Conferência Geral
    Volta para Casa, Pai
    Notas de rodapé
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    Volta para Casa, Pai

    As bênçãos do sacerdócio, honrado por pais e maridos e reverenciado por esposas e filhos, pode verdadeiramente curar o câncer que aflige a sociedade.

    Nesta época de Páscoa, estendo a todos os participantes desta conferência meus mais calorosos cumprimentos e minhas orações por vossa felicidade e bem-estar. Neste dia, lembramo-nos de que o Senhor ressurreto nos deu a responsabilidade de edificar o reino de Deus na terra. Com isto em mente, espero acrescentar algumas idéias que fortaleçam a mais importante de todas as instituições — a família.

    Nos últimos tempos, a sociedade tem sido atormentada por um câncer de que poucas famílias conseguem escapar. Falo da desintegração dos lares. Há uma premente necessidade de iniciar-se um tratamento corretivo. Não quero ofender ninguém com o que tenho a dizer. Ratifico minha profunda crença de que a mulher é a maior criação de Deus. Acredito, também, que não há bem maior em todo o mundo do que a maternidade. A influência da mãe na vida dos filhos transcende nossa imaginação. Pessoas que criam filhos sozinhas, em sua maioria mulheres, desempenham um serviço especialmente heróico.

    Reconheço haver um excesso de maridos e pais que abusam da esposa e dos filhos, os quais necessitam de proteção. Estudos sociológicos atuais, porém, reafirmam energicamente que a influência de um pai zeloso na vida de uma criança é essencial — seja ela menino ou menina. Nos últimos vinte anos, quando lares e famílias lutam por manter-se intactos, esses estudos revelam um dado alarmante: muitos dos crimes e problemas comportamentais nos Estados Unidos originam-se em lares em que o pai abandonou os filhos. Em muitas sociedades no mundo, a pobreza de crianças, crimes, abuso de drogas e desintegração da família podem ser atribuídos a condições em que o homem não proporciona orientação paterna. Do ponto de vista sociológico é, agora, dolorosamente aparente que o pai não é elemento opcional na família. Devemos respeitar a posição do pai como sendo o principal responsável pelo apoio físico e espiritual. Declaro isto sem hesitação, porque o Senhor revelou que esta obrigação é do marido. “As mulheres têm o direito de receber de seus maridos o sustento, até que eles sejam tirados” (D&C 83:2). Mais adiante: “Todas as crianças têm o direito de receber de seus pais o seu sustento até alcançarem a maioridade” (D&C 83:4). Além disso, o bem-estar espiritual deve ser “[realizado] pela fé e convênio de seus pais (D&C 84:99). Com respeito às criancinhas, o Senhor prometeu que “grandes coisas [poderão ser] requeridas de seus pais” (D&C 29:48).

    É inútil discutir quem é mais importante, pai ou mãe. Ninguém duvidaria de que a influência da mãe é indispensável para os recém-nascidos e para os primeiros anos de vida da criança. A influência do pai aumenta à medida que a criança fica mais velha. Pai e mãe, contudo, são necessários nos vários estágios de desenvolvimento da criança. Ambos fazem coisas intrinsecamente diferentes para os filhos. Tanto mães quanto pais educam os filhos, mas as abordagens são diferentes. As mães têm o papel dominante de preparar os filhos para viverem com suas famílias (no presente e no futuro). Os pais parecem mais bem equipados para preparar as crianças para atuarem no ambiente fora da família. Uma autoridade declara: “Estudos demonstram que o pai tem um papel especial a desempenhar na edificação do auto-respeito da criança. Ele é importante, também, em formas que realmente não entendemos, no desenvolvimento dos limites e controles morais dos filhos”. Diz ainda: “Um estudo também mostra que a presença do pai é decisiva para estabelecer para a criança o seu sexo. Curiosamente, o envolvimento paterno gera uma identidade e um caráter sexual mais destacados, tanto em meninos quanto em meninas. E claramente demonstrado que a masculinidade dos filhos e a feminilidade das filhas são maiores quando o pai participa ativamente da vida familiar” (“Do Children Need Fathers?”, Karl Zinsmeister, Crisis, outubro de 1992).

    Os pais em qualquer situação conjugal têm o dever de deixar de lado diferenças pessoais e incentivar um ao outro, para que tenham uma influência digna na vida dos filhos.

