A Liahona
O casamento eterno é uma jornada eterna
Maio de 2026


11:42

O casamento eterno é uma jornada eterna

Acreditamos no casamento eterno, ensinamos acerca do casamento eterno e procuramos ter um casamento eterno.

Após o incomparável amor e sacrifício oferecido pelo Salvador no Jardim do Getsémani e na cruz, o Seu corpo sem vida foi colocado e selado num túmulo emprestado. Mas o túmulo não podia conter o divino Filho de Deus. “Por que buscais o vivente entre os mortos?”, declararam os anjos. “Não está aqui, mas ressuscitou”.

Graças à vitória do nosso Salvador sobre a morte e o pecado, louvaremos o Seu nome para sempre.

Jesus Cristo proporcionou outras bênçãos imensuráveis. Ele disse ao Seu Apóstolo Pedro: “Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu”. O sagrado poder selador foi restaurado na Terra e encontra-se hoje nos Seus templos dedicados. Tal como o Presidente Gordon B. Hinckley expressou: “Se nada mais resultasse de toda a tristeza, trabalho e dor da Restauração além do poder selador do santo sacerdócio para unir as famílias para sempre, ainda assim tudo teria valido a pena”.

Ajoelhar-nos diante do altar

Nos meus 74 anos, são poucas as experiências em que quase todas as emoções e sentimentos ficaram profundamente gravados na minha mente consciente. Uma das mais marcantes ocorreu quando me ajoelhei ao altar, diante da Kathy, num sagrado templo de Deus. As esperanças, os sonhos e o amor que partilhávamos explodiram num caleidoscópio de expetativa ao ouvirmos aquelas palavras inesquecíveis: “Para o tempo e para toda a eternidade”.

Dirijo-me de modo especial àqueles que, nesta vasta congregação mundial, se lembram com ternura desse dia das vossas vidas.

Naquele momento, ajoelhados diante do altar, ganhamos uma crescente perceção da profundidade do compromisso que assumimos com Deus e um com o outro. A ordenança sagrada une-nos ao nosso companheiro eterno e a Deus. Prometemos solenemente guardar os convénios e o Senhor promete-nos, se formos fiéis, bênçãos indescritíveis na mortalidade e na eternidade, incluindo tronos, poderes e domínios no mundo eterno.

Refinar a nossa natureza

A nossa esperança ainda maior, porém, é o desejo de refinar a nossa própria natureza, tornar-nos mais semelhantes ao Salvador, para que um dia possamos viver com Ele. É no casamento sagrado, unidos a Deus e um ao outro, que entramos num intenso processo de desenvolvimento espiritual, onde qualidades essenciais — como o sacrifício, a caridade, a paciência e ser um pacificador (como disse o Presidente Dallin H. Oaks esta manhã), o próprio caráter de Cristo (como disse o Presidente D. Todd Christofferson) — podem tornar-se cada vez mais parte de nós.

À medida que o nosso amor pelo Salvador aumenta, o nosso amor um pelo outro também cresce. Tal como o nosso discipulado, o casamento eterno não é uma experiência temporária, mas uma jornada — uma jornada eterna de nos tornarmos aquilo que Deus deseja que sejamos.

Em grande parte do mundo, a confiança no caráter duradouro do casamento está a deteriorar-se. No evangelho de Jesus Cristo, proclamamos que o “casamento entre um homem e uma mulher é ordenado por Deus”. Acreditamos no casamento eterno, ensinamos acerca do casamento eterno e procuramos ter um casamento eterno.

Preparar-nos para os convénios

Encaramos o casamento com fé e confiança porque nos preparamos conscientemente para os convénios que fazemos na casa do Senhor. Na juventude, fortalecemos a nossa fé em Jesus Cristo e guardamos os Seus mandamentos, incluindo a lei da castidade, uma lei que muitos no mundo têm deixado de lado. Tomamos sobre nós o nome de Jesus Cristo.

Mas mesmo com essa preparação, cada um de nós tem as suas fraquezas, e reconhecemos que a nossa vida exigirá mais altruísmo, mais arrependimento e mais perdão. Eu e a Kathy mandámos imprimir, nos guardanapos da nossa boda de casamento, estas palavras de William Shakespeare: “Amor não é amor; que se altera quando encontra alterações”. Nos primeiros meses, à medida que ela me foi conhecendo melhor, eu deixava guardanapos espalhados por todo o apartamento.

Ao abraçarmos as alegrias e as tristezas das experiências da vida, gravamos os nossos convénios de forma indelével na nossa alma e mantemos os olhos fixos no Céu, voltados para o glorioso destino que nos aguarda. Sabemos que os atributos divinos que procuramos não serão plenamente aperfeiçoados nesta vida. O casamento eterno é uma jornada eterna.

