2000-2009
    “Oh! Eu Quisera Ser um Anjo e Poder Realizar o Desejo de Meu Coração”
    Notas de rodapé
    Theme

    “Oh! Eu Quisera Ser um Anjo e Poder Realizar o Desejo de Meu Coração”

    Exorto-os (…) a utilizarem os templos da Igreja. Freqüentem o templo e levem adiante a obra grandiosa e maravilhosa que o Deus dos céus planejou para nós.

    Amados irmãos e irmãs, saudamo-los novamente em uma grande conferência mundial de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

    Alma declarou: “Oh! eu quisera ser um anjo e poder realizar o desejo de meu coração de ir e falar com a trombeta de Deus, com uma voz que estremecesse a terra, e proclamar arrependimento a todos os povos!” (Alma 29:1)

    Chegamos a um ponto em que já é quase possível fazê-lo. Esta conferência será transmitida para todo o mundo e, em todos os continentes será possível aos santos dos últimos dias ver e escutar os oradores. Fizemos muito progresso no cumprimento da visão descrita no livro de Apocalipse: “E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo”. (Apocalipse 14:6)

    Que ocasião grandiosa é esta, irmãos e irmãs! É difícil compreender. Falamos deste esplêndido Centro de Conferências. Não conheço nenhum prédio que se compare a ele.

    Somos como uma grande família, representantes da humanidade neste mundo vasto e belo.

    Muitos de vocês participaram da dedicação do Templo de Nauvoo, em junho passado. Essa foi uma ocasião grandiosa e maravilhosa que ficará na lembrança por muito tempo. Não só dedicamos um prédio magnífico, uma casa do Senhor, mas também dedicamos um belo memorial ao Profeta Joseph Smith.

    Em 1841, dois anos depois de chegar a Nauvoo, ele anunciou por inspiração do Todo-Poderoso que deveriam construir uma casa do Senhor sobre a colina para ser o mais belo símbolo da obra de Deus.

    É difícil de acreditar que naquelas condições desfavoráveis, tenha-se projetado um prédio tão magnífico a ser erigido no lugar que, na época, era a fronteira dos Estados Unidos.

    Duvido, duvido muito, que houvesse um prédio que se igualasse em arquitetura e magnificência em todo o Estado de Illinois.

    Seria dedicado à obra do Todo-Poderoso, para a realização de Seus desígnios eternos.

    Não se pouparam esforços. Nenhum sacrifício era grande demais. Durante os cinco anos seguintes, os homens talharam a pedra, colocaram as sapatas e os alicerces, as paredes e os ornamentos. Centenas de pessoas foram para a área ao norte da cidade e ficaram morando ali por um tempo para cortar árvores em grande quantidade e, depois, amarrá-las de modo a formar jangadas que eram levadas rio abaixo até Nauvoo. Belas molduras foram feitas dessa madeira. Juntavam-se os centavos para comprar pregos. Fez-se um sacrifício inimaginável para conseguir vidro. Eles estavam construindo um templo para Deus e tinha de ser o melhor que fossem capazes de fazer.

    Em meio a toda essa atividade, o Profeta e Hyrum, seu irmão, foram mortos em Carthage, no dia 27 de junho de 1844.

    Nenhum de nós, que vivemos hoje, é capaz de compreender o golpe terrível que isso foi para os santos. Seu líder morrera — ele, o homem que tinha visões e revelações. Ele não era somente o seu líder; era o seu Profeta. A tristeza que sentiram foi intensa, e terrível seu sofrimento.

    Contudo, Brigham Young, Presidente do Quórum dos Doze, tomou as rédeas. Joseph transmitira sua autoridade aos Apóstolos. Brigham determinou que se terminasse o templo e a obra prosseguiu. Dia e noite, eles trabalhavam por seu objetivo, apesar de todas as ameaças que as turbas sem lei lhes faziam. Em 1845 eles já sabiam que não poderiam ficar na cidade que construíram nos terrenos pantanosos do rio. Sabiam que teriam de sair. Nessa época a atividade passou a ser intensa, primeiro para terminar o templo e, depois, para construir os carroções e reunir os suprimentos para partirem para o deserto que ficava a oeste.

    O trabalho de realização das ordenanças foi iniciado antes que as obras do templo estivessem totalmente concluídas. Ele prosseguiu intensamente até que, no inverno gelado de 1846, o povo foi obrigado a abandonar as casas e os carroções rodaram lentamente pela rua Parley, até a margem do rio, para depois atravessá-lo e subir a margem do lado do Estado de Iowa.

