Se sua missão terminou mais cedo, não desista
    Notas de rodapé

    Jovens adultos

    Se sua missão terminou mais cedo, não desista

    O autor mora em Utah, EUA.

    Seu valor não é diminuído caso retorne mais cedo da missão.

    missionary returning home

    Ilustração: David Green

    Se está lendo isso, talvez já saiba como pode ser muito difícil voltar para casa antes do término da missão. Os jovens adultos na missão podem passar por problemas físicos, questões de saúde mental, emergências civis, problemas de dignidade, graves conflitos com outras pessoas ou desobediência às regras da missão, o que pode obrigá-los a deixar a missão antes da data prevista de desobrigação.

    Qualquer que seja o motivo, Deus não deseja que essa difícil experiência afete o progresso espiritual de Seus filhos. Então, como os ex-missionários que voltam mais cedo podem seguir em frente diante de uma transição tão delicada? E de que maneira os pais, os líderes da Igreja e seus entes queridos podem ajudar?

    Um missionário do Livro de Mórmon

    Uma história do livro de Alma nos dá um exemplo útil. O profeta nefita Alma partiu para uma missão entre os iníquos zoramitas, acompanhado de várias pessoas fiéis. Uma dessas pessoas, seu filho Coriânton, “[abandonou] o ministério e [foi] à terra de Siron, dentro das fronteiras dos lamanitas, atrás da meretriz Isabel” (Alma 39:3). Por causa disso, Alma reprovou duramente Coriânton e o chamou ao arrependimento, ressaltando: “Eu não insistiria em teus crimes, para atormentar-te a alma, se não fosse para o teu bem” (Alma 39:7).

    Coriânton recebeu a correção de seu pai com humildade, arrependeu-se de seus pecados e voltou a servir como missionário entre os zoramitas para “[proclamar] a palavra com verdade e circunspecção” (Alma 42:31). Em seguida, o registro indica que, depois que Alma falou a seus filhos, “os filhos de Alma [Siblon e Coriânton] andaram entre o povo para proclamar-lhes a palavra” (Alma 43:1).

    Retorno com potencial

    O que aprendemos com esse relato? Em primeiro lugar, um missionário que retorna mais cedo — mesmo por motivos evitáveis — com certeza é capaz de realizar grandes coisas. Coriânton pode ter cometido erros graves, mas, ainda assim, realizou um grande trabalho depois. Da mesma maneira, até mesmo os missionários que retornam mais cedo como resultado de suas próprias ações não devem achar que destruíram seu potencial espiritual. Coriânton aprendeu com seus erros e edificou o reino de Deus de maneiras extraordinárias, e cada pessoa tem a mesma capacidade dentro de si, por mais que ache que fracassou.

    Segundo, aprendemos o papel essencial que outras pessoas exercem na recuperação espiritual de um missionário que volta mais cedo da missão. Alma, o pai de Coriânton e seu líder no sacerdócio, aconselhou-o com vigor, mas também com confiança na capacidade dele de ainda alcançar seu potencial espiritual. Como aconteceu com Coriânton, as consequências da desobediência na missão são inevitáveis, mas qualquer ato disciplinar deve ser acompanhado pelo amor, perdão e pela misericórdia (ver Doutrina e Convênios 121:41–44).

    Retornar para curar

    A mesma mensagem de esperança para os missionários que voltam mais cedo da missão ecoa hoje. Marshall, que voltou mais cedo devido a desafios de saúde físicos e mentais, às vezes se sentia triste devido aos problemas de saúde e à inadequação pessoal que o impediram de ser um missionário de tempo integral eficiente. No entanto, sente que seu serviço certamente valeu a pena.

    “Como missionários, não somos perfeitos”, afirma Marshall. “Ainda estamos sujeitos à tentação; ainda podemos pecar. Mas são as imperfeições que Satanás provavelmente quer que ressaltemos, no sentimento de que o que oferecemos não é aceito pelo Senhor devido às ocasiões em que não demos o melhor de nós como missionários.”

    Marshall acredita que o Senhor deseja que os missionários saibam que Ele está satisfeito com o serviço que eles oferecem, mesmo quando esse serviço foi feito de modo imperfeito tanto por escolha quanto pelas circunstâncias.

    Marshall aprendeu a lidar com isso e buscar a cura fazendo tudo a seu alcance para estar próximo ao Pai Celestial e Jesus Cristo.