Confiar no Espírito Santo

Necessitamos profundamente do dom do Espírito Santo na nossa vida pessoal e no nosso casamento. Como já foi citado nesta conferência, recentemente o Presidente Dallin H. Oaks declarou: “O adversário tornou-se tão eficaz a disfarçar a verdade que, se não tiverem o Espírito Santo, serão enganados. Há muitos obstáculos pela frente. As distrações serão muitas”.

Um dos enganos do mundo é menosprezar a importância sagrada e o poder real da ordenança do selamento. Mantenham a esperança um no outro e em Jesus Cristo. As Suas promessas permitir-vos-ão superar os obstáculos e as distrações.

Há momentos no casamento que exigem uma dose generosa de paciência.

No nosso 25.º aniversário de casamento, eu e a Kathy estávamos em Filadélfia a falar com missionários. Eu recebi uma chamada do Presidente Boyd K. Packer, do Quórum dos Doze Apóstolos. No final da conversa, comentei: “Presidente Packer, hoje celebramos o nosso 25.º aniversário de casamento. Não acha que é uma grande conquista?” Sem hesitar, ele respondeu: “Sim, para a Kathy!” Com a vossa esperança e fé em Cristo, permitam que o Senhor expanda os vossos dons espirituais de compreensão e paciência.

Ao falar do casamento eterno, permitam-me que mencione outras duas questões.

Primeiro, todo o verdadeiro discípulo de Jesus Cristo, se for esse o seu desejo, será selado eternamente a um companheiro justo da sua escolha por toda a eternidade, seja nesta vida ou na próxima.

Segundo, coloca-se a questão: “Será que há situações em que o divórcio deve ser considerado?” A resposta é sim, há, mas as advertências são significativas. Incluirei ensinamentos proféticos sobre este tema na versão publicada da minha mensagem.

Cuidar um do outro

Há cinquenta anos, eu e a Kathy conhecemos um casal notável que também se tinha casado recentemente na casa do Senhor. A vida parecia promissora. Eles tiveram filhos. Ela era talentosa e cheia de fé. Ele teve sucesso profissional. Eles guardavam os seus convénios.

Inesperadamente, a jovem desenvolveu graves problemas de saúde.

O filho deles partilhou recentemente estas reflexões comigo:

“Na minha juventude, a minha querida mãe passou por períodos profundamente difíceis de depressão grave, durante os quais lhe era muito difícil cuidar até de si própria. Era uma nova realidade para os meus pais. A vida seria diferente daquilo que tinham previsto.

O meu pai nunca tinha passado por uma doença mental e procurou a ajuda do Pai Celestial. Não consigo enumerar as vezes em que o vi de joelhos, nem os domingos em que jejuava novamente em silêncio. Ele serviu a minha mãe, e serviu-nos a nós, com imenso amor, paciência e humildade. Ele procurava a influência do Espírito Santo, na esperança de amar, agir e reagir como o Salvador agiria.

A minha mãe era o amor da sua vida. Estes períodos seriam apenas um breve momento. Eles estavam vinculados um ao outro para sempre. Se permanecessem fiéis, passariam a eternidade juntos com saúde e felicidade. Esta promessa deu-lhe um perfeito esplendor de esperança.

Embora muitas vezes a minha mãe sentisse que os seus desafios eram um fardo para o meu pai, ele via a situação de forma diferente. Ele adorava servir esta extraordinária e preciosa filha de Deus.

À medida que a minha mãe, corajosa e milagrosamente, superava muitos dos seus problemas de saúde, eles viviam momentos de luz e alegria: como casal e como pais e avós.

Mais tarde, já nos seus 60 anos, ela enfrentou uma série de provações completamente diferentes, incluindo cancro da mama e problemas neurológicos que afetaram a sua capacidade de andar. Mais uma vez, ela e o meu pai reforçaram o seu compromisso um com o outro e com os convénios que tinham feito com o Senhor.

Fizeram-no juntos até ao último dia da sua jornada mortal”.

O casamento eterno é uma jornada eterna.

Receber força

Quem vos dá a força para se agarrarem firmemente um ao outro e completarem a parte mortal desta viagem eterna?

“O Deus eterno, […] o Criador dos confins da terra”, Ele que ressuscitou ao terceiro dia, “nem se cansa, nem se fatiga. […]

Dá força [quando estamos cansados], e multiplica as [nossas] forças [quando] não [temos] vigor. […]

[E juntos] os que esperam no Senhor […] subirão com asas como águias; [juntos] correrão, e não se cansarão; e caminharão e não desfalecerão.”

Testifico solenemente desta promessa sagrada, em nome de Jesus Cristo. Amém.

Notas

  1. Lucas 24:5–6.

  2. Mateus 16:19.

  3. Gordon B. Hinckley, “As One Who Loves the Prophet, em Susan Easton Black e Charles D. Tate Jr., eds., Joseph Smith: The Prophet, the Man (1993), p. 6; versão em inglês.

