História da Igreja
Tornar-se como Deus


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Tornar-se como Deus

Visão geral

Uma das crenças mais comuns entre as religiões ocidentais e orientais é a de Deus como pai e dos seres humanos como filhos de Deus. Bilhões de pessoas oram a Deus como seu pai, pregam a irmandade de todas as pessoas para promover a paz e estender a mão aos cansados e sobrecarregados com a profunda convicção de que cada filho de Deus tem grande valor.

Mas as pessoas de diferentes religiões compreendem o parentesco entre Deus e os homens de maneiras significativamente diferentes. Algumas compreendem a frase “filho de Deus” como um título honorário reservado somente a quem acredita em Deus e aceita Sua orientação como aceitariam a de um pai. Muitas veem a descrição do relacionamento paternal de Deus com a humanidade como uma metáfora para expressar Seu amor por Suas criações e a dependência deles de Seu sustento e Sua proteção.

Os santos dos últimos dias veem todas as pessoas como filhos e filhas de Deus em um sentido pleno e completo; consideram que cada pessoa é divina em origem, natureza e potencial. Cada um de nós tem origem eterna e “é um filho (ou filha) gerado em espírito por pais celestiais que o amam”.1 Cada um possui as sementes da divindade e precisa escolher se vai viver em harmonia ou se rebelar contra essa divindade. Por meio da Expiação de Jesus Cristo, todas as pessoas podem “[progredir] rumo à perfeição, terminando por alcançar seu destino divino como herdeiros da vida eterna”.2 Assim como uma criança pode desenvolver os atributos de seus pais, ao longo do tempo, a natureza divina que as pessoas herdam pode ser desenvolvida para torná-las como seu Pai Celestial.

O desejo de nutrir a divindade de Seus filhos é um dos atributos de Deus que mais inspira, motiva e torna humildes os membros da Igreja. A paternidade e a orientação amorosas de Deus podem ajudar cada filho de Deus, disposto e obediente, a receber de Sua plenitude e glória. Esse conhecimento transforma a maneira como os santos dos últimos dias veem seus semelhantes. O ensinamento de que homens e mulheres têm o potencial de ser exaltados a um estado de divindade claramente ultrapassa o que é compreendido pela maioria das igrejas cristãs contemporâneas e expressa aos santos dos últimos dias um anseio enraizado na Bíblia de viver como Deus vive, de amar como Ele ama, e se preparar para tudo o que nosso amoroso Pai Celestial deseja para Seus filhos.

O que a Bíblia diz sobre o potencial divino dos homens?

Várias passagens bíblicas sugerem que os homens podem se tornar semelhantes a Deus. A semelhança dos seres humanos com Deus é enfatizada no primeiro capítulo de Gênesis: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. (…) E criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, macho e fêmea os criou.3 Depois que Adão e Eva comeram do fruto da “árvore do conhecimento do bem e do mal”, Deus disse que eles haviam se tornado “como um de nós”4, sugerindo que o processo de aproximação da divindade já havia começado. Mais tarde, no Velho Testamento, uma passagem no livro de Salmos declara: “Eu disse: Vós sois deuses; e todos vós sois filhos do Altíssimo”.5

Passagens do novo testamento também mencionam essa doutrina. Quando Jesus foi acusado de blasfemar, disseram: “Sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo”, ao que Ele respondeu citando Salmos: “Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses?”6 No Sermão da Montanha, o Salvador disse a Seus discípulos: “Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus”.7 Por sua vez, o apóstolo Pedro se referiu às “grandíssimas e preciosas promessas” feitas pelo Salvador e que podem nos tornar “participantes da natureza divina”.8 O apóstolo Paulo ensinou que nós somos “geração de Deus” e ressaltou que como tal “nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo”.9 O livro de Apocalipse contém uma promessa feita por Jesus Cristo que diz: “Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono, assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono”.10

Essas passagens podem ser interpretadas de maneiras diferentes. Ainda vendo através da lente esclarecedora das revelações recebidas por Joseph Smith, os santos dos últimos dias consideram essas escrituras expressões diretas sobre a natureza e o potencial divinos da humanidade. Muitos outros cristãos leem as mesmas passagens muito mais metaforicamente porque vivenciam a Bíblia através da lente de interpretações doutrinárias que se desenvolveram ao longo do tempo após o período descrito no Novo Testamento.

