2010–2019
Redemoinhos Espirituais
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Redemoinhos Espirituais

Élder Neil L. Andersen

Não deixem os redemoinhos arrastá-los para baixo. Este é o seu tempo; o tempo de permanecerem firmes como discípulos do Senhor Jesus Cristo.

Cumprimento-os nesta manhã — especialmente os jovens que estão aqui no Centro de Conferências e no mundo todo. Vocês são uma geração escolhida com um destino, e falo especialmente para vocês.

Há muitos anos, quando visitamos nossa família na Flórida, um tornado surgiu não muito longe de onde estávamos. Uma mulher, que morava em um trailer, entrou no banheiro para procurar segurança. Seu trailer começou a sacudir. Poucos momentos se passaram. Então, ela ouviu a voz da vizinha: “Estou aqui na sala”. Saindo do banheiro, para seu grande espanto, ela descobriu que o tornado havia erguido seu trailer, fazendo com que aterrissasse perfeitamente em cima do trailer da sua vizinha.

Meus jovens amigos, o mundo não vai deslizar suavemente para a Segunda Vinda do Salvador. As escrituras declaram que “todas as coisas estarão tumultuadas”.1 Brigham Young disse: “Foi-me revelado no início desta Igreja, que ela prosperaria, cresceria e se expandiria, e que, à medida que o evangelho fosse pregado entre as nações da Terra, se levantaria o poder de Satanás na mesma proporção”.2

Mais preocupantes do que os terremotos e as guerras3 profetizados são os redemoinhos espirituais, que podem arrancá-los de seus alicerces espirituais, fazendo-os aterrissar em lugares que vocês nunca imaginaram ser possíveis, às vezes quase sem que percebam que se moveram.

Os piores redemoinhos são as tentações do adversário. O pecado sempre fez parte deste mundo, mas nunca foi tão acessível, insaciável e aceitável. Há, sem dúvida, uma força poderosa que subjuga os redemoinhos do pecado; ela se chama arrependimento.

Nem todos os redemoinhos da vida fomos nós que criamos. Alguns resultam das escolhas erradas de outras pessoas e alguns acontecem porque estamos na mortalidade.

Quando menino, o Presidente Boyd K. Packer contraiu uma enfermidade incapacitante: a poliomielite. Quando o Élder Dallin H. Oaks tinha sete anos, seu pai faleceu subitamente. Quando a irmã Carol F. McConkie, da presidência geral das Moças, era adolescente, seus pais se divorciaram. Os problemas acontecem a todos nós, mas, se confiarmos em Deus, eles fortalecerão nossa fé.

Na natureza, as árvores que crescem num ambiente de fortes ventos se tornam mais fortes. À medida que os ventos açoitam a tenra muda, as forças internas da árvore fazem duas coisas. Primeiro, estimulam as raízes a crescerem mais rapidamente e a se espalharem mais. Em segundo lugar, as forças internas da árvore criam estruturas celulares que realmente tornam o tronco e os ramos mais grossos e mais flexíveis à pressão do vento. As raízes e os ramos então fortalecidos protegem a árvore dos ventos que, sem dúvida, retornarão.4

Vocês são infinitamente mais preciosos para Deus do que uma árvore. Você é um filho ou uma filha Dele. Ele fez com que seu espírito seja forte e resistente aos redemoinhos da vida. Os redemoinhos de sua juventude, tal como o vento que açoita uma árvore em crescimento, podem aumentar sua força espiritual, preparando-os para os anos que virão.

Como vocês devem se preparar para seus redemoinhos? “Lembrai-vos de que é sobre a rocha de nosso Redentor, que é Cristo, o Filho de Deus, que deveis construir os vossos alicerces; para que, quando o diabo lançar a fúria de seus ventos, (…) seus dardos no torvelinho, (…) quando todo o seu granizo e violenta tempestade vos açoitarem, isso não tenha poder para vos arrastar (…) por causa da rocha sobre a qual estais edificados.”5 Essa é a sua proteção no redemoinho.