  4. Ver Doutrina e Convénios 132:19. O Presidente Russell M. Nelson disse: “Não devemos ficar desanimados se os nossos esforços sinceros para alcançar a perfeição nos parecerem agora tão árduos e infinitos. A perfeição é incompleta nesta vida. A perfeição plena só será alcançada depois da Ressurreição, e somente por intermédio do Senhor. Está reservada a todos os que O amam e guardam os Seus mandamentos. Inclui tronos, reinos, principados, poderes e domínios. É o objetivo pelo qual devemos perseverar até ao fim. É a perfeição eterna que Deus reservou para cada um de nós” (“Perfeição incompleta”, Liahona, nov. 1995, ênfase acrescentada; adaptado para português europeu; ver também John Taylor, The Mediation and Atonement [1882], pp. 139–141; versão em inglês).

  5. Ver Brian J. Willoughby, The Millennial Marriage (2021), pp. 14–16; versão em inglês.

  6. “A família: Uma proclamação ao mundo”, Biblioteca do Evangelho.

  7. Para uma explicação das condições e das bênçãos associadas ao convénio do casamento eterno, ver “Selamento no templo”, no Manual Geral: Servir n’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, 3.5.3.5:

    “Na ordenança do selamento, um homem e uma mulher fazem um convénio com Deus e um com o outro. Eles fazem convénio e prometem receber-se um ao outro como marido e mulher, aconselhar-se e trabalhar juntos em amor e retidão, e cumprir os seus papéis divinamente atribuídos como marido e mulher e como pai e mãe.

    Um homem e uma mulher que são fiéis a este convénio são unidos como marido e mulher para toda a eternidade. Sobre o casal são seladas […] todas as bênçãos do convénio eterno de Deus, a maior das quais é a exaltação com posteridade eterna (ver Doutrina e Convénios 132:19–20; ver também 66:2; 131:1–4 e os itens 27.3 e 38.4 neste manual; adaptado para português europeu)”.

  8. William Shakespeare, Soneto 116, linhas 2–3.

  9. Ver Russell M. Nelson, “Perfeição incompleta”, pp. 86–88.

  10. Dallin H. Oaks, “Achegar-se a Jesus Cristo”, (devocional da Universidade Brigham Young, 10 fev. 2026), p. 2, speeches.byu.edu.

  11. “Se, pela vossa fidelidade nesta vida, puderem obter o direito de ressurgir na manhã da ressurreição, não precisam de recear que a esposa fique insatisfeita com o marido, nem o marido com a esposa; pois os que fizerem parte da primeira ressurreição estarão livres do pecado, bem como das suas consequências e do seu poder” (Brigham Young, “Remarks”, Deseret News, 3 dez. 1862, p. 178; versão em inglês).

  12. “Quando um casal se casa no templo, deve procurar viver em paz e harmonia; e, se ambos forem membros fiéis da Igreja, isso não deverá ser impossível. Os jovens devem esforçar-se por tolerar as fraquezas um do outro e superá-las. Se viverem dignos da exaltação, entrarão no reino celestial sem as fraquezas e limitações da mortalidade e serão perfeitos” (Joseph Fielding Smith, Doutrinas de Salvação, comp. Bruce R. McConkie [1955], 2:84; tradução livre).

  13. O Presidente Dallin H. Oaks afirmou: “Sabemos que muitos Santos dos Últimos Dias dignos e maravilhosos não têm atualmente as oportunidades ideais nem os requisitos essenciais para o seu progresso: pessoas solteiras, sem filhos, ou que viram a morte ou o divórcio frustrar os seus ideais e adiar o cumprimento das bênçãos prometidas. […] Mas estas frustrações são apenas temporárias. O Senhor prometeu que na eternidade nenhuma bênção será negada aos seus filhos que guardam os mandamentos, são fiéis aos seus convénios e desejam fazer o que é certo” (“O grande plano de felicidade”, Liahona, nov. 1993; adaptado para português europeu). Será escolhido um companheiro justo, tanto pela mulher como pelo homem, com a aprovação do Senhor.

  14. O Presidente Dallin H. Oaks disse: “Sabemos que muitos são vítimas inocentes — membros cujo ex-cônjuge quebrou diversas vezes convénios sagrados, abandonou as suas responsabilidades no casamento ou se recusou a cumpri-las por um extenso período. Os membros que passaram por este tipo de abuso sabem por experiência própria que existem coisas piores que o divórcio” (“Divórcio”, Liahona, mai. 2007; adaptado para português europeu).

    O Presidente James E. Faust afirmou: “Na minha opinião, ‘justa causa’ [para o divórcio] não deve ser nada menos sério do que um relacionamento prolongado e aparentemente irremediável, que destrói a dignidade de uma pessoa como ser humano” (“Volta para casa, pai”, Liahona, mai. 1993; adaptado para português europeu).

  15. Correspondência pessoal, 3 fev. 2026.

  16. Isaías 40:28–29, 31; ênfase acrescentada.