2017
Defender a Fé
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Defender a Fé

O Senhor precisa de um povo desejoso e capaz de, com humildade, mas com firmeza, defender Cristo e o reino de Deus.

Defending the Faith

Ilustrações: Getty Images

Na existência pré-mortal, tínhamos arbítrio, capacidade de analisar e inteligência. Lá fomos “chamados e preparados (…) segundo a presciência de Deus” e, no início, estávamos “na mesma posição” com nossos irmãos e nossas irmãs (Alma 13:3, 5). Oportunidades de progresso e aprendizado estavam à disposição de todos.

Entretanto, o acesso igual aos ensinamentos de um lar celestial amoroso não produziu em nós — os filhos espirituais do Pai Celestial — o mesmo desejo de ouvir, aprender e obedecer. Usando nosso arbítrio, tal como fazemos hoje, escutamos com vários graus de interesse e propósito. Alguns buscaram ansiosamente aprender e obedecer. Com a guerra nos céus se aproximando, preparamo-nos para a graduação em nosso lar pré-mortal. A verdade foi ensinada e questionada, testemunhos foram proclamados e ridicularizados, e cada espírito pré-mortal fez sua escolha de defender ou rejeitar o plano do Pai.

Sem Neutralidade

Em última análise, não havia a opção de ficar em terreno neutro nesse conflito. E também não é uma opção hoje. Os que estavam armados com a fé na futura Expiação de Jesus Cristo, nutridos pelo testemunho de Seu papel divino, que possuíam conhecimento espiritual e coragem de usá-lo na defesa de Seu sagrado nome lutaram na linha de frente dessa guerra de palavras. João ensinou que esses espíritos valentes e outros venceram Lúcifer “pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho” (Apocalipse 12:11; grifo do autor).

Sim, a promessa de um Salvador e do sangue a ser vertido no Getsêmani e no Calvário ganharam a guerra pré-mortal. Mas a coragem e o testemunho pré-mortais que possuíamos, nosso desejo de explicar, argumentar e persuadir outros espíritos também ajudaram a evitar as falsidades que os opositores espalhavam.

Por termos lutado com sucesso em Sua defesa na vida pré-mortal, tornamo-nos testemunhas de Seu santo nome. De fato, por nos ter provado em batalha e assim ter certeza de nossos sentimentos e nossa coragem, o Senhor, mais tarde, disse de nós, membros da casa de Israel: “Vós sois as minhas testemunhas” (Isaías 43:10). Perguntemo-nos agora: Essa declaração ainda é verdadeira para nós atualmente?

Nossa Batalha Atual

Uma guerra pela mente, pelo coração e pela alma dos filhos de nosso Pai ainda acontece hoje, ao aguardarmos a Segunda Vinda de Jesus Cristo. Enquanto muitas pessoas no mundo estão sinceramente curiosas com relação aos ensinamentos da Igreja, um abismo cada vez maior entre os iníquos e os justos divide o mundo, onde se observa um rápido declínio moral das verdades restauradas do evangelho. Quando santos imperfeitos, mas que se esforçam para buscar a luz, são acusados de seguir as trevas, quando a doçura de seus propósitos e suas obras é declarada amarga (ver Isaías 5:20), seria de estranhar que dedos escarnecedores fossem apontados para a Igreja restaurada do Senhor e Seus servos fiéis? (Ver 1 Néfi 8:27.)

O Presidente Thomas S. Monson ensinou: “Vivemos numa época em que estamos cercados por muitas coisas que querem induzir-nos a caminhos que podem levar-nos à destruição. É preciso determinação e coragem para evitar esses caminhos”.

Ser um membro da Igreja não comprometido ou passivo não é suficiente neste conflito dos últimos dias! O Presidente Monson continua: “Em nossa vida cotidiana, é quase inevitável que nossa fé seja questionada. (…)Será que temos coragem moral para defender firmemente nossas crenças, mesmo que para isso tenhamos de ficar sozinhos?”1

A despeito do barulho permanente oriundo do grande e espaçoso edifício (ver 1 Néfi 8:26–27), estamos determinados a andar resolutamente pela estrada menos trilhada?2 Temos o desejo e a capacidade de participar de uma conversa educada com aqueles que têm perguntas honestas? Sem entrar em contendas, somos capazes de esclarecer e defender os ensinamentos da Igreja restaurada de Jesus Cristo?

