Rápidos a ajudar, lentos a julgar
Ser rápidos a ajudar e lentos a julgar é uma forma simples e profundamente encorajadora de cada um de nós se tornar mais semelhante ao nosso Salvador.
A parábola dos botões enigmáticos
“E um menino pequeno os guiará.” Há alguns anos, esta passagem das escrituras ganhou realmente vida para mim. Aconteceu durante uma apresentação da Primária da ala.
Naquela manhã do Dia do Senhor, o meu jovem amigo James estava a usar um fato novo. No início da apresentação, o James examinava alguns dos aspetos mais interessantes do seu novo fato. O que mais lhe chamou a atenção foram dois pormenores do seu casaco. Nas mangas do casaco havia botões, mas não havia casas de botões. Na lapela esquerda do casaco, tinha uma casa de botão, mas nenhum botão. Nem os botões nem a casa de botão pareciam ter qualquer utilidade.
Bem, o James, arquitetou inteligentemente um propósito para ambos. Observei, ansiosamente, enquanto o James abotoava, encantado, a manga direita à lapela esquerda do casaco. A satisfação que sentia por si próprio deu rapidamente lugar a pânico, pois depois de o James ter abotoado o braço junto ao peito, mesmo com a flexibilidade de uma criança da Primária, não conseguia soltar-se. Sem querer, mas com bastante sucesso, o James tinha criado um colete-de-forças de um só braço.
À medida que o James ficava cada vez mais preso, eu ficava cada vez mais exasperado. Os botões enigmáticos tinham sido colocados numa função desconfortável e, para mim, irritante. Eu abanava a cabeça, desapontado, enquanto o James estava prestes a subir ao púlpito.
Nesse instante, reparei na menina sentada ao lado do James. Ela também tinha testemunhado a situação difícil do James e a sua crescente preocupação. Mas, em vez de ficar exasperada, quis ajudar. Percebendo rapidamente qual a ação necessária, estendeu os seus dedinhos, sem julgamentos, e retirou o botão da casa. O James foi resgatado e o programa da Primária foi salvo!
Senti-me aliviado, mas também mais humilde. Reconheci a silenciosa repreensão de um botão fora do lugar e de uns dedinhos a lembrarem-me que eu devia tentar ser mais como Cristo. Aquele pequeno, mas grandioso, momento ajudou-me a abraçar aquilo que o Elder Patrick Kearon descreveu como “reorientação radical” da minha alma. Não me lembro do tema da apresentação da Primária desse dia, mas a mensagem que recebi através do Espírito Santo provocou um realinhamento espiritual. Uma pequena criança levou-me a aprender isto: um verdadeiro discípulo de Jesus Cristo é rápido a ajudar e lento a julgar.
O Salvador ajuda (e não julga) a mulher junto ao poço
O Salvador ensinou este amoroso princípio do discipulado desde o início do Seu ministério mortal. No Evangelho de João, Ele ministra a uma mulher samaritana. Não sabemos o nome dela. Passámos a conhecê-la como “a mulher junto ao poço”. A sua interação com o Senhor Jesus Cristo ensina muitas lições. Uma lição crucial é o exemplo do Salvador, que rapidamente ofereceu graça e ajuda transformadora.
No início da conversa, Jesus está cansado e pede inesperadamente à mulher que lhe dê de beber. Resta-nos imaginar há quantos dias aquela mulher vinha àquele poço, àquela hora, sozinha — até àquele dia. Para ela, era um dia comum — até Jesus aparecer. Nos seus dias comuns, ela talvez tivesse suportado muitos olhares de julgamento, mas poucas mãos estendidas para a ajudar — até àquele dia.
Esta mulher pode ter feito algo que mereça mais julgamento do que simplesmente abotoar a manga à lapela. Aparentemente, ela teve uma série de relacionamentos falhados e, naquele momento, estava a viver com um homem que não era seu marido. Mas o que sabemos realmente sobre as suas circunstâncias? Era viúva? Divorciada? Abandonada? Não sabemos. Agora, por favor, não me interpretem mal. A história dela é muito importante, mas estes não são os pormenores críticos que precisamos de saber sobre a sua jornada.
Em que se foca Cristo, então? Em ajudar, em oferecer “água viva”. O Grande Redentor sabe absolutamente tudo sobre esta mulher sem nome e vem ter com ela para que seja uma testemunha viva da água viva. Ele oferece-lhe graça e ajuda transformadora.
Falou com a mulher com dignidade, não com desdém. Ouviu atentamente as perguntas dela e respondeu com ensinamentos, não com ridicularização. Não a manteve refém da sua história. Ele confiou-lhe a verdade. Jesus Cristo lembra-nos que, para ajudar as pessoas a transformarem as suas vidas, não podemos olhar apenas para o passado delas, mas também para o que se podem tornar. Naquele dia, ela caminhou até ao poço como uma marginalizada. Mas foi-se embora do poço com um propósito. É precisamente isso o que significa ser “rápido a ajudar e lento a julgar”.
Estar presente nos dias comuns de amigos e novos membros
Todos os dias, os missionários encontram pessoas em poços modernos espalhadas pelo mundo inteiro. Eles declaram que Jesus é o Cristo, o grande “Eu Sou”. Encontram, ensinam, batizam e confirmam pessoas que podem estar receosas do julgamento, mas que precisam de ajuda. Como discípulos de Jesus Cristo, somos convidados a reorientar as nossas almas para que possamos ajudar os amigos e os novos membros de formas mais semelhantes à de Cristo. O Presidente Dallin H. Oaks convidou-nos, de forma clara e direta: “Procuremos ser santos, como o nosso Salvador”. Ser rápidos a ajudar e lentos a julgar é uma forma simples e profundamente encorajadora de cada um de nós se tornar mais santo, mais semelhante ao nosso Salvador, tornando-nos os Seus verdadeiros discípulos.
Oro para que quando estes “homens e mulheres junto ao poço” dos nossos dias se cruzarem connosco saibam que estão a “regressar a casa”. Oro para que eles reconheçam em nós, discípulos de Jesus Cristo que se esforçam, prontos a saciá-los com a água viva e cheia de amor. Testifico que quando ajudamos as pessoas em vez de as julgarmos, uma a uma, à nossa maneira simples e singela, estamos a preparar o mundo para a Segunda Vinda de Jesus Cristo. Disto dou testemunho e testifico, em nome de Jesus Cristo. Ámen.