Como as ideias sobre a divindade mudaram ao longo da história cristã?

As crenças dos santos dos últimos dias teriam soado mais familiares às primeiras gerações de cristãos do que para muitos cristãos modernos. Muitos eruditos cristãos (influentes teólogos e professores no cristianismo antigo) falaram e aprovaram a ideia de que os seres humanos podem se tornar divinos. Um estudioso moderno se refere a “onipresença da doutrina da deificação” — o ensinamento de que os seres humanos podem se tornar deuses — nos primeiros séculos depois da morte de Cristo.11 O teólogo da igreja, Irineu, que faleceu por volta de 202 d.C., afirmou que Jesus Cristo “por meio de Seu transcendente amor, tornou-Se o que nós somos, para que possamos nos tornar o que Ele Próprio é”.12 Clemente de Alexandria (aproximadamente 150–215 d.C.) escreveu que “o verbo de Deus se tornou homem, para que pudesse aprender com o homem como o homem pode se tornar Deus”.13 Basílio, o Grande (330–379 d.C.) também comemorou a possibilidade — não apenas de “se tornar como Deus”, mas “acima de tudo, de se tornar Deus”.14

O que exatamente os primeiros teólogos da igreja queriam dizer quando falavam de se tornar Deus está aberto à interpretação15, mas é claro que as referências à deificação foram mais contestadas no final do período romano e pouco frequentes na era medieval. A primeira objeção conhecida de um teólogo ao ensino da deificação apareceu no século 5.16 Por volta do século 6, os ensinamentos sobre “se tornar Deus” aparecem com uma visão mais limitada, conforme a definição de Pseudo-Dionísio, o Areopagita (aproximadamente 500 d.C.): “A deificação (…) consiste em alcançar a semelhança com Deus e a união com Ele o tanto quanto possível”.17

Por que essas crenças perderam a proeminência? Alterar o ponto de vista sobre a criação do mundo pode ter contribuído para a mudança gradual em direção a pontos de vista mais limitados do potencial humano. Os primeiros comentários dos antigos judeus e cristãos sobre a Criação dizem que Deus organizou o mundo sem materiais pré-existentes, e ressaltam a bondade de Deus em formar uma ordem de sustentação da vida.18 Mas, a apresentação de novas ideias filosóficas no século 2, levou ao desenvolvimento da doutrina de que Deus criou o universo ex nihilo — “a partir do nada”. No final, essa ideia acabou se tornando o ensinamento dominante a respeito da Criação no mundo cristão.19 Para enfatizar o poder de Deus, muitos teólogos chegaram à conclusão de que nada poderia ter existido tanto quanto Deus. Tornou-se importante em círculos cristãos afirmar que Deus estava completamente sozinho originalmente.

A criação “ex nihilo” ampliou o abismo percebido entre Deus e os homens. Tornou-se menos comum ensinar que as almas humanas existiram antes do mundo ou que elas poderiam herdar e desenvolver os atributos de Deus em sua totalidade no futuro.20 Gradualmente, conforme a imoralidade da humanidade e a imensa distância entre o Criador e a criatura aumentavam cada vez mais, o conceito da deificação desapareceu do cristianismo ocidental21, apesar de continuar a ser uma doutrina essencial na ortodoxia oriental, um dos três maiores segmentos do cristianismo.22

Como as ideias sobre a deificação foram apresentadas aos santos dos últimos dias?

Os primeiros santos dos últimos dias vieram de uma sociedade dominada pelos protestantes ingleses, a maioria dos quais aceitavam tanto a criação ex nihilo quanto a definição de Deus conforme a Confissão de Fé de Westminster que dizia que Deus era “sem corpo, partes ou paixões”.23 Eles provavelmente sabiam pouco ou nada sobre as crenças cristãs dos primeiros séculos depois do ministério de Jesus Cristo ou a respeito dos primeiros escritos sobre a deificação. Mas, revelações recebidas por Joseph Smith divergiam das ideias dominantes da época e ele ensinou a doutrina que, para alguns, reiniciou os debates sobre a natureza de Deus, a criação e a humanidade.

