2000–2009
“Primeiro o Mais Importante”
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“Primeiro o Mais Importante”

“Empenhe-se o máximo aqui na Terra para ter uma família ideal. Para ajudá-lo nisso, pondere e aplique os princípios contidos na proclamação da família.”

Um dos momentos mais jubilosos de sua vida — quando estava cheio de expectativas, entusiasmo e gratidão — você não pode se lembrar. Essa experiência ocorreu na vida pré-mortal quando foi-lhe dito que, finalmente, chegara sua hora de deixar o mundo espiritual para viver na Terra com um corpo mortal. Sabia que poderia aprender, por meio de experiências pessoais, as lições que lhe trariam felicidade na Terra. As lições que um dia o conduziriam à exaltação e à vida eterna como um ser glorificado e celestial na presença do Pai Celestial e Seu Filho Amado. Sabia que haveria desafios, pois viveria num ambiente com influências tanto justas como iníquas. Mas certamente estava determinado, por mais alto que fosse o preço e por maior que fosse o esforço, o sofrimento e os testes, a regressar vitorioso. O Senhor reservou-o para nascer quando a plenitude do evangelho estivesse na Terra. Você chegou quando a Sua Igreja e a autoridade do sacerdócio para realizar as ordenanças sagradas do templo já haviam sido restauradas. Sonhou em nascer num lar onde pais iriam amá-lo, nutri-lo, fortalecê-lo e ensinar-lhe verdades. Sabia que no devido tempo teria a oportunidade de formar sua própria família eterna como marido ou esposa, pai ou mãe. Ah, como você deve ter exultado diante dessa perspectiva.

As palavras a seguir exprimem o propósito primordial de sua passagem pela Terra:

“Faremos uma terra onde estes possam habitar;

E assim os provaremos para ver se farão todas as coisas que o Senhor seu Deus lhes ordenar;

E os que guardarem seu primeiro estado receberão um acréscimo; e os que não guardarem seu primeiro estado não terão glória no mesmo reino que aqueles que guardarem seu primeiro estado; e os que guardarem seu segundo estado terão um acréscimo de glória sobre sua cabeça para todo o sempre.” (Abr. 3:24–26)

Depois que Adão foi colocado na Terra, Deus disse: “Façamos uma adjutora adequada para o homem, porque não é bom que o homem esteja só”. (Abr. 5:14) Adão e Eva formaram a primeira família. Deus declarou: “Portanto o homem deixará seu pai e sua mãe e apegar-se-á a sua mulher”. (Moisés 3:24) Eles tiveram filhos que também constituíram família. “E Adão e Eva, sua mulher, não cessaram de clamar a Deus.” (Moisés 5:16) O modelo da família, essencial para o plano de felicidade do Pai, foi estabelecido e nossa necessidade de “clamar a Deus” incessantemente foi ressaltada. Você está justamente vivendo este plano. Por meio do evangelho restaurado, aprendemos que existe uma família ideal. É a família composta por um portador digno do Sacerdócio de Melquisedeque e uma esposa digna selada a ele e filhos nascidos sob convênio ou selados a eles. Com a mãe em casa numa atmosfera de amor e serviço, os pais ensinam os filhos, por exemplo e preceito, os caminhos do Senhor e Suas verdades. Eles cumprem seu papel divinamente designado conforme aprendemos na proclamação da família. Os filhos amadurecem ao aplicarem os ensinamentos recebidos desde o nascimento. Desenvolvem traços de obediência, integridade, amor a Deus e fé em Seu santo plano. No devido tempo, cada um desses filhos procura um cônjuge com ideais e aspirações semelhantes. São selados no templo, têm filhos e o plano eterno continua e uma geração fortalece a outra.

No decorrer de sua vida na Terra, seja diligente ao cumprir os propósitos fundamentais desta vida por meio da família ideal. Mesmo que ainda não tenha atingido esse ideal, faça tudo o que estiver a seu alcance, por meio da obediência e fé no Senhor, para constantemente aproximar-se o máximo dele. Não deixe nada dissuadi-lo. Se isso exigir mudanças fundamentais em sua vida pessoal, faça-as. Quando tiver idade e maturidade suficientes, receba todas as ordenanças do templo que puder. Se neste momento elas não incluem o selamento no templo com um companheiro digno, seja digno de ser selado. Ore por isso. Exerça fé para consegui-lo. Jamais faça nada que venha a torná-lo indigno. Caso a visão do casamento eterno tenha se apagado, reacenda-a. Se seu sonho exigir paciência, tenha paciência. Eu e meus irmãos oramos e trabalhamos por mais de 30 anos para que nosso pai, não-membro, e nossa mãe fossem selados no templo. Não fique ansioso demais. Faça o melhor que puder. Não podemos dizer se essa bênção será alcançada neste lado do véu ou no outro, mas o Senhor cumprirá Suas promessas. Em Sua infinita sabedoria, Ele tornará possível tudo o que você for digno de receber. Não desanime. Estabelecer um padrão de vida o mais próximo possível do ideal trará muita felicidade, grande satisfação e enorme crescimento aqui na Terra, a despeito de suas atuais circunstâncias na vida.

