2010–2019
Buscai nos melhores livros


Buscai nos melhores livros

Quando estudamos os melhores livros, somos protegidos das mandíbulas ameaçadoras dos que buscam mastigar nossas raízes espirituais.

Bem cedo, certa manhã, vi uma lagarta faminta e bem camuflada em uma bela roseira. Ao olhar para alguns brotos sem folhas, era óbvio até para alguém que não estivesse prestando muita atenção que ela havia mastigado as folhas macias com suas mandíbulas ameaçadoras. Não consegui deixar de pensar na alegoria de que há algumas pessoas que se assemelham a essa lagarta. Elas estão em todo o mundo, e algumas estão tão bem camufladas que talvez permitamos que entrem em nossa vida e, antes que percebamos, já terão comido nossas raízes espirituais e as de nossos familiares e amigos.

Vivemos em uma época em que há muitas informações errôneas sobre nossas crenças. Numa época como essa, uma falha em proteger e fortalecer nosso alicerce é um convite para que ele seja destruído por aqueles que buscam destruir nossa fé em Cristo e nossa crença em Sua Igreja restaurada. Na época do Livro de Mórmon, foi Zeezrom que buscou destruir a fé dos que acreditavam.

Suas ações e palavras eram “uma armadilha do adversário, que ele preparou para pegar [o] povo a fim de poder [subjugá-los] e [amarrá-los] com suas correntes” (Alma 12:6). Essas mesmas armadilhas existem hoje, e, a menos que estejamos espiritualmente vigilantes e edifiquemos um alicerce seguro sobre nosso Redentor (ver Helamã 5:12), podemos nos encontrar presos pelas correntes de Satanás e ser conduzidos cuidadosamente por caminhos proibidos citados no Livro de Mórmon (ver 1 Néfi 8:28).

O apóstolo Paulo deu uma advertência em sua época que se aplica aos nossos dias: “Porque eu sei isto: (…) que dentre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si” (Atos 20:29–30).

A advertência de Paulo e as de nossos profetas e apóstolos nos relembram que devemos fazer tudo o que pudermos para nos fortalecer espiritualmente contra as palavras de oposição e engano. Quando visito as alas e estacas da Igreja, sou inspirado pelo que vejo, ouço e sinto quando os santos seguem de maneira positiva e fiel os ensinamentos do Salvador e de Seus servos.

Aumentar a santificação do Dia do Senhor é apenas um exemplo de os membros fortalecerem a si mesmos ao darem ouvidos aos conselhos dos profetas. O fortalecimento adicional é evidenciado pelo aumento do trabalho do templo e da história da família à medida que as famílias unem seus antepassados por meio das ordenanças do templo. Nosso alicerce espiritual fica mais forte quando as orações pessoais e familiares sinceras se tornam o alicerce de nossa fé e quando nos arrependemos diariamente, buscamos a companhia do Espírito Santo, aprendemos sobre nosso Salvador e Seus atributos e nos esforçamos para ser como Ele (ver 3 Néfi 27:27).

Nosso Salvador, Jesus Cristo, é a Luz do Mundo e nos convida a segui-Lo. Devemos olhar para Ele em todos os momentos e especialmente quando surgirem as dificuldades, quando os fortes sentimentos de dúvida ou incerteza se levantarem como acontece com uma forte neblina. Quando os dedos apontados na “outra margem do rio de água, [onde paira] um grande e espaçoso edifício” (1 Néfi 8:26) parecerem estar apontados para você para escarnecer, degradar e acenar, peço que se afastem imediatamente para que não sejam persuadidos por meios astutos e enganadores a se afastarem da verdade e de suas bênçãos.

No entanto, isso não será suficiente em nossos dias quando coisas perversas são faladas, escritas e mostradas. O élder Robert D. Hales nos ensinou que a menos que [estejamos] “plenamente empenhados em viver o evangelho, de todo o ‘coração, poder, mente e força’, não [conseguiremos] gerar suficiente luz espiritual para afastar as trevas” (“Sair da escuridão para Sua maravilhosa luz”, A Liahona, julho de 2002, p. 78). Certamente, nosso desejo de seguir a Cristo, que é a Luz do Mundo (ver João 8:12), significa que devemos agir de acordo com Seus ensinamentos. Somos fortalecidos e protegidos ao agirmos de acordo com a palavra de Deus.

Quanto maior for a luz em nossa vida, menor serão os momentos de dúvida. Entretanto, mesmo mediante muita luz, estaremos expostos a pessoas e comentários que deturpam nossas crenças e testam nossa fé. O apóstolo Tiago escreveu que “a prova da [nossa] fé opera a paciência” (Tiago 1:3). Com essa ideia, o élder Neal A. Maxwell ensinou que “um discípulo paciente (…) não ficará surpreso ou arrasado quando a Igreja for difamada” (“Patience”, Devocional da Universidade Brigham Young, 27 de novembro de 1979, speeches.byu.edu).

Haverá perguntas sobre a história da Igreja e as nossas crenças. Precisamos ser cuidadosos ao buscarmos as respostas corretas. Não há nada de bom em explorar a visão e as opiniões de pessoas menos informadas ou insatisfeitas. Recebemos este ótimo conselho do apóstolo Tiago: “E se algum de vós tem falta de sabedoria, peça-a a Deus” (Tiago 1:5).

Pedir a Deus deve acontecer após o estudo cuidadoso, pois estamos sob o mesmo mandamento dado nas escrituras de “nos melhores livros [buscar] palavras de sabedoria” e “[procurar] conhecimento, sim, pelo estudo e também pela fé” (D&C 88:118). Há uma grande quantidade de livros assim, escritos por líderes inspirados da Igreja e por estudiosos da história e da doutrina da Igreja, reconhecidos e de confiança. No entanto, nada supera a majestade da palavra de Deus revelada nas escrituras. Daquelas páginas finas, cheias de conhecimento espiritual, aprendemos a verdade por meio do Espírito Santo e recebemos mais luz.

O presidente Thomas S. Monson implorou “que cada um de nós estude em espírito de oração e pondere o Livro de Mórmon todos os dias” (“O poder do Livro de Mórmon”, A Liahona, maio de 2017, p. 87).

Há muitos anos, enquanto eu servia como presidente da Missão Suva Fiji, alguns missionários tiveram uma experiência que reforçou neles o poder de conversão do Livro de Mórmon. Em um dia quente e úmido, dois élderes chegaram a uma casa em um pequeno assentamento em Labasa.

A batida na porta foi atendida por um homem idoso que ouviu os missionários testificarem sobre a veracidade do Livro de Mórmon. Eles deram a ele um exemplar do livro e o convidaram a ler e orar para saber, assim como eles, que ele é a palavra de Deus. Sua resposta foi breve: “Amanhã volto a pescar. Vou ler enquanto estiver no mar, e quando voltar, vocês podem me visitar de novo”.

Enquanto ele permaneceu no mar, houve transferências e, algumas semanas depois, uma nova dupla de élderes voltou para visitar o pescador. Nessa ocasião, ele havia lido todo o Livro de Mórmon, havia recebido a confirmação de sua veracidade e estava ansioso para aprender mais.

Esse homem tinha sido convertido pelo Espírito Santo, que testificou a verdade das palavras preciosas em cada página, sobre os acontecimentos e a doutrina ensinados há muito tempo e reservados para nossos dias no Livro de Mórmon. Essa mesma bênção está disponível a cada um de nós.

O lar é um lugar ideal para as famílias estudarem e compartilharem conhecimentos valiosos das escrituras, as palavras dos profetas e acessarem o material da Igreja no site LDS.org. Lá, encontramos uma grande quantidade de informações sobre tópicos do evangelho como o relato da Primeira Visão. Quando estudamos os melhores livros, somos protegidos das mandíbulas ameaçadoras dos que buscam mastigar nossas raízes espirituais.

A despeito de nossas orações, de nosso estudo das escrituras e da ponderação, pode ainda haver algumas perguntas a serem respondidas. Entretanto, não devemos deixar que isso destrua a fé que cresce dentro de nós. Essas perguntas são um convite para edificar nossa fé e não devem levar a um momento passageiro de descrença. A característica mais importante da religião é não ter uma resposta precisa para cada pergunta, pois esse é o objetivo da fé. A respeito disso, o élder Jeffrey R. Holland nos ensinou: “Quando chegarem esses momentos e surgirem esses problemas, cuja resolução não seja iminente, preservem o que já conquistaram e permaneçam firmes até adquirirem conhecimento adicional” (“Eu creio, Senhor”, A Liahona, maio de 2013, p. 94).

Vemos ao nosso redor a alegria de muitos que estão permanecendo firmes ao nutrirem continuamente suas raízes espirituais. Sua fé e obediência são suficientes para lhes dar grande esperança no Salvador, e disso resulta grande felicidade. Eles não professam saber todas as coisas, mas pagaram o preço para saber o suficiente a fim de ter paz e viver com paciência enquanto buscam saber mais. Pouco a pouco, sua fé é depositada permanentemente em Cristo, e eles permanecem firmes como concidadãos dos santos.

Que vivamos de tal maneira que as mandíbulas ameaçadoras das lagartas camufladas não encontrem lugar em nossa vida, nem agora, nem nunca, para que permaneçamos “firmes na (…) fé em Cristo até o fim” (Alma 27:27). Em nome de Jesus Cristo. Amém.