As primeiras revelações de Joseph Smith ensinaram que os seres humanos foram criados à imagem de Deus e que Ele cuida individualmente de Seus filhos. No Livro de Mórmon, um profeta “viu o dedo do Senhor” e ficou surpreso ao saber que a forma física humana foi realmente feita à imagem de Deus.24 Em outra revelação anterior, na Bíblia, Enoque (que “andou com Deus”25) testemunhou Deus chorar por Suas criações. Quando Enoque perguntou: “ Como é que podes chorar?”, ele aprendeu que a compaixão de Deus pelo sofrimento da raça humana é parte essencial de Seu amor.26 Joseph Smith também aprendeu que Deus deseja que Seus filhos recebam o mesmo tipo de existência exaltada que Ele tem. Conforme Deus declarou: “Esta é minha obra e minha glória: Levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem”.27

Em 1832, Joseph Smith e Sidney Rigdon tiveram uma visão da vida após a morte. Na visão, eles aprenderam que tanto os justos quanto os injustos receberiam a imortalidade por meio da ressurreição universal, mas somente aqueles “que [vencessem] pela fé e [fossem selados] pelo Santo Espírito da promessa” receberiam a plenitude da glória de Deus e seriam “deuses, sim, os filhos de Deus”.28 Outra revelação logo confirmou que “os santos encher-se-ão com sua glória e receberão sua herança e serão igualados a ele”.29 Os santos dos últimos dias usam o termo exaltação para descrever a gloriosa recompensa de receber a herança completa como filhos do Pai Celestial; exaltação disponível por meio da Expiação de Cristo, pela obediência às leis e ordenanças do evangelho.30

Essa visão impressionante do futuro potencial de cada ser humano foi acompanhada por ensinamentos revelados no passado da humanidade. Joseph Smith, ao continuar a receber revelações, aprendeu que a luz ou inteligência no cerne de cada alma humana “não foi criada nem feita nem verdadeiramente pode sê-lo.” Deus é o pai de cada espírito humano e porque somente “espírito e elemento, inseparavelmente ligados, recebem a plenitude da alegria”, Ele apresentou um plano para os seres humanos receberem um corpo físico e progredirem por meio de sua experiência mortal em direção à plenitude da alegria. O nascimento na Terra não é o início da vida das pessoas: “O homem também estava no princípio com Deus”.31 Da mesma forma, Joseph Smith ensinou que o mundo material tem raízes eternas, repudiando plenamente o conceito da criação “ex nihilo”. “Terra, água, etc. — tudo existia em um estado fundamental na eternidade”, disse ele em um sermão de 1839.32 Deus organizou o universo por meio de elementos existentes.

Joseph Smith continuou a receber revelação sobre os temas da natureza divina e a exaltação durante os últimos dois anos de sua vida. Em uma revelação registrada em julho de 1843, que relacionou a exaltação com o casamento eterno, o Senhor declarou que aqueles que guardam os convênios, inclusive o convênio do casamento eterno, herdarão “todas as alturas e profundidades”. “Então”, diz a revelação, “serão deuses, pois não terão fim”. Eles receberão “uma continuação das sementes para todo o sempre”.33

No mês de abril seguinte, sentindo que “nunca esteve em um relacionamento tão próximo com Deus quanto no momento atual”,34 Joseph Smith falou aos santos dos últimos dias, que haviam se reunido para uma conferência geral da Igreja, sobre a natureza de Deus e o futuro da humanidade. Ele aproveitou a ocasião em parte para refletir sobre a morte de um membro da Igreja chamado King Follett, que morrera inesperadamente um mês antes. Quando se levantou para falar, o vento estava soprando, então Joseph pediu a seus ouvintes para dar-lhe “atenção profunda” e “orar para que o [Senhor] pudesse fortalecer [seus] pulmões” e deter os ventos até que sua mensagem tivesse sido dada.35

“Que tipo de ser é Deus?”, perguntou ele. Os seres humanos precisam saber, ele argumentou, porque “Se o homem não compreende o caráter de Deus, não compreende a si mesmo”.36 Nessa frase, o profeta destruiu o abismo que séculos de confusão criaram entre Deus e a humanidade. A natureza humana estava em sua essência divina. Deus “já fora como um de nós” e “todos os espíritos que Deus enviou ao mundo”, da mesma forma eram “capazes de progredir”. Joseph Smith pregou que muito antes da criação do mundo, Deus encontrou “a si mesmo no meio” desses seres e “achou apropriado instituir leis pelas quais pudessem ter o privilégio de progredir como Ele próprio”37 e serem “exaltados” com Ele.38

