2010–2019
Que Nossos Filhos Possam Ver a Face do Salvador


Que Nossos Filhos Possam Ver a Face do Salvador

É nossa sagrada responsabilidade, como pais e líderes desta nova geração de crianças, levá-las ao Salvador.

Há vários anos, eu estava ensinando a um grupo de líderes do Berçário como dar uma curta lição do evangelho para criancinhas. Uma das líderes estava com o filhinho no colo. Segurei uma gravura do Salvador e, demonstrando como falar com crianças pequenas, comecei a falar sobre Jesus. O garotinho desceu do colo da mãe, deu uns passinhos até onde eu estava, olhou atento e tocou o rosto da pessoa na gravura. Naquele ponto da conversa, perguntei: “Quem é este?” Com um sorriso no rosto, a criança respondeu: “Jesus”.

Aquela criancinha não tinha idade nem para dizer o próprio nome, mas reconheceu a imagem e sabia o nome do Salvador. Ao observar aquela doce resposta, pensei nas palavras do Salvador, quando disse: “Buscai sempre a face do Senhor para que, em paciência, possuais vossa alma; e tereis vida eterna” (D&C 101:38).

O que quer dizer buscar a face do Salvador? Com certeza significa mais que apenas reconhecer Sua figura. O convite de Cristo para buscá-Lo é um convite para sabermos quem Ele é, o que fez por nós e o que pediu que fizéssemos. Vir a Cristo e um dia ver Sua face é algo que acontecerá apenas à medida que nos aproximarmos Dele por meio de nossa fé e nossas ações. Isso requer o trabalho de uma vida inteira. Então, como devemos buscá-Lo nesta vida para que possamos ver Sua face na próxima?

Lemos em 3 Néfi o relato de um povo que na realidade viu a face do Salvador nesta vida. E, apesar de não O vermos agora, é possível aprender com essa experiência. Após a morte do Salvador, Ele apareceu àquele povo, os ensinou e os abençoou. E então: “Aconteceu que ele ordenou que as criancinhas fossem levadas a sua presença” (3 Néfi 17:11).

É nossa sagrada responsabilidade, como pais e líderes desta nova geração de crianças, levá-las ao Salvador para que possam ver Sua face e a face de nosso Pai Celestial também. Ao fazê-lo, levamos também a nós mesmos.

De novo surge a pergunta: como fazemos isso, principalmente em um mundo repleto de distrações? Em 3 Néfi, os pais amavam o Senhor. Acreditavam Nele. Tinham fé nos milagres realizados por Jesus. Amavam os filhos. Reuniram todos para ouvir as palavras do Senhor e obedeceram a Seu mandamento de levar as crianças a Ele.

Depois que as crianças foram trazidas, Cristo ordenou que os pais se ajoelhassem. Depois, fez por eles aquilo que fez por todos nós. Orou por eles ao Pai e, ao fazê-lo, segundo o relato, Ele disse coisas “tão grandes e maravilhosas” nessa oração, que palavras não podiam descrevê-las (3 Néfi 17:16). Ao virem ao Salvador e aceitarem Sua Expiação, esses pais foram fortalecidos para fazer tudo o que era necessário para “levar” seus filhos.

Outra coisa que Cristo pediu que aqueles pais fizessem encontra-se em 3 Néfi 22:13: “Todos os teus filhos serão instruídos pelo Senhor; e a paz de teus filhos será abundante”.

E assim, ao seguir suas próprias experiências com o Salvador, aqueles pais nefitas ensinaram os filhos a respeito Dele. Ensinaram-lhes a amar o Senhor. Ensinaram-lhes Seu evangelho. Ensinaram-lhes como vivê-lo. Ensinaram-lhes tão bem que houve paz e retidão na terra por 200 anos (ver 4 Néfi 1:1–22).

Agora, peço a vocês que olhem ao redor, para aqueles a quem amam. É isso o que mais importa: nossa família. Tenho certeza de que, mais que qualquer outra coisa, vocês desejam que essa família seja sua eternamente. O relato de 3 Néfi pode ajudar-nos a levar nossos filhos [a Cristo], porque nos dá um padrão a seguir. Primeiro, precisamos amar ao Senhor de todo o coração, e precisamos amar nossos filhos. Segundo, precisamos tornar-nos um exemplo digno para eles, buscando continuamente o Senhor e nos esforçando para viver o evangelho. Terceiro, precisamos ensinar o evangelho a nossos filhos e ensiná-los a viver seus ensinamentos.

Seguir esse padrão para levar nossos filhos ao Salvador é um processo. Vamos examinar de novo o padrão. Primeiro, precisamos aprender a amar o Senhor e a amar nossa família. Isso exige tempo, experiência e fé. Requer serviço abnegado. Depois, ao nos enchermos do amor do Senhor, podemos amar. Ele pode chorar por causa de nossos atos, mas nos ama e está sempre presente para ajudar-nos. É assim que devemos aprender a amar nossos filhos.