O Presidente Thomas S. Monson disse: “Antigamente os padrões da Igreja e os da sociedade eram em grande parte compatíveis, mas hoje há um grande abismo entre nós, que está tornando-se cada vez maior”.6 Esse abismo, para alguns, desencadeia fortes redemoinhos espirituais. Permitam-me compartilhar um exemplo.

No mês passado, a Primeira Presidência e o Quórum dos Doze publicaram uma carta aos líderes da Igreja no mundo todo. Um trecho dela dizia: “As mudanças efetuadas na lei civil não alteram nem podem alterar a lei moral que Deus estabeleceu. Deus espera que apoiemos e guardemos Seus mandamentos a despeito de opiniões ou tendências divergentes na sociedade. Sua lei da castidade é clara: As relações sexuais só são lícitas se forem entre um homem e uma mulher que sejam legal e legitimamente casados um com o outro. Pedimos que estudem (…) a doutrina contida em ‘A Família: Proclamação ao Mundo’”.7

O mundo se distancia da lei da castidade dada pelo Senhor, mas nós não. O Presidente Monson disse: “O Salvador da humanidade descreveu-Se como alguém que estava no mundo, mas não era do mundo. Nós também podemos estar no mundo sem ser do mundo, se rejeitarmos conceitos e ensinamentos falsos e permanecermos fiéis ao que Deus ordenou”.8

Apesar de que muitos governos e pessoas bem-intencionadas tenham redefinido o casamento, o Senhor não o fez. No início, Deus determinou que o casamento fosse entre um homem e uma mulher — Adão e Eva. Ele determinou que os propósitos do casamento fossem bem além da satisfação e da realização pessoal dos adultos, enfocando coisas mais importantes, como preparar o ambiente ideal para que os filhos nasçam, sejam criados e edificados. Jamais nos esqueçamos disto: As famílias são tesouros do céu.9

Por que continuamos a falar sobre isso? Como disse o Apóstolo Paulo: “Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem”.10 Como apóstolos do Senhor Jesus Cristo, temos a responsabilidade de ensinar o plano de nosso Criador para Seus filhos e advertir a respeito das consequências do desprezo a Seus mandamentos.

Recentemente, conversei com uma laurel dos Estados Unidos. Vou citar um trecho do e-mail dela.

“No ano passado, alguns de meus amigos no Facebook começaram a publicar a postura deles em relação ao casamento. Muitos eram a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo, e vários jovens SUD ‘curtiram’ as publicações. Não fiz nenhum comentário.

Decidi declarar minha crença no casamento tradicional de modo bem ponderado.

Juntamente com a fotografia do meu perfil, acrescentei os dizeres: ‘Creio no casamento entre um homem e uma mulher’. Quase instantaneamente comecei a receber mensagens. ‘Você é egoísta.’ ‘Você é intolerante.’ Um deles me comparou a um proprietário de escravos. E recebi esta mensagem de uma boa amiga que é um membro bem firme da Igreja: ‘Você precisa acompanhar os tempos. As coisas estão mudando, e você deve mudar também’.

“Não revidei”, ela disse, “mas não retirei minha declaração”.

Ela termina dizendo: “Às vezes, como disse o Presidente Monson: ‘Você tem que ficar sozinha’. Espero que nós, jovens, permaneçamos unidos na fidelidade a Deus e aos ensinamentos de Seus profetas vivos”.11

Devemos ter uma preocupação especial com aqueles que sentem atração por pessoas do mesmo sexo. Esse é um redemoinho extremamente veloz. Quero expressar meu amor e minha admiração por aqueles que corajosamente enfrentam essa provação e permanecem fiéis aos mandamentos de Deus!12 Mas todos, independentemente de suas decisões e crenças, merecem nossa bondade e consideração.13

O Salvador nos ensinou a amar não apenas nossos amigos, mas também aqueles que discordam de nós — e até mesmo os que nos repudiam. Ele disse: “Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais?”14

O Profeta Joseph Smith nos alertou para que sejamos “moderados na estimativa de [nossas] próprias virtudes” e que devemos “alargar a alma” em relação a todos os homens e a todas as mulheres até “que [desejemos] levá-las [essas almas] nos ombros”.15 No evangelho de Jesus Cristo, não há lugar para ridicularizações, bullying ou intolerância.