    Não será possível dar às mulheres todos os direitos e as bênçãos que vêm de Deus e autoridade legal, sem diminuir a nobreza da outra grande criação de Deus, o homem? Eliza R. Snow declarou em 1872: “A posição da mulher é uma das questões do momento. Social e politicamente atrai a atenção do mundo sobre si. Alguns…se recusam a admitir que a mulher tem direito a quaisquer prerrogativas além…dos caprichos, das extravagâncias ou dos prêmios…que os homens decidam conceder-lhe. Na falta de argumentos, eles criticam e ridicularizam; um velho subterfúgio para os que se opõem a princípios corretos que não conseguem contestar. Outros…não apenas reconhecem que a posição da mulher deve ser melhorada, mas são tão radicais em suas teorias extremas, que criam nela um antagonismo contra o homem, achando que ela tem uma existência distinta e oposta; e…mostrando quão completamente independente ela deve ser”. Na verdade, ela prossegue, eles “a fariam adotar os aspectos mais repreensíveis do caráter dos homens, e que deveriam ser evitados ou modificados por eles, em vez de serem copiados pelas mulheres. Estes são os dois extremos, e entre eles está o equilíbrio perfeito”. (The Woman’s Exponent, 15 de julho de 1872, p. 29.)

    Muitas pessoas não compreendem nossa crença de que Deus estabeleceu sabiamente uma autoridade dirigente para as mais inspiradas instituições do mundo. Esta autoridade dirigente é chamada de sacerdócio. O sacerdócio é conferido em confiança, a fim de ser usado para abençoar todos os filhos de Deus. O sacerdócio não é uma questão de gênero; significa bênçãos de Deus para todos, pelas mãos dos servos que ele designou. Na Igreja esta autoridade do sacerdócio pode abençoar todos os membros, por meio da ministração de mestres familiares, presidentes de quorum, bispos, pais e todos os outros homens dignos que foram encarregados da administração dos assuntos do reino de Deus. O sacerdócio é influência e poder dignos, através dos quais os meninos são ensinados na juventude e durante toda a vida a honrarem a castidade, a serem honestos e diligentes e a respeitarem e defenderem as mulheres. O sacerdócio é uma influência controladora. As meninas aprendem que por meio de sua influência e poder para abençoar, elas podem realizar muitos de seus desejos.

    Portar o sacerdócio significa seguir o exemplo de Cristo e procurar imitar-lhe o exemplo de paternidade. Significa preocupação e cuidados constantes com os filhos. O homem que porta o sacerdócio deve honrá-lo, demonstrando carinho eterno, com absoluta fidelidade, pela esposa e mãe de seus filhos. Ele deve, durante toda a vida, demonstrar desvelo e preocupação pelos filhos e pelos filhos dos filhos. A súplica de Davi por seu filho rebelde é uma das mais tocantes em todas as escrituras: “Meu filho Absalão, meu filho, meu filho, Absalão! quem me dera que eu morrera por ti, Absalão, meu filho, meu filho!”. (II Samuel 18:33.)

    Exorto os maridos e pais desta Igreja a serem o tipo de homem sem o qual a esposa não gostaria de ficar. Exorto as irmãs desta Igreja a serem pacientes, amorosas e compreensivas com seus maridos. As pessoas que se casam devem estar totalmente preparadas para verem o casamento como a prioridade em sua vida.

    É destrutivo para o sentimento que existe num casamento feliz, que um dos cônjuges diga ao outro: “Não preciso de você”. Isto é particularmente verdadeiro porque o conselho do Salvador era e é tornarem-se uma só carne: “Portanto deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne[.]

    Assim não são mais dois, mas uma só carne”. (Mateus 19:5-6.) É imensamente mais difícil ser um só de coração e mente, do que sê-lo fisicamente. Esta unidade de coração e mente manifesta-se em expressões sinceras como: “Obrigado” e “Sinto orgulho de você”. Essa harmonia familiar existe quando se perdoa e esquece, elementos essenciais para um relacionamento matrimonial maduro. Alguém disse que deveríamos manter os olhos bem abertos antes do casamento e meio fechados depois. (Scudery, The International Dictionary of Thoughts, p. 473.) A verdadeira caridade deve começar no casamento, pois é um relacionamento que deve ser edificado todos os dias.

    Imagino se é possível que um cônjuge abandone o outro e saia completamente ileso. Qualquer cônjuge que diminua o papel divino do outro perante os filhos, avilta a florescente feminilidade das filhas e a emergente masculinidade dos filhos. Suponho que sempre haja diferenças honestas entre marido e mulher, mas elas devem ser resolvidas em particular.