Ao aconselhar-nos a saber discordar sem ser desagradáveis, o Élder Dallin H. Oaks, do Quórum dos Doze Apóstolos, ensinou: “Mesmo ao procurarmos ser mansos (…), não devemos fazer concessões ou diminuir nosso compromisso com a verdade que compreendemos”.3

Ser Valentes

Vamos refletir cuidadosamente sobre o convite do Presidente Monson: “Depois de obter um testemunho, temos o encargo de compartilhar esse testemunho com outras pessoas. (…) Que sempre sejamos corajosos e estejamos preparados para defender nossa crença. E, se for preciso ficar sozinho nesse processo, que o façamos com coragem, fortalecidos pelo conhecimento de que, na realidade, nunca estamos sozinhos quando nos colocamos ao lado de nosso Pai Celestial”.4

O simples fato de ser membro da Igreja não transforma alguém automaticamente em uma testemunha de Cristo e de Sua Igreja restaurada. O Senhor nos ensinou a deixar nossa luz brilhar vivendo o evangelho, mas alguns fazem segredo de sua condição de membros da Igreja ao colocar sua luz embaixo do alqueire. Alguns respondem a perguntas ocasionais sobre o evangelho, mas têm receio de testificar e convidar. Outros, por sua vez, procuram oportunidades de compartilhar o evangelho e o fazem com satisfação. Quantos de nós são defensores da fé proativos e valentes?

Defending the Faith

Para manter ou reconquistar terreno na guerra de palavras atual, o Senhor necessita de um povo desejoso e capaz de, com humildade e firmeza, defender Cristo, Seus oráculos vivos, o Profeta Joseph Smith, o Livro de Mórmon e os padrões da Igreja. Ele precisa que os membros da Igreja estejam “sempre preparados para responder a qualquer que (…) pedir a razão da esperança que há [neles] com mansidão e temor” (1 Pedro 3:15). Ele precisa de uma hoste de verdadeiros santos dos últimos dias que queiram, em espírito de mansidão e amor, testificar da verdade quando qualquer aspecto do evangelho restaurado for questionado!

O Exemplo do Capitão Morôni

Se você sentir que não está à altura da responsabilidade de ser um valente defensor da verdade em nossos dias, saiba que não está sozinho. Em maior ou menor grau, a maioria de nós se sente dessa maneira. Contudo, há coisas simples que podemos fazer para obter capacidade e confiança.

No Livro de Mórmon, lemos que o capitão Morôni “estivera preparando o espírito do povo para ser fiel ao Senhor seu Deus” (Alma 48:7). Ele percebeu que a primeira linha de defesa era uma vida edificada no fundamento da obediência pessoal. Além do mais, ele “[construiu] pequenos fortes, (…) levantando parapeitos de terra (…), e também levantando muros de pedra a sua volta” (versículo 8). Não só tomou algumas precauções defensivas óbvias, mas também estrategicamente colocou mais homens em “suas fortificações mais fracas” (versículo 9). As estratégias preventivas foram tão bem-sucedidas que seus inimigos ficaram “grandemente surpresos” (Alma 49:5) e incapazes de executar seus desígnios malignos.

Você pode perguntar: “Pode alguém tão fraco como eu ser um valente defensor de Cristo e de Seu evangelho restaurado?” Sua reconhecida fraqueza pode se transformar em força se você aceitar que tudo o que o Senhor requer inicialmente é “o coração e uma mente solícita” (D&C 64:34). Investidos com um espírito corajoso, “os pequenos e simples” do mundo são Seus recrutas favoritos. Lembre-se de que, por “pequenos meios”, Ele Se deleita em “[confundir] os sábios” (ver Alma 37:6, 7). Se você tiver o desejo de compartilhar e defender o evangelho restaurado, seus líderes e suas doutrinas, pode seguir as sugestões a seguir.

