2025
Tu És o Cristo
Maio de 2025


11:12

Tu És o Cristo

(Mateus 16:16)

Queremos que as nossas crianças acreditem em Jesus Cristo, pertençam a Jesus Cristo e à Sua Igreja por convénio e se esforcem por ser como Jesus Cristo.

Quando o nosso filho, Eli, estava no quarto ano, a turma dele organizou uma simulação de governo, onde ele foi eleito pelos seus colegas para ser o juiz da turma. Certo dia, um juiz do Tribunal da Segunda Instância de Utah visitou-os, colocou as suas vestes oficiais no Eli e administrou à turma um juramento de tomada de posse. Isto despertou na alma jovem e impressionável do Eli uma paixão pelo estudo da lei e pelo próprio Legislador, Jesus Cristo.

Após anos de esforço diligente, o Eli recebeu um convite para uma entrevista numa das melhores faculdades de direito da sua escolha. Ele disse: “Mãe, fizeram-me dez perguntas. A pergunta final era: ‘De onde retira a sua bússola moral?’ Declarei que, ao longo da história, a humanidade tem criado sistemas de moralidade ao estruturar a sua vida a partir de arquétipos. O arquétipo de moralidade pelo qual me esforço por estruturar a minha vida é Jesus Cristo. Declarei que se toda a humanidade seguisse os ensinamentos de Jesus Cristo do Sermão da Montanha, o mundo seria um lugar melhor e mais pacífico”. Depois, a entrevista terminou e ele pensou: “Lá se vão os meus sonhos de criança. Ninguém no meio académico secular quer ouvir falar de Jesus Cristo”.

Duas semanas depois, o Eli foi admitido com uma bolsa de estudos. Antes de nos comprometermos, visitámos a universidade. A Faculdade de Direito parecia um castelo e estava situada no alto de uma colina com vista para um belo lago. É notável que, à medida que percorríamos a magnífica biblioteca e os corredores imponentes, encontrámos em faixas e esculpidos em pedra os atributos do Sermão da Montanha.

O Sermão da Montanha é decisivamente o discurso mais notável alguma vez proferido, pioneiro nos seus ensinamentos. Nenhum outro sermão nos pode ajudar a compreender melhor o carácter de Jesus Cristo, os Seus atributos divinos e o nosso propósito final de nos tornarmos como Ele.

Um discipulado de Jesus Cristo ao longo da vida começa nos nossos lares, e na Primária, a partir dos 18 meses de idade. Queremos que as nossas crianças acreditem em Jesus Cristo, pertençam a Jesus Cristo e à Sua Igreja por convénio e se esforcem por ser como Jesus Cristo.

Acreditar em Jesus Cristo

Primeiro, acreditar em Jesus Cristo.

Depois do sermão do pão da vida, “muitos dos discípulos [do Senhor]” acharam difícil aceitar os Seus ensinamentos e doutrina, e “tornaram para trás, e já não andavam com ele”. Jesus volta-se, então, para os Doze e faz-lhes uma pergunta dilacerante: “Quereis vós também retirar-vos?”

Pedro respondeu:

“Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.

[…] Nós cremos e sabemos que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”.

Tal como demonstrou Pedro, acreditar é “ter fé em alguém ou aceitar algo como verdadeiro”. E para que a nossa fé nos leve à salvação, tem de estar centrada no Senhor Jesus Cristo. Exercemos fé em Jesus Cristo quando temos a certeza que Ele existe, a compreensão do Seu verdadeiro carácter e natureza e o conhecimento de que estamos a esforçar-nos por viver de acordo com a Sua vontade.

O nosso amado profeta, o Presidente Russell M. Nelson, declarou: “A fé em Jesus Cristo é o alicerce de toda a crença e o canal do poder divino”.

Como é que podemos ajudar as crianças a reforçar a sua crença em Jesus Cristo e a aceder ao Seu poder divino? Não precisamos de ir para além do próprio Salvador.

“[O Senhor] falou ao povo, dizendo:

Eis que eu sou Jesus Cristo. […]

Levantai-vos e aproximai-vos. […]

A multidão [adiantou-se] e meteu as mãos no seu lado, e apalpou as marcas dos cravos [nas] suas mãos e [nos] seus pés; e isto fizeram adiantando-se um por um […] e viram com os próprios olhos, apalparam com as mãos e souberam com toda a certeza, testemunhando que [era] ele”.

Convido-vos a refletir sobre o que isto pode significar na vida das crianças pequenas. Será que elas ouvem testemunhos de Jesus Cristo e do Seu evangelho? Será que elas veem imagens reverentes e de adoração do Seu ministério e da Sua divindade? Será que elas sentem e reconhecem o Espírito Santo a testificar da Sua realidade e divindade? Será que elas conhecem a Sua mensagem e missão?

Pertencer a Jesus Cristo e à Sua Igreja

Segundo, pertencer a Jesus Cristo e à Sua Igreja.