Joseph disse aos santos que estavam reunidos: “Vocês precisam aprender a ser um deus por si mesmos”.39 Para isso, os santos precisavam aprender piedade, ou ser mais semelhantes a Deus. O processo seria contínuo e exigiria paciência, fé, arrependimento contínuo, obediência aos mandamentos do evangelho e confiança em Cristo. Como subir uma escada, as pessoas precisavam aprender o[s] “primeiro[s] princípio[s] do evangelho” e continuar além dos limites de conhecimento mortal até que pudessem “aprender o[s] último[s] princípio[s] do evangelho” quando chegasse a hora.40 “Não é só compreendermos neste mundo”, disse Joseph.40 “Levará muito tempo depois da morte para compreender tudo.”42

Aquela foi a última vez que o profeta falou em uma conferência geral. Três meses mais tarde, uma turba invadiu a Cadeia de Carthage e martirizou a ele e seu irmão Hyrum.

O que tem sido ensinado na Igreja sobre a natureza divina desde Joseph Smith?

Desde aquele sermão, conhecido como o discurso King Follett, tem sido ensinada a doutrina dentro da Igreja de que os seres humanos podem progredir até a exaltação e a divindade. Lorenzo Snow, quinto presidente da Igreja, elaborou um ditado bem conhecido: “Como o homem é hoje, Deus já foi. Como Deus é, o homem poderá ser”.43 Pouco foi revelado sobre a primeira metade deste ditado, e consequentemente pouco é ensinado. Quando lhe perguntaram sobre esse assunto, o presidente da Igreja Gordon B. Hinckley disse a um repórter em 1997, “que é uma questão teológica bem profunda sobre a qual não sabemos muito”. Quando lhe perguntaram sobre a crença no potencial divino dos seres humanos, o presidente Hinckley respondeu: “Bem, como Deus é, o homem pode se tornar. Acreditamos no progresso eterno. Muito firmemente”.44

Eliza R. Snow, líder da Igreja e poetisa, regozijava-se com a doutrina de que somos, de forma plena e absoluta, filhos de Deus. “Pelo Espírito Celeste, Chamar-Te Pai eu aprendi”, ela escreveu, “E a doce luz do evangelho Deu-me vida, paz em ti”. Os santos dos últimos dias também foram movidos pelo conhecimento de que sua filiação divina inclui uma Mãe Celestial, bem como um Pai Celestial. Eliza R. Snow, perguntou: “Há somente um Pai Celeste?”, e respondeu com um retumbante “Não, pois temos mãe também / Essa verdade tão sublime / Nós recebemos do além”.45 Esse conhecimento tem um papel importante na crença dos santos dos últimos dias. O élder Dallin H. Oaks, do Quórum dos Doze Apóstolos, escreveu: “Nossa teologia começa com pais celestiais, e nossa mais alta aspiração é a de alcançar a plenitude da exaltação eterna”.46

A natureza divina e o potencial para a exaltação da humanidade têm sido ensinados repetidas vezes nos discursos da conferência geral, nas revistas e em outros materiais da Igreja. A “Natureza divina” é um dos oito valores fundamentais no programa das Moças da Igreja. Ensinamentos sobre a filiação divina dos seres humanos, sua natureza e seus recursos potenciais são destacados em “A Família: Proclamação ao Mundo”. A natureza divina e a exaltação são ensinamentos essenciais e amados na Igreja.

A crença na exaltação torna os santos dos últimos dias politeístas?

Para alguns observadores, a doutrina de que os homens devem se esforçar para alcançar a divindade pode nos fazer lembrar de templos romanos que lembravam as disputas entre os deuses. Essas imagens não são compatíveis com a doutrina dos santos dos últimos dias. Os santos dos últimos dias acreditam que os filhos de Deus vão sempre adorá-Lo. Nosso progresso nunca mudará Sua identidade como nosso Pai e nosso Deus. Na verdade, nosso relacionamento eterno e exaltado com Ele será parte da “plenitude da alegria” que Ele deseja para nós.

