“Pois Assim Será a Minha Igreja Chamada”
    Notas de rodapé

    “Pois Assim Será a Minha Igreja Chamada”

    “Assim como reverenciamos seu santo nome, reverenciamos o nome que ele determinou para sua Igreja.”

    Hoje falarei sobre um nome. Ficamos contentes quando nosso nome é pronunciado e escrito corretamente. As vezes usamos um apelido em lugar do nome verdadeiro, mas esse apelido pode ser ofensivo, tanto para a pessoa como para os pais que lhe deram nome.

    O nome sobre o qual falo não é pessoal, mas os mesmos princípios lhe são aplicados. Refiro-me a um nome dado pelo Senhor:

    “Pois assim será a minha igreja chamada nos últimos dias, mesmo A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.” (D&C 115:4.)

    Observai cuidadosamente a linguagem usada pelo Senhor. Ele não disse: “Assim será a minha igreja apelidada.” Ele disse: “Assim será a minha igreja chamada.” Anos atrás, os membros foram advertidos pelas Autoridades Gerais que escreveram: “Sentimos que muitos poderão ser desviados pelo uso demasiado freqüente do termo ‘Igreja Mórmon’.” (Classe de Membros-Missionários — Instructor’s Guide, Salt Lake City: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, 1982, p. 2.) Antes de pensar em outro nome como substituto legítimo, toda pessoa compreensiva poderia imaginar, reverentemente, os sentimentos do Pai Celeste, que deu aquele nome.

    Não há dúvida de que toda palavra que procede da boca do Senhor é preciosa. Conseqüentemente, cada palavra deste nome deve ser importante, dada divinamente por motivo válido. Se estudarmos as palavras-chave do nome, poderemos compreender melhor seu significado total.

    Santos

    Acho graça quando me lembro de um comentário feito logo depois de meu chamado para o Quorum dos Doze. Um colega meu contou-me a respeito de um relatório feito numa reunião profissional, segundo o qual o “Dr. Nelson não mais realizava cirurgias cardíacas, porque sua igreja tinha feito dele um ‘santo’.”

    O comentário foi não só divertido mas bastante revelador. Evidenciava falta de familiaridade com a linguagem bíblica, na qual a palavra santo é usada com mais freqüência do que o termo cristão.

    A palavra cristão aparece tão somente em três versículos da Versão Bíblica do Rei Tiago. Um dos versículos descreve o fato histórico de que “em Antióquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos” (Atos 11:26); outro cita um descrente sarcástico, o Rei Agripa (Atos 26:28); e o terceiro diz que aquele que é conhecido como “cristão” deve estar preparado para padecer. (I Pedro 4:16.)

    Em contraste, o termo santo (ou santos) aparece em trinta e seis versículos do Velho Testamento, e sessenta e dois do Novo.

    Paulo escreveu uma epístola “aos santos que estão em Efeso, e fiéis em Cristo Jesus”. (Efésios 1:1.)

    Aos membros recentemente convertidos daquele lugar ele disse: “Já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos santos, e da família de Deus.” (Efésios 2:19; vide também Efésios 3:17–19.)

    Na epístola aos efésios, Paulo usou a palavra santo pelo menos uma vez em cada capítulo.

    Apesar de seu uso em noventa e oito versículos da Bíblia, o termo santo ainda não é bem compreendido. Muitos, erradamente, pensam que ele implica beatificação ou perfeição, mas não é assim! Santo é aquele que crê em Cristo e conhece a perfeição do seu amor. O santo que dá de si, compartilha no verdadeiro espírito desse amor, e o que recebe aceita no verdadeiro espírito de gratidão. Um santo serve outros, sabendo que quanto mais servir, maior será sua oportunidade de santificação e purificação através do Espírito.

    Todo santo é tolerante, atento às necessidades de outros seres humanos, não só por meio de mensagens faladas, mas também de mensagens sentidas. O santo é diferente do indivíduo cuja resposta para um problema será provavelmente uma atitude egoísta, a atitude de quem pensa: “Que me importa?” O verdadeiro santo responde: “Como? Claro que me importo!” Este verbo, importar-se, passa a demonstrar ação, e é a força diretriz na resposta daquele que cuida do próximo carente. (VideI Coríntios 12:25–27; II Coríntios 7:12.)

    O santo “procura fugir da ociosidade” (Alma 38:12) e busca o aprendizado por meio do estudo e também pela fé. A educação não só nos ajuda a nos comunicarmos com os outros, mas nos capacita a discernir o certo do errado, particularmente pelo estudo das escrituras. (Vide D&C 88:118.)

    O santo é honesto e bondoso, paga pronta e integralmente suas obrigações financeiras, tratando os outros como ele gostaria de ser tratado. (Vide Mateus 7:12; 3 Néfi 14:12; D&C 112:11.)

