Selados pelo Santo Espírito da Promessa
(Doutrina e Convénios 132:7)
Receber as ordenanças do sacerdócio e fazer convénios sagrados são passos essenciais na “missão de uma vida inteira” de alinhar o nosso coração, a nossa mente e a nossa vida com a vontade de Deus.
Há muitos anos, aprendi uma lição fundamental com o Presidente Boyd K. Packer. Ele disse:
“Independentemente da cidadania ou raça, de sermos homens ou mulheres, da nossa profissão, da formação académica ou da geração a que pertencemos, a vida é, para todos nós, uma viagem de regresso a casa, à presença de Deus.
As ordenanças e os convénios tornam-se as nossas credenciais para sermos admitidos à Sua presença. Recebê-los dignamente é a missão de uma vida inteira; guardá-los depois de os recebermos é o desafio da mortalidade”.
Oro para que o Espírito Santo instrua e ilumine cada um de nós ao ponderarmos a importância das ordenanças e dos convénios como credenciais espirituais para a nossa jornada de regresso ao Pai Celestial.
A parábola do passaporte
Inicio com uma breve história. Certa vez, um homem quis visitar familiares num país distante. Planeou a viagem, fez a mala e viajou de avião até à cidade onde os familiares viviam.
Cheio de entusiasmo, o homem saiu do avião e dirigiu-se ao controlo de passaportes. Tinha um passaporte válido, emitido por uma entidade oficial do seu país. Apresentou o passaporte a um agente de fronteira, que confirmou a identidade do homem, a nacionalidade e o motivo da sua visita ao país. Porém, o homem não tinha cuidado devidamente do seu passaporte. A página com os dados pessoais estava manchada e danificada. Além disso, uma página rasgada tinha sido reparada com cola e fita-cola, uma alteração que não era autorizada.
Por conseguinte, o agente de fronteira rejeitou o passaporte e recusou carimbá-lo, impedindo o homem de entrar no país. O homem ficou desapontado e perplexo, sem saber o que fazer a seguir.
A lição desta história é muito simples: a integridade de um passaporte tem de ser preservada ao longo do tempo. Ter um passaporte válido dava ao homem a oportunidade de entrar no país, mas o passaporte, por si só, não garantia que lhe fosse efetivamente permitida a entrada no país.
Naturalmente, esta analogia simples tem limitações. Ao contrário do que acontece com os danos causados a um passaporte físico, as adversidades e aflições que enfrentamos, sem qualquer culpa da nossa parte, não diminuem as promessas que Deus nos fez nem invalidam os nossos convénios.
Convénios, ordenanças e bênçãos prometidas
Para os discípulos de Jesus Cristo, receber as ordenanças do sacerdócio e fazer convénios sagrados são passos essenciais na “missão de uma vida inteira” de alinhar o nosso coração, a nossa mente e a nossa vida com a vontade de Deus.
Um convénio é uma promessa solene — um compromisso duradouro entre Deus e os Seus filhos e filhas. Deus estabelece as condições de todos os convénios do evangelho e os Seus filhos exercem o seu arbítrio moral para conhecer e aceitar aquilo que Ele lhes pede que façam.
Os convénios são recebidos através de ordenanças sagradas. Uma ordenança é um ato sagrado, realizado pela autoridade do sacerdócio, que tem um propósito espiritual e um significado eterno, e está relacionado com as leis e os estatutos de Deus. As ordenanças também nos ensinam acerca da natureza dos convénios que aceitamos na nossa vida.
Os convénios e as ordenanças do evangelho restaurado do Salvador são credenciais espirituais que podem abrir por completo as janelas do Céu da oportunidade, para recebermos propósito, orientação e força divinos na nossa vida. Deus promete aos Seus filhos e filhas bênçãos sublimes por honrarem os convénios, inclusive por obedecerem às leis e ordenanças do evangelho de Jesus Cristo. É necessária fidelidade contínua para que essas credenciais permaneçam válidas e para que as bênçãos prometidas sejam recebidas.
O Espírito Santo é o Santo Espírito da Promessa
O Espírito Santo é o terceiro membro da Trindade. É um personagem de espírito, testifica de toda a verdade e é a testemunha e o mensageiro do Pai e do Filho.
Nas escrituras, o Espírito Santo também é descrito como o Santo Espírito da Promessa, que ratifica ou confirma como aceitáveis a Deus os atos justos dos Seus filhos. Em última análise, todas as ordenanças e convénios do evangelho têm de ser selados pelo Santo Espírito da Promessa. Conforme o Senhor revelou ao profeta Joseph Smith: “Todos os convénios […] que não forem feitos nem acertados nem selados pelo Santo Espírito da promessa […] não terão eficácia, virtude ou vigor algum na ressurreição dos mortos nem depois dela”.
