1990–1999
Força em Conselho
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Força em Conselho

Quando unimos esforços, criamos um sinergismo espiritual, que se traduz em maior eficácia decorrente de nossa ação conjunta e cooperação.

Nesta conferência, as Autoridades Gerais ensinaram verdades simples e preciosas a respeito do evangelho de Jesus Cristo, proferidas deste púlpito. Presto testemunho de que ouvimos “a vontade do Senhor,…a mente do Senhor,…a palavra do Senhor,…a voz do Senhor e o poder de Deus para a salvação” (D&C 68:4).

Como o próprio Senhor disse no prefácio ao livro de Doutrina e Convênios: “O que eu, o Senhor, falei, disse e não me escuso; e ainda que passem os céus e a terra, a minha palavra não passará, mas será inteiramente cumprida, seja pela minha própria voz, ou pela de meus servos, não importa” (D&C 1:38).

Sentimos não ter ouvido a voz do Presidente Benson, do Presidente Hunter e Élder Ashton, nesta conferência. Peço ajuda ao Senhor, pois desejo ensinar um importante princípio com o mesmo espírito e clareza dos irmãos que me precederam.

Deus reuniu um grande conselho no mundo pré-mortal para apresentar seu glorioso plano para nosso bem-estar eterno. A igreja do Senhor é organizada em conselhos, em todos os níveis, desde o Conselho da Primeira Presidência e o Quorum dos Doze Apóstolos, até os conselhos da estaca, da ala, do quorum, da organização auxiliar e da família.

O Presidente Stephen L. Richards disse: “A sabedoria do governo da Igreja resume-se na utilização de conselhos…

Tenho experiência suficiente para saber o valor de um conselho. Raramente se passa um dia sem que eu comprove…a sabedoria do Senhor na criação de conselhos…para governar seu reino…

Não hesito em assegurar-vos que, quando vos reunis em conselho da maneira esperada, Deus vos dará as soluções aos problemas que enfrentais” (Conference Report, outubro de 1953, p. 86),

Como membro dos Doze, sirvo em diversos conselhos e comitês gerais da Igreja. Reúno-me com diversos líderes das auxiliares. Juntos, aconselhamo-nos, examinamos as escrituras e oramos pedindo orientação enquanto procuramos aprender como as auxiliares podem abençoar e fortalecer de modo mais eficaz os membros da Igreja.

Em muitos aspectos, os conselhos gerais da Igreja funcionam de modo muito parecido com os conselhos da estaca e ala. Todos os conselhos da Igreja devem incentivar a conversa franca e aberta, consultando-se e procurando manter a comunicação clara e concisa. Os conselhos devem discutir objetivos e preocupações, tendo a compreensão mútua por meta final. Os conselhos de estaca e ala são a ocasião ideal para que os líderes de todas as organizações conversem entre si e se fortaleçam. O enfoque principal das reuniões de conselho de estaca e ala deve ser coordenar atividades e deveres, não apenas marcar datas. Nessas reuniões, os líderes do sacerdócio e das auxiliares devem estudar juntos suas responsabilidades e descobrir maneiras de fazer com que os programas da Igreja ajudem os membros a viver o evangelho no lar. Nos dias atuais, as pessoas e famílias precisam do auxílio sábio e inspirado da Igreja para combater os males do mundo.

Em recente reunião de conselho com as presidências das auxiliares femininas, as irmãs disseram-me que um número muito pequeno de mulheres da Igreja expressam interesse em receber o sacerdócio. Elas, porém, querem ser ouvidas e valorizadas, e desejam fazer contribuições significativas a estaca, ala e membros, para servir ao Senhor e ajudar no cumprimento da missão da Igreja.

Por exemplo, estivemos conversando, há pouco tempo, sobre a dignidade de nossos jovens para cumprir missão. A Presidente Elaine Jack disse: “Élder Ballard, as irmãs da Igreja podem dar boas sugestões sobre como preparar melhor os jovens para a missão, se forem consultadas. Afinal de contas somos as mães desses jovens!” As sugestões das irmãs podem também ajudar na questão da freqüência ao templo e em muitos outros problemas com que os líderes do sacerdócio tenham que se defrontar.

Irmãos, rogo-vos que procureis a contribuição vital das irmãs nas reuniões de conselho. Incentivai todos os membros do conselho a darem sugestões e idéias sobre como a estaca ou ala pode ser mais eficaz no trabalho de proclamar o evangelho, aperfeiçoar os santos e redimir os mortos.