Segundo, precisamos tornar-nos exemplos dignos. Isso também é um processo. Se quisermos que nossos filhos venham a Cristo para que possam ver Sua face, é importante que busquemos vê-la também. Precisamos saber o caminho para que possamos mostrá-lo a eles. Precisamos colocar a vida em ordem para que nossos filhos possam ver-nos e seguir-nos. Podemos nos perguntar: “O que meus filhos veem quando olham para o meu rosto? Veem a imagem do Salvador em meu semblante devido ao tipo de vida que levo?”

Mas lembrem-se, nenhum de nós será um exemplo perfeito para os filhos, mas todos podemos nos tornar pais e líderes dignos. Nossos esforços em sermos dignos são por si só um exemplo. Podemos achar que falhamos, às vezes, mas podemos continuar tentando. Com o Senhor e por meio Dele, podemos receber forças para ser quem precisamos ser. Podemos fazer aquilo que precisamos fazer.

E, terceiro, temos como levar nossos filhos ao Salvador ensinando-lhes as verdades do evangelho nas escrituras e nas palavras dos profetas, ajudando-os a sentir e a reconhecer o Espírito. Mesmo as criancinhas bem novas podem entender e aceitar coisas de natureza eterna. Elas amam as escrituras e amam o profeta. Instintivamente desejam ser boas. Depende de nós ajudá-las a manter aberta essa ligação com os céus. Depende de nós protegê-las das influências que as afastam do Espírito. Podemos encontrar ajuda e orientação nas escrituras e, então, ensinar nossos filhos a encontrar nelas as respostas que procuram. Podemos ensinar-lhes princípios corretos e ajudá-los a aplicar esses princípios em sua vida e direcioná-los para o Espírito, para que recebam um testemunho das verdades que estão aprendendo. Podemos ajudá-los a encontrar alegria ao viver o evangelho. Isso edificará um alicerce seguro de fé e obediência em sua vida que os fortalecerá.

Mas nada disso é fácil de conseguir. O relato nefita diz que aquelas famílias tiveram 200 anos de paz. Mas certamente foi necessário muito esforço. É preciso muito labor, muita paciência e fé, mas não há nada mais importante ou mais recompensador. E o Senhor estará presente para nos ajudar, pois Ele ama essas crianças mais até do que nós as amamos. Ele as ama e as abençoará.

Lembrem-se de que ele abençoou as crianças nefitas, individualmente, e orou por elas (ver 3 Néfi 17:14–17, 21). Depois, “dirigindo-se à multidão, disse-lhes: Olhai para vossas criancinhas.

E ao olharem, lançaram o olhar ao céu e viram os céus abertos e anjos descendo dos céus, como se estivessem no meio de fogo; e eles desceram e cercaram aqueles pequeninos e eles foram rodeados por fogo; e os anjos ministraram entre eles” (3 Néfi l7:23–24).

Como nossas crianças podem vivenciar bênçãos como essas hoje? O Élder M. Russell Ballard disse: “Sem dúvida, aqueles em nosso meio a quem foram confiados filhos preciosos receberam um encargo sagrado e nobre, pois somos as pessoas que Deus designou hoje para cercar as crianças de amor, do fogo da fé e da compreensão de quem são” (“Behold Your Little Ones”, Tambuli, outubro de 1994, p. 40).

Irmãos e irmãs, somos os anjos que o Pai Celestial enviou hoje para abençoar as crianças, e podemos ajudá-las a um dia ver a face do Salvador, ao ensinar-lhes os princípios do evangelho e ao enchermos o lar com a alegria de vivê-los. Juntos, podemos vir a conhecê-Lo. Podemos sentir Seu amor e Suas bênçãos. E, por meio Dele, podemos voltar à presença do Pai. Fazemos isso quando desejamos ser obedientes, fiéis e diligentes em seguir Seus ensinamentos.

“Em verdade assim diz o Senhor: Acontecerá que toda alma que abandonar seus pecados e vier a mim e invocar meu nome e obedecer a minha voz e guardar meus mandamentos verá minha face e saberá que eu sou” (D&C 93:1).

Irmãos e irmãs, sei que Deus vive, que Jesus Cristo é Seu Filho, nosso Salvador e Redentor. Ele convidou-nos a vir a Ele e ordenou que trouxéssemos nossas crianças para que, juntos, pudéssemos ver Sua face e viver eternamente com Ele e com nosso Pai Celestial. Oro para que todos trabalhemos para receber essa grande bênção. Em nome de Jesus Cristo. Amém.