    A importância deste assunto me encoraja a dizer algo a respeito da quebra de convênios. Devemos admitir que alguns casamentos simplesmente não dão certo. Aos que se encontram nessa situação, estendo minha compreensão, pois todo divórcio acarreta sofrimento. Espero que o que vou dizer não vos cause inquietação. Em minha opinião, qualquer promessa feita entre o homem e a mulher durante a cerimônia de casamento torna-se tão importante quanto um convênio. O relacionamento familiar de pai, mãe e filho é a instituição mais antiga e mais duradoura do mundo. Vem sobrevivendo enormes diferenças de geografia e cultura. Isto acontece porque o casamento de um homem com uma mulher é um estado natural e é ordenado por Deus. É um dever moral. Os casamentos realizados em nosso templo, visando a um relacionamento eterno, tornam-se, então, os convênios mais sagrados que podemos fazer. O poder selador dado por Deus e restaurado por meio de Elias é invocado, e Deus se torna um dos envolvidos nas promessas.

    O que, então, pode ser considerado “causa justa” para se quebrar os convênios do casamento? Em toda uma vida passada tratando de problemas humanos, tenho-me esforçado por compreender o que pode ser considerado “causa justa” para a quebra de convênios. Confesso não ter sabedoria nem autoridade para declarar conclusivamente o que seja “causa justa”. Apenas os participantes do casamento podem determinar isto. Eles devem arcar com o peso da responsabilidade pela série de conseqüências acarretadas pela dissolução do casamento. Em minha opinião, “causa justa” não deve ser nada menos sério do que um relacionamento prolongado e aparentemente irredimível, que destrói a dignidade de uma pessoa como ser humano.

    Ao mesmo tempo, tenho uma boa idéia quanto ao que não é uma boa razão para quebrar os sagrados convênios do casamento. Certamente não é apenas “sofrimento mental”, “incompatibilidade de gênios”, “afastamento um do outro”, ou “fim do amor”, principalmente quando há crianças envolvidas. Com relação a este conselho divino, Paulo aconselha: “Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela” (Efésios 5:25).

    “Para que ensinem as mulheres novas a serem prudentes, a amarem seus maridos, a amarem seus filhos” (Tito 2:4).

    Em minha opinião, os membros da Igreja possuem a cura mais eficaz para a desintegração de nossa vida familiar. Homens, mulheres e crianças devem honrar e respeitar o papel divino do pai e da mãe no lar. Quando isso acontece, o respeito mútuo e a gratidão entre os membros da Igreja serão incentivados pela dignidade nele encontrada. Deste modo as grandes chaves seladoras restauradas por Elias, mencionadas por Malaquias, podem ser acionadas: “[Para converter] o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais, para que eu não venha, e fira a terra com maldição” (Malaquias 4:6; D&C 110:15).

    O Presidente Joseph Fielding Smith declarou, referindo-se às chaves de Elias: “O poder selador concedido a Elias é o poder que liga maridos, esposas e filhos aos pais por toda a eternidade. É o poder selador existente em toda ordenança do evangelho… Era missão de Elias vir e restaurá-lo, para que a maldição do caos e da desordem não existisse no reino de Deus” (Elijah the Prophet and His Mission, Joseph Fielding Smith, pp. 3,5). Caos e desordem são comuns demais em nossa sociedade, mas não devemos permitir que destruam nossos lares.

    Talvez vejamos o poder concedido por Elias como algo associado apenas a ordenanças formais realizadas em lugares sagrados. Estas ordenanças, porém, tornam-se dinâmicas e produtivas apenas quando se revelam em nossa vida quotidiana. Malaquias disse que o poder de Elias voltaria os corações dos pais aos filhos e vice-versa. O coração é o centro das emoções e um conduto para revelações (vide Malaquias 4:5, 6). Este poder selador revela-se dessa maneira em relações familiares, em atributos e virtudes desenvolvidos em um ambiente saudável e no serviço dedicado. Estes são os cordões que unem as famílias, e o sacerdócio apressa seu desenvolvimento. De formas imperceptíveis, mas reais, “como o orvalho dos céus, a doutrina do sacerdócio se destilará sobre a tua alma [e o teu lar]” (D&C 121:45).

    Testifico que as bênçãos do sacerdócio, honrado por pais e maridos e reverenciado por esposas e filhos, pode verdadeiramente curar o câncer que aflige a sociedade. Rogo-vos — voltai para casa, pais. Magnificai vosso chamado no sacerdócio; abençoai vossas famílias por meio dessa influência sagrada e experimentai as recompensas prometidas por nosso Pai e Deus. Digo isto em nome de Jesus Cristo, amém.