Defending the Faith

1. Saber quem e o que defender. Uma estratégia defensiva sólida é a base para um ataque sólido. Apesar de não poder defender bem o que não conhece ou conhece pouco, você também não defenderá o que não considera importante. Assim como um mercenário, que é pago para cuidar do rebanho, se esconde ou foge ao primeiro sinal de problema, você não se manterá nas linhas defensivas por muito tempo a menos que tenha convicção espiritual de que sua causa é justa e verdadeira. Para ser testemunha de Cristo e defender a Ele e à Sua Igreja, você precisa saber que Ele vive e que esta é Sua Igreja restaurada!

Aqueles que conhecem e vivem o evangelho são providos de compreensão e intensa convicção geradas pela dignidade e experiência pessoal. Eles estão mais preparados para testemunhar sobre a verdade do que aqueles que deram atenção somente a aprender como receber a resposta.

2. Avaliar suas fortificações. Siga o exemplo do capitão Morôni. Avalie honestamente os pontos fortes e fracos de sua compreensão do evangelho. Você dá bom exemplo ao viver uma vida cristã? É capaz de encontrar respostas às perguntas procurando nas escrituras? Sente-se à vontade prestando testemunho? Consegue responder a perguntas relacionadas às doutrinas e aos ensinamentos da Igreja, ainda que algumas sejam mais difíceis de explicar, usando as escrituras? Está preparado para dizer: “Não sei, mas vou descobrir”, ou direcionar as pessoas para onde possam encontrar as respostas? Será que o estudo diligente não ia ajudá-lo a ganhar a confiança e a coragem que procura?5

3. Fortalecer suas fortificações. Com uma avaliação de suas “fortificações” doutrinárias em mãos, comece um estudo concentrado e de longo prazo com o objetivo de tornar as coisas fracas em coisas fortes em você (ver Éter 12:27). Responda ao apelo de Moisés: “Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta, e que o Senhor pusesse o seu espírito sobre ele!” (Números 11:29.) Continue a pedir ao Senhor, em oração, que a cada pequeno esforço diário seu Ele coloque uma porção de terra em seus muros de defesa.

Em espírito de oração, leia as escrituras constantemente. Não se contente em beber histórias conhecidas com um canudinho. Banqueteie-se com elas. Mantenha um registro de seu estudo doutrinário e continuamente acrescente algo a ele. Para cada tópico, identifique e depois memorize, em ordem lógica, algumas escrituras para apoiar seus próprios pensamentos e ensinamentos. Como o Élder Richard G. Scott (1928–2015), do Quórum dos Doze Apóstolos, ensinou: “Quando as escrituras são utilizadas da maneira que o Senhor ordenou que fossem registradas, têm um poder intrínseco que não pode ser transmitido quando elas são parafraseadas”.6

Pense na possibilidade de memorizar algumas citações dos profetas e apóstolos. O Espírito Santo geralmente só pode “[fazê-lo] (…) lembrar” o que você já colocou antes na mente (ver João 14:26). O verdadeiro conhecimento da doutrina centralizada em Cristo combinado com “a espada de [Seu] Espírito” (D&C 27:18) forma a melhor fortificação e arma de ataque que você possui.

4. Praticar! Os missionários de tempo integral da Igreja são incentivados a se prepararem para situações que podem surgir. Você pode ser chamado a defender a Igreja ou explicar a doutrina nas horas e nos lugares mais inesperados, por isso cogite seguir o exemplo dos missionários de preparar-se espiritualmente antes de conversar naturalmente (ver Moisés 3:5, 7). Pratique o que vai ensinar antes de se encontrar em circunstâncias nas quais esteja ensinando ou defendendo os padrões do evangelho. Sozinho, com familiares ou amigos, formule possíveis perguntas e depois responda a elas! Ao intensificar sua preparação, você se tornará “cada vez mais forte” em sua confiança como testemunha de Cristo (ver Helamã 3:35). Comece com respostas breves e simples. Elas serão adequadas na maioria das situações. Mas você também pode fortalecer suas defesas ainda mais ao estudar as escrituras relacionadas ao assunto em questão e conectar várias doutrinas.