Os santos dos últimos dias também acreditam firmemente na unidade fundamental do divino. Eles acreditam que Deus, o Pai, Jesus Cristo, o Filho, e o Espírito Santo, seres embora distintos, são unidos em propósito e doutrina.47 É por esse prisma que santos dos últimos dias compreendem a oração de Jesus por Seus discípulos através dos tempos: “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós”.48

Se os homens não viverem em harmonia com a bondade de Deus, eles não poderão progredir até a glória de Deus. Joseph Smith ensinou que “os poderes do céu não podem ser controlados nem exercidos a não ser de acordo com os princípios da retidão”. Quando os homens abandonam os propósitos e os padrões altruístas de Deus, “os céus se afastam [e] o Espírito do Senhor se magoa”.49 O orgulho é incompatível com o progresso; desunião é impossível entre seres exaltados.

Como os santos dos últimos dias imaginam a exaltação?

Uma vez que as concepções humanas da realidade são necessariamente limitadas na mortalidade, as religiões têm dificuldade para expressar adequadamente as visões (concepção e entendimento) sobre a glória eterna. Como ensinou o apóstolo Paulo: “As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam”.50 Essas limitações ajudam para que imagens de salvação pareçam um desenho animado quando representadas na cultura popular. Por exemplo, expressões nas escrituras sobre profunda paz e imensa alegria de salvação são frequentemente reproduzidas na imagem bem conhecida de pessoas sentadas em suas próprias nuvens e tocando harpas após a morte. A doutrina dos santos dos últimos dias sobre a exaltação é muitas vezes simplificada da mesma forma na mídia, sendo representada por uma imagem de desenho animado com pessoas recebendo seus próprios planetas.

Uma nuvem e uma harpa representam mal uma imagem reconfortante de eterna alegria, embora a maioria dos cristãos concordasse que a música inspiradora poderia ser um pequeno vislumbre da alegria da salvação eterna. Da mesma forma, embora alguns santos dos últimos dias se identifiquem com caricaturas de ter seu próprio planeta, a maioria concordaria que a reverência inspirada pela criação denota nosso potencial criativo na eternidade.

Os santos dos últimos dias tendem a imaginar a exaltação por meio da visão do sagrado na vida mortal. Eles veem as sementes da divindade na alegria de cuidar dos filhos e nutri-los no intenso amor que sentem por eles, no impulso de estender a mão por meio do serviço de solidariedade aos outros, nos momentos em que são pegos de surpresa pela beleza e ordem do universo, com o firme sentimento de fazer e guardar convênios divinos. Os membros da Igreja imaginam a exaltação não por meio de imagens do que eles vão obter e sim por meio dos relacionamentos que têm agora, e como esses relacionamentos podem ser purificados e elevados. E conforme as escrituras ensinam: “E (…) a mesma sociabilidade que existe entre nós, aqui, existirá entre nós lá, só que será acompanhada de glória eterna, glória essa que não experimentamos agora”.51

Quão importantes são os ensinamentos sobre exaltação para as demais crenças SUD?

O ensinamento de que os homens têm uma natureza e futuro divinos define como os santos dos últimos dias visualizam a doutrina fundamental. Talvez, mais importante de tudo, a crença na natureza divina nos ajuda a valorizar mais profundamente a Expiação de Jesus Cristo. Enquanto muitos teólogos cristãos expressaram a magnitude da Expiação do Salvador enfatizando a depravação humana, os santos dos últimos dias compreendem a magnitude da Expiação de Cristo em termos de tornar possível o imenso potencial humano. A Expiação de Cristo não apenas proporciona o perdão dos pecados e a vitória sobre a morte. Ela também redime relacionamentos imperfeitos, cura feridas espirituais que impedem o crescimento e fortalece e permite que as pessoas desenvolvam os atributos de Cristo.52 Os santos dos últimos dias acreditam que é somente por meio da Expiação de Jesus Cristo que podemos ter a esperança segura de glória eterna e que o poder de Sua Expiação é completamente acessado somente pela fé em Jesus Cristo, pelo arrependimento, batismo, recebimento do dom do Espírito Santo e ao perseverar até o fim, ao seguir as instruções e o exemplo de Cristo.53 Assim, aqueles que se tornam semelhantes a Deus e entram na plenitude de Sua glória são descritos como pessoas que já “foram aperfeiçoadas por meio de Jesus, o mediador do novo convênio, que efetuou esta Expiação perfeita pelo derramamento de Seu próprio sangue”.54