Se tiverem alguma dúvida sobre o conselho de um dos líderes da Igreja, discutam suas preocupações sinceras com seus pais e seus líderes. Vocês precisam da força que advém de confiarem nos profetas do Senhor. O Presidente Harold B. Lee disse: “A única segurança que temos como membros da Igreja é (…) aprender a dar ouvidos às palavras e mandamentos que o Senhor nos dá por intermédio de Seu profeta (…). Algumas coisas exigirão paciência e fé. Talvez nem tudo (…) seja de seu inteiro agrado. Pode ser que vá de encontro a seus pontos de vista políticos ou sociais. Algumas coisas talvez interfiram em sua vida social. Mas se vocês ouvirem tais palavras como se saíssem da boca do próprio Senhor (…) ‘as portas do inferno não prevalecerão contra vós (…) e o Senhor Deus afastará de vós os poderes das trevas’ (D&C 21:6)”.16

Outra proteção contra os redemoinhos da vida é o Livro de Mórmon.

Quando o Presidente Henry B. Eyring era adolescente, sua família mudou-se para uma nova cidade. A princípio, ele achou a mudança desagradável e fez poucos amigos. Ele sentiu que não se encaixava no grupo de alunos de sua escola do Ensino Médio. Os redemoinhos o estavam açoitando. O que ele fez? Dedicou sua energia ao Livro de Mórmon, lendo-o muitas vezes.17 Anos mais tarde, o Presidente Eyring testificou: “[Gosto imensamente] de voltar ao Livro de Mórmon com frequência e aprofundar-me no estudo dele”.18 “[Ele] é o mais poderoso testemunho por escrito que temos de que Jesus é o Cristo.”19

O Senhor nos deu outro meio de nos mantermos firmes, um dom espiritual mais poderoso que os redemoinhos do adversário! Ele disse: “Permanecei em lugares santos e não sejais movidos”.20

Quando eu era adolescente, havia apenas 13 templos na Igreja. Agora há 142. Oitenta e cinco por cento dos membros da Igreja moram num raio de 320 quilômetros de um templo. O Senhor concedeu à geração de vocês mais acesso a um templo sagrado do que a qualquer outra geração na história do mundo!

Vocês já estiveram no templo, vestidos de branco, esperando para realizar batismos? Como se sentiram? Há um sentimento tangível de santidade no templo. A paz do Salvador subjuga os redemoinhos violentos do mundo.

O que vocês sentem no templo é um padrão de como devem se sentir na vida.21

Encontrem seus avôs e suas avós e seus primos distantes que já faleceram. Levem o nome deles ao templo com vocês.22 Ao aprenderem algo sobre seus antepassados, vocês verão os padrões de vida, de casamento, de filhos, padrões de retidão e, ocasionalmente, padrões que vão querer evitar.23

Mais tarde no templo, aprenderão mais sobre a criação do mundo, sobre os padrões da vida de Adão e Eva, e o mais importante, sobre nosso Salvador Jesus Cristo.

Meus jovens irmãos e irmãs, nós os amamos e admiramos muito, e oramos por vocês. Não deixem os redemoinhos arrastá-los para baixo. Este é o seu tempo; o tempo de permanecerem firmes como discípulos do Senhor Jesus Cristo.24

Edifiquem seu alicerce mais firmemente na rocha de seu Redentor.

Entesourem mais plenamente Sua vida e Seus ensinamentos incomparáveis.

Sigam mais diligentemente Seu exemplo e Seus mandamentos.

Adotem mais fortemente o amor do Salvador, Sua misericórdia e os dons poderosos de Sua Expiação.

Ao fazerem isso, prometo-lhes que verão os redemoinhos como o que realmente são: testes, tentações, distrações ou desafios que os ajudarão a crescer. E ao viverem dignamente ano após ano, asseguro que suas experiências lhes confirmarão novamente que Jesus é o Cristo. A rocha espiritual sob seus pés será sólida e segura. Vocês se regozijarão de que Deus os tenha colocado aqui para fazerem parte dos preparativos finais do glorioso retorno de Cristo.