    Retornar para se arrepender

    Outro missionário, que serviu no Colorado, EUA, foi mandado para casa por razões disciplinares e excomungado da Igreja, mas posteriormente foi rebatizado. “A volta para casa foi difícil”, conta ele. “Senti-me perdido e vazio. Às vezes, a parte mais difícil de voltar para casa foi [encontrar] motivação para continuar indo à igreja, lendo as escrituras e orando. As coisas simples eram as mais difíceis.”

    Mas encontrei força no apoio de amigos e familiares e no esforço para me arrepender.

    “Fazer metas, reunir-me com o bispo e ir ao templo quando estava digno foram pontos essenciais para eu me sentir próximo a meu Pai Celestial”, ele acrescentou. “Lembro-me de ocasiões em que não consegui me reunir com o bispo ou realizar algumas metas; o adversário estava sempre por perto, tentando-me.”

    A recuperação foi possível porque “sempre me lembrava de que tenho um Pai Celestial que me ama e quer que eu seja feliz. Tendo um testemunho da Expiação do Salvador e do arrependimento, podemos sempre nos aproximar de Deus, por mais distantes que nos sintamos”.

    “Ao relembrar da missão”, ele continua, referindo-se aos meses em que serviu antes dos acontecimentos que o levaram a ser mandado para casa, “ainda sinto que foi uma das melhores experiências que já tive. Aprendi muito e, apesar de nem tudo ter corrido como o planejado, ainda assim consegui ver vidas serem mudadas por causa do evangelho. Cometi alguns erros, mas meu testemunho cresceu muito mais conforme lutei para me arrepender e seguir em frente”.

    Ele quer que outros missionários que voltaram da missão mais cedo para casa, devido a suas escolhas saibam que “o mundo não acabou. Voltar para casa é um primeiro passo para o arrependimento. Assim que passar pelo processo de arrependimento, terá ganhado muito. Aquele fardo pesado será tirado de seus ombros. Não há nada melhor do que sentir que está do lado certo à vista de Deus”.

    Amar aqueles que retornam mais cedo

    Esses dois missionários que voltaram mais cedo para casa enfatizam o quanto foi importante o amor e apoio recebidos da família e dos amigos.

    “Dê espaço ao missionário”, diz Marshall. “Mas assegure a ele que você está por perto, porque pode ser um pouco deprimente. Seja amigo dele.” Ao ouvir o Espírito, podemos sentir as necessidades dele e saber quando ir a seu encontro e quando respeitar sua privacidade.

    “Simplesmente ame-o”, acrescenta o missionário que serviu no Colorado. “Incentive-o sempre a se lembrar do sacrifício expiatório de Jesus Cristo.”

    A maneira como as pessoas tratam os missionários que voltam mais cedo pode ajudar a fazer a diferença entre eles se afastarem por vergonha ou seguirem em frente com fé. É essencial então que eles sejam acolhidos sem serem julgados.

    Como Coriânton, os missionários que voltam mais cedo têm o potencial de se erguer de seu estado vulnerável atual e se transformar em eficazes instrumentos nas mãos do Senhor.

    Encontrar esperança no plano de Deus

    O élder Jeffrey R. Holland, do Quórum dos Doze Apóstolos, oferece algumas palavras de consolo aos missionários que voltam mais cedo. “Quando alguém lhes perguntar se serviram missão, respondam que sim”, orientou ele. “Valorizem o serviço que prestaram. Sejam gratos pela oportunidade que tiveram de prestar testemunho, de terem servido em nome do Senhor, de terem usado sua plaqueta missionária. (…) Não fiquem desenterrando e remoendo o passado; não pensem que são inadequados ou fracassaram.”1

    Para os que voltaram mais cedo como resultado do pecado, lembrem-se destas palavras da irmã Joy D. Jones, presidente geral da Primária: “Se pecamos, somos menos [dignos], mas jamais passamos a valer menos!”2 Ela afirma que Deus vai nos ajudar a desenvolver confiança em nós mesmos em nossos momentos mais sombrios se nos voltarmos a Ele.

    A mensagem do Livro de Mórmon, dos missionários atuais que voltaram mais cedo e dos líderes da Igreja é a mesma: Nunca deixem de ter esperança porque Deus ainda tem planos para você, planos maiores do que você pode imaginar. Para os entes queridos desses missionários, a aceitação do retorno deles fará uma enorme diferença para ajudá-los a se curar e alcançar seu pleno potencial. Lembrem-se de que a Expiação de Jesus Cristo pode curar todas as feridas, inclusive a de retornar mais cedo da missão.

    Notas

    1. Jeffrey R. Holland, “Elder Holland’s Counsel for Early Returned Missionaries” (vídeo), LDS.org/media-library.

    2. Joy D. Jones, “Valorizadas além da medida”, Liahona, novembro de 2017, p. 14.