vida de seu filho, essa viúva humilde disse ao filho: “Sei que o Pai Celestial o abençoará para que você consiga ler o Livro de Mórmon”.

    A irmã Knell escreveu o seguinte: “Para Keith, a tarefa foi árdua” e não foi fácil para mim. No início, houve alguns dias difíceis, porque eu fiquei contrariada. Toma tempo e cada palavra dá trabalho. Sento-me ao lado dele todas as manhãs e indico-lhe cada palavra com um lápis, para ajudá-lo a não se perder. Depois de sete longos anos e um mês, Keith finalmente terminou a leitura do Livro de Mórmon”. A mãe disse: “Ouvi-lo ler um versículo sem ajuda faz-me sentir uma emoção indescritível”. Ela testifica: “Sei que acontecem milagres quando confiamos no Senhor”.7

    Em todo o mundo, na África, Ásia, no Pacífico, na América do Norte e do Sul e na Europa as mulheres caridosas, bem como sua família, também influenciam a comunidade a que pertencem. Na pequena ilha que é Trinidad, a irmã Ramoutar, que é muito ocupada em seu cargo de presidente da Sociedade de Socorro do ramo, e sua família ajudam as crianças e os jovens do bairro. A família Ramoutar mora em uma vila que é “assolada pelas drogas”. Lá, muitos pais e adultos são viciados em bebidas alcoólicas ou participam do tráfico de drogas. As crianças e os jovens correm muito perigo e muitas ficam sozinhas. Muitas não freqüentam a escola.

    Todas as quintas-feiras à noite, um número de até 30 crianças e jovens de 3 a 19 anos sentam-se na varanda da casa da família Ramoutar e participam com entusiasmo da reunião de um grupo chamado carinhosamente de “Nossa Grande Família Feliz”. Algumas das atividades são: orações, hinos, músicas divertidas com valores cristãos e contar as boas ações praticadas pelas crianças e jovens durante a semana. Às vezes, algum médico, policial, professor ou os nossos missionários dão lições úteis, como, por exemplo a mensagem do Presidente Gordon B. Hinckley com os seis conselhos aos jovens. A família Ramoutar, ajuda as crianças e jovens por meio de gestos simples de caridade. Por terem falado do evangelho na “Grande Família Feliz”, outras pessoas uniram-se à Igreja.

    Caras irmãs da Sociedade de Socorro, sei que onde quer que vivamos, seja qual for a situação, nós, as mulheres do convênio, unidas em retidão somos capazes de mudar a face da Terra. Assim como Alma, testifico que “é por meio de coisas pequenas e simples que as grandes são realizadas”.8 Em nossa casa, essas coisas simples — nossos atos diários de caridade — proclamam a nossa convicção: “Eis-me aqui, envia-me”.

    Presto meu testemunho de que o maior gesto de caridade desta vida e de toda a eternidade foi a Expiação de Jesus Cristo. Ele deu a vida espontaneamente para expiar os nossos pecados. Expresso minha devoção a Sua causa e o desejo que tenho de servi-Lo sempre que Ele me chamar, seja onde for, em nome de Jesus Cristo. Amém