2010–2019
Não Tomemos o Caminho Errado
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Não Tomemos o Caminho Errado

Élder Claudio D. Zivic

Oro para que jamais percamos de vista o caminho, de modo que sempre estejamos conectados aos céus.

Um menininho estava praticando piano, e um vendedor, ao vê-lo pela janela, perguntou: “Sua mãe está em casa?”

Ao que a criança respondeu: “O que você acha?”

Nossos cinco queridos filhos tocam piano, graças à motivação de minha mulher! Quando o professor chegava a nossa casa, nosso filho Adrián corria e se escondia, para não ter aula. Mas um dia, uma coisa maravilhosa aconteceu! Ele começou a gostar muito de música, de modo que continuou a praticar por conta própria.

Se pudermos chegar a esse ponto em nosso processo de conversão, seria maravilhoso. Seria ótimo termos no coração o profundo desejo de guardar os mandamentos, sem que ninguém nos lembrasse constantemente, e termos a firme convicção de que se seguirmos o caminho certo teremos as bênçãos prometidas nas escrituras.

Há vários anos, visitei o Parque Nacional dos Arcos com minha mulher, nossa filha Evelin e uma amiga da família. Um dos arcos mais famosos daquele parque se chama Arco Delicado. Decidimos caminhar uns dois quilômetros, montanha acima, para chegar ao arco.

Começamos a trilha com grande entusiasmo, mas, depois de caminhar um pouco, elas precisaram descansar. Como eu estava com muita vontade de chegar, decidi prosseguir sozinho. Sem prestar muita atenção à trilha a percorrer, segui um homem que ia a minha frente e que parecia mover-se com muita certeza. O caminho foi ficando cada vez mais difícil, e tive que pular de pedra em pedra. Devido à dificuldade, tive certeza de que as mulheres do meu grupo jamais conseguiriam. De repente, vi o Arco Delicado, mas, para minha grande surpresa, percebi que estava numa área inacessível para mim.

Com grande frustração, decidi voltar. Esperei impacientemente até nos reunirmos novamente. A primeira pergunta que fiz foi: “Vocês chegaram ao Arco Delicado?” Elas me disseram alegremente que sim. Explicaram que seguiram os sinais que indicavam o caminho e, com muito cuidado e esforço, chegaram ao destino.

Infelizmente, eu havia tomado o caminho errado. Que grande lição aprendi naquele dia!

Com que frequência erramos o caminho e nos deixamos ser conduzidos pelas tendências do mundo? Precisamos continuamente nos perguntar se estamos sendo praticantes das palavras de Jesus Cristo.

Um ensinamento maravilhoso se encontra no livro de João:

“Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim.

Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (João 15:4–5).

Usando essa analogia, vemos a relação transcendente e direta que temos com Jesus Cristo e a importância que Ele dá a cada um de nós. Ele é a raiz e o tronco que conduz a água viva até nós, a fonte que permite que sejamos nutridos para produzir muitos frutos. Jesus Cristo nos ensinou de modo que nós, os ramos — ou seja, seres dependentes Dele — jamais subestimemos o valor de Seus ensinamentos.

Há alguns erros que podem ser graves e, se não os corrigirmos a tempo, eles podem nos conduzir permanentemente para fora do caminho. Se nos arrependermos e aceitarmos a correção, essas experiências permitem que nos tornemos humildes, que mudemos nossas ações e que novamente nos acheguemos ao Pai Celestial.

Quero dar um exemplo desse conceito citando um dos mais dramáticos momentos da vida do Profeta Joseph Smith. Por essa experiência, o Salvador nos deu ensinamentos inestimáveis sobre alguns princípios que devemos ter em mente por toda a vida. Trata-se da ocasião em que Martin Harris perdeu as 116 páginas traduzidas da primeira parte do Livro de Mórmon.

Depois de se arrepender por não ter seguido o conselho de Deus, o Profeta recebeu a revelação que se encontra na seção 3 de Doutrina e Convênios (ver Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, pp. 75–76). Com base no que está escrito nos versículos 1 a 10, quero salientar três princípios que sempre devemos lembrar:

  1. As obras e os propósitos de Deus não podem ser frustrados.

  2. Não devemos temer ao homem mais do que a Deus.

  3. Há uma necessidade constante de arrependimento.

No versículo 13, o Senhor nos ensina quatro coisas que jamais devemos fazer:

  1. Desprezar os conselhos de Deus.

  2. Quebrar as mais sagradas promessas feitas a Deus.

  3. Confiar em nosso próprio julgamento.

  4. Vangloriar-nos de nossa própria sabedoria.

Oro para que jamais percamos de vista o caminho, de modo que sempre estejamos conectados aos céus, para que as correntezas do mundo não nos arrastem para longe.

Se alguns de vocês chegarem ao ponto de abandonar o caminho do Senhor — em qualquer ponto do percurso —, com grande remorso sentirão a amargura de ter desprezado os conselhos de Deus, de ter quebrado as mais sagradas promessas feitas perante Deus, de ter confiado em seu próprio julgamento ou de ter-se vangloriado de sua própria sabedoria.

Se esse for o caso, exorto que se arrependam e voltem ao caminho certo.

Certa vez, um neto ligou para o avô para lhe desejar feliz aniversário. Perguntou quantos anos ele tinha. O avô disse que tinha chegado aos 70 anos. O neto pensou por um instante e depois perguntou: “Vovô, você começou desde um ano de idade?”

Na infância e na juventude, as pessoas acham que jamais ficarão velhas. A ideia de morte jamais cria raiz — isso é para pessoas muito, muito velhas — e ainda falta uma eternidade para chegarem a esse ponto. À medida que o tempo passa, os meses e as estações, as rugas começam a aparecer, a energia diminui, a necessidade de uma consulta médica se torna mais frequente, e assim por diante.

Dia virá em que nos encontraremos novamente com nosso Redentor e Salvador Jesus Cristo. Rogo para que nesse sagrado e sublime momento possamos reconhecê-Lo graças ao conhecimento que temos Dele e por termos seguido Seus ensinamentos. Ele nos mostrará as marcas em Suas mãos e em Seus pés, e finalmente nos abraçaremos, chorando de alegria por termos seguido Seu caminho.

Testifico aos quatro cantos da Terra que Jesus Cristo vive. Ele nos exortou: “Escutai, ó nações da Terra, e ouvi as palavras do Deus que vos criou” (D&C 43:23). Que tenhamos a capacidade de compreender, escutar, entender e interpretar corretamente a mensagem desse “Deus que [nos] criou” para que não nos afastemos de Seu caminho, é minha oração em nome de Jesus Cristo. Amém.