Satanás e suas hostes farão tudo o que puderem para impedi-lo de receber as ordenanças necessárias à família ideal. Ele tentará distraí-lo e desviar sua mente e coração da criação de uma família forte por meio da instrução dos filhos conforme o Senhor espera.

Existem tantas coisas fascinantes e envolventes que deseja fazer ou tantos desafios que o oprimem a ponto de impedi-lo de dar atenção ao que é essencial? Quando as coisas do mundo se avolumam, com demasiada freqüência as coisas erradas assumem a maior prioridade. Então, torna-se fácil esquecer o propósito fundamental da vida. Satanás conta com uma ferramenta eficaz para usar contra as pessoas boas. É a distração. Ele faz com que as pessoas preencham a vida de “coisas boas” de modo a não deixar espaço para o que é essencial. Você já caiu inconscientemente nessa armadilha?

“Portanto os homens são livres segundo a carne; e todas as coisas de que necessitam lhes são dadas. E são livres para escolher a liberdade e a vida eterna por meio do grande Mediador de todos os homens, ou para escolherem o cativeiro e a morte; ( … ) pois [o diabo] procura tornar todos os homens tão miseráveis como ele próprio.” (2 Ne. 2:27)

Por que recebeu o arbítrio moral? Apenas para levar uma vida agradável e tomar a decisão de fazer o que quiser? Ou existe uma razão mais fundamental — ser capaz de fazer escolhas, que irão levá-lo a implantar plenamente seu propósito de estar aqui na Terra e de estabelecer prioridades em sua vida, que garantirão o desenvolvimento e a felicidade que o Senhor quer que receba.

Conheci, recentemente, um rapaz inteligente e com grande potencial. Ele estava indeciso quanto à missão e resolveu não freqüentar a universidade agora. Em seu tempo livre, só faz o que gosta de fazer. Não trabalha porque não precisa e porque isso lhe roubaria horas de lazer. Passou pelas aulas do seminário sem se preocupar muito em aplicar na vida pessoal o conhecimento adquirido. Aconselhei: “Você está fazendo escolhas hoje que parecem dar-lhe tudo o que quer: uma vida fácil com entretenimento abundante e pouco sacrifício. Pode fazer isso por algum tempo, mas cada decisão que tomar limitará seu futuro. Você está eliminando possibilidades e opções. Muito em breve chegará o dia em que passará o resto da vida fazendo coisas que não quer e em lugares em que não deseja estar, pois não se preparou. Você não está aproveitando suas oportunidades.”

Disse-lhe que tudo o que mais prezo hoje começou a amadurecer no campo missionário. O serviço missionário não é algo que fazemos para nós mesmos, mas, alcançamos um enorme crescimento e preparação para o futuro na missão. Já os missionários concentram-se em outras pessoas e não em si mesmos. Aproximam-se do Senhor e aprendem Seus ensinamentos. Encontram indivíduos que estão interessados na mensagem, mas que ainda não estão certos de seu valor. Os missionários tentam de todas as maneiras — orando, jejuando e testificando — ajudar as pessoas a abraçar a verdade. A missão ensina-nos a sermos guiados pelo Espírito, a compreender nosso propósito de estar na Terra e como cumpri-lo. Dei-lhe uma bênção. Depois que se foi, orei fervorosamente para que o Senhor o ajudasse a escolher as prioridades corretas. Do contrário, ele fracassaria no propósito da vida.

Num enorme contraste, vejamos o exemplo de outro rapaz. Ao longo dos anos, observei como os pais o ensinaram desde a infância a cumprir fielmente os mandamentos de Deus. Por exemplo e preceito, criaram-no, junto com os demais filhos, na verdade. Incentivaram o desenvolvimento da disciplina e do sacrifício para que alcançassem metas dignas. Esse rapaz decidiu nadar para instilar em seu caráter tais qualidades. Os treinamentos bem cedo pela manhã exigiam disciplina e sacrifício. Com o passar do tempo, tornou-se um excelente nadador.