Quando uma ordenança, um voto ou um convénio é selado pelo Santo Espírito da Promessa, torna-se vinculativo na Terra e no Céu. Na mortalidade, este selamento está sujeito a condições e pode ser quebrado ou perdido devido à iniquidade.
Receber este selamento ratificador do Espírito Santo não é, geralmente, um acontecimento único; pelo contrário, ocorre ao longo do tempo, à medida que nos arrependemos sincera e constantemente, honramos os nossos convénios e entregamos o nosso coração a Deus. Procurar dignamente esta bênção é “o desafio da mortalidade”, como ensinou o Presidente Packer.
Tal como o homem da história do passaporte precisava de um carimbo autorizado no passaporte para entrar num país estrangeiro, também cada um de nós precisa do testemunho confirmador do Santo Espírito da Promessa para receber as bênçãos eternas associadas aos convénios e às ordenanças do evangelho do Salvador.
Cada um de nós deve sentir-se sempre grato pelas oportunidades sagradas de caminhar “de acordo com todas as ordenanças do Senhor” e de receber do Santo Espírito da Promessa, “com o correr do tempo”, o selo ratificador que garante todas as bênçãos prometidas.
A ordenança do selamento
O selamento de um homem e de uma mulher na casa do Senhor constitui o convénio e a ordenança culminante do evangelho restaurado do Salvador. Mais importante ainda, compreender a importância doutrinária de uma ordenança de selamento ser selada pelo Santo Espírito da Promessa ajuda, em parte, a responder a perguntas profundamente pessoais sobre se as escolhas de outra pessoa podem privar das bênçãos eternas alguém que guarda fielmente os seus convénios.
A ordenança de selamento inclui duas partes fundamentais e relacionadas: (1) a união eterna de um homem e uma mulher no casamento — o que pode ser entendido como um selamento lateral — e (2) o selamento do marido e da mulher à família eterna de Deus e a ligação de toda a humanidade ao longo de todas as gerações — o que pode ser entendido como um selamento vertical. Ambos os elementos da ordenança são essenciais.
Os resultados pretendidos de um selamento no templo entre um homem e uma mulher, e pelos quais oramos, incluem uma vida inteira de crescimento espiritual, dedicação conjugal, fidelidade, trabalho conjunto para superar as incertezas e os desafios da mortalidade, e felicidade duradoura.
Por vezes, infelizmente, os resultados pretendidos e pelos quais oramos não se concretizam. Os pecados, a infidelidade, a apostasia pessoal ou outras dificuldades de um dos cônjuges podem causar contenda, distanciamento e até divórcio. Nestes casos, o cônjuge fiel pode perguntar: “Pode o uso indevido do arbítrio moral por parte de outra pessoa privar-me daquilo que Deus prometeu?” A resposta a esta pergunta é um enfático não!
As ações indignas de um dos cônjuges causam, sem dúvida, mágoa e tristeza ao outro cônjuge e aos familiares. Contudo, a iniquidade de uma pessoa não pode impedir nem frustrar o fluxo do amor, da força e das bênçãos de Deus para outra pessoa. O poder da Expiação infinita e eterna do Senhor pode vencer todas as coisas, em todos os momentos e em todos os lugares, para todos os que permanecem firmes nos convénios que fizeram com Ele.
O cônjuge que viola os convénios e não se arrepende renuncia à oportunidade de receber para si o selo ratificador do Santo Espírito da Promessa, tanto no aspeto lateral como no aspeto vertical da ordenança de selamento.
O cônjuge fiel que honra os convénios e prossegue com fé continua digno de receber para si o selo ratificador do Santo Espírito da Promessa no aspeto vertical da ordenança de selamento, bem como todas as demais bênçãos individuais associadas.
Talvez se perguntem: “Como pode isto acontecer se o casamento do templo não perdurar?”
A doutrina revelada d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias não aborda todos os pormenores nem todas as nuances de casos como estes. Não sei nem posso explicar com precisão como e quando as bênçãos prometidas são recebidas. Mas sei que as bênçãos prometidas serão recebidas. No final, nenhum discípulo fiel será privado de qualquer bênção eterna prometida por Deus devido ao exercício indevido do arbítrio moral de outra pessoa.
Concluo com o testemunho reconfortante do rei Benjamim: “Quisera que considerásseis o estado abençoado e feliz daqueles que guardam os mandamentos de Deus. Pois eis que são abençoados em todas as coisas, tanto materiais como espirituais; e se eles se conservarem fiéis até [ao] fim, serão recebidos no Céu, para que assim possam habitar com Deus [num] estado de felicidade sem fim. Oh! Lembrai-vos, lembrai-vos de que estas coisas são verdadeiras, porque o Senhor Deus as disse”.
Testifico com alegria que a promessa profética do rei Benjamim é verdadeira, no sagrado nome do Senhor Jesus Cristo. Ámen.