O povo do rei Benjamim vivenciou uma poderosa mudança de coração e, por convénio, dedicou a vida a fazer a vontade de Deus. Por causa do convénio que fizeram com Deus e Jesus Cristo, foram “chamados progénie de Cristo, filhos e filhas dele”. Como membros d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias temos a responsabilidade por convénio de edificar o Seu reino e preparar o Seu regresso.

Materiais para preparar as crianças para uma vida inteira no caminho do convénio de Deus.

Como é que podemos ajudar as crianças a fazer e a guardar convénios sagrados? Nos apêndices A e B do manual Vem, e Segue-Me, encontramos ideias para iniciar conversas e lições que capacitarão as famílias e apoiarão os professores e líderes na sua sagrada responsabilidade de preparar as crianças para uma vida inteira no caminho do convénio de Deus.

Tornar-se Semelhante a Jesus Cristo

Terceiro, tornar-se como Jesus Cristo.

No Livro de Mórmon, o Salvador admoestou os Seus discípulos recém-chamados a emulá-Lo o mais fielmente possível: “Que tipo de homens devereis ser? Em verdade vos digo que devereis ser como eu sou”.

Como é que podemos ajudar as crianças batizadas e confirmadas a cumprir a sua responsabilidade por convénio de se congregarem a elas e a outros em Jesus Cristo? O discipulado ao longo da vida requer que sejamos “cumpridores da palavra, e não somente ouvintes”.

Quando estenderem convites aos discípulos mais jovens do Senhor, aproveitem todas as oportunidades para os conduzir, guiar, caminhar ao seu lado e ajudar a encontrar O Caminho. Reúnam-se com estes preciosos pequeninos à medida que eles se preparam para ensinar, testificar, orar, ou servir para que eles tenham confiança e sintam alegria ao cumprir as suas responsabilidades. Procurem formas inspiradas de os ajudar a saber que esta é a Igreja deles e que eles têm um papel vital a desempenhar na preparação para o regresso do Salvador.

Quando Jesus Cristo se torna o foco das nossas vidas, aquilo que desejamos e a forma como o desejamos são alterados para sempre. A conversão muda tudo! Muda a nossa natureza “de modo que não temos mais disposição para praticar o mal, mas, sim, de fazer o bem continuamente”. Muda a forma como gastamos o nosso tempo, os nossos recursos; o que lemos, vemos, ouvimos e partilhamos. Muda até a forma como respondemos numa entrevista distinta, académica, em que a carreira está em jogo.

Precisamos de infundir a Luz de Jesus Cristo em todos os cantos da nossa vida. Se não estivermos a testificar da veracidade da Sua divindade pré-mortal, da Sua missão divina e da Sua Ressurreição libertadora nos nossos lares e em cada uma das reuniões desta Igreja, então as nossas mensagens de amor, serviço, honestidade, humildade, gratidão e compaixão podem tornar-se em nada mais do que alegres discursos de incentivo a uma vida ponderada. Sem Jesus Cristo não há poder para mudar, não há um objetivo a almejar e não há reconciliação das dificuldades da vida. Se nos tornarmos descuidados no nosso discipulado de Jesus Cristo, isso pode ser catastrófico para as nossas crianças.

Será que quando dizemos às nossas crianças que as amamos, também lhes estamos a dizer que o Pai Celestial e o Salvador Jesus Cristo as amam? O nosso amor pode confortar e inspirar, mas o amor d’Eles pode santificar, exaltar e curar.

Este Jesus não deve ser um Jesus fictício, ou um Jesus simplista, ou um Jesus sem corpo, ou um Jesus descuidado, ou um Jesus desconhecido, mas sim, um Jesus glorificado, omnipotente, ressurreto, exaltado, passível de ser adorado, poderoso, Filho Unigénito de Deus, que é poderoso para salvar. Como uma criança nas Filipinas me testemunhou um dia: “Nós merecemos ser salvos!” No sagrado e santo nome d’Aquele “ao qual Deus propôs para [ser a grande] propiciação”, Jesus Cristo. Amém.

Notas

  1. Ver Mateus 5–7.

  2. O Presidente Thomas S. Monson disse que o Sermão da Montanha foi “o maior sermão alguma vez proferido” (“The Way Home”, Ensign, mai. 1975, p. 15; versão em inglês).

  3. Ver “Buscar Atributos Cristãos”, capítulo 6 do Pregar [o] Meu Evangelho: Um Guia para [Partilhar] o Evangelho de Jesus Cristo (2023), pp. 123–38.

  4. João 6:66; ênfase acrescentada.

  5. João 6:67.

  6. João 6:68-69; ênfase acrescentada.

  7. Guia para Estudo das Escrituras, “Crença, Crer”, Biblioteca do Evangelho.

  8. Ver Atos 4:10–12; Mosias 3:17; Moróni 7:24–26; Artigos de Fé 1:4.

  9. Tópicos e Perguntas, “Fé em Jesus Cristo”, Biblioteca do Evangelho; ver também Lectures on Faith (1985), p. 38.

  10. Russell M. Nelson, “Cristo Ressuscitou; Fé Nele Moverá Montanhas”, Conferência Geral, abr. 2021.

  11. 3 Néfi 11:9–10, 14–15; ênfase acrescentada.