Defending the Faith

5. Buscar oportunidades. Depois de se preparar, ore pedindo oportunidades de, humildemente, mas com confiança, compartilhar e, se necessário, defender o evangelho. Lembre-se: “desânimo não é falta de competência, mas ausência de coragem”.7 Ore para desenvolver amor suficiente pelos filhos do Pai Celestial tanto membros quanto não membros para compartilhar e defender os padrões do evangelho. Ore para nunca se sentir indiferente ou resignado com relação a pontos de doutrina que você não entende, mas com fé em Cristo esforce-se para compreendê-los.

Lembre-se de que até uma criança pode ser uma defensora de Cristo no parque infantil ao prestar um testemunho simples; você não precisa ser um erudito no evangelho para ser testemunha da verdade; você não tem que ter todas as respostas; às vezes, é normal dizer “eu não sei” ou “estes mistérios ainda não me foram totalmente revelados; portanto, me conterei” (Alma 37:11). Não ter “[vergonha] do evangelho de Cristo” (Romanos 1:16) é mais do que simplesmente ignorar ou tolerar meias verdades ou falsidades; significa conhecer e defender as doutrinas! Consequentemente, se permanecermos em silêncio, que não seja devido ao medo, mas porque estamos seguindo uma inspiração (ver, por exemplo, Alma 30:29).

Ser uma Testemunha Proativa

Ao continuar a defender o evangelho de Jesus Cristo, “fé, esperança, caridade e amor, com os olhos fitos na glória de Deus, qualificam-no para o trabalho” (D&C 4:5). Vamos aqui ressaltar que Cristo era manso, mas não fraco — que convidou, mas também repreendeu e igualmente disse que “aquele que tem o espírito de discórdia não é meu” (3 Néfi 11:29).

Enquanto um mundo iníquo continua a violar os padrões morais e doutrinários de Deus, Cristo conta até com o mais pequenino dos santos para ser testemunha de Seu nome.

O Presidente Gordon B. Hinckley (1910–2008) lembrou-nos de que “não basta ser bom. É preciso ser bom para alguma coisa. É preciso contribuir para o bem do mundo. O mundo deve ser um lugar melhor por sua presença. (…) Neste mundo tão cheio de problemas, constantemente ameaçado por desafios sombrios e maus, você pode e deve elevar-se acima da mediocridade e da indiferença. Você pode envolver-se e falar com eloquência sobre o que é certo”.8

Se você deseja ser uma testemunha do evangelho restaurado, integre as fileiras do exército de testemunhas dos últimos dias ao deixar sua luz brilhar! Que seu modo de viver o evangelho e sua defesa dele seja um reflexo da profundidade de sua conversão a Jesus Cristo.

Notas

  1. Thomas S. Monson, “Ouse Ficar Sozinho”, A Liahona, novembro de 2011, p. 60.

  2. Ver “The Road Not Taken”, The Poetry of Robert Frost, ed. Edward Connery Lathem, 1969, p. 105.

  3. Dallin H. Oaks, “Amar os Outros e Conviver com as Diferenças”, A Liahona, novembro de 2014, p. 26.

  4. Thomas S. Monson, “Ouse Ficar Sozinho”, p. 67.

  5. Os Textos sobre os Tópicos do Evangelho em topics.LDS.org são muito úteis para ajudar a responder a perguntas sobre a história e doutrina da Igreja.

  6. Richard G. Scott, “Ele Vive”, A Liahona, janeiro de 2000, p. 106.

  7. Neal A. Maxwell, “Apesar de Minha Fraqueza”, A Liahona, fevereiro de 1977, p. 12.

  8. Gordon B. Hinckley, “Stand Up for Truth”, Devocional da Universidade Brigham Young, 17 de setembro de 1996, p. 2; grifo do autor.