Conferência Geral
Tomar sobre nós o nome de Jesus Cristo
Conferência geral de outubro de 2025


13:22

Tomar sobre nós o nome de Jesus Cristo

Quanto mais nos identificarmos com Jesus Cristo e nos lembrarmos d’Ele, mais quereremos ser como Ele.

Em 2018, na Universidade de Utah, foi criado um cargo de professor catedrático especial denominado de “Cátedra Presidencial Dr. Russell M. Nelson e Dantzel W. Nelson de Cirurgia Cardiotorácica” — sendo que cárdio significa “coração” e torácica significa “tórax”. A cerimónia homenageou o importante trabalho do Presidente Nelson como cirurgião cardíaco e o apoio que este recebeu da sua falecida esposa, Dantzel. Esta cátedra foi financiada por um fundo destinado a perdurar por tempo indefinido. A personalidade selecionada para este tipo de cátedra de prestígio recebe reconhecimento, apoio salarial e fundos para investigação.

O Dr. Selzman com o Presidente Nelson

O primeiro cirurgião escolhido para esta cátedra foi o Dr. Craig H. Selzman, um cirurgião habilidoso que não é membro da nossa Igreja. A cerimónia de atribuição da posição ao Dr. Selzman contou com a presença de inúmeros convidados importantes, entre eles o Presidente Nelson e a sua esposa, a irmã Wendy W. Nelson. Durante o evento, o Presidente Nelson falou modestamente acerca da sua carreia cirúrgica pioneira.

Depois, o Dr. Selzman partilhou o que significava para ele ser nomeado para esta cátedra. Ele relatou que, quatro dias antes, depois de um longo dia na sala de operações, tinha ficado a saber que um dos seus pacientes tinha de voltar a ser operado. Ele sentia-se cansado e desapontado por saber que teria de ficar mais uma noite no hospital.

O Dr. Selzman com o Presidente e a irmã Nelson

Nessa noite, o Dr. Selzman teve uma conversa consigo mesmo que mudou a sua vida. Naquele momento ele pensou: “Na sexta-feira, serei nomeado para uma posição de professor catedrático com o nome do Dr. Nelson. Ele foi sempre conhecido como sendo uma pessoa com controlo emocional, que tratava todos com respeito e que nunca perdia a paciência. Agora que o meu nome estará ligado ao dele, tenho de tentar ser mais como ele”. O Dr. Selzman já era um cirurgião de renome. Mas queria ser ainda melhor.

No passado, a sua equipa conseguia aperceber-se da sua fadiga e frustração porque ele demostrava-o na sua forma de agir e falar. Mas, naquela noite, na sala de operações, o Dr. Selzman fez um esforço consciente para ser especialmente solidário e compreensivo com a sua equipa. Ele sentiu que a sua atitude fez toda a diferença e decidiu continuar a tentar ser mais como o Dr. Nelson.

O Dr. Selzman com o pin de lapela RMN

Cinco anos depois, o Presidente Nelson doou os seus artigos científicos à Universidade de Utah. Dignatários da universidade deslocaram-se para agradecer formalmente ao Presidente Nelson. Durante esse evento, o Dr. Selzman discursou novamente. Referindo-se ao Presidente Nelson pelas suas iniciais, RMN, ele disse: “Existe um etos de ‘RMN’ que agora permeia o Divisão de Cirurgia Cardiotorácica da Universidade de Utah”.

Em situações frustrantes, explicou o Dr. Selzman: “Faço aquilo que, agora, dizemos aos nossos estagiários: ‘Foquem-se, sigam em frente e deem o vosso melhor’. Este etos vive dentro de nós todos os dias. Damos pins de lapela a cada membro da divisão e a cada estagiário. Na parte de baixo do pin temos as letras ‘RMN’. O etos RMN é a base da nossa formação; ensinamo-lo a todos”. O Dr. Selzman melhorou intencionalmente a sua atitude e aspirações iniciais porque o seu nome estava ligado ao do Presidente Nelson.

Estes eventos que envolveram o Dr. Selzman fizeram-me questionar: “Como é que eu mudei desde que associei o meu nome ao nome de Jesus Cristo? Será que adotei um etos cristão depois disso? Será que já tentei genuinamente ser melhor e ser mais como Ele?”

Na experiência do Dr. Selzman, conseguimos ver, pelo menos, cinco paralelismos com o processo de tomarmos sobre nós o nome de Jesus Cristo. Ainda que este processo comece com o batismo, não termina até que nos tornemos mais puros e santos e mais parecidos com Ele.