A consciência do potencial divino dos seres humanos também influencia a compreensão dos santos dos últimos dias sobre princípios do evangelho como a importância dos mandamentos divinos, o papel dos templos e a santidade do arbítrio moral individual. A crença de que os seres humanos são na verdade filhos de Deus também muda as atitudes e o comportamento dos santos dos últimos dias. Por exemplo, mesmo em uma sociedade onde o sexo casual e antes do casamento são considerados aceitáveis, os santos dos últimos dias conservam uma profunda reverência pelos poderes de procriação e união da intimidade sexual concedidos por Deus e permanecem fiéis a um padrão mais elevado na utilização desses poderes sagrados. Estudos sugerem que os santos dos últimos dias dão uma prioridade excepcionalmente alta ao casamento e à paternidade55, em parte devido a uma forte crença em pais celestiais e no compromisso de se esforçar por essa divindade.

Conclusão

Todos os seres humanos são filhos de pais celestiais amorosos e possuem sementes de divindade dentro de si. Em Seu infinito amor, Deus convida Seus filhos a cultivar seu potencial eterno pela graça de Deus, por meio da Expiação do Senhor Jesus Cristo.56 A doutrina do potencial eterno de os homens se tornarem como o Pai Celestial é o ponto central do evangelho de Jesus Cristo e inspira amor, esperança e gratidão no coração dos santos dos últimos dias fiéis.

A Igreja reconhece a contribuição de estudiosos para o conteúdo apresentado neste artigo; seu trabalho é usado com permissão.

Publicado originalmente em fevereiro de 2014.

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Recursos de estudo das escrituras

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Profetas e apóstolos

Outros líderes da Igreja

Ensinamentos dos Presidentes da Igreja

Recursos de aprendizagem

Recursos gerais

“Lorenzo Snow, 4 de abril de 1866: Sermon on Our Divine Potential”, História da Igreja

Revistas da Igreja

“Comparing LDS Beliefs with First-Century Christianity”, Ensign, março de 1988

Manuais de estudo

  1. A Família: Proclamação ao Mundo”, A Liahona, maio de 2017, última contracapa.

  2. A Família: Proclamação ao Mundo”, última contracapa.

  3. Gênesis 1:26–27.

  4. Gênesis 2:17; Abraão 3:22.

  5. Salmos 82:6.

  6. João 10:33–34.

  7. Mateus 5:48. A palavra perfeito em Mateus 5:48 também pode ser traduzida como inteiro ou completo, sugerindo um objetivo distante e um esforço contínuo e conjunto (ver Russell M. Nelson, “Perfeição incompleta”, A Liahona, janeiro de 1996, p. 95).

  8. 2 Pedro 1:4.

  9. Atos 17:29; Romanos 8:16–17.

  10. Apocalipse 3:21.

  11. Norman Russell, The Doctrine of Deification in the Greek Patristic Tradition, 2004, p. 6.

  12. Irenaeus, “Against Heresies”, em Alexander Roberts e James Donaldson, eds., The Ante-Nicene Fathers: Translations of the Writings of the Father Down to A.D. 325, 1977, vol. 1, p. 526.

  13. Clement, “Exhortation to the Heathen,” in Roberts and Donaldson, Ante-Nicene Fathers. vol. 2, p. 174.

  14. Saint Basil the Great, “On the Spirit”, em Philip Schaff e Henry Wace, eds., A Select Library of Nicene and Post-Nicene Fathers of the Christian Church, 2ª série 1994, vol. 8, p. 16.

  15. Há provavelmente diferenças importantes, bem como semelhanças entre o modo de pensar dos teólogos da cristandade e os ensinamentos dos santos dos últimos dias. Para um discurso sobre as semelhanças e diferenças entre a exaltação como é compreendida pelos santos dos últimos dias e a moderna ortodoxia oriental como compreendida pelos teólogos na deificação, ver Jordan Vajda, “Partakers of the Divine Nature: A Comparative Analysis of Patristic and Mormon Doctrines of Divinization,” Occasional Papers Series, nº 3, 2002, disponível em maxwellinstitute.byu.edu.