    O santo é um cidadão honrado, sabedor de que todo país que proporciona a seus cidadãos oportunidades e proteção merece nosso apoio, incluindo pronto pagamento de impostos e participação pessoal em seu processo político legal. (Vide D&C 134:5.)

    O santo soluciona qualquer diferença com os outros honrada e pacificamente, e nunca deixa de ser cortês, mesmo no tráfego, na hora de maior movimento.

    O santo aborrece o que é impuro ou degradante e evita excessos, mesmo naquilo que é bom.

    O santo é reverente, talvez acima de tudo. Reverência pelo Senhor, pela terra que ele criou, pelos líderes, pela dignidade dos outros, pela lei, pela santidade da vida, pelas capelas e outros edifícios, é sinal evidente de atitudes santas. (Vide Levítico 19:30; Alma 47:22; D&C 107:4); D&C 134:7.)

    O santo reverente ama o Senhor e sente que sua prioridade é guardar os mandamentos. A oração diária, o jejum periódico, o pagamento de dízimo e ofertas são privilégios importantes para um santo fiel.

    Finalmente, santo é aquele que recebe os dons do Espírito que Deus prometeu a todos os seus filhos fiéis. (Vide Joel 2:28–29; Atos 2:17–18.)

    Últimos Dias

    O termo últimos dias é uma expressão especialmente difícil para tradutores que trabalham em línguas nas quais não há um bom termo equivalente. Algumas traduções podem sugerir o dia derradeiro.

    É verdade que as escrituras predizem os dias finais da existência material da terra como uma esfera telestial. A terra será então renovada e receberá sua glória paradisíaca ou terrestre. (Vide Décima Regra de Fé.) Finalmente, a terra será celestializada. (Vide Apocalipse 21:1; D&C 77:1, 88:25–26.) Mas seus últimos dias terão que ser precedidos pelos dias da dispensação da plenitude do evangelho.

    Nós vivemos nesses dias, e eles são realmente admiráveis. O Espírito do Senhor está sendo derramado sobre todos os habitantes da terra, exatamente como o Profeta Joel predisse. Sua profecia foi tão significativa que o Anjo Morôni a reafirmou ao Profeta Joseph Smith. (Vide Joel 2:28–32; JS 1:41.)

    Durante milênios os métodos de agricultura, transporte e comunicação não mudaram muito as técnicas antigas. Desde a época do nascimento de Joseph Smith, no entanto, novas técnicas surgiram, num contraste admirável.

    Joseph Smith fora preordenado como profeta de Deus para a restauração do evangelho na plenitude dos tempos. (Vide 2 Néfi 3:7–15.) Vinte e cinco anos depois do seu nascimento, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias foi oficialmente organizada.

    Mais tarde, no mesmo século, a telegrafia foi desenvolvida, o Oceano Atlântico foi cruzado pela primeira vez por um navio a vapor, e o telefone, o automóvel e os filmes foram inventados.

    O século vinte tem sido mais extraordinário ainda. A agricultura foi mecanizada.

    Meios de transporte modernos permitem-nos viajar para quase qualquer parte do mundo, no prazo de um ou dois dias.

    Foram desenvolvidos computadores que permitem à Igreja ajudar seus membros vivos e organizar informações relativas a antepassados que estão do outro lado do véu. As pessoas de todo o mundo, antes pouco interessadas em história da família, atualmente pesquisam as raízes de seus ancestrais, usando tecnologias não existentes há um século.

    Telefonemas interurbanos, fac-simile, rádio, televisão e comunicações através de satélite tornaram-se rotina. Nestes últimos dias é possível a palavra do Senhor ser irradiada da sede de sua Igreja e ouvida nas áreas mais remotas do globo.

    Está sendo cumprida a promessa divina de que este “evangelho será proclamado a toda nação, tribo, língua e povo”. (D&C 133:37.)

    Mudanças políticas ocorreram recentemente, em muitos países. Restrições prévias de liberdades pessoais foram atenuadas. A concha de confinamento espiritual foi quebrada. Altos brados de liberdade enchem o ar. Certamente a mão do Senhor é aparente. Ele disse: “Apressarei a minha obra no devido tempo” (D&C 88:73), e esse tempo se apressa em chegar.

    Jesus Cristo

    Por diretriz divina, o título da Igreja leva o nome sagrado de Jesus Cristo, a quem ela pertence. (Vide D&C 115:3–4.) Ele assim o decretou, mais de uma vez. Há mais de dois mil anos o Senhor disse: “Dareis à Igreja o meu nome, …

    E como poderá ser minha igreja sem que tenha meu nome?” (3 Néfi 27:7–8.)

