2020
Reconhecer o abuso emocional
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Reconhecer o abuso emocional

“Meu marido não é abusivo. Ele grita comigo e me insulta com palavrões, mas isso não é abuso, é?”

Sabemos que “o Senhor condena o comportamento abusivo em qualquer de suas formas”.1 E algumas formas de abuso, como o abuso físico, são fáceis de perceber, mas o abuso emocional pode ser muito mais difícil de identificar. O dano pode resultar em confusão, medo, vergonha, falta de esperança e sentimentos de baixa autoestima.

O abuso emocional é a tentativa de uma pessoa de tirar o arbítrio de outra e obter controle sobre ela com palavras ou comportamentos que manipulam emoções ou escolhas. O abuso emocional pode acontecer em qualquer tipo de relacionamento: entre marido e mulher, pais e filhos, em amizades, no namoro ou entre colegas de trabalho.

Quais são alguns exemplos de abuso emocional?

Conhecer os sinais de abuso emocional pode ajudar você a se proteger e a seus entes queridos. Alguns dos comportamentos abusivos incluem:

  • Insultá-lo com palavrões ou se referir a você de maneira depreciativa.

  • Envergonhá-lo em público.

  • Criticar e desvalorizar suas realizações e o que você faz.

  • Culpar você pelas ações dele e não assumir responsabilidade.

  • Fazer você se sentir culpado, assim você fará algo por ele porque ele fez algo por você.

  • Isolá-lo de outras pessoas e controlar como você passa seu tempo.

  • Fazer ameaças se você não agir de uma certa maneira ou fizer certas coisas.

  • Negar afeto até você fazer certas coisas para ele.

  • Manipular você espiritualmente usando a religião para controlá-lo.

Como posso reconhecer o abuso emocional?

É igualmente importante se familiarizar com os comportamentos abusivos e seus sinais de alerta interior. A seguir, são apresentados alguns padrões típicos de pensamento e decisões que podem manter você em um relacionamento emocionalmente abusivo:

  1. Desculpar o comportamento do agressor.

  2. Justificar o comportamento do agressor: “Ele normalmente não faz isso — está sob muita pressão agora”.

  3. Minimizar o comportamento: “Não foi tão sério assim”.

  4. Culpar-se pelo comportamento dele: “Se eu tivesse preparado o jantar na hora certa, ele não teria ficado tão bravo e gritado comigo”.

  5. Ignorar o desconforto emocional. Inicialmente, quando você é vítima de abuso emocional, talvez queira evitar o ofensor porque se sente constrangida ou negativa com relação a si mesma quando ele está por perto. Para preservar o relacionamento, talvez ignore esses sentimentos de desconforto. Com o tempo, esse desconforto pode desaparecer como resultado de se acostumar com o comportamento do agressor.

  6. Usar a religião para justificar a situação. É muito comum em nossa sociedade, até entre os membros da Igreja. A pessoa que está sofrendo abuso pode pensar algo como: “O Senhor ordena que perdoemos. Pecarei se não perdoar”. O perdão é um mandamento. Mas, como o élder Jeffrey R. Holland ensinou sobre o Salvador: “Ele não disse: ‘Não vos é permitido sofrer uma dor real ou uma tristeza verdadeira devido às experiências arrasadoras que sofrestes nas mãos de outros’. Ele também não disse: ‘A fim de perdoar completamente, deveis vos envolver novamente em um relacionamento nocivo ou voltar a viver uma situação abusiva e destrutiva’”.2

  7. Negligenciar suas próprias necessidades. Você atende às necessidades dos outros em vez de cuidar de si mesmo. Por exemplo: sofrer dor emocional para evitar ferir os sentimentos de alguém ou dar dinheiro a um amigo mesmo quando você não pode.

  8. Sentir-se inútil. O abuso emocional pode prejudicar seus sentimentos de autoestima. No entanto, você é filho ou filha de Deus e tem uma natureza e um destino divinos. Seu valor, que é grande, é imutável (ver Doutrina e Convênios 18:10).

O que posso fazer se estiver sofrendo abuso emocional?

Às vezes, um relacionamento emocionalmente abusivo é tão destrutivo que pode ser necessário acabar com o relacionamento. No entanto, sair dele não é a única opção em todas as situações. A mudança é possível e o relacionamento pode se tornar saudável com empenho mútuo e geralmente com a ajuda de um profissional. Se você acredita que pode estar em um relacionamento emocionalmente abusivo, as ideias a seguir podem ajudar:

  1. Busque apoio e ajuda de uma pessoa de confiança com quem você possa compartilhar suas experiências, como um amigo, um líder da Igreja ou um profissional de uma organização comunitária. Essa pessoa pode oferecer apoio emocional e uma perspectiva positiva de quem você é, e ela pode passar bons momentos com você longe do abuso. (Ver abuse.ChurchofJesusChrist.org. Clique em “Em crise” para uma lista de linhas de apoio.)

  2. Estabeleça e mantenha limites com a pessoa que mostra comportamento abusivo, identificando o comportamento e estabelecendo limites para você continuar a interagir. Você pode dizer: “Sinto que agora você me desrespeitou. Quero conversar com você, mas não vou, a menos que me trate com mais respeito e gentileza”.

  3. Obtenha ajuda de um conselheiro profissional que tenha conhecimento sobre abuso emocional e seus efeitos. Às vezes o ofensor nem sabe que está sendo abusivo. Ele pode aprender a mudar se estiver disposto a buscar ajuda. Caso o relacionamento não continue, procurar ajuda profissional, com a ajuda do Senhor, irá ajudá-lo a se curar.

  4. Encontre mais informações e recursos úteis no site abuse.ChurchofJesusChrist.org.

Quaisquer que sejam suas circunstâncias, saiba que existem pessoas que o amam e querem lhe ajudar. E, ao se voltar para o Pai Celestial, para o Salvador e o Espírito Santo, a esperança e a cura são possíveis.

Notas

  1. Carta da Primeira Presidência, “Reagir ao abuso”, 28 de julho de 2008.

  2. Jeffrey R. Holland, “O ministério da reconciliação”, A Liahona, novembro de 2018, p. 79.