    O movimento prosseguiu. O rio congelou; o frio estava cortante, mas possibilitou-lhes que atravessassem o rio sobre o gelo.

    Olhando para trás, para o leste, viram pela última vez a cidade de seus sonhos e o templo de seu Deus. Depois, voltaram-se para o oeste, para um destino desconhecido.

    Logo depois, o templo foi dedicado e as pessoas que o fizeram disseram amém e foram embora. O prédio acabou sendo queimado por um incendiário que quase perdeu a vida ao praticar sua maldade. Finalmente, um furacão derrubou a maior parte do que sobrara. A Casa do Senhor, o grande objetivo do trabalho deles não mais existia.

    Nauvoo transformou-se praticamente em uma cidade fantasma. Foi-se esvaziando até quase deixar de existir. O terreno do templo foi arado e tornou-se uma plantação. Os anos passaram e pouco a pouco houve um despertar. Em meio ao nosso povo, os descendentes das pessoas que moraram ali passaram a lembrar de seus antepassados com o desejo de homenagear aquelas pessoas que pagaram um preço tão terrível. Gradualmente, a cidade reviveu, e algumas partes de Nauvoo foram restauradas.

    Sob a orientação do Espírito e movido pelo desejo de meu pai, que fora presidente de missão naquela área e que desejava reconstruir o templo, mas nunca conseguiu fazê-lo, anunciamos na conferência de outubro de 1999 que reconstruiríamos esse edifício histórico.

    Todos ficaram entusiasmados. Homens e mulheres se apresentavam querendo ajudar. As pessoas contruibuíram com suas habilidades e com grandes somas de dinheiro. Não visamos os gastos. Construiríamos uma Casa do Senhor como memorial ao Profeta Joseph e como oferenda a Deus. No último dia 27 de junho, à tarde, mais ou menos à mesma hora em que Joseph e Hyrum foram baleados em Carthage 158 anos antes, fizemos a reunião de dedicação desse magnífico prédio novo. É um lugar de grande beleza e está erigido exatamente no mesmo local onde o templo original fora construído. É um memorial justo e adequado ao grande Profeta desta dispensação, Joseph, o Vidente.

    Sou imensamente grato, profundamente grato pelo que aconteceu. Hoje, de frente para o oeste, na alta colina que se destaca na Cidade de Nauvoo, do outro lado do Mississipi e além das planícies do Iowa, encontra-se o templo de Joseph, uma magnífica casa de Deus. Aqui, no Vale do Lago Salgado, de frente para o leste e para o belo Templo de Nauvoo, fica o templo de Brigham, o Templo de Salt Lake . Ficam de frente um para o outro, como dois suportes de livros entre os quais existem vários volumes que falam do sofrimento, tristeza, sacrifício e até da morte de milhares de pessoas que fizeram a longa viagem do rio Mississipi ao vale do Grande Lago Salgado.

    Nauvoo tornou-se o 113º templo em funcionamento. Depois dele já dedicamos outro templo, em Haia, na Holanda, elevando o total para 114. Esses prédios maravilhosos de tamanho e arquitetura diversos existem agora em vários países da Terra. Foram construídos para ser utilizados por nosso povo para a realização da obra do Todo-Poderoso cujo desígnio é levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem. (Ver Moisés 1:39.) Esses templos foram construídos para ser usados. Honramos nosso Pai quando os utilizamos.

    Na abertura da conferência, exorto-os, irmãos e irmãs, a utilizarem os templos da Igreja.

    Freqüentem o templo e levem adiante a obra grandiosa e maravilhosa que o Deus dos céus planejou para nós. Aprendamos ali os Seus caminhos e planos. Ali façamos os convênios que nos conduzirão pelos caminhos da retidão, abnegação e verdade. Unamo-nos como família por meio do convênio eterno ministrado pela autoridade do sacerdócio de Deus.

    E proporcionemos essas mesmas bênçãos a todas as gerações anteriores, sim, aos nossos próprios antepassados que esperam pelo serviço que agora podemos prestar-lhes.

    Que as bênçãos do céu estejam com vocês, meus amados irmãos e irmãs. Que o espírito de Elias lhes toque o coração e os inspire a realizar esse trabalho pelas pessoas que não podem progredir a menos que vocês o façam. Que nos alegremos com o privilégio glorioso que temos, oro humildemente em nome de Jesus Cristo. Amém.