    Adoramos a Deus, o Pai Eterno, em nome de seu Filho, pelo poder do Espírito Santo. Sabemos que Jesus, na vida pré-mortal, era Jeová, o Deus do Velho Testamento. Sabemos que ele era “a pedra de esquina” sobre a qual está baseada a organização de sua Igreja. (Efésios 2:20.) Sabemos que ele é a Pedra pela qual seus agentes autorizados (vide I Coríntios 10:4; Helamã 5:12) e todos aqueles que o procuram com justiça (vide D&C 88:63) recebem revelação.

    Sabemos que ele veio ao mundo para fazer a vontade do Pai, que o enviou. (3 Néfi 27:13.) Sua missão divina era efetuar a Expiação, que deveria quebrar as cadeias da morte, e capacitar-nos para receber imortalidade e vida eterna.

    A missão divina do Salvador vivo continua. Um dia estaremos diante dele, em julgamento. Ele predisse esse evento:

    “Todos os que se arrependerem e forem batizados em meu nome serão satisfeitos; e, se perseverarem até o fim, eis que os terei por inocentes perante meu Pai, naquele dia em que eu me levantar para julgar o mundo.” (3 Néfi 27:16.)

    Nós reverenciamos o nome de Jesus Cristo. Ele é nosso Redentor ressuscitado.

    A Igreja

    As duas primeiras palavras do nome que o Senhor escolheu para sua organização terrena são A Igreja.

    NDevemos observar que o artigo A é uma letra maiúscula. Esta é uma parte importante do título, pois a Igreja é a organização oficial dos crentes batizados, que tomaram sobre si o nome de Cristo. (Vide D&C 10:67–69, 18:21–25.)

    A Igreja tem por alicerce a realidade de que Deus é nosso Pai e que seu Filho Unigénito, Jesus Cristo, é o Salvador do mundo. O testemunho e a inspiração do Espírito Santo o confirmam.

    A Igreja é o meio pelo qual o Mestre realiza sua obra e concede sua glória. As ordenanças e os convênios relacionados são as recompensas que coroam nossa filiação a ela. Embora muitas organizações possam oferecer companheirismo e instrução, só a Igreja de Jesus Cristo pode proporcionar batismo, confirmação, ordenação, o sacramento, bênçãos patriarcais e as ordenanças do templo — e tudo isso nos é dado pelo poder autorizado do sacerdócio. Esse poder tem por finalidade abençoar todos os filhos do Pai Celestial, seja qual for a sua nacionalidade:

    “As chaves do reino de Deus são entregues aos homens na terra… até os confins da terra rolará de agora em diante o evangelho.” (D&C 65:2; veja também Daniel 2:37–45; D&C 109:72.)

    A admissão na igreja é feita através do batismo. Esta ordenança sagrada é reservada para crianças só depois que atingem a idade da responsabilidade, e para adultos verdadeiramente convertidos, preparados e dignos de passar neste teste apresentado pelas escrituras:

    “Estais dispostos a carregar mutuamente o peso de vossas cargas, para que sejam aliviadas;

    Sim, e estais dispostos a chorar com os que choram; confortar os que necessitam de conforto e servir dé testemunhas de Deus em qualquer tempo, em todas as coisas e em qualquer lugar em que vos encontreis.” (Mosiah 18:8–9.)

    Na ordenança do batismo, tomamos sobre nós o nome do Senhor e fazemos o convênio de sermos santos, nestes últimos dias. Fazemos o convênio de viver de acordo com as doutrinas da Igreja, conforme registradas nas escrituras sagradas e reveladas aos profetas antigos e modernos.

    “Cremos em tudo o que Deus tem revelado, em tudo o que ele revela agora, e cremos que ele ainda revelará muitas grandes e importantes coisas pertencentes ao Reino de Deus.” (Nona Regra de Fé.)

    Essas revelações incluem verdades fundamentais, essenciais para a nossa felicidade eterna. Ensinam prioridades com potenciais eternos, tais como amor a Deus, família, mãe, pai, filhos e lar; autodomínio; ajuda aos pobres e necessitados; serviço, e consideração pelos outros.

    Esta igreja, estabelecida sob a direção do Deus Todo-Poderoso, cumpre promessas feitas nos tempos bíblicos. É parte da “restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio”. (Atos 3:21.) Foi restaurada e recebeu um nome, dado pelo próprio Salvador.

    Ele advertiu-nos solenemente: “Que todos os homens se acautelem de como tomam em seus lábios o meu nome”, e adicionou: “Lembrai-vos de que aquilo que vem do alto é sagrado e deve ser mencionado com cuidado.” (D&C 63:61, 64.) Portanto, assim como reverenciamos seu santo nome, reverenciamos o nome que ele determinou para sua Igreja.

    Como membros de sua igreja, temos o privilégio de participar do seu destino divino. Honremos aquele que declarou: “Assim será a minha igreja chamada… A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias”, é o que eu oro no nome sagrado de Jesus Cristo, amém.