O primeiro paralelismo é a identificação. A nomeação do Dr. Selzman para a cátedra Nelson ligou o seu nome ao do Presidente Nelson, levando o Dr. Selzman a começar a identificar-se com o Presidente Nelson. Quando tomamos sobre nós o nome de Jesus Cristo, ligamos o nosso nome ao d’Ele. Identificamo-nos com Ele e, de bom grado, passamos a ser conhecidos como cristãos. Reconhecemos o Salvador e, sem hesitação, erguemo-nos para ser contados entre os d’Ele.

Relacionado com a identificação, está também um outro paralelo — a lembrança. Quando o Dr. Selzman vai para o seu escritório, os seus olhos são atraídos para o medalhão que ele recebeu quando foi nomeado para a cátedra Nelson. Este medalhão relembra-o diariamente do etos RMN. Para nós, o partilhar o sacramento semanalmente, ajuda-nos a lembrar de Jesus Cristo ao longo da semana. Ao partilharmos o sacramento, fazemo-lo em lembrança do preço que Ele pagou para nos redimir. Renovamos o convénio de nos lembrarmos d’Ele, de reconhecermos a Sua grandeza e de apreciarmos a Sua bondade. Reconhecemos repetidamente que é apenas n’Ele e através d’Ele que somos salvos da morte física e espiritual.

“Lembrança” significa que seguimos o conselho dado pelo profeta Alma no Livro de Mórmon. Que “todos os [nossos] feitos sejam para o Senhor e, aonde quer que [formos], que [sejamos] no Senhor; sim, que todos os [nossos] pensamentos sejam dirigidos ao Senhor, sim, que o afeto do [nosso] coração seja posto no Senhor para sempre”. Mesmo quando estamos ocupados com os nossos afazeres, permanecemos atentos a Ele, assim como nos lembramos dos nossos nomes, independentemente daquilo em que estivermos focados.

Uma consequência da lembrança do que o Salvador fez por nós é um terceiro paralelo — a emulação. O Dr. Selzman começou a emular o Presidente Nelson e o etos RMN. Acredito que o etos do Presidente Nelson é apenas uma manifestação do seu discipulado de Jesus Cristo ao longo da vida. Para nós, quanto mais nos identificarmos com Jesus Cristo e nos lembrarmos d’Ele, mais quereremos ser como Ele. Como Seus discípulos, mudamos para melhor quando nos focamos n’Ele, mais do que quando nos focamos em nós mesmos. Esforçamo-nos por nos tornarmos semelhantes a Ele e procuramos ser abençoados com os Seus atributos. Oramos fervorosamente para sermos cheios de caridade, o puro amor de Cristo.

Assim como o Presidente Nelson ensinou em abril: “À medida que a caridade se torna parte da nossa natureza, perderemos o impulso de rebaixar os outros. Iremos parar de julgar os outros. Teremos caridade pelas pessoas de todos os setores da vida. A caridade para com todos […] é essencial para o nosso progresso. A caridade é o alicerce de um caráter divino”. Juntamente com a caridade, procuramos, cultivamos, […] e desenvolvemos outros dons espirituais do Salvador, que incluem […] a integridade, a paciência, […] e a diligência.

Emular Jesus Cristo leva-nos ao quarto paralelismo — alinharmo-nos com o Seu propósito. Jutamo-nos a Ele na Sua obra. Como cirurgião, o Dr. Nelson foi conhecido como um professor, um mestre da cura e um investigador. O pin de lapela usado na divisão do Dr. Selzman, enfatiza estes esforços, ao apresentar as palavras ensinar, curar e descobrir. Para nós, uma parte de tomarmos sobre nós o nome de Jesus Cristo envolve alinharmos de bom grado, intencionalmente e entusiasticamente os nossos objetivos com os d’Ele. Juntamo-nos a Ele no Seu trabalho ao “amar, partilhar e convidar”. Juntamo-nos a Ele no Seu trabalho quando ministramos aos outros, especialmente aos mais vulneráveis e àqueles que foram feridos, destroçados e assoberbados pela sua experiência terrena.

Assim, tomamos sobre nós o nome de Jesus Cristo mais plenamente quando nos identificamos, lembramos, emulamos e alinhamos com Ele. Fazer estes quatro leva-nos ao quinto paralelismo — ao empoderamento. Acedemos ao poder e às bênçãos de Deus nas nossas vidas. A cátedra Nelson providencia ao Dr. Selzman o reconhecimento e o financiamento que ele está a usar para mudar a cultura na sua divisão. Ele aplica esta “investidura de poder” para ajudar outros. De modo semelhante, quando tomamos sobre nós o nome do Salvador, o nosso Pai Celestial abençoa-nos com o Seu poder para nos ajudar a realizar a nossa missão na mortalidade.