  16. Ver Vladimir Kharlamov, “Rhetorical Application of Theosis in Greek Patristic Theology”, em Michael J. Christensen e Jeffrey A. Wittung, eds., Partakers of the Divine Nature: The History and Development of Deification in the Christian Traditions, 2008, p. 115

  17. Citado em Russell, Doctrine of Deification, p. 1; grifo do autor.

  18. Como o pai da igreja no século 2, Justin Martyr disse: “Foi-nos ensinado que Ele no início de Sua bondade, por causa do homem, criou todas as coisas a partir de matéria inorganizada” (The First Apology of Justin, em Roberts e Donaldson, Ante-Nicene Fathers, vol 1, p. 165; ver também Frances Young, ‘Creatio Ex Nihilo’: A Context for the Emergence of the Christian Doctrine of Creation” Scottish Journal of Theology 44, nº 1, 1991, pp. 139–151; Markus Bockmuehl, “Creation Ex Nihilo in Palestinian Judaism ans Early Christianity”, Scottish Journal of Theology 66, nº 3, 2012: pp. 253–270)

  19. Para informações sobre o contexto do século 2 que deu à luz a criação ex nihilo, ver Gerhard May, Creatio Ex Nihilo: The Doctrine of ‘Creation out of Nothing’ in Early Christian Thought, 2004.

  20. Ver Terryl L. Givens, When Souls Had Wings: Pre-Mortal Existence in Western Thought, 2010.

  21. Um ressurgimento menor da doutrina da deificação dentro do cristianismo ocidental ocorreu nas mãos de um grupo de clérigos ingleses estudiosos do século 17, chamado Platonistas de Cambridge. (Ver Benjamin Whichcote, “The manifestation of Christ and the Deification of Man”, em C. A. Patrides, ed., The Cambridge Platonists, 1980, p. 70.)

  22. Em “The Place of Theosis em Orthodox Theology”, Andrew Louth descreve a ortodoxia oriental como concentrada em um “arco maior, levando da criação à deificação” e sentia que a teologia católica e protestante tinham se concentrado no parcial e “menor arco, da queda à redenção” com a exclusão do todo (Christensen e Wittung, Partakers of the Divine Nature, p. 35).

  23. Westminster Confession of Faith, capítulo 2, 1646. A Confissão de fé Westminster (Westminster Confession) foi elaborada pela Assembleia de Westminster de 1646 como padrão para a doutrina, adoração e o governo da igreja anglicana. Seu conteúdo tem orientado a adoração de uma série de igrejas protestantes desde a época em que foi escrita.

  24. Éter 3:6; ver também Doutrina e Convênios 130:22; Moisés 6:8–9. Sobre os ensinamentos de Joseph Smith a respeito da personificação de Deus, ver David L. Paulsen, “The Doctrine of Divine Embodiment: Restoration, Judeo-Christian and Philosophical Perspectives”, BYU Studies 35, nº 4, 1995–1996, pp. 13–39, disponível em byustudies.byu.edu.

  25. Gênesis 5:22.

  26. Ver Moisés 7:31–37. Sobre a importância dessa figura, ver Terryl Givens e Fiona Givens, The God Who Weeps: How Mormonism Makes Sense of Life, 2012

  27. Moisés 1:39.

  28. Doutrina e Convênios 76:53, 58.

  29. Doutrina e Convênios 88:107.

  30. Ver Dallin H. Oaks, “Não terás outros deuses”, A Liahona, novembro de 2013; Russell M. Nelson, “Salvação e exaltação”, A Liahona, maio de 2008; ver também Regras de Fé 1:3.

  31. Doutrina e Convênios 93:29, 33.

  32. Joseph Smith, comentários, entregues antes do dia 8 de agosto de 1839, em Andrew F. Ehat e Lyndon W. Cook, eds., The Words of Joseph Smith: The Contemporary Accounts of the Nauvoo Discourses of the Prophet Joseph, 1980, p. 9; também disponível em josephsmithpapers.org.