O ideal seria que todos os membros de qualquer conselho da Igreja ou da família pudessem relatar suas preocupações e sugerir soluções baseadas nos princípios do evangelho. Creio que a Igreja e as famílias seriam fortalecidas, se os presidentes de estaca e bispos utilizassem as reuniões de conselho para encontrar resposta para questões como melhorar as reuniões sacramentais, melhorar a reverência, concentrar a atenção nas crianças, fortalecer os jovens, ajudar os solteiros, incluindo os viúvos e divorciados, ensinar e integrar pesquisadores e membros novos, melhorar o ensino do evangelho e muitas outras semelhantes.

Durante o último semestre, realizamos reuniões especiais de treinamento em cada conferência de estaca para debater os padrões morais de nossos jovens. Os participantes eram membros dos conselhos de estaca e ala. Todas as questões dirigidas a mim na sessão de perguntas poderiam ter sido debatidas de modo mais apropriado em uma reunião de conselho de ala. Contudo, os que raramente levantaram as questões sentiam ter a oportunidade de fazer perguntas, expressar suas preocupações e dar sugestões nas reuniões de conselho de suas alas.

Nestes tempos perigosos, precisamos que os oficiais da Igreja, homens e mulheres, se esforcem em conjunto, pois requer-se vigilância absoluta por parte dos que receberam o encargo de cuidar deste reino. Cada um de nós tem enormes responsabilidades, mas igualmente importante é a responsabilidade de nos reunirmos em conselho, num esforço conjunto de resolver os problemas e abençoar todos os membros da Igreja. Quando unimos esforços, criamos um sinergismo espiritual, que se traduz em maior eficácia decorrente de nossa ação conjunta ou cooperação, e cujo resultado é maior que a soma das partes individuais.

O antigo ético Esopo costumava ilustrar a força do sinergismo mostrando uma vara e pedindo a um voluntário da platéia que tentasse quebrá-la. Naturalmente, o voluntário conseguia quebrar a vara facilmente. Então Esopo ia acrescentando outras varas até que o voluntário não mais conseguia quebrá-las. A moral da demonstração de Esopo era simples: Juntos podemos gerar sinergismo que nos torna muito mais fortes do que quando estamos sozinhos.

Deus nunca desejou que seus filhos ficassem sozinhos. As crianças têm os pais e os pais têm a Igreja, as escrituras, os profetas e os apóstolos vivos e o Espírito Santo para ajudá-los a compreender os princípios corretos e aplicá-los no desempenho de suas responsabilidades familiares.

O Apóstolo Paulo ensinou que o Salvador organizou a Igreja de modo completo, com apóstolos, profetas e outros oficiais e mestres para “o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo:

Até que todos cheguemos à unidade da fé” (Efésios 4:12–13).

Paulo comparou os membros da Igreja e suas várias responsabilidades ao corpo: “Porque também o corpo não é um membro, mas muitos…

Agora pois há muitos membros, mas um só corpo.

E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós…

Se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele” (I Coríntios 12:14, 18, 20–21, 26).

As escrituras nos ensinam claramente que apesar de termos diferentes chamados e estes mudarem periodicamente, todos esses chamados são importantes para o funcionamento da Igreja. Precisamos que os quoruns do sacerdócio assumam seu papel e cumpram seu dever divinamente comissionado, assim como precisamos que a Sociedade de Socorro, a Primária, a Organização das Moças, a Escola Dominical e o comitê de atividades cumpram suas funções de vital importância. Precisamos também que os oficiais e membros de todas essas organizações inspiradas trabalhem juntos, auxiliem-se mutuamente no que for preciso para o benefício de pessoas e famílias. Não se trata do trabalho de determinado homem ou mulher; é o trabalho de Deus, que está centralizado na expiação cio Senhor Jesus Cristo. Tenho algumas sugestões específicas que, se seguidas, creio poderem ajudar-nos a sermos mais eficazes em nossas famílias e em chamados na Igreja.

Primeiro, concentrai-vos nos princípios fundamentais. Com toda certeza aprendemos a respeito desses princípios fundamentais nesta conferência. Os que ensinam devem apresentar a doutrina pura. Ensinai pelo Espírito, utilizando as escrituras e o material didático aprovado. Não alongueis nem debatais assuntos especulativos e questionáveis. Estudai os ensinamentos desta conferência nas reuniões de noite familiar e nas conversas da família: elas fortalecerão vosso lar. Num mundo repleto de pecado, conflito e confusão, podemos encontrar paz e segurança no conhecimento e cumprimento das verdades reveladas do evangelho.

Segundo, concentrai-vos nas pessoas. Coordenar atividades e marcar datas de eventos é algo que precisa ser feito, mas muitas reuniões de conselho começam e terminam nesse ponto. Em lugar de uma longa lista de planos e relatórios das organizações, a maior parte do tempo da reunião de conselho deve ser utilizada para se considerar as necessidades dos membros. Ao fazê-lo, o sigilo é extremamente importante. Os membros do conselho devem guardar sigilo absoluto sobre todos os assuntos discutidos nas reuniões de conselho.