Ao fazermos convénios adicionais com Deus, tomamos sobre nós mais plenamente o nome de Jesus Cristo. Consequentemente, Deus abençoa-nos com uma maior porção do Seu poder. Tal como o Presidente Nelson ensinou: “Cada pessoa que faz convénios na pia batismal e no templo — e os guarda — tem um maior acesso ao poder de Jesus Cristo. […] A recompensa, por guardarmos os convénios com Deus, é o poder celestial […] que nos fortalece, para conseguirmos resistir melhor às nossas provações, tentações e sofrimentos”.

Tornamo-nos espiritualmente mais recetivos. Temos mais coragem para enfrentar circunstâncias, aparentemente, impossíveis. Somos mais fortalecidos na nossa determinação de seguir a Jesus Cristo. Arrependemo-nos mais prontamente e voltamos a Ele quando transgredimos. Tornamo-nos melhores a partilhar o Seu evangelho com o Seu poder e autoridade. Ajudamos os necessitados e julgamos menos, muito menos. Retemos a remissão dos nossos pecados. Temos mais paz e mais alegria porque podemos sempre regozijar-nos. A Sua glória estará ao nosso redor e os Seus anjos guardar-nos-ão.

O Salvador convida-nos: “[Vinde] ao Pai em meu nome e, no devido tempo, [recebam da] sua plenitude”. Exorto-vos a fazê-lo. Venham até ao nosso Pai Celestial. Tomem sobre vocês o nome de Jesus Cristo. Identifiquem-se com Ele. Lembrem-se sempre d’Ele. Esforcem-se para ser como Ele. Juntem-se a Ele na Sua obra. Recebam o Seu poder e bênçãos na vossa vida. Gravem o Seu nome no vosso coração, voluntária e intencionalmente. Isto dá-vos “legitimidade” diante de Deus e qualifica-vos para a intercessão do Salvador a vosso favor. Tornar-se-ão herdeiros exaltados no reino do nosso Pai Celestial, co-herdeiros com o Seu Primogénito, o nosso amado Salvador e Redentor.

Ele vive. Sei disso com toda a certeza. Ele ama-nos. Ele deu a Sua vida por todos nós. Ele roga-nos para que venhamos ao Pai através d’Ele. Em nome de Jesus Cristo. Amém.

Notas

  1. O financiamento é referido como um fundo patrimonial (ou endowment).

  2. Uma conquista notável é o trabalho do Presidente Nelson no desenvolvimento da primeira máquina de circulação extracorpórea utilizada em cirurgias de coração aberto.

  3. O Presidente Nelson relatou que, no seu estágio em cirurgia um cirurgião da sala de operações perdeu a paciência e atirou um bisturi que acertou no antebraço do Presidente Nelson. O Presidente Nelson disse: “Esta experiência deixou-me com uma marca duradoura. Naquele mesmo instante, prometi a mim mesmo que acontecesse o que acontecesse na minha sala de operações, eu nunca iria descontrolar-me. Também fiz um pacto, nesse dia, de nunca atirar nada ao ar movido pela raiva — quer se tratasse de bisturis ou de palavras” (“Precisam-se Pacificadores”, Conferência Geral, abr. 2023).

  4. A doação incluiu mais de 7.000 relatórios cirúrgicos, juntamente com artigos de investigação e outros textos técnicos compilados durante a extraordinária carreira médica do Presidente Russell M. Nelson.

  5. Várias pessoas falaram sobre o Presidente Russell M. Nelson, inclusive o Presidente da Universidade de Utah, o Presidente Taylor R. Randall, que se referiu ao Presidente Nelson como o aluno mais ilustre da Universidade de Utah.

  6. A palavra etos descreve um “conjunto das caraterísticas distintivas de um povo, grupo ou comunidade, nomeadamente no que diz respeito a atitudes, hábitos e crenças” (Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa, “etos”).

  7. Em 2018, a minha esposa, Ruth, e eu pudemos assistir à cerimónia em que o Dr. Selzman foi nomeado para a Cátedra Nelson. Em 2023, pude participar do evento formal em que o Presidente Nelson doou os seus documentos profissionais à Universidade de Utah.

  8. Ver Moróni 7:48.

  9. A palavra hebraica traduzida como “tomar” na frase “tomar o nome de Cristo” significa “levantar” ou “carregar”, como alguém faria com um cartaz para se identificar com um indivíduo ou grupo (ver James Strong, The New Strong’s Exhaustive Concordance of the Bible [1984], Hebrew dictionary section, p. 80, número 5375; versão em inglês).