  12. Ver Mosias 5:2; Alma 5:12, 14.

  13. Mosias 5:7.

  14. Ver Russell M. Nelson, “O Senhor Jesus Cristo Virá Novamente”, Liahona, nov. 2024.

  15. Ver apêndice A, “Para os pais — Preparar os Filhos para uma Vida Inteira no Caminho do Convénio de Deus”, e apêndice B: “Para a Primária — Preparar as Crianças para uma Vida Inteira no Caminho do Convénio de Deus”, no Vem, e Segue-Me — Para o Lar e para a Igreja: Doutrina e Convénios 2025.

  16. 3 Néfi 27:27; ver também 2 Néfi 2:6–8; Moróni 7:48. As escrituras ensinam que aqueles que herdarão o reino celestial são indivíduos justos que, pela graça de Jesus Cristo, se tornaram semelhantes a Ele.

  17. Ver “Uma Mensagem do Presidente Russell M. Nelson para as Crianças” (vídeo, De Amigo para Amigo, transmissão de 2021), Biblioteca do Evangelho.

  18. Tiago 1:22.

  19. Ver “Sou um Filho de Deus”, Hinos, n.º 193; ver também João 14:6.

  20. Ver Seleções do Manual Geral: Servir n’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias, 12.2.1.2, 29.2.1.4, Biblioteca do Evangelho.

  21. Ver Seleções do Manual Geral, 29.2.2.

  22. Ver Seleções do Manual Geral, 12.2.1.2, 29.6.

  23. Ver Seleções do Manual Geral, 12.2.1.3; “Primary Children Invited to Serve Other Children in 2025”, 9 jan. 2025, newsroom.ChurchofJesusChrist.org. versão em inglês.

  24. Ver Atos 1:11; 1 Tessalonicenses 4:16; Doutrina e Convénios 1:12; 34:6–7; 49:7.

  25. Mosias 5:2.

  26. Ver João 8:12; Doutrina e Convénios 93:2.

  27. Ver Alma 19:6.

  28. Ver Doutrina e Convénios 76:4.

  29. Ver João 3:14–17.

  30. Ver 1 Coríntios 15:20–23.

  31. Ver Becky Craven, “Cuidadoso ou Casual?”, Conferência Geral, abr. 2019.

  32. Ver 2 Néfi 25:26.

  33. Ver João 3:16; 13:34–35; 1 Néfi 19:9.

  34. Ver Moisés 6:59–60; Moróni 10:33.

  35. Ver Doutrina e Convénios 14:7; 84:36–38; Moisés 1:39. O Presidente Joseph Fielding Smith escreveu: “O Pai prometeu, por meio do Filho, que tudo o que Ele tem será dado àqueles que forem obedientes aos Seus mandamentos. Eles aumentarão em conhecimento, sabedoria e poder, indo de graça em graça, até que a plenitude do dia perfeito irrompa sobre eles” (Doutrinas de Salvação, comp. Bruce R. McConkie (1955), 2:36.

  36. Ver 3 Néfi 17:7.

  37. Ver 2 Pedro 1:16–18; Joseph Smith — História 1:17.

  38. Ver Doutrina e Convénios 110:1–4.

  39. Ver Dallin H. Oaks, “Apostasy and Restoration”, Ensign, mai. 1995, pp. 84–86; versão em inglês.

  40. Ver Elder D. Todd Christofferson:

    “A importância de se ter um sentido do sagrado é simplesmente esta: se uma pessoa não aprecia as coisas sagradas, ela as perderá. Na ausência de um sentimento de reverência, ela tornar-se-á cada vez mais descuidada em atitude e negligente em conduta. Afastar-se-á da segurança que os seus convénios com Deus poderiam proporcionar. O seu sentimento de responsabilidade perante Deus diminuirá e depois será esquecido. A partir daí, preocupar-se-á apenas com o seu próprio conforto e com a satisfação dos seus apetites descontrolados. Por fim, chegará a desprezar as coisas sagradas, até mesmo Deus, e depois desprezar-se-á a si própria.

    Por outro lado, com o sentido do sagrado, cresce-se em compreensão e verdade. O Espírito Santo torna-se o seu companheiro frequente e depois constante. Cada vez mais ela estará em lugares santos e ser-lhe-ão confiadas coisas santas. Ao contrário do cinismo e do desespero, o seu fim é a vida eterna” (“A Sense of the Sacred” [Devocional da Universidade Brigham Young, 7 nov. 2004], speeches.byu.edu).

  41. Ver Atos 17:23; Alma 30:52–53.

  42. Ver João 17:3–5.

  43. Ver Mosias 3:5.

  44. Ver Lucas 24:1–6; 3 Néfi 11.

  45. Ver Filipenses 2:9–11.

  46. Ver 2 Néfi 25:29.

  47. Ver Êxodo 19:16; Lucas 4:32; João 1:12; Romanos 13:1; 1 Néfi 17:48.

  48. Ver João 3:16.

  49. Ver 2 Néfi 31:19; Alma 7:14; 34:18.

  50. Romanos 3:25; ver também 1 João 2:2; 4:10.