Terceiro, incentivai a livre expressão. Isso é essencial para que o propósito do conselho seja alcançado. Os líderes e pais devem criar um ambiente que favoreça a franqueza, em que todas as pessoas se sintam importantes e todas as opiniões sejam valorizadas. O Senhor admoestou: “Que cada um fale a seu tempo, e que todos ouçam as palavras do que fala, para que quando todos houverem falado, todos se achem edificados” (D&C 88:122, grifo nosso). Os líderes devem reservar um tempo adequado para a reunião de conselho, lembrando-se de que devem ouvir pelo menos o tanto quanto falam.

Quarto, a participação é um privilégio. Esse privilégio é acompanhado de responsabilidades: responsabilidade de trabalhar dentro dos limites da organização, de estar preparados, de compartilhar, de defender vigorosamente o que consideramos ser o certo. Igualmente importante, porém, é a responsabilidade de apoiar e defender a decisão final do líder do conselho, mesmo que não concordemos plenamente com ela.

O Presidente David O. McKay contou-nos a respeito de uma reunião do Conselho dos Doze Apóstolos em que foi debatido um assunto de extrema importância. Ele e outros apóstolos sentiam fortemente que determinadas medidas precisavam ser tomadas e estavam preparados para expressar esse sentimento na reunião com a Primeira Presidência. Para sua surpresa, o Presidente Joseph F. Smith não os consultou, como de costume, sobre aquele assunto. Em vez disso, “ele ergueu-se e disse: ‘Esta é a vontade do Senhor’.

Apesar de não estar em completa harmonia com o que havíamos decidido…”, escreveu Presidente McKay, “o Presidente dos Doze…foi o primeiro a erguer-se, dizendo: ‘Irmãos, proponho que esta se torne a opinião e a decisão deste Conselho’.

‘Reitero a proposta’, disse outro, e ela foi unânime. Não se passaram seis meses para que a sabedoria daquele líder fosse manifestada” (Gospel Ideals, Salt Lake City: Improvement Era, 1953, p. 264).

Quando o líder do conselho chega a uma decisão, os membros do conselho devem apoiá-lo integralmente.

Quinto, liderai com amor. Jesus ensinou que o primeiro e maior mandamento da lei é “amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento…

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Mateus 22:37, 39). Os líderes do sacerdócio devem liderar com “persuasão,…longanimidade, …mansuetude e ternura, …amor não fingido;…benignidade, e conhecimento puro (D&C 121:41–42). Estes são os princípios que devem guiar nosso relacionamento com o próximo na igreja de Jesus Cristo.

Os portadores do sacerdócio nunca devem esquecer que não têm o direito de usar a autoridade do sacerdócio como uma clava sobre a cabeça dos membros da família e nos chamados da Igreja. O Senhor disse a Joseph Smith que “quando tentamos encobrir os nossos pecados ou satisfazer o nosso orgulho, nossa vã ambição, exercer controle ou domínio ou coação sobre as almas dos filhos dos homens, em qualquer grau de injustiça, eis que os céus se afastam; o Espírito do Senhor se magoa; e, quando se afasta, amém para o sacerdócio ou a autoridade daquele homem” (D&C 121:37).

Em outras palavras, qualquer homem que invoca os poderes especiais do céu para os próprios interesses egoístas e procura usar o sacerdócio em qualquer grau de injustiça, na Igreja ou no lar, simplesmente não compreende a natureza de sua autoridade.

O sacerdócio destina-se ao serviço, não à opressão; à compaixão, não à coerção; ao cuidado, não ao controle. Os que discordam estão agindo fora dos limites da autoridade do sacerdócio.

Felizmente, a maioria de nossos pais e líderes do sacerdócio lideram com amor, assim como a maioria de nossas mães e líderes das auxiliares. A liderança fundamentada no amor é acompanhada de inacreditável poder. Ele é real e produz resultados duradouros na vida dos filhos do Pai Celestial. Que Deus vos abençoe, irmãos, para que chegueis a um consenso e unidade inspirados ao vos reunirdes em conselho no intuito de servir uns aos outros. Somente assim a Igreja e as famílias começarão a se aproximar do pleno potencial de realização do bem entre os filhos de Deus na terra.

Sei que Deus vive e que Jesus é o Cristo. Sei que podemos desempenhar melhor nosso trabalho reunindo-nos em conselho, com união e amor. Que sejamos abençoados ao fazê-lo é a minha humilde oração, em nome de Jesus Cristo, amém.