  10. Ver 2 Néfi 10:24; Moróni 10:32–33; Doutrina e Convénios 76:69.

  11. Alma 37:36.

  12. O Dr. Selzman foi citado como tendo dito: “Sempre que se começa a falar de cuidados de saúde com [o Presidente Nelson], ele fica com um brilho nos olhos. […] É maravilhoso ver o quão entusiasmado ele fica quando se fala destas coisas” (in Sydney Walker, “As President Nelson Turns 100, His Family and Associates Reflect on His Life and Legacy”, Church News, 7 set. 2024, thechurchnews.com; versão em inglês). Vi pessoalmente este “brilho dos cuidados de saúde” nos olhos do Presidente Russell M. Nelson, mas nada se compara ao fulgor que ele tinha quando falava de Jesus Cristo.

  13. Ver Moróni 7:47–48.

  14. Russell M. Nelson, “Confiança na presença de Deus”, Liahona, mai. 2025, p. 127.

  15. Ver 1 Coríntios 12:31; Doutrina e Convénios 46:8.

  16. Ver, Russell M. Nelson, “A participação das irmãs na coligação de Israel”, Conferência Geral, out. de 2018.

  17. Ver Pregar meu evangelho: Um guia para compartilhar o evangelho de Jesus Cristo (2023), p. 123; adaptado para português europeu.

  18. Ver Moisés 1:39. O Tema do Quórum do Sacerdócio Aarónico começa com: “Sou um filho amado de Deus, e Ele tem um trabalho para eu realizar” (Biblioteca do Evangelho). O Tema das Moças declara: “Como discípula de Jesus Cristo, esforço-me para ser como Ele. Procuro e ajo de acordo com a revelação pessoal e ministro aos outros no Seu santo nome” (Biblioteca do Evangelho).

  19. Ver Dieter F. Uchtdorf, “Trabalho missionário: Partilhar o que está no vosso coração”, Conferência Geral, abr. 2019; Gary E. Stevenson, “Amar, partilhar, convidar”, Conferência Geral, abr. 2022.

  20. No início do Seu ministério mortal, o Salvador explicou-nos o Seu propósito ao citar de Isaías: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porquanto me ungiu para pregar o evangelho aos pobres, enviou-me para curar os quebrantados de coração; para apregoar liberdade aos cativos e dar vista aos cegos; para pôr em liberdade os oprimidos” (Lucas 4:18).

  21. Até as nossas orações ao nosso Pai Celestial irão mudar. Conforme declarado na entrada “Oração” do Bible Dictionary: “Os cristãos são ensinados a orar em nome de Cristo. Oramos em nome de Cristo quando a nossa mente é a mente de Cristo e os nossos desejos são os desejos de Cristo — quando as Suas palavras permanecem em nós. Então, pedimos coisas que são possíveis a Deus conceder. Muitas orações permanecem sem resposta porque não são feitas em nome de Cristo; elas não representam de forma alguma a Sua mente, mas emergem do egoísmo do coração do homem”.

  22. Ver Doutrina e Convénios 109:26.

  23. Russell M. Nelson, “Vencer o Mundo e Encontrar Descanso”, Conferência Geral, out. 2022; ênfase acrescentada.

  24. Ver Doutrina e Convénios 109:21–22. A frase “quando [o] teu povo transgredir, quem quer que seja” usa a palavra “quando” e não “se”. Isto sugere que o Salvador sabe que todos nós iremos transgredir, cometer erros e pecar. Mas o plano é que nos “[arrependamos] rapidamente” para “que [nos] sejam restituídas as bênçãos” que nos foram prometidas.

  25. Ver João 16:33; Mosias 4:11; 18:26; Alma 36:2, 28–29; Éter 7:27; Moróni 9:25.

  26. Ver Doutrina e Convénios 109:22.

  27. Doutrina e Convénios 93:19.

  28. Mórmon descreveu o que aconteceu com o seu povo quando Cristo não foi incluído nas suas vidas. O seu povo “já [tinha sido] um povo agradável e tinham Cristo como seu pastor; sim, e eram guiados por Deus, o Pai. Agora, porém, eis que são guiados por Satanás, como a palha pelo vento ou como um barco que, sem velas nem âncoras ou nada que possa dirigi-lo, se torna joguete das ondas; e assim são eles, como o barco” (Mórmon 5:17–18). Com o Salvador nas nossas vidas, somos abençoados com poder, estabilidade e orientação.

  29. Doutrina e Convénios 109:24.

  30. Ver Doutrina e Convénios 45:3–5.

  31. Ver Romanos 8:17.