O Salvador disse: “Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós”.25 Essa é a promessa Dele a nós. Sei que essa promessa é verdadeira. Sei que Ele vive. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Notas

  1. Doutrina e Convênios 88:91.

  2. Discursos de Brigham Young, comp. por John A. Widtsoe, 1954, p. 72.

  3. Ver Dallin H. Oaks, “A Preparação para a Segunda Vinda”, A Liahona, maio de 2004, p. 7.

  4. Ver A. Stokes, A. H. Fitter, and M. P. Coutts, “Responses of Young Trees to Wind and Shading: Efects on Root Architecture”, Journal of Experimental Botany, vol. 46, nº 290, setembro de 1995, pp. 1139–1146.

  5. Helamã 5:12.

  6. Thomas S. Monson, “O Poder do Sacerdócio”, A Liahona, maio de 2011, p. 66.

  7. Ver Carta da Primeira Presidência, 6 de março de 2014; ver também David A. Bednar, “Cremos em Ser Castos”, A Liahona, maio de 2013, p. 41; Dallin H. Oaks, “Não Terás Outros Deuses”, A Liahona, novembro de 2013, p. 72; Para o Vigor da Juventude (livreto), 2011, pp. 35–37.

  8. Thomas S. Monson, “O Poder do Sacerdócio”, A Liahona, maio de 2011, p. 66.

  9. O Élder Russell M. Nelson disse: “O casamento é a instituição que forma a ordem social. (…) Essa união não é meramente entre marido e mulher; ela inclui uma sociedade com Deus” (“Fortalecer o Casamento”, A Liahona, maio de 2006, p. 36); ver também Mateus 19:5–6.

  10. II Coríntios 4:18.

  11. Correspondência e conversa pessoal, 17 de março de 2014; ver também Thomas S. Monson, “Ouse Ficar Sozinho”, A Liahona, novembro de 2011, p. 60.

  12. Ver Jeffrey R. Holland, “Ajudar os Que Lutam contra a Atração pelo Mesmo Sexo”, A Liahona, outubro de 2007, p. 40.

  13. Mesmo quando o anticristo Corior procurava destruir a fé das pessoas, as leis de Deus o protegiam da retaliação: “Ora, não havia lei alguma contra a crença de um homem, porque era expressamente contrário aos mandamentos de Deus que se decretasse uma lei que deixasse os homens em desigualdade de condições. (…) Se um homem desejasse servir a Deus, era seu privilégio, (…) se nele não acreditasse, porém, não havia lei que o punisse” (Alma 30:7, 9). A décima primeira Regra de Fé declara: “Pretendemos o privilégio de adorar a Deus Todo-Poderoso de acordo com os ditames de nossa própria consciência; e concedemos a todos os homens o mesmo privilégio, deixando-os adorar como, onde ou o que desejarem”.

  14. Mateus 5:46.

  15. Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, pp. 450–451.

  16. Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Harold B. Lee, 2000, pp. 84–85; ver também Robert D. Hales, “Conferência Geral: Fortalecer a Fé e o Testemunho”, A Liahona, novembro de 2013, p. 6.

  17. Ver Robert I. Eaton e Henry J. Eyring, I Will Lead You Along: The Life of Henry B. Eyring, 2013, p. 40.

  18. Henry B. Eyring, Choose Higher Ground, 2013, p. 38.

  19. Henry B. Eyring, To Draw Closer to God, 1997, p. 118.

  20. Doutrina e Convênios 87:8; ver também Doutrina e Convênios 45:32.

  21. Ver Doutrina e Convênios 52:14.

  22. Ver Neil L. Andersen, “Find Our Cousins!” (discurso proferido na Conferência de História da Família da RootsTech – 8 de fevereiro de 2014), LDS.org/prophets-and-apostles/unto-all-the-world/find-our-cousins.

  23. Ver David A. Bednar, “O Coração dos Filhos Voltar-se-á”, A Liahona, novembro de 2011, p. 24.

  24. Ver Helamã 7:9.

  25. João 14:18.