  33. Doutrina e Convênios 132:19–20.

  34. Diário de Wilford Woodruff, 6 de abril de 1844, Biblioteca de História da Igreja, Salt Lake City.

  35. Discurso, 7 de abril de 1844, conforme relatado por William Clayton, disponível em josephsmithpapers.org. Embora o discurso King Follett represente o debate mais detalhado que se conhece de Joseph Smith sobre a natureza divina e a exaltação, é importante notar que por causa do vento no dia em que foi entregue o sermão e as limitações das técnicas de transcrição, ficamos sem ter certeza sobre a fala exata ou completa de Joseph Smith durante o sermão. Relatos parciais de quatro testemunhas e registros iniciais publicados nos dão um registro, ainda que imperfeito, do que Joseph Smith ensinou naquela ocasião, e o que ensinou nos ensina algo sobre o significado de várias passagens das escrituras. Mas o texto do sermão remanescente não é canonizado e não deve ser tratado como um padrão doutrinário por si só. Para os relatos de Willard Richards, William Clayton, Thomas Bullock, Wilford Woodruff e a revista Times and Seasons de 15 de agosto de 1844, ver “Accounts of the ‘King Follett Sermon’”, no site Joseph Smith Papers.

  36. Discurso, 7 de abril de 1844, conforme relatado por Willard Richards, disponível em josephsmithpapers.org, ortografia modernizada.

  37. Discurso, 7 de abril de 1844, conforme relatado por William Clayton, disponível em josephsmithpapers.org.

  38. Discurso, 7 de abril de 1844, conforme relatado por Wilford Woodruff, disponível em josephsmithpapers.org, ortografia modernizada.

  39. Discurso, 7 de abril de 1844, conforme relatado por William Clayton, disponível em josephsmithpapers.org.

  40. Discurso, 7 de abril de 1844, conforme relatado por Thomas Bullock, disponível em josephsmithpapers.org.

  41. Discurso, 7 de abril de 1844, conforme relatado por William Clayton, disponível em josephsmithpapers.org.

  42. Discurso, 7 de abril de 1844, conforme relatado por Wilford Woodruff, disponível em josephsmithpapers.org.

  43. Eliza R. Snow Smith, Biography and Family Record of Lorenzo Snow, 1884, p. 46. Os relatos, que nunca foram canonizados, foram formulados de maneiras ligeiramente diferentes. Para outras informações, ver The Teachings of Lorenzo Snow, ed. Clyde J. Williams, 1996, pp. 1–9.

  44. Don Lattin, “Musings of the Main Mormon”, San Francisco Chronicle, 13 de abril de 1997; ver também David Van Biema, “Kingdom Come”, Time, 4 de agosto de 1997, p. 56.

  45. Publicado pela primeira vez como poema, mais tarde se tornou um hino conhecido. (Eliza R. Snow, “My Father in Heaven”, Times and Seasons, 15 de novembro de 1845, p. 1039; “Ó meu Pai”, Hinos, nº 177; ver também Jill Mulvay Derr, “The Significance of ‘O My Father in the Personal Journey of Eliza R. Snow”, BYU Studies 36, nº 1, 1996–1997, pp. 84–126, disponível no site byustudies.byu.edu.) Para a visão dos santos dos últimos dias sobre uma Mãe Celestial, ver David L. Paulsen e Martin Pulido, “‘A Mother There’: A Survey of Historical Teachings about Mother in Heaven”, BYU Studies 50, nº 1, 2011, pp. 70–97, disponível no site byustudies.byu.edu.

  46. Dallin H. Oaks, “Apostasia e restauração”, A Liahona, julho de 1995, p. 89.

  47. Ver Doutrina e Convênios 130:22.

  48. João 17:21.

  49. Doutrina e Convênios 121:36–37.

  50. 1 Coríntios 2:9.

  51. Doutrina e Convênios 130:2.

  52. Ver Alma 7:11–12.

  53. Ver 2 Néfi 31:20; Regras de Fé 1:4.

  54. Doutrina e Convênios 76:69.

  55. Ver “Mormons in America: Certain in Their Beliefs, Uncertain of Their Place in Society”, Pew Research, Religion and Public Life Project, 12 de janeiro de 2012, disponível em pewforum.org.

  56. Morôni 10:32–33; Guia para Estudo das Escrituras, “Graça”.