O Resgate do Beija-Flor
    Notas de rodapé

    Reflexões

    O Resgate do Beija-Flor

    O autor mora na Califórnia, EUA.

    Ao resgatar o beija-flor, aprendemos como ajudar os que estão espiritualmente fracos.

    Fotografia: Kojihirano/iStock/Thinkstock

    No acampamento das Moças realizado nas montanhas da Califórnia, as moças e os líderes esperavam o jantar numa cabana. Enquanto esperávamos, algumas moças perceberam algo embaixo de uma mesa. Um beija-flor tinha voado para dentro da cabana, não conseguira sair e acabou caindo no chão. Elas me pediram ajuda.

    O pássaro parecia quase morto, com o bico coberto de teias de aranha e as penas amarrotadas. Delicadamente o coloquei numa xícara e o levei para fora. Esperei que ele se recuperasse sozinho, mas no fundo achava que não sobreviveria. No entanto, quando virei a xícara delicadamente para pôr o beija-flor no chão, ao deslizar para fora o passarinho agarrou-se à borda da xícara com as minúsculas patinhas. Aprumei a xícara, com o pássaro de olhos fechados pousado na borda. O que fazer então?

    Uma das líderes, vendo o pássaro, misturou um pouco de água com açúcar e me trouxe. Em primeiro lugar, limpei gentilmente as teias de aranha do bico fino como agulha. O pássaro nem se mexeu. Em seguida, molhei o dedo na água açucarada e levei uma gotinha até a ponta do bico. A gota desapareceu, embora o pássaro não se tenha movido. Será que o líquido tinha escorrido para dentro do bico? Molhei o dedo de novo e levei-o até o bico do pássaro. Dessa vez, uma minúscula língua, mais fina que um fio de cabelo, lambeu-me o dedo.

    Por 10 ou 15 minutos, o colibri sorveu gota após gota. Nessa altura, vários outros líderes haviam se reunido a meu redor, e ofereci-lhes a oportunidade de alimentá-lo.

    De repente, o pássaro abriu os olhos e agitou as penas, que instantaneamente se alisaram. Depois de beber mais algumas gotas, agitou as asas, aqueceu-as por um segundo e voou para o alto. Hesitante, planou por um momento sobre nós e depois disparou para longe.

    Ficamos ali, atônitos. Daí, tão subitamente quanto o pássaro tinha voado para longe, vieram as lições espirituais:

    • Com frequência, quando estendemos a mão para os menos ativos, nosso empenho não parece fazer diferença alguma. Mas o amor que oferecemos escorre pelas frestas — como o néctar escorreu para dentro do bico imóvel do beija-flor —, provendo nutrição espiritual que um dia pode produzir resultados.

    • Às vezes, não conseguimos prosseguir sozinhos. Precisamos de uma caridosa e bondosa mão.

    • Às vezes, as pessoas se enrolam nas teias do pecado ou do vício e precisam da ajuda de um amigo ou de um líder do sacerdócio e do auxílio do Salvador para libertar-se.

    • Precisamos de nutrição espiritual constante para perseverar, caso contrário esgotamos as forças espirituais e nos tornamos vítimas das más influências.

    • O beija-flor se manteve agarrado. Literalmente. Isso fez toda a diferença! Às vezes, precisamos simplesmente perseverar com fé ao lidarmos com os desafios dolorosos e, não raro, horríveis da vida.

    O Novo Testamento diz que o Mestre está ciente até de um passarinho que cai em terra (ver Mateus 10:29–31). Agora sei que Ele também está ciente da queda de um beija-flor. E está ciente de você.