Então, vieram os desafios — por exemplo, um campeonato de natação no domingo. Deveria participar? Deveria racionalizar e abrir uma exceção à sua regra de não nadar aos domingos a fim de ajudar sua equipe a vencer o torneio? Não, ele não cedeu, mesmo diante da mais intensa pressão dos companheiros. Foi insultado e até agredido fisicamente. Mas não cedeu. A rejeição dos amigos, a solidão e a pressão causaram momentos de tristeza e lágrimas. Mas ele não cedeu. Estava aprendendo na prática a realidade do conselho de Paulo a Timóteo: “E todos os que piamente querem viver em Cristo Jesus padecerão perseguições”. (II Tim. 3:12) No decorrer dos anos, esse padrão de viver digno — consolidado por centenas de decisões corretas, algumas em meio a enormes desafios — forjou um caráter de força e capacidade. Agora, como missionário, ele é estimado por seus companheiros devido a sua capacidade de trabalhar, seu conhecimento da verdade, sua dedicação inabalável e sua determinação de compartilhar o evangelho. Alguém que antes fora rejeitado, agora tornou-se um líder respeitado pelos seus companheiros. Haveria uma mensagem para você nesses exemplos?

Embora sintamos um prazer salutar ao fazermos o que é bom, esse não é o principal propósito de estarmos na Terra. Procure conhecer e fazer a vontade do Senhor, não apenas o que for conveniente ou tornar a vida agradável. Você tem o Seu plano de felicidade. Sabe o que fazer ou pode descobrir por meio do estudo e da oração. Faça-o de bom grado. O Senhor declarou: “Pois eis que não é conveniente que em todas as coisas eu mande; pois o que é compelido em todas as coisas é servo indolente e não sábio; portanto não recebe recompensa. ( … ) Os homens devem ocupar-se zelosamente numa boa causa e fazer muitas coisas de sua livre e espontânea vontade e realizar muita retidão. Pois neles está o poder e nisso são seus próprios árbitros. E se os homens fizerem o bem, de modo algum perderão sua recompensa. Mas o que nada faz até que seja mandado e recebe um mandamento com o coração duvidoso e guarda-o com indolência é condenado” (D&C 58:26–29) — significando que o progresso e o desenvolvimento pararam.

Um princípio que todos compreendemos é o de que só colhemos o que plantamos. Isso se aplica também às coisas espirituais. Colhemos o que semeamos em termos de obediência, fé em Jesus Cristo e da aplicação diligente das verdades aprendidas em nossa própria vida. O que colhemos é o desenvolvimento do caráter, o aumento da capacidade e o cumprimento bem-sucedido de nosso propósito aqui na Terra — sermos provados.

Repetidas vezes nos funerais ouvimos que a pessoa falecida herdará todas as bênçãos da glória celestial, mesmo que não se tenha qualificado de forma alguma, deixando de receber as ordenanças necessárias e de guardar os convênios exigidos. Isso não acontecerá. Tais bênçãos só podem ser recebidas se os requisitos do Senhor forem preenchidos. Sua misericórdia não supera as exigências de Sua lei. Elas precisam ser cumpridas. Em alguns locais que são sagrados e santos, parece ser mais fácil discernir a orientação do Espírito Santo. O templo é tal lugar.

Encontre um local tranqüilo e silencioso onde periodicamente você possa ponderar e permita que o Senhor estabeleça a direção de sua vida. Cada um de nós precisa, de tempos em tempos, avaliar nossa situação e verificar se estamos no rumo certo. Muito em breve poderá beneficiar-se ao fazer a seguinte auto-avaliação:

Quais são minhas maiores prioridades a serem alcançadas aqui na Terra?

Como uso meu tempo livre? Aplico consistentemente parte dele a minhas prioridades mais elevadas?

Existe algo que sei que eu não deveria estar fazendo? Se esse for o caso, vou arrepender-me e parar agora.

Em um momento tranqüilo anote suas respostas. Analise-as e faça os ajustes necessários.

Coloque o que for mais importante em primeiro lugar. Empenhe-se ao máximo aqui na Terra para ter uma família ideal, para ajudá-lo nisso, pondere e aplique os princípios contidos na proclamação da família. Testifico que o Senhor vive. Ele o ama. Se você viver em retidão e buscar honestamente Seu auxílio, Ele o guiará e fortalecerá para que conheça a Sua vontade e consiga fazê-la. Em nome de Jesus Cristo. Amém.