2010–2019
O arrependimento é sempre positivo
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O arrependimento é sempre positivo

No momento em que começamos o processo do arrependimento, convidamos o poder redentor do Salvador para nossa vida.

Há vários anos, o presidente Gordon B. Hinckley foi a um jogo de futebol universitário. Ele estava lá para anunciar que o estádio receberia o nome do estimado técnico do time, que iria se aposentar. O time queria desesperadamente ganhar o jogo para honrar seu treinador. No intervalo, o presidente Hinckley foi convidado a visitar o vestiário e incentivar os jogadores. Inspirado pelas palavras dele, o time ganhou o jogo e terminou a temporada com um recorde de vitórias.

Hoje gostaria de falar àqueles que estão preocupados por não estarem vencendo em sua vida. A verdade é que “todos [pecamos] e destituídos [estamos] da glória de Deus”.1 Embora alguns times saiam invictos de um campeonato, tal perfeição não ocorre na vida real. Mas testifico que o Salvador realizou uma Expiação perfeita e nos deu o dom do arrependimento — nosso caminho de volta para um perfeito esplendor de esperança e uma vida vitoriosa.

O arrependimento traz felicidade

Muitas vezes pensamos que o arrependimento é algo miserável e deprimente. Mas o plano de Deus é o plano de felicidade, não o plano de miséria. O arrependimento é edificante e enobrecedor. O pecado é que traz infelicidade.2 O arrependimento é a nossa saída! O élder D. Todd Christofferson explicou: “Sem arrependimento, não há progresso verdadeiro e a vida das pessoas não melhora. (…) Somente pelo arrependimento é que temos acesso à graça expiatória de Jesus Cristo e à salvação. O arrependimento (…) nos indica liberdade, confiança e paz”.3 Minha mensagem a todos — especialmente aos jovens — é que o arrependimento é sempre positivo.

Quando falamos de arrependimento, não estamos apenas falando de nossos esforços para nos aperfeiçoarmos. O verdadeiro arrependimento é mais do que isso — é inspirado pela fé no Senhor Jesus Cristo e em Seu poder para perdoar nossos pecados. O élder Dale G. Renlund nos ensinou: “Sem o Redentor, (…) o arrependimento se torna uma mera mudança medíocre de comportamento”.4 Podemos tentar mudar nosso comportamento sozinhos, mas somente o Salvador pode remover nossas manchas e carregar nossos fardos, permitindo-nos seguir o caminho da obediência com confiança e força. A alegria do arrependimento é mais do que a alegria de viver uma vida decente. É a alegria do perdão, de sermos limpos de novo e de nos aproximarmos mais de Deus. Quando sentirem essa alegria, não se contentarão com menos.

O verdadeiro arrependimento nos inspira a fazer da obediência um compromisso — um convênio, tendo início no batismo e sendo renovado a cada semana na ceia do Senhor, o sacramento. Nesse momento, recebemos a promessa de que podemos “ter sempre [conosco] o seu Espírito”,5 com toda a alegria e paz que advêm de Sua companhia constante. Esse é o fruto do arrependimento, aquilo que o torna animador!

O arrependimento exige persistência

Gosto muito da parábola do filho pródigo.6 Há algo muito significativo no momento decisivo em que o filho pródigo “caiu em si”. Sentado em um chiqueiro, desejando poder “saciar o seu estômago com as bolotas que os porcos comiam”, ele finalmente percebeu que havia desperdiçado não apenas a herança que tinha recebido do pai, mas a própria vida. Acreditando que o pai poderia aceitá-lo de volta — se não como filho, pelo menos como servo —, ele decidiu deixar sua rebeldia de lado e ir para casa.

Sempre fico pensando na longa caminhada do filho de volta para casa. Será que houve momentos em que ele hesitou e pensou: “Como meu pai vai me receber?” Talvez ele até tenha dado uns passos de volta em direção aos porcos. Imaginem como a história seria diferente se ele tivesse desistido. Mas a fé o fez continuar, assim como fez seu pai esperar pacientemente, até que finalmente:

“Quando ainda estava longe, viu-o seu pai, e se moveu de íntima compaixão, e correndo, lançou-se-lhe ao pescoço e o beijou.

E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho.

Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor túnica, e vesti-o com ela, e ponde-lhe um anel na mão, e sandálias nos pés; (…)

Porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado”.

O arrependimento é para todos

Irmãos e irmãs, todos somos como o filho pródigo. Cada um de nós tem que “cair em si” — geralmente mais de uma vez — e escolher o caminho que nos leva para casa. É uma decisão que tomamos diariamente em nossa vida.

Com frequência associamos o arrependimento a pecados graves que exigem “uma grande mudança”.7 Mas o arrependimento é para todos — para aqueles que se desviaram por “caminhos proibidos e perderam-se”8 e para aqueles que “[entraram no] caminho estreito e apertado” e agora precisam “prosseguir com firmeza”.9 O arrependimento nos coloca e nos mantém no caminho certo. Ele é para aqueles que estão começando a acreditar, para aqueles que acreditaram a vida toda e para aqueles que precisam começar a acreditar novamente. O élder David A. Bednar ensinou: “A maioria de nós compreende claramente que a Expiação é para os pecadores. Não tenho certeza, porém, se sabemos e compreendemos que a Expiação também é para os santos — para os homens e mulheres bons que são obedientes, dignos e (…) que se esforçam para tornarem-se melhores”.10

Visitei recentemente um centro de treinamento missionário quando um grupo de missionários novos havia acabado de chegar. Fiquei profundamente tocado ao olhar para eles e observar a luz em seus olhos. Eles pareciam tão felizes e entusiasmados. Então me ocorreu um pensamento: “Eles exerceram fé para o arrependimento. É por isso que estão cheios de alegria e esperança”.

Não acho que todos tenham cometido transgressões graves no passado, mas creio que eles sabiam como se arrepender; sabiam que o arrependimento é positivo e estavam ansiosos para compartilhar isso com as pessoas.

Isso é o que acontece quando sentimos a alegria do arrependimento. Pensem no exemplo de Enos. Ele teve uma experiência em que “caiu em si” e, depois que sua “culpa foi apagada”, seu coração se voltou para o bem-estar das outras pessoas. Enos passou o restante de sua vida convidando todas as pessoas a se arrependerem, e “nisso [se regozijou] mais do que nas coisas do mundo”.11 O arrependimento faz isso, ele volta nosso coração para nosso próximo porque sabemos que a alegria que sentimos é para todos.

O arrependimento é uma busca contínua

Tenho um amigo que cresceu em uma família SUD menos ativa. Quando era jovem adulto, ele também “caiu em si” e decidiu se preparar para a missão.

Ele foi um excelente missionário. No dia antes de voltar para casa, o presidente da missão o entrevistou e pediu que prestasse seu testemunho. Ele o fez e, depois de se abraçarem, o presidente disse: “Élder, dentro de alguns meses, você pode esquecer ou negar tudo o que acabou de testificar se não continuar a fazer as coisas que edificaram esse testemunho”.

Meu amigo me contou que tem orado e lido as escrituras diariamente desde que retornou da missão. Ser constantemente “[nutrido] pela boa palavra de Deus” o tem mantido “no caminho certo”.12

Vocês que estão se preparando para uma missão de tempo integral ou que estão retornando, anotem! Não basta obter um testemunho, é preciso mantê-lo e fortalecê-lo. Todas as pessoas sabem que, se você parar de pedalar uma bicicleta, ela vai cair e, se você parar de nutrir seu testemunho, ele vai enfraquecer. O mesmo princípio se aplica ao arrependimento — é uma busca contínua, e não uma experiência única.

Para todos os que buscam o perdão — jovens, jovens adultos, pais, avós, e, sim, até bisavós —, eu os convido a voltar para casa. Agora é o momento de iniciar. “Não procrastineis o dia do vosso arrependimento.”13

Então, depois que vocês tomarem a decisão, sigam em frente. Nosso Pai está aguardando ansiosamente para os receber. Seus braços estão estendidos para vocês “o dia inteiro”.14 A recompensa vale o esforço.

Lembrem-se das palavras de Néfi: “Deveis, pois, prosseguir com firmeza em Cristo, tendo um perfeito esplendor de esperança e amor a Deus e a todos os homens. Portanto, se assim prosseguirdes, banqueteando-vos com a palavra de Cristo, e perseverardes até o fim, eis que assim diz o Pai: Tereis vida eterna”.15

Algumas vezes a jornada vai parecer longa — afinal é a jornada para a vida eterna. Mas pode ser uma jornada feliz se seguirmos com fé em Jesus Cristo e esperança em Sua Expiação. Testifico que, no momento em que começamos o processo do arrependimento, convidamos o poder redentor do Salvador para nossa vida. Esse poder vai nos ajudar a ficar firmes, expandir nossa visão e aprofundar nossa determinação de continuar, passo a passo, até aquele dia glorioso em que finalmente retornaremos a nosso lar celestial e ouviremos nosso Pai Celestial dizer: “Bem está”.16 Em nome